segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

A Jornalista Suzana Valença Recomenda.


   Olá!

   Este mês eu li Factfulness, do médico e pesquisador Hans Rosling (que eu fiquei chamando de velhinho sueco). O livro é um maravilhoso descanso para o monte de notícias ruins que lemos todos os dias. Rosling mostra todo o progresso que a humanidade fez nos últimos séculos e aponta caminhos possíveis para continuarmos evoluindo.  

        Terminei a leitura com uma visão melhor do mundo mas sem "dourar a pílula". O livro é uma coleção de dados, gráficos e estudos. Quando você tiver com vontade de dizer "vem, meteoro", lembre-se que já erradicamos doenças, aumentamos o acesso de crianças à educação, e fazemos arte. Temos a capacidade e a inteligência para resolver os problemas que enfrentamos hoje. 

A jornalista Suzana Valença recomenda o livro Factfulness e eu recomendo o site da jornalista

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Só Cinco Vezes Na Vida, José Cândido de Carvalho



 Vinte anos poliram o falecimento de Fifi Mendonça. Foi nessa época que a viúva Mendonça confessou para uma amiga do peito:
     — Marido bom era Fifi! Chegava cedo em casa, todo recoberto de pacotes de manteiga e pão quente. Tinha a mania de seguro de vida. Fui a esposa mais segurada de São João de Meriti. Só na hora de dormir é que Mendonça mudava. Vinha de revólver engatilhado e indagava com boca de lobo e olho em fogo: “dona Jurubaldina, onde está o mancebo teu amante, dona Jurubaldina?”. E danava a percorrer os armários de não deixar uma só peça sem vistoria. Quando dava na veneta, subia de gato pelo teto em risco de quebrar a canela. Uma vez foi parar no forro da casa em ceroulas e de garrucha na mão. Como sou mulher direita, em quinze anos de casamento só cinco vezes Mendonça pegou gente dentro do meu guarda-vestido. No mais, foi rebate falso.

Porque Lulu Bergantim não atravessou o Rubicom
Caricatura de: Agripino Grieca

domingo, 12 de janeiro de 2020

Nascido em 12 de janeiro: Rubem Braga

     Madrugada

     Todos tinham-se ido, e eu dormi. Mesmo no sonho me picava, como um inseto venenoso, a presença daquela mulher. Via os seus joelhos dobrados; sentada sobre as pernas, na poltrona, descalça, ela ria e falava alguma coisa que não podia perceber, mas era a meu respeito. Eu queria me aproximar; ela e a poltrona recuavam, passavam sob outras luzes que brilhavam em seus cabelos e em seus olhos.
     E havia muitas vozes, de homens e de outras mulheres, ruído de copos, música. Mas isso tudo era vago: eu fixava a jovem mulher da poltrona, atento ao jogo de sombra e luz em sua testa, em sua garganta, nos braços: seus lábios moviam-se, eu via os dentes brancos, ela falava alegremente. Talvez fosse alguma coisa dolorosa para mim, eu percebia trechos de frases, mas ela estava tão linda assim, sentada sobre as pernas, os joelhos dobrados parecendo maiores sob o vestido leve, que o prazer de sua visão me bastava; uma luz vermelha corou seu ombro esquerdo, desceu pelo braço com uma carícia, depois chegou até o joelho. Eu tinha a idéia de que ela zombava de mim, mas ao mesmo tempo isso não me doía; sua imagem tão viva era toda minha, de meus dois olhos, e isso ela não me negava, antes parecia ter prazer em ser vista, como se meu olhar lhe desse mais vida e beleza, uma secreta palpitação.
     Mas agora todos tinham sumido. Ergui-me, fui até a varanda, já era madrugadinha. Sobre o nascente, onde a barra do dia ainda era uma vaga esperança de luz, havia nuvens leves, espalhadas em várias direções, como se durante a noite o vento tivesse dançado no ar. Depois, aos poucos, foi se acendendo um carmesim, e sob ele o mar se fez quase verde. Eu ouvia a pulsação de um motor; um pequeno barco preto passava para oeste, como se quisesse procurar as sombras e precisasse pescar na penumbra. Imaginei a faina de homens lá dentro, tomando café quente na caneca, arrumando suas redes, as mãos calosas puxando cabos grossos, molhados, frios, as caras recebendo o vento da madrugada no mar, aquele motor pulando como fiel coração. Duas aves de asas finas vieram de longe, das ilhas, passaram sobre meu telhado, em direção às montanhas. De longe vinha um chilrear de pássaros despertando.
     Dentro de casa, no silêncio, parecia ainda haver um vago eco das vozes que tinham falado na noite: os móveis e as coisas ainda respiravam a presença de corpos e mãos. E a poltrona abria os braços esperando recolher outra vez o corpo da mulher jovem. Apaguei as luzes, fiquei olhando o mar que a luz nascente fazia túmido. Uma brisa fresca me beijou. E havia um sossego, uma tristeza, um perdão, uma paciência e uma tímida esperança.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Nascido em 9 de janeiro: João Cabral de Melo Neto

O Poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, faria hoje 100 anos.
Para quem está acostumado a ligar o autor  a Morte e Vida Severina,  recomendo assistir a essa obra em animação.  Nunca viu?  Vai lá. 

Mas se você quiser vê-lo como um avô ou até como apreciador de futebol, tenho essas sugestões:

Esta criancinha é Dandara que teve um avô apaixonado, como a maioria dos netos, mas com o privilégio deste avô ser um poeta. Me devo isso esse livro.

A filha do poeta, Inês Cabral, estava fazendo o filme O Auto do Frade, baseado no poema do mesmo nome, em 2013 quando fiz essa postagem. O poema de João Cabral de Melo Neto conta a história de Frei Caneca. Não sei se o filme ficou pronto. Alguém me informa?

Aprendi com Juca Kfouri  e com Inês Cabral sobre o atleta e torcedor João Cabral. 
Como sabemos João Cabral de Melo Neto foi jogador do Santa Cruz F.C do Recife porque a mãe dele queria, mas ele torcia por outro time o América.  Na postagem, um poema típico do apaixonado pela seleção brasileira.


Veja mais de João Cabral:

A Mulher e a Casa  - 17 de janeiro de 2018
Bancos & Catedrais -  12 de março de 2018


Morte e Vida Severina | Animação - Completo



sábado, 4 de janeiro de 2020

Nascido em 4 de janeiro: Casimiro de Abreu

Desejo
Se eu soubesse que no mundo
Existia um coração,
Que só’ por mim palpitasse
De amor em terna expansão;
Do peito calara as mágoas,
Bem feliz eu era então!
Se essa mulher fosse linda
Como os anjos lindos são,
Se tivesse quinze anos,
Se fosse rosa em botão,
Se inda brincasse inocente
Descuidosa no gazão;
Se tivesse a tez morena,
Os olhos com expressão,
Negros, negros, que matassem,
Que morressem de paixão,
Impondo sempre tiranos
Um jugo de sedução;
Se as tranças fossem escuras,
Lá castanhas é que não,
E que caíssem formosas
Ao sopro da viração,
Sobre uns ombros torneados,
Em amável confusão;
Se a fronte pura e serena
Brilhasse d’inspiração,
Se o tronco fosse flexível
Como a rama do chorão,
Se tivesse os lábios rubros,
Pé pequeno e linda mão;
Se a voz fosse harmoniosa
Como d’harpa a vibração,
Suave como a da rola
Que geme na solidão,
Apaixonada e sentida
Como do bardo a canção;
E se o peito lhe ondulasse
Em suave ondulação,
Ocultando em brancas vestes
Na mais branda comoção
Tesouros de seios virgens,
Dois pomos de tentação;
E se essa mulher formosa
Que me aparece em visão,
Possuísse uma alma ardente,
Fosse de amor um vulcão;
Por ela tudo daria…
— A vida, o céu, a razão!
Aprenda  aqui sobre o autor
Imagem: detalhe de estátua do autor em Barra de São João,RJ

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Grupo LivroErrante Escolhe:Melhores Leituras de 2019

Blog encerra as atividades deste ano indicando as melhores leituras de 2019, pelo grupo de leitura  LivroErrante. 


Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley
O Amante Japonês, Isabel Allende
Carne e Sangue, Mary Del Priore
A Coragem de Ser Imperfeito, Brené Brown
Hibisco Roxo, Chimamanda Ngozi Adichie
Homens Imprudentemente Poéticos,Valter Hugo Mãe
Kafka à Beira Mar, Haruki Murakami
O Miniaturista, Jessie Burton
Passado Imperfeito, Jullian Fellowes
Precisamos Falar Sobre Kevin, Lionel Shriver
O Quarto Azul, Georges Simenon
Ravensbruck,A história do campo de
concentração nazista para mulheres, Sarah Helm
Regras de Cortesia, Amor Towles
Submissão, Michel Houellecq

                        E você? 
          Qual sua melhor leitura em 2019? 
            Conta que eu coloco na lista.



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