segunda-feira, 20 de maio de 2013

Príncipes da Poesia - final - Paulo Bomfim

Este blog explicou a razão da denominação "príncipe dos poetas".  Copiei parte da primeira postagem explicativa e encerro a série com Paulo Bomfim o 6° e atual príncipe brasileiro.

  Famosa revista carioca do início do século passado, a Fon Fon, numa iniciativa inteligente, fez votação entre os intelectuais da época para escolher quem seria o príncipe da poesia brasileira.
Era o ano de 1907 e o eleito foi Olavo Bilac. Quase duas décadas depois, em 1924 a mesma FonFon, repete a eleição e o novo príncipe é o paulista Alberto de Oliveira em seguida a revista escolhe Olegário Mariano, em 1938. A revista FonFon saiu de circulação em 1958. Olegário Mariano teria sido o último príncipe dos poetas se, nesse mesmo ano, o jornal carioca Correio da Manhã, não tivesse dado continuação à iniciativa da revista.
Guilherme de Almeida, foi eleito pelo jornal o quarto príncipe dos poetas brasileiros. 24 anos depois, em 1982,ainda o Correio da Manhã, escolhe Menotti Del Picchia. Já sem o Correio da Manhã é a vez da Revista Brasília eleger o sexto poeta do principado e o título em 1991 é dado a Paulo Bonfim, com quem está até hoje. ( LivroErrante, 12.11.2012)



Se Me Perdi

Em vícios de encantação
As realidades virtuais
Despetalaram velames
Nas amuradas do cais.

Foram dias, foram noites
Onde de mim me perdi,
Houve luxúria de opalas
E cilícios de rubi. 

Fui caminhando esquecido
No bojo de meus enigmas,
E as ametistas floriram
Na ramagem dos estigmas. 

Se me perdi foi apenas
Motivo de me encontrar,
No vôo de tantas penas,
Meu silêncio e a voz do mar.

*
*
 
Algumas obras do autor:
 

(Fontes: Wikipedia, Google, Página do autor e Livraria Cultura)
 
 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Carlos Pena Filho 84 anos

 Hoje, Carlos Pena Filho completaria 84 anos



PARA FAZER UM SONETO

Tome um pouco de azul, se a tarde é clara,
e espere pelo instante ocasional.
Nesse curto intervalo Deus prepara
e lhe oferta a palavra inicial.

Aí, adote uma atitude avara:
se você preferir a cor local,
não use mais que o sol de sua cara
e um pedaço de fundo de quintal.

Se não, procure a cinza e essa vagueza
das lembranças da infância, e não se apresse.
Antes, deixe levá-lo a correnteza.

Mas ao chegar ao ponto em que se tece
dentro da escuridão a vã certeza,
ponha tudo de lado e então comece.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Quarta-feira é dia de crônica de Paulo Bomfim



Magdalena
     Tia Magdalena é das melhores lembranças que trago da infância.
      Foi companheira e confidente das travessuras do menino solitário rodeado de gente muito mais velha e dos altos muros que cercavam a casa dos avós na Vila Buarque.
      Colecionamos juntos marcas de cigarros que recebíamos das visitas, e, depois, no porão da casa, acabávamos sempre fumando toda a coleção.
      Essencialmente musical, escrevia bem e tinha o dom da sátira. Imitava com muita graça os outros; e os poemas onde retrata as fraquezas e o ridículo de pessoas e situações são peças dignas de serem assinadas por um Moacyr Piza ou por Juó Bananere.
      Ao lado desse aspecto curioso da personalidade, foi durante alguns anos a melhor aluna de piano de Marieta Lion.
      A peça “Noite de São Paulo” de Alfredo Mesquita, encenada no Municipal em 1936, é o divisor de águas de sua vida artística. Desaparecia nesse momento a pianista para surgir em seu lugar a grande cantora.
      Começou estudando com Mademoiselle Bourron, passando a seguir a discípula querida de Vera Janacópolus, irmã de Adriana Janacópolus a escultora que fez aquela cabeça de soldado constitucionalista existente no pátio da Faculdade, no Largo de São Francisco.
      Iniciava-se a carreira da artista que seria a intérprete preferida de Villa-Lobos, Camargo Guarnieri e Mário de Andrade.
      Este último, voltava a conviver com nossa família depois do protesto de meus tios Guilherme e Carlos, do primo Carlos Pinto Alves, de Getúlio Paula Santos e colegas da Faculdade de Direito, no Municipal em 22, durante a Semana de Arte Moderna.
      Paralelamente à música, repetia-se com tia Magdalena, o mesmo drama de desencontros ocorrido com sua tia Alice, meio século antes.
      Ambas se apaixonaram por diplomatas que partiram sem as amadas que não tiveram coragem de deixar os pais enfermos.
      Tia Alice e o embaixador Carlos Magalhães de Azeredo, e tia Magdalena e o embaixador Pytiguar Fleury de Amorim, irmão de sua cunhada Yacyra, casada com o poeta Carlos Magalhães Lebeis.
      Quando Pytiguar ingressou na carreira diplomática, meu avô Sebastião passava muito mal. O casamento com o jovem diplomata foi sendo protelado, protelado, e acabou não saindo nunca.
      Na Argentina, em Portugal, em Liverpool e, posteriormente, em Londres, Pytiguar esperou inutilmente por Magdalena.
      Passou a guerra numa Inglaterra bombardeada, sonhando com alguém que não chegava. Um dia, em dezembro de 48, o coração do embaixador não resistindo a tanta ansiedade, pára de bater em Londres. Seu corpo embalsamado recebe no Rio de Janeiro as honras do Governo e do Itamaraty.
      Tempos depois, o menino Fernando aguardava na sacada de seu apartamento na Rua Cândido Gaffrée, na Urca, o momento em que o navio trazendo da Inglaterra, móveis, livros, quadros e prataria do tio, entraria na Guanabara.
      De longe o vapor vinha se aproximando e meu primo em seu posto de observação informava a família os detalhes da chegada daquela embarcação da Mala Real Inglesa.
      Subitamente grita:
      – Venham ver, o navio está passando aqui em frente e seu nome é Magdalena!
      O Magdalena atracou. Grandes caixotes com seu nome impresso na madeira foram descarregando no porto as lembranças do embaixador.
      Quando o Magdalena, prosseguindo viagem, atravessa novamente a Baía de Guanabara para rumar para Buenos Aires, ocorre então a coisa mais fantástica. Sem mais nem menos, parte-se ao meio e desaparece em poucos minutos!
       O mar unira Magdalena a Pytiguar.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Crônica cantada: Samba do Arnesto

Adoniran Barbosa, foi um cronista da cidade onde nasceu. Cantou São Paulo com carinho, sotaque e humor italianos.



O Arnesto nos convidou pra um samba, ele mora no Brás
Nós fumos não encontremos ninguém
Nós voltermos com uma baita de uma reiva
Da outra vez nós num vai mais
Nós não semos tatu!
No outro dia encontremo com o Arnesto
Que pediu desculpas mais nós não aceitemos
Isso não se faz, Arnesto, nós não se importa
Mas você devia ter ponhado um recado na porta
Um recado assim ói: "Ói, turma, num deu pra esperá
Aduvido que isso, num faz mar, num tem importância,
Assinado em cruz porque não sei escrever"

Arnesto

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Segunda-feira poética: Paulo Leminski

Para Que Leda Me Leia
Leda e o cisne- Prosper Tillier 1860


       para que leda me leia
precisa papel de seda
       precisa pedra e areia
para que leia me leda

       precisa lenda e certeza
precisa ser e sereia
       para que apenas me veja

       pena que seja leda
quem quer você que me leia

domingo, 5 de maio de 2013

ABL nos morros e quarteis



            Nem só de pompa vive a Academia Brasileira de Letras.  Homenageando o poeta baiano Castro Alves a instituição levou livros às comunidade pacificadas e quarteis do Rio de Janeiro no programa "Livros à Mão Cheia" .  Ana Maria Machado, presidente da ABL, João Ubaldo Ribeiro, Ariano Suassuna e Alberto Costa e Silva e outras personalidades da literatura brasileira se fizeram presente na ação divulgadora da leitura. 

(Fonte: Revista Isto É, maio, ed.2267)



sábado, 4 de maio de 2013

Shakespeare em Minas Gerais

     Acabei de saber que em Londres existe um teatro que recria com perfeição o palco onde eram encenadas as peças de Shakespeare. Chama-se Shakespeare's Globe
     Construido em 1599, foi destruido por um incêndio, esteve fechado depois de reconstruido, mas na atualidade está em funcionamento exibindo peças, mantendo exposição educativa, lojinha temática etc. 
     Pois bem, o Brasil, mais precisamente a pequena cidade de Rio Acima, região metropolitana de
Belo Horizonte, MG vai ser presenteado com a construção da única  réplica do Shakespeare's Globe fora de Londres.           
     Nossa réplica mineira que vai ter 1500 lugares, foi conquista do ator e produtor  Mauro Maya.
     O globo de Shakespeare brasileiro vai fazer o país brilhar em 2016 quando o mundo celebrará os 400 anos da morte do grande dramaturgo.


(Fontes:Revista Isto É,maio ed.2267; wikipedia,Google)