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Era uma vez...Adivinha adivinhão, Luis da Câmara Cascudo

     Era uma vez um homem muito sabido, mas infeliz nos negócios. Já estava ficando velho e continuava pobre como Jó. Pensou muito em melhorar sua vida e resolveu sair pelo mundo dizendo-se adivinhão. Dito e feito. arrumou uma trouxa com a roupa e largou-se.
     Depois de muito andar, chegou ao palácio de um rei e pediu licença para dormir. Quando estava jantando, o rei lhe disse que o palácio estava cheio de ladrões astuciosos. Vai o homem e se oferece para descobrir tudo, ficando um mês naquela beleza. O rei aceitou.

     No outro dia o homem passou do bom e do melhor e não descobriu coisa nenhuma. Na hora do jantar, quando o criado trazia o café, o adivinho exclamou, referindo-se ao dia que passara:
     - Um está visto!
     O criado ficou branco de medo, porque era justamente um dos larápios. No dia seguinte veio outro criado, ao anoitecer, e o adivinhão repetiu:
     - O segundo está aqui!
     O criado, também gatuno, empalideceu e atirou-se de joelhos, confessando tudo e dando o nome do terceiro cúmplice. Foram presos, e o rei ficou satisfeito com as habilidades do adivinho.
     Dias depois roubaram a coroa do rei, e este prometeu uma riqueza a quem adivinhasse o ladrão.
     O adivinho reuniu todos numa sala e cobriu um galo com uma toalha. Depois explicou que todos deviam passar a mão nas costas da ave. O ladrão seria denunciado pelo canto do galo.
     O adivinho, cada vez que alguém ia meter o braço debaixo da toalha, fazia umas piruetas e dizia, alto:
     Adivinha adivinhão,
     A mão do ladrão!
     Todos acabaram de fazer o serviço, e o adivinho mandou que mostrassem a palma da mão. Dois homens estavam com as mão limpas, e os demais, sujos de fuligem.
     - Prendam estes dois que são ladrões da coroa!
     Os homens foram presos e eram eles mesmos. A coroa foi achada. O adivinho explicou a manobra. O galo estava coberto de queimado de panela, emporcalhando a mão de quem lhe tocasse nas costas. Os dois ladrões não quiseram arriscar a sorte, e por isso fingiram apenas fazer o combinado, ficando com as mãos limpas.
     O rei deu muito dinheiro ao adivinhão, e este voltou rico para sua terra.
   

Vários autores
Ed.:Global
Ano: 2006








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Comentários

  1. lINDO DEMAIS.

    nO MEU 5º ANO TIVE NA PROVA ESTE TEXTO PARA COMENTAR.
    hOJE COM63 ANOS IMAGINO O QUE SERIA DOS ALUNOS DA ESCOLA PÚBLICA SE FICASSEM FRENTE A FRENTE COM ESTE TEXTO

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    Respostas
    1. Caro desconhecido, na época em que postei algumas jovens disseram conhecer o texto que inicialmente deixei sem o final e perguntava como o ele sabia quem era o ladrão. Muito tempo depois é que coloquei o texto completo.
      Agradeço a visita ao blog. Abraço.

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  2. Queria um outro final para esse conto

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sério? Tive uma ideia: reescreva com seu final, envie e eu publico. desde que vc se identifique. O blog agradece a visita.

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