quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Pedro Bandeira, por minha filha

Pedro Bandeira faz parte da minha infância. E da de muita gente também.


                       Quando eu era criança, ler era uma brincadeira. Eu corria na rua com os meninos e brincava de Barbie com as meninas. Mas sentar e curtir um livro também era uma das opções de diversão. Minhas memórias de infância incluem as quedas que eu levei, os nomes que a gente dava para nossas bonecas e também as muitas histórias legais que eu li. Então, quando a minha mãe (a dona desse blog aqui) me mandou uma foto do autógrafo que ela tinha conseguido com um dos meus autores favoritos dessa época, vocês já podem imaginar a minha alegria.
          Pedro Bandeira esteve aqui no Recife promovendo seu mais recente livro, A Droga da Amizade. Quem tem em torno dos trinta como eu (um pouco mais ou um pouco menos dependendo da margem de erro do Ibope) conhece bem esse autor. Muitas escolas tinham seu clássico, A Droga da Obediência, na lista de leitura do ano. Mas a minha relação com Pedro Bandeira é diferente e eu aposto que muitos da minha geração também pensam assim. Eu li A Droga da Obediência primeiro. Li porque eu quis, sem a escola mandar. Não sei como ouvi falar dele pela primeira vez. Os personagens, Os Karas, eram da minha idade ou um pouco mais velhos. Eram adolescentes super inteligentes e empolgados em resolver os mistérios da história. Eu era uma pré-adolescente metida que se achava super inteligente e estava empolgada para ver aonde o livro ia me levar.
         Daí para o negócio virar vício foi um pulinho. Pântano de Sangue, aliás, foi o primeiro livro que eu comprei com meu próprio dinheiro. Da mesada, tudo bem, mas era meu. Tenho o livro até hoje, todo velhinho. Li todos de Pedro Bandeira em sequência, A Droga do Amor, Anjo da Morte e A Marca de uma Lágrima (que não tinha os mesmos personagens). Cada um deles trazia os Karas em uma aventura diferente e ensinavam algo sobre história, geografia, etc. Eram tramas interessantes, com linguagem fácil (mas não bobas) e capturavam o espírito adolescente tão bem que fisgavam o leitor dessa idade. Eu amava Os Karas. Eu queria ser Magrí, mas estava mais para Chumbinho. Não porque eu era gordinha, mas porque eu era a mais nova que achava que podia se enturmar com os garotos descolados. E Miguel? Quem não amava Miguel?

           Eu brincava de Karas com outros pirralhas da rua. Eu usava frases usando o código secreto dos Karas. Eu admito que até hoje sei uma decorado. Parece que começou nessa época a minha mania de ficar obcecada com uma coisa e querer aprender tudo sobre aquilo. Mais ou menos nesse período deve ter começado também a minha vontade de ler e escrever como profissão. Eu tinha milhões de diários para contar as minhas (FANTÁSTICAS) histórias de pré-adolescente, escrevia (FANTÁSTICAS) histórias de ficção e lia um bocado. Aí, nesse delírio de menina, achei que era uma boa ideia escrever para Pedro Bandeira sugerindo uma história para os Karas. Fiz a carta com os detalhes da trama e mandei para ele. Hoje não me lembro de jeito nenhum qual era a minha ideia. Mas lembro, com vergonha, que eu me coloquei no possível livro como um dos personagens. A louca!
          Então Pedro Bandeira me respondeu. Ele disse: “minha filha, você está doida?!” Não, não. Brincadeira. Ele respondeu bem fofinho, agradeceu o fato de eu ter lido os livros dele e explicou calmamente que não era bem assim que o processo criativo dele funcionava e tals. Será que ele recebia muita carta de leitores? Será que muitos pediam para ser incluídos nos livros? Será que muitos diziam “escreve um livro assim ó” e mandam uma trama inteira? Para ele deve ter sido uma em um milhão, mas a carta que eu recebi dele me deixou muito feliz.
             Os Karas fizeram parte da minha infância / pré-adolescência. Pedro Bandeira fez parte dessa fase tão engraçada e importante da minha vida. Hoje, estou aqui com mais um livro dos Karas para ler. Em A Droga da Amizade, os personagens estão adultos, da minha idade. Como será que isso vai funcionar? De qualquer jeito, é divertido ter mais uma aventura de Pedro Bandeira nas mãos. E esta é também especial. O livro tem aquele autógrafo que minha mãe pegou com ele. E não só para mim. Ele rabiscou o livro me oferecendo “mil beijocas” e também deixou um recado para o meu sobrinho (o neto dessa blogueira coruja) pedindo “leia bastante”.  Ele só tem um ano, mas vamos ver se no futuro ele vai fazer parte de mais uma geração viciada nos Karas.
Beijocas, Pedro Bandeira.
Beijocas, mãe.