quarta-feira, 25 de maio de 2011

Sozinho, Eduardo Oliveira Freire


 A menina procurou uma peça bem pequena do quebra-cabeça, que acabara de ganhar de presente.

- Não acho, mãe! - começou a chorar.

- Quem manda, não ter cuidado com suas coisas.- disse a mãe.

Ela continuou a chorar por algum tempo, depois, esqueceu-se da pecinha perdida. Foi brincar com uma coleguinha da rua, onde morava. Aprendeu, que se perde algo ou alguém.

No fim da tarde caiu uma tempestade, típica chuva de verão.

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Uma peça se separa do quebra-cabeça. Almeja conhecer outras paisagens. Um grito intenso surge em sua consciência: "Quero ser só".

O vento a sopra para baixo da mesa. A vassoura a varre para fora da casa. A água do rio transborda, carregando-a para longe.

Ela nunca voltou para casa, nem sabe mais o caminho de volta. Esqueceu-se de seu passado. Vive intensamente o presente:

"Eu sou o meu próprio quebra-cabeça".




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