sábado, 23 de junho de 2018

Deus Há de Ser, Pedro Luis, voz: Elza Soares

https://www.youtube.com/watch?v=5TR-LISwDCo
Clique na imagem para ouvir a música.
Deus é Mãe
E todas as ciências femininas

A poesia, as rimas
Querem o seu colo de madona
A poesia, as rimas querem o seu colo de madona

Pegar carona nesse seu calor divino
Transforma qualquer homem em menino
Ser pedra bruta nesse seu colar de braços
Amacia dureza dos fatos
Deus é Mulher
Deus há de ser
Deus há de entender
Deus há de querer
Que tudo vá para melhor
Se for mulher Deus-há-de-ser
Deus-há-de-ser Fêmea
Deus-há-de-ser Fina
Deus-há-de-ser Linda

Deus-há de Ser
Deusa
Deus é Mãe


Deus é Mulher - Elza Soares - Abril 2018
CD e Vinil
 

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Denuncie. Não Fique Calada


                                                 Ajude a mudar a história das mulheres.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Pra Não dizer Que Não Falei de Futebol, Artur Carvalho


    
Eu nunca consegui ser um torcedor de futebol digno do nome. Um desses torcedores normais, entende? Que vai ao estádio gritar por seu time, ou pelo menos um desses que ficam em casa, assistindo aos jogos pela TV. Pra ser sincero, eu bem que tentei. Quando era moleque, fui até sócio da Torcida Jovem da gloriosa Associação Atlética Ponte Preta de Campinas. Mas eu não consegui pegar o jeito da coisa. Enquanto que para os meus companheiros a derrota da Ponte significava uma tragédia grega, para mim tanto fazia.
      - Mas o que é que você está fazendo?
      - Eu? Pedindo uma cerveja, oras.
      - Mas como é que você pode pedir cerveja numa hora dessas?
      - E o que é que você queria que eu pedisse? Cianureto?
      - Bem, não deixa de ser uma idéia...
      Mas esses torcedores assim, a gente até que consegue entender. Eles estão lá, querendo o bem de uma agremiação que eles conhecem desde crianças. É uma coisa bastante parecida com o patriotismo. Todos nós queremos o bem do nosso país. Lutamos por ele. Torcemos por ele.
      Agora, o que não dá pra entender são esses caras que torcem CONTRA os outros times. Às vezes, eles torcem mais contra um time do que a favor do time deles mesmos. Têm uns palmeirenses vizinhos meus que a coisa chega a ser até meio doentia. No dia em que o Santos perdeu para o Boca Juniors, na decisão da Taça Libertadores da América, os caras soltaram até rojão. Eu, que não estava assistindo ao jogo, teve uma hora que achei que o Santos estava dando uma sonora goleada no Boca.  Era um rojão atrás do outro. Gritos de gol. Fiquei curioso. Fui ligar a televisão e o Santos perdia de três a um. Logo depois, o jogo acabou, e os vizinhos saíram para a rua aos berros. Eu não me lembro de eles terem feito tamanha festa nem quando o Brasil foi pentacampeão. E neste último domingo a coisa se repetiu. Desta vez a vítima foi o Corinthians, que perdeu pelos mesmos três a um do Atlético do Paraná. A maior festa. Até mesmo as crianças da casa saíram para a rua, e balançavam bandeiras para os carros que passavam. Bandeiras do Palmeiras, evidentemente.
     A reação dos meus vizinhos mostra bem o que é que essa sociedade competitiva está fazendo com a gente. Ninguém mais se importa realmente com sua própria situação, contanto que seus vizinhos estejam em situação pior. O lance não é ter um carro zero. Se o vizinho tiver um carro 99, basta ter um carro 2.000. Ninguém coloca o filho na melhor escola para garantir o futuro das crianças, mas porque o primo matriculou os filhos deles lá, e a gente vai colocar os nossos numa escola pública?  Mas de jeito nenhum!
      Uma vez eu precisei fazer uma reforminha na minha casa. Nada muito significativo, uma pinturinha aqui, um murinho ali, um jardinzinho acolá, mas, depois de terminada, ficou até que bastante apresentável. Bem, estava eu chegando numa tarde, e encontrei o carro de um colega de serviço estacionado na frente de casa. Eu nem tinha parado direito e ele já estava descendo do carro. Parecia furioso.
      - Como é que você foi fazer uma coisa dessas sem me consultar?
      - Mas fazer o quê?
      - Reformar a sua casa, oras!
      - Mas para quê eu teria que consultar VOCÊ para reformar a MINHA casa?
      - Porque agora a minha mulher quer que eu reforme a nossa também, será que você não entende?!
      Tem coisas que eu não entendo mesmo. E, sinceramente, acho que prefiro ficar sem entender.

Fonte: Carta Maior

Nota: o blog manteve  grafia original. 


sexta-feira, 15 de junho de 2018

Porque Gosto de Sebos e Minha Pedrinha Branca


https://livroerrante.blogspot.com/2013/08/com-preguica-o-jeito-e-divagar.html

Gosto de comprar em sebos e já falei a esse respeito aqui.  Cada livro já chega carregando uma história que eu não vou saber, mas que posso imaginar pelos vestígios que alguns deles trazem.   Dedicatória, anotações,  marcações diversas, rasuras e danos, mofo. Tudo revela o caminho a forma e o tempo porque o livro passou até chegar na minha casa. 
Clique na imagem para ver o texto





Comprei um livro de um poeta de texto duro como pedra. Com o exemplar, que me chegou em ótimo estado de conservação, veio também um conto e uma pedrinha branca. 
Postei no blog o conto explicativo. Perdi a pedrinha, mas não a capacidade de gratidão.

Clique na imagem para ver o texto.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Brasil 4 x 0 Argentina, João Cabral de Melo Neto


Quebraram a chave da gaiola
João Cabral quando jogador.
 

e os quadros-negros da escola.

Rebentaram enfim as grades
que os prendiam todas as tardes
Nos fugitivos, é a surpresa,
vendo que tomaram-se as rédeas


(dos técnicos mudos, mas surpresos
brancos, no banco, com medo).


Estão presos os da outra gaiola
que não souberam abrir a porta:

 
ou não o puderam, contra o jogo
dos que estavam de fora, soltos.


De certo também são capazes
de idênticas libertinagens


uma vez soltos, porém como
se liberar daquele tronco


em que os aprisionaram os táticos
argentinos, também gramáticos.


E enquanto os fugitivos seguem
com a soltura, a sem lei que os regem,


nos bancos é uma a indignação:
dos que vão vencendo e dos que não:


“Voltamos ao futebol de ontem?
Voltou a ser um jogo dos onze


Voltou a ser jogar de pião?
Chegou até cá a subversão?


Como é possível haver xadrez
Sem gramática, bispos, reis?”


Fonte:Carta Maior
Imagem:Futebol e Poesia 

quarta-feira, 13 de junho de 2018

De Um Jogador Brasileiro a Um Técnico Espanhol, João Cabral de Melo Neto

 




Não é a bola alguma carta
que se leva de casa em casa:

é antes telegrama que vai
de onde o atiram ao onde cai.

Parado, o brasileiro a faz
ir onde há-de, sem leva e traz;

com aritméticas de circo
ele a faz ir onde é preciso;

em telegrama, que é sem tempo
ele a faz ir ao mais extremo.

Não corre: ele sabe que a bola,
Telegrama, mais que corre voa.