quarta-feira, 25 de março de 2015

Dona Alegria



Dona Alegria pediu-me uns versos.
Oh, certamente que eu lh'os faria ...
     Que versos lindos, suaves e tersos
      não merecera Dona Alegria!

Dona Alegria dos grandes olhos,
grandes e belos, da cor do Céu...
Que tem catleias florindo, aos molhos,
à nívea copa de seu chapéu...

Dona Alegria perdeu a luva.
Nem sabe como! Foi outro dia:
tomando um bonde, fugindo à chuva...
Contudo, riu-se Dona Alegria.

Dona Alegria na rua Nova,
Vai ao cinema? Vai com a mamã.
     Dona Alegria dá-me uma trova!
     Não tenho um verso para amanhã.

Dona Alegria cheia de graça,
de quem sou poeta e de quem  sou servo,
passa sorrindo com a mamã... Passa...
E eu lembro uns versos de Amado Nervo.


Dona Alegria mando-lhe agora
as rimas pobres desta poesia.
Perdoe-me , e ainda pela demora...
Mas... vão com a luva, Dona Alegria

                Austro Costa (1899-1953)


In Mulheres e rosas;Vida e sonho; De monóculo/Austro Costa - 2.ed. revista - Recife: Cepe, 2012



Do mesmo autor:
A Morte do Cisne - postada em: 22.3.15
Capibaribe, Meu Rio - postada em:20.3.15