quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

O Que Será Que Vou Ganhar?

Dei duas sugestões ao meu amigo secreto. Qualquer uma delas vai me agradar imensamente. Preciso, no entanto, conter minha curiosidade.

O Que Eu Pedi a Meu Amigo Secreto?

Em seu romance de estreia, Inez Cabral relata as experiências de quando viajava pelo mundo ao lado da família e do pai e poeta João Cabral de Melo Neto, até a idade adulta. O que vem ao caso é baseado nas experiências pessoais de Inez Cabral e reconstrói parte de sua infância, juventude e idade adulta. Os cenários variados do livro — Barcelona, Recife, Rio de Janeiro, Sevilha, Marselha, Madri, Genebra — são as cidades onde morou, sempre acompanhando o pai, o poeta e diplomata João Cabral de Melo Neto. E para quem acha que este livro é, na verdade, sobre ele, podem esquecer. Aqui o poeta é personagem coadjuvante. Em seu impressionante relato, Inez fala de laços familiares, descobertas pessoais, tentativas e erros, amadurecimento. Vêm ao caso sentimentos, as constantes mudanças de casa, os internatos que frequentou, a entrada na vida adulta, os amores, a maternidade... tudo reconstituído com muito humor. Inez Cabral tem o raro talento de imprimir emoção à narrativa, não importando se o assunto é um fato corriqueiro, uma experiência traumática ou um anedotário familiar. O que vem ao caso é um livro sobre laços familiares irreverente, divertido, uma fantástica jornada entre fragmentos de memória. (Liv. Saraiva)
 
 
Organizada pelo contista, romancista e ensaísta Flávio Moreira da Costa, Aquarelas do Brasil mostra a interação entre a música popular e a literatura brasileira em 33 obras-primas da narrativa curta. Pioneira e criativa, esta é uma antologia que canta em prosa nosso Brasil brasileiro e por isso já no título homenageia uma de nossas músicas mais famosas. Como um acorde de Pixinguinha ou o samba de Ary Barroso, a reunião destes textos é um belo e comovente retrato de nossa cultura musical e literária e encontra sua harmonia em meio a ritmos diversos, inspirada em coisas nossas e outras bossas. (Amazon)












Representante de Pernambuco na ONU Precisa de Nossa Ajuda

Aluno de Lagoa de Itaenga pede ajuda para representar o Estado na ONU

Matéria de: Blog da Folha de Pernambuco
 O estudante Estênio Ferreira, do município de Lagoa de Itaenga (PE), foi aprovado na última quinta-feira (22) para integrar a Delegação Brasileira na Assembleia da Juventude da Organização das Nações Unidas nos dias 15 a 17 de fevereiro, em Nova Iorque. Ele busca agora conseguir recursos para custear as despesas da missão internacional.

O evento, com jovens de mais de 110 países, é voltado para a discussão de temáticas sociais e ambientais, conforme os 17 Objetivos Sustentáveis da ONU. Na Assembleia da Juventude, Estênio terá a oportunidade de contar às experiências que passa no Brasil, principalmente em sua cidade onde coordena de forma voluntária uma biblioteca comunitária com a colaboração do farmacêutico Napoleão Baião e do professor João Francisco.
O projeto, criado em 2017, busca contribuir para o acesso ao conhecimento e despertar em crianças e jovens o hábito da leitura. Os voluntários se dedicam à realização de atividades interativas, como palestras sobre a história de Lagoa de Itaenga, rodas de leitura e saraus. Além disso, na biblioteca também são oferecidas aulas de reforço escolar, Inglês e Espanhol para crianças e adolescentes, gratuitamente.

Apesar de ter garantido uma das vagas do evento, Estênio Ferreira não tem condições de arcar com os custos da viagem e por isso conta com contribuições. "Conto com a ajuda de pessoas que acreditam, por exemplo, que a educação é a principal ferramenta de transformação da sociedade, inclusive no combate aos graves problemas causados pelo avanço da criminalidade", diz Estênio. 


Para colaborar:


terça-feira, 27 de novembro de 2018

Biblioteca Pública Municipal Machado de Assis


Biblioteca Pública Municipal
Cidade de Tailândia - Pará

Precisa dos seguintes livros: 

Reforma Política, o debate inadiável - Murilo
Três Mosqueteiros(Os),  Alexandre Dumas
Fantástico Mistério da Feiurinha (O), Pedro Bandeira
Diário de Um Banana Rodrick é o Cara
Menina Bonita de Laço de Fita
Que é Fascismo e outros ensaios(O), George Orwell
Formação Social da Mente (A),L.S. Vigotskyi
Disciplina Positiva,Jane Nelsen
Importância do Ato de Ler (A), Paulo Freire
Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire
Introdução à Economia, N. Gregori Nankiw
Formação Econômica do Brasil. Celso Furtado
Capital (O), Karl Marx
Curso de Direito Civil Brasileiro,Maria Helena Diniz
Direito Administrativo, Maria Silvia Zanela de Pietro
Teoria Geral do Processo,Antonio Carlos de Araujo Cintra e ooutros
Direito Constitucional,Alexandre de Moraes
Gestão de Pessoal, Idalberto Chiavenato
Introdução à Teoria Geral da Administração, Idalberto Chiavenato
Crônicas de Nárnia (As),C.S.Lewis
Henry Potter e a Câmara Secreta, J. K. Rowling
Henry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, J. K Rowling
A Culpa é das Estrelas, John Green

Doações para o endereço:
Biblioteca Pública Municipal Machado de Assis
Av. Belém s/n Bairro Novo
68.695-000 Tailândia - PA

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Paris é Uma Festa, Ernest Hemingway - Primeira Página

UM BOM CAFÉ NA PLACE SAINT-MICHEL
                                                  
Era época de mau tempo. Chegaria a qualquer momento, no fim do outono. Teríamos de fechar as janelas à noite, por causa da chuva, e o vento frio arrancaria as folhas das árvores de Place Contrescarpe. As folhas ficariam no chão, encharcadas, o vento atiraria a chuva contra os grandes ônibus verdes no ponto terminal e o Café des Amateurs ficaria cheio de gente, suas janelas embaçadas pelo calor e pela fumaça lá dentro. Era um café triste  e mal-administrado, o Amateurs, onde os beberrões do bairro se apinhavam e do qual eu eu me mantinha afastado por causa do cheiro de corpos sujos e do azedo da embriaguez. Os homens e mulheres que o frequentavam viviam bêbados todo o tempo ou, pelo menos, sempre que tinham dinheiro para isso, gastando seus recursos principalmente em vinho que compravam me garrafas de meio litro ou de um litro. Havia anúncios de muitos aperitivos com nomes estranhos, mas poucos clientes se dignavam de tomá-los, exceto como preparação para os copos e copos de vinho com que se embebedariam. As mulheres que se embriagavam eram chamadas de poivrottes.

Hemingway, Ernest. Paris é Uma Festa,Ed.Bertrand Brasil,2012, pág.16 

Imagem La times

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Velha História, Mário Quintana.

    
     Era uma vez um homem que estava pescando, Maria. Até que apanhou um peixinho! Mas o peixinho era tão pequenininho e inocente, e tinha um azulado tão indescritível nas escamas, que o homem ficou com pena. E retirou cuidadosamente o anzol e pincelou com iodo a garganta do coitadinho. Depois guardou-o no bolso traseiro das calças, para que o animalzinho sarasse no quente.
     E desde então ficaram inseparáveis. Aonde o homem ia, o peixinho o acompanhava, a trote, que nem um cachorrinho. Pelas calçadas. Pelos elevadores. Pelos cafés. Como era tocante vê-los no "17"! - o homem, grave, de preto, com uma das mãos segurando uma xícara de fumegante café, com a outra lendo o jornal, com a outra fumando, com a outra cuidando do peixinho, enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava laranjada por um canudinho especial...
     Ora, um dia o homem e o peixinho passeava na margem do rio onde o segundo dos dois fora pescado. E eis que os olhos do primeiro se encheram de lágrimas. e disse o homem ao peixinho:
     "Não, não me assiste o direito de te guardar comigo. Por que roubar-te por mais tempo ao carinho do teu pai, da tua mãe, dos teus irmãozinhos, da tua tia solteira? Não, não e não. Volta para o seio da tua família. E viva eu cá na terra sempre triste!...
     Dito isto, verteu copioso pranto e, desviando o rosto, atirou o peixinho n'água. E a água fez um redemoinho, que foi serenando, serenando... até que o peixinho morreu afogado...

Quintana, Mário. Faz de Conto. Ed. Global São Paulo 2006, págs 8-9 .

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Melhores Livros Infantis de 2018 - Revista Crescer

A Quatro Mãos, Texto e Ilustrações de Marilda Castanha.Ed.Cias das Letrinhas. Idade: a partir de 3 anos


Partindo das mãos, e de seus variados empregos na língua portuguesa, Marilda Castanha constrói uma preciosa história sobre a passagem do tempo, as perdas e as pessoas que nos ajudam a crescer e a construir nossas vidas. Precisamos de mãos para nos afagar, nos dar asas, nos sinalizar que não podemos, nos acenar, nos apoiar. Ao mesmo tempo em que trata da linha da vida, contida na palma da mão, a autora vai mostrando como essa parte do corpo humano gerou tantas expressões: de mão cheia, via de mão única, de mãos dadas, não abre mão, mãos de ferro...

O Passeio. Texto de Pablo Lugones Ilustrações de Alexandre Rampazo.Ed.Gato Leitor. Idade: a partir de 3 anos
Texto de Pablo Lugones e ilustrações de Alexandre Rampazo, Editora Gato Leitor, R$ 41,30. A partir de 3 anos. (Foto: Reprodução)
Preparada, filha?” A menina mal responde e sai voando na bicicleta. Desta página em diante, o leitor percorrerá um longo passeio pelo tempo, acompanhando pai e filha em suas pedaladas. Lado a lado, eles envelhecem abrindo caminho para as descobertas. Um dia, porém, anoitece e não vemos mais o pai idoso ao lado da filha adulta. Nunca se está preparado para isso. Mas o passeio não pode acabar. É hora de empurrar a bicicleta de outra criança.

Lina e o Balão,Texto Komako Sakai Ilustrações: Lucia Hiratsuka,Ed.Pequena Zahar. Idade: a partir de 3 anos
Texto e ilustrações de Komako Sakai, Editora Pequena Zahar, R$ 49,90. A partir de 2 anos. (Foto: Reprodução)Durante um passeio, Lina ganha um balão amarelo. Mas ele não é um simples balão amarelo para ela: é seu amigo. Vão brincar juntos, comer juntos, dormir juntos. O problema é que essa amizade é, por assim dizer, frágil, e um vento leva seu novo amigo para o alto de uma árvore. A menininha fica muito triste com essa possibilidade de perda e vai precisar confiar na sua mãe para tentar manter esse laço de amizade. As crianças bem pequenas vão entender a dimensão desse sentimento e a família toda ficará encantada com os traços delicados da autora japonesa Komako Sakai.

O Sol Se Põe na Tinturaria Yamada, Texto de Claudio Fragata, Ilustrações de Raquel Matsushita. Ed. Pulo do gato. Idade: a partir de 6 anos
Sentado à porta da tinturaria, o senhor Yamada tenta relembrar a cantiga que entoava com os irmãos quando era apenas um menino, em Kyoto. O sol aquece suas lembranças, ele fecha os olhos e repete os versos até recuperá-los dos esconderijos do tempo. Então, chama o neto Hiro e o ensina até ter certeza de que aquela canção não ficará para sempre perdida. “‘Voem até o céu’, aconselhou-lhes a cegonha. ‘Lá estarão livres de todos os perigos’”, ele repete o último verso e tomba a cabeça sobre o peito. Ele voa, mas o legado cultural de sua família viverá.


O caminhão, Texto e Ilustrações de Lúcia Hiratsuka, Ed.Cortez idade: a partir de 3 anos

Falta muito? Quem nunca se deparou com essa pergunta em uma viagem com crianças ou na espera de uma data comemorativa como o Natal? Neste livro, a autora Lúcia Hiratsuka aproveita-se desta ansiedade infantil e de como o tempo para os pequenos passa de forma diferente e cria a expectativa em torno de um caminhão que está para vir e nunca chega. A menina conta as luas, os sóis, questiona os parentes se o caminhão está realmente vindo, prepara a roupa e, finalmente, o grande dia surge. Mas uma chuva pode pôr tudo a perder. O que será que ela aguarda com tanta inquietação? Acompanhe nesta deliciosa viagem, ainda comum pelo interior do país.


A Mulher Que Matou os Peixes, Texto Clarice Lispector, Ilustrações de Mariana Valente.  Ed.Rocco Idade: a partir e 5 anos
Texto de Clarice Lispector e ilustrações de Mariana Valente, Editora Rocco Pequenos Leitores, R$ 44,50. A partir de 6 anos. (Foto: Reprodução)
Nesta edição caprichada, a história escrita por Clarice Lispector em 1968 ganha colagens meio surreais de sua neta Mariana Valente, compondo uma narrativa visual interessante. Combina bem com esse jeito sincero de Clarice escrever para as crianças, que emenda um assunto no outro sem parar, às vezes, sem link, típico da infância. Para explicar por que matou os peixes, ela dá uma volta enorme, passa pela vida e morte de diversos animais, só para deixar claro que gosta de bichos e que o crime não foi premeditado. No fim, além de um texto que prende o leitor e flui deliciosamente, a autora acaba tratando de vida e morte de um jeito que tudo parece uma sucessão natural de acontecimentos do ciclo da vida.

A Ilha do Vovô, Texto e Ilustrações de Benji Davies, Ed.Salamandra.Idade:a partir de 4 anos.
Um dia, o avô de Syd o convida a conhecer o sótão. Em meio a objetos antigos, recolhidos em viagens, há uma porta que abre para um mundo de fantasia. Syd e o avô não estão mais em casa, mas em um navio a caminho da ilha do vovô. Lá, eles brincam e vivem momentos muito felizes até que é chegada a hora de voltar. Mas o idoso não vai sair daquele paraíso. Este é um caminho que o menino precisa fazer sozinho. É com essa metáfora que o livro fala sutilmente sobre morte e perda. E as ilustrações trazem um interessante jogo de encontrar os objetos do sótão ganhando vida na ilha.


Com Quantos Pingos Se Faz Uma Chuva? Texto de Maria Amália Camargo, Ilustrações de Ionit Zilberman, Ed. Ôze. Idade: a partir de 4 anos
Texto de Maria Amália Camargo e ilustrações de Ionit Zilberman, Ôzé Editora, R$ 39. A partir de 4 anos. (Foto: Reprodução)
O livro começa com uma brincadeira de chacoalhar para fazer chover perguntas. E elas aparecem, aos montes, uma mais intrigante que a outra: Quem usa gravata fica com nó na garganta? É preciso ser muito forte para levantar uma questão? Se é verdade que mentira tem perna curta, então a gente pode confiar mais nos pernilongos do que nos cachorros salsichas? O bigode é a sobrancelha da boca? As crianças vão passar bastante tempo pensando em respostas tão malucas quanto essas perguntas. E se prepare para a chuva de dúvidas, risos e fantasia na cabeça da família inteira.

O Mundo Seria Mais Legal, Texto e ilustrações de Marcelo Tolentino, Ed.Cia das Letrinhas, idade: a partir de 3 anos



Já pensou se fosse a Chapeuzinho que engolisse o Lobo Mau? Ou se a gente secasse no varal? É com propostas malucas como essas que o autor, Marcelo Tolentino, tenta criar um mundo mais legal, onde remédio de gripe é picolé e skate não é individual. Em forma de rimas e com ilustrações um tanto surrealistas, o livro convida o leitor a pensar em outras formas de deixar o dia a dia mais divertido.

No Sótão, Texto de Hiawyn Oram Ilustrações de Satosi Kitamura. Ed. Pequena Zahar. Idade: a partir de 3 anos.


Às vezes, tudo que a gente precisa é de um pouco de espaço para deixar a imaginação fazer seu trabalho. O menino deste livro tinha muitos brinquedos espalhados pela casa, mas não conseguia se divertir. Até que um dia ele subiu no sótão, que estava praticamente vazio, e começou a preencher de aventuras sua vida entediante. Que mágica tinha aquele sótão? O tipo de mágica que nossos filhos precisam: espaço livre, tempo ocioso, uma agenda sem cobranças e nenhuma proposta de brincadeira óbvia.

Andar Por Aí, Texto de Isabel Minhós , Ilustrações de Madalena Matoso Ed.34 Idade: a partir de 4 anos
Um convite para sair de casa e andar por aí, inventando 1 milhão de aventuras e perigos. É assim este livro: o menino sempre aceita o convite do avô para passear, mesmo que vá uns passos atrás. É como eles gostam de andar. O avô na frente, falando com as pessoas, e ele atrás, atravessando pontes prestes a cair, escondendo-se de um tigre, pisando só em pedras brancas, contando ônibus, remando sua jangada... Coisas que só ter tempo disponível e sair para a rua podem proporcionar.
 

Polvo Pólvora,Ilustrações de Laurent Cardon, Ed. Idade: 2 anos



O polvinho era esquentado. Ninguém podia rir dele quando se atrapalhava com os oito tentáculos e já se metia em confusão. Mas lá estava sua mãe, para tirá-lo da briga e dos perigos e ensiná-lo a usar a tinta negra, que é a arma de defesa desses animais. O menino, porém, não tinha maturidade e a usou para brincar e importunar outros seres marinhos. Até a hora em que um predador chega e ele se vê sozinho para resolver o problema. No fim, o polvinho acaba fazendo uma descoberta que transforma a vida no fundo do mar.

Duas Casas, Texto de Roseana Murray, Ilustrações de Elvira Vigna, Ed.Abaccate. Idade: a partir de 5 anos.

A separação dos pais é tratada de forma delicada e poética neste livro, que usa como gancho existência de duas casas para sugerir o fim da relação e a divisão da família. Enquanto uma tem amor e brincadeiras, a outra tem apenas fotos e ausências. Mas, observando bem, as duas até que têm coisas em comum... Existe um jeito de amarrar os dois lares?

A Volta dos Gizes de Cera, Texto de Drew Daywalt, Ilustrações: Oliver Jeffers, Ed.Salamandra, Idade: a partir de 4 anos.


Se no primeiro livro os gizes de cera se revoltaram, no segundo tudo o que alguns querem é voltar a ser usados. Desta vez, Diego recebe uma pilha de cartões-postais de seus amigos injustiçados. O bordô, por exemplo, foi esquecido no sofá há dois anos e acabou quebrado. O vermelho-neon foi largado em um hotel e só quer voltar para casa. O amarelo e o laranja, que brigaram no primeiro volume, derreteram no sol e se grudaram. O giz que brilha no escuro está sozinho no porão e com medo dos monstros que ajudou a desenhar. Diego vai arranjar um jeito de agradar a todos os gizes que ele esqueceu, perdeu ou desprezou ao longo do tempo nessa narrativa cheia de humor.

De Flor Em Flor, Texto de JonArno Lawson, Ilustrações de Sydney Smith, Ed.Cia das Letrinhas. Idade: a partir de 4 anos.
Na cidade cinza e de pessoas apressadas, a menina de capuz vermelho parece ser a única a enxergar as flores coloridas. Ela colhe as plantas, sente seu perfume e seu entorno ganha cor. Mas tão singela beleza não pode ficar contida apenas em suas mãos. Gentilmente, a garota sai distribuindo flores de presente. O pequeno gesto vai colorindo tudo, sensibilizando todos e transformando o mundo à sua 
volta. Uma prova do poder do afeto e da gentileza vem sintetizada neste livro-imagem.

Com Que Roupa Irei Para a Festa do Rei?, Texto de Tino Freitas, Ilustrações de Ionit Zilberman. Ed. do Brasil. Idade: a partir de 4 anos
Texto de Tino Freitas e ilustrações de Ionit Zilberman, Editora do Brasil, R$ 56,20. A partir de 4 anos. (Foto: Reprodução)
A resposta ao título do livro é a grande questão desta obra: de que rei estamos falando? Tudo o que o leitor fica sabendo no começo é que um rei iria dar um baile a fantasia e ele próprio se fantasiaria como outro monarca. E quem adivinhasse sua roupa, e fosse vestido igual, ganharia livros como prêmio. Todos os animais fizeram suas apostas e cada um foi vestido de acordo com um rei: Momo, rei da selva, do rock, do futebol, do baião... Qual deles vai acertar? Para desvendar este mistério, basta lembrar do conto A Roupa Nova do Rei, de Hans Christian Andersen.

O Dia da Festa, Texto e Ilustrações de Renato Mariconi, Ed.Pequena Zahar. Idade: a partir de 5 anos


Há muito tempo, os reinos esperam a vinda de um unicórnio para pôr fim às guerras, à fome e às doenças. O rei que o montasse teria prosperidade. E parece que é chegada a hora de a profecia se cumprir. Na primeira página, o leitor se depara com um cavalo branco de chifre dourado. O povoado mais próximo prepara uma festa... Mas aonde esse cavalo vai? Espere por um final bem-humorado, em que o texto conta uma narrativa e as ilustrações outra. Só não tenha pressa de chegar até lá com as crianças. Ao longo das páginas, há imagens familiares e colagens, uma brincadeira do autor ao se apropriar de elementos de pinturas famosas. No fim, ele revela quais obras utilizou para que essa seja a “ponte para outras histórias” – tem Tarsila do Amaral, Hieronymus Bosch, Sandro Botticelli...

Rosa, Texto e Ilustrações de Odilon Moraes. Ed. Olho de Vidro. Idade: a partir de 5 anos.
Texto e ilustrações de Odilon Moraes, Edições Olho de Vidro, R$ 49,90. A partir de 5 anos. (Foto: Reprodução)
Um livro de muitas leituras, muitas camadas, de muita margem para interpretações. Assim é Rosa, uma obra que conta uma história com o texto e diz outra com as ilustrações. Passado e presente. É preciso voltar ao começo para entender as duas leituras independentes, e voltar muitas vezes para perceber as nuances dessa obra tão linda e profunda, que começou a ser pensada em 2005, quando Odilon Moraes virou pai. Portanto, é um título que celebra essa relação, de ser filho, de virar pai. Mas também homenageia Guimarães Rosa, e sua obra-prima A Terceira Margem do Rio, em que um homem larga sua família para viver em uma canoa no meio do rio. No livro de Odilon, porém, o personagem tem a coragem que o de Guimarães não teve para subir na canoa e ir atrás do genitor, rio abaixo, rio afora, rio adentro.

Histórias de Willy, Texto e Ilustrações de Anthony Browne.Ed.Pequena Zahar. Idade: 5 anos


Era uma porta mágica. Toda vez que o menino-macaco a atravessava, caía em uma aventura de tirar o fôlego. Certa vez, apareceu em uma casa que foi levada por um tornado e aterrissou em um local com uma estrada de tijolos amarelos. Em outra, lutou contra um pirata que tinha um gancho no lugar de uma das mãos. Que mistério tinha aquela porta? Esta obra mostra o poder da literatura e instiga as crianças a procurar as histórias clássicas que o personagem começa a contar e não termina. Além disso, incita a descobrir em cada ilustração onde estão escondidos os livros – às vezes é um coqueiro de exemplares, em outra, eles são a parede de uma igreja.

Direitos do Pequeno Leitor, Texto de Patrícia Auerbach, Ilustrações de Odilon Moraes. Ed.Cia das Letrinhas. Idade: a partir de 3 anos






Um livro é um grito de liberdade. Assim, todo pequeno leitor precisa saber que pode tudo com a leitura. Desde se imaginar como o herói de uma história, fazer amigos imaginários e ler onde e como quiser. Esse é o manifesto que Patricia Auerbach fez para as crianças neste livro, inspirado na obra Como um Romance, em que Daniel Pennac encoraja os leitores a transgredirem a leitura, pulando páginas ou até abandonando livros antes do fim. E que Odilon Moraes ilustra com elementos de outras histórias infantis, como Alice no País das Maravilhas e Onde Vivem os Monstros.\

Use a Imaginação, Texto e ilustrações de Nicola O'Byrne, Ed. Brinque-book. Idade: a partir de 3 anos

Para acabar com o tédio do coelho, o lobo propõe que eles usem a imaginação e inventem uma história. O coelho pensa em naves espaciais, explosões, bananas, mas o lobo dá um jeito de conduzir a história para um conto de fadas muito conhecido, em que o vilão é ninguém menos que o próprio lobo. O ingênuo coelho vai cedendo às induções do outro e, quando se dá conta, está fugindo feito louco. Mas de tolo ele não tem nada e vai usar a imaginação para essa história terminar com um final feliz.

Muito Cansado e Bem Acordado, Texto e Ilustrações de Susane Strasser.Ed.Cia das letrinhas. Idade: a partir de 2 anos.

Como é a hora de dormir na sua casa? Crianças extremamente cansadas, mas muito acordadas? É exatamente assim neste livro, em que toda hora um animal acorda, lembra que precisa fazer alguma coisa e se levanta. A foca vai ao banheiro, o jacaré precisa escovar os dentes, o pelicano está com sede... Se este é um problema comum na sua casa, você e seus filhos vão rir com essa leitura – e com a solução que leva todo mundo de volta para a cama.

Deu Zebra no ABC, texto e Ilustrações de Fernando Vilela. Ed. Pulo do gato. Idade: a partir de 3 anos.
Lembra de como era jogar stop? Pois o autor Fernando Vilela usou da mesma lógica para criar um livro que brinca com o leitor. A cada página, um animal de uma letra do alfabeto é apresentado, sempre ligado ao anterior, e ele só pode praticar ações que comecem com sua própria letra – a menos que seja impossível. Assim, o hipopótamo hipnotiza a iguana, que imita a boca do jacaré, que joga seu rabo no koala... Nessa brincadeira, que não acaba muito bem, Vilela consegue desenhar mais de 90 bichos – que vocês podem tentar adivinhar antes de consultar a última página.

Adelaide, A Canguru Voadora, Texto e ilustrações de Tomi Ungerer. Ed.Aletria Idade: a partir de 4 anos.
Adelaide nasceu com asas. Onde já se viu canguru nascer assim? Um dia, se despediu dos pais, bateu asas e voou pelo mundo, numa busca por autoconhecimento. Em Paris, ela decidiu permanecer por mais tempo e acabou virando celebridade de um teatro de variedades. Ela estava feliz, mas queria conhecer alguém igual a ela. Até que, um dia, ela salva duas crianças de um prédio em chamas e descobre que as diferenças é que fazem as pessoas se tornarem únicas.


A Casa do Cuco, Texto e ilustrações de Alexandre Camanho, Ed. Pulo do gato. Idade: a partir de 5 anos.

Quem diria que o relógio cuco ganharia uma lenda tão saborosa? Nesta história de Alexandre Camanho, o pássaro era o responsável por avisar os animais dos perigos da floresta, e vivia atrapalhando os planos de uma bruxa que gostava de saboreá-los. Certa vez, desafiou a inteligência dessa feiticeira a ponto de ela bolar uma artimanha para prendê-lo para sempre nesta casinha de madeira. O plano, no entanto, não saiu como o esperado. Mesmo aprisionado, o cuco nunca deixou de alertar sobre os perigos e mistérios do mundo.


Assopre, Ponha o Curativo e Sarou! Texto de Bern Penners, Ilustrações de Henning Lohlin, Ed. Brinque-book, idade: 0 anos.

Sabe quando a gente dá um beijinho para sarar? É mais ou menos isso o que este livro faz. Mas o leitor, aqui, precisa interagir colando os curativos nos animais machucados – o macaco bateu a testa, a ovelha arranhou a barriga e o cachorro torceu a pata, por exemplo. E não basta grudar o adesivo, é preciso doar também uma dose de afeto, pois para cada machucado há o pedido de assoprar e dar um beijo. Por ser cartonado, o livro permite a brincadeira de colar e descolar, sem medo de amassar.

Pode Pegar! Texto e ilustrações de Janaina Tokitaka, Ed.Boitatá Idade: a partir de 2 anos.

Quem inventou que saia é roupa feminina e gravata é acessório masculino? E se um menino quiser fazer da saia uma capa de super-herói? E uma menina usar a gravata para fazer uma faixa na cabeça? Quem foi que disse que roupa tem de ser dividida por gênero? Certamente, essa pessoa estava inventando uma grande bobagem. É o que questiona esse livro, em que dois coelhinhos vão trocando de roupas sem se importar com regras e transformam o momento em uma grande diversão.

Super, Texto e ilustrações de Jean-Claude Alphen, Ed. Pulo do gato. Idade: a partir de 3 anos
O pai e a mãe saíam cedo para trabalhar e voltavam à noite. Mas a mãe ainda levava e buscava o filho na escola, ia às reuniões de pais, almoçava com ele, dava banho e lia uma história antes de dormir. Curiosamente, era o pai que vestia uma fantasia de super-­herói aos olhos do menino. Para a mãe, sobrava o papel de supercansada. Um dia, porém, o pai deixou de ir ao trabalho e assumiu as tarefas domésticas da mãe – que fazia tudo isso e ainda trabalhava fora. Foi só então que o menino entendeu que sua mãe era, na verdade, uma super-heroína.

A Cor de Coraline, Texto e ilustrações de Alexandre Rampazo 

Qual é o lápis cor da pele? Por muito tempo, a cor salmão (ou semelhante) foi chamada assim, desrespeitando todas as outras cores possíveis de pele. Ainda bem que essa associação já vem sendo desconstruída há alguns anos. E que satisfação é ver Alexandre Rampazo nos presentear com a história de Coraline e Pedrinho. Quando o amigo pede emprestado o lápis cor da pele, ela não sabe qual deles entregar. Seria verde do mesmo tom que os marcianos? Ou vermelho de vergonha? Uma narrativa para acabar de vez com nomenclaturas herdadas e preconceito.

O Caminho de Marwan, Texto de Patricia Arias, Ilustração de Laur Borraz, Ed. Tiroleca, idade: a partir de 4 anos.

Pelos passos de Marwan, o leitor acompanha a saga de milhões de pessoas forçadas a migrar quando “a noite se faz mais fria, mais escura, mais profunda”, diz o menino, referindo-se à chegada dos tanques de guerra. Marwan é pequeno, mas dá passos grandes cruzando o deserto rumo à fronteira, acompanhando uma multidão de refugiados. Na bagagem, um livro de orações, a roupa remendada e a foto da mãe. No coração, uma casa feliz, onde o sol brilhava, e a vontade de um dia poder voltar e plantar um jardim de flores e esperança.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Ciao, Carlos Drummond de Andrade (última crônica de)



Ciao foi publicada no dia 29 de setembro de 1984, no Caderno B do Jornal do Brasil. Era a despedida de Drummond do gênero crônica
 Página do caderno B do Jornal do Brasil, onde Drummond publicou sua última crônica














     Há 64 anos, um adolescente fascinado por papel impresso notou que, no andar térreo do prédio onde morava, um placar exibia a cada manhã a primeira página de um jornal modestíssimo, porém jornal. Não teve dúvida. Entrou e ofereceu os seus serviços ao diretor, que era, sozinho, todo o pessoal da redação. O homem olhou-o, cético, e perguntou:

      -Sobre o que pretende escrever?

    -Sobre tudo. Cinema, literatura, vida urbana, moral, coisas deste mundo e de qualquer outro possível.

     O diretor, ao perceber que alguém, mesmo inepto, se dispunha a fazer o jornal para ele, praticamente de graça, topou. Nasceu aí, na velha Belo Horizonte dos anos 20, um cronista que ainda hoje, com a graça de Deus e com ou sem assunto, comete as suas croniquices.

     Comete é tempo errado de verbo. Melhor dizer: cometia. Pois chegou o momento deste contumaz rabiscador de letras pendurar as chuteiras (que na prática jamais calçou) e dizer aos leitores um ciao-adeus sem melancolia, mas oportuno.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

     Creio que ele pode gabar-se de possuir um título não disputado por ninguém: o de mais velho cronista brasileiro. Assistiu, sentado e escrevendo, ao desfile de 11 presidentes da República, mais ou menos eleitos (sendo um bisado), sem contar as altas patentes militares que se atribuíram esse título. Viu de longe, mas de coração arfante, a  Segunda Guerra Mundial, acompanhou a industrialização do Brasil, os movimentos populares frustrados mas renascidos, os ismos de vanguarda que ambicionavam reformular para sempre o conceito universal de poesia; anotou as catástrofes, a Lua visitada, as mulheres lutando a braço para serem entendidas pelos homens; as pequenas alegrias do cotidiano, abertas a qualquer um, que são certamente as melhores.

     Viu tudo isso, ora sorrindo ora zangado, pois a zanga tem seu lugar mesmo nos temperamentos mais aguados. Procurou extrair de cada coisa não uma lição, mas um traço que comovesse ou distraísse o leitor, fazendo-o sorrir, se não do acontecimento, pelo menos do próprio cronista, que às vezes se torna cronista do seu umbigo, ironizando-se a si mesmo antes que outros o façam.

     Crônica tem essa vantagem: não obriga ao paletó-e-gravata do editorialista, forçado a definir uma posição correta diante dos grandes problemas; não exige de quem a faz o nervosismo saltitante do repórter, responsável pela apuração do fato na hora mesma em que ele acontece; dispensa a especialização suada em economia, finanças, política nacional e internacional, esporte, religião e o mais que imaginar se possa. Sei bem que existem o cronista político, o esportivo, o religioso, o econômico etc., mas a crônica de que estou falando é aquela que não precisa entender de nada ao falar de tudo. Não se exige do cronista geral a informação ou comentários precisos que cobramos dos outros. O que lhe pedimos é uma espécie de loucura mansa, que desenvolva determinado ponto de vista não ortodoxo e não trivial e desperte em nós a inclinação para o jogo da fantasia, o absurdo e a vadiação de espírito. Claro que ele deve ser um cara confiável, ainda na divagação. Não se compreende, ou não compreendo, cronista faccioso, que sirva a interesse pessoal ou de grupo, porque a crônica é território livre da imaginação, empenhada em circular entre os acontecimentos do dia, sem procurar influir neles. Fazer mais do que isso seria pretensão descabida de sua parte. Ele sabe que seu prazo de atuação é limitado: minutos no café da manhã ou à espera do coletivo.

     Com esse espírito, a tarefa do croniqueiro estreado no tempo de Epitácio Pessoa (algum de vocês já teria nascido nos anos a.C. de 1920? duvido) não foi penosa e valeu-lhe algumas doçuras. Uma delas ter aliviado a amargura de mãe que perdera a filha jovem. Em compensação alguns anônimos e inominados o desancaram, como a lhe dizerem: “É para você não ficar metido a besta, julgando que seus comentários passarão à História”. Ele sabe que não passarão. E daí? Melhor aceitar as louvações e esquecer as descalçadeiras.

     Foi o que esse outrora-rapaz fez ou tentou fazer em mais de seis décadas. Em certo período, consagrou mais tempo a tarefas burocráticas do que ao jornalismo, porém jamais deixou de ser homem de jornal, leitor implacável de jornais, interessado em seguir não apenas o desdobrar das notícias como as diferentes maneiras de apresentá-las ao público. Uma página bem diagramada causava-lhe prazer estético; a charge, a foto, a reportagem, a legenda bem feitas, o estilo particular de cada diário ou revista eram para ele (e são) motivos de alegria profissional. A duas grandes casas do jornalismo brasileiro ele se orgulha de ter pertencido ― o extinto Correio da Manhã, de valente memória, e o Jornal do Brasil, por seu conceito humanístico da função da Imprensa no mundo. Quinze anos de atividade no primeiro e mais 15, atuais, no segundo, alimentarão as melhores lembranças do velho jornalista.

     E é por admitir esta noção de velho, consciente e alegremente, que ele hoje se despede da crônica, sem se despedir do gosto de manejar a palavra escrita, sob outras modalidades, pois escrever é sua doença vital, já agora sem periodicidade e com suave preguiça. Ceda espaço aos mais novos e vá cultivar o seu jardim, pelo menos imaginário.

Aos leitores, gratidão, essa palavra-tudo.

Fonte: Brasil Escola