quarta-feira, 18 de março de 2015

Rua Do Olhar, Carlos Drummond de Andrade

Rua do Olhar

Entre tantas ruas
Que passam no mundo

A Rua do Olhar,

Em Paris, me toca.


Imagino um olho

Calmo, solitário,

A fitar os homens que voltam cansados.


Olhar de perdão

Para os desvarios,

De lento conselho

E cumplicidade.



Rua do Olhar:

As casas não contam,

Nem contam as pedras,

Inertes no chão.


Só conta esse olho

Triste, na tarde, percorrendo o corpo,

Devassando a roupa...