segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Segunda-feira poética: A Ternura

















A TERNURA
Álvaro Pacheco.
Num domingo sobreposto,
ressuscitarei umas auroras
resistentes de minha carne
e qualquer sensação sobrevivente
da juventude anterior.
São outros tempos, ou apenas
outras circunstâncias, talvez
porque adormeci
e deixei que as pessoas se fossem
e não disse as palavras necessárias,
ou mesmo
porque estou muito cansado
e não sinta mais as coisas
como elas deviam ser, muito ternas
e inocentes — acho
que é terrível envelhecer,
muito ruim ser velho
ou apenas viver mais do que os outros,
esquecendo-me, dentro do tempo,
de como era lidar suavemente
com a ternura.