segunda-feira, 15 de outubro de 2018

De Braulio Bessa aos Professores - out.2018




     Não sei fazer poemas. Aproveito, então, o talento de Bráulio Bessa, para deixar meu abraço aos professores em geral e especialmente para D.Elita que me alfabetizou;  minha irmã Cema; minha cunhada e professora também de vida, Edinha; Prof. Antônio de TGA da UFPE; prof. Oswaldo, hoje meu amigo e mais o recente, prof. Enéas que gosta muito do que faz e faz bem.   Meu carinho imenso por todos vocês.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O Post Mais Odiado do Mundo, Roberta Maropo



     
      Sim, estou escrevendo esse post pra fazer todos infelizes. Desculpem. Mas estou de saco cheio. É revoltante ver pessoas inteligentes proferirem discursos de ódio contra outras pessoas. Amigo, estamos divididos nesse embate ideológico, e tudo o que o Brasil menos precisa é disso.
      Honestamente, eu entendo o eleitor médio de Bolsonaro. Descarte os extremistas, aquele pessoal mal educado que não representa os milhões de pessoas que votaram nele. Esqueça o seu "bolsominion secreto". Pense nas outras pessoas com família que com sufoco pagam seus impostos, que estão cansadas de serem enganadas a despeito de fazerem tudo correto. São pessoas que fizeram esse voto de protesto, a maioria consciente do estrupício que Bolsonaro é, mas convenhamos, não temos nenhum santo aqui. Não se preocupe que elas não querem colocar uma arma na sua cara nem banir você da sociedade por ser negro, homossexual ou mulher. Não defendem fascismo e vão colocar Bolsonaro pra fora igual a você se ele surtar no governo. Então calma, não tente prever um futuro negro que não aconteceu, que você não é vidente.
      E, sério, eu entendo o eleitor de Haddad. Esqueça os "esquerdopatas", esqueça seu amigo que aproveitou-se das "mamatas" , esqueça as "feminazis" violentas e os anticristãos ruidosos. O eleitor médio de esquerda quer a mesma coisa que você. Um país melhor, mais justo, mais igualitário. Um país que reduza as desigualdades geográficas, como diz a Constituição. Mesmo que pareça, a maioria dessas pessoas não quer tomar nada de você, só quer o espaço delas. O Nordeste que votou em Haddad só quer o pão que sobra na sua mesa. Diga que é assistencialismo barato , mas não seja injusto com quem está votando pela sua subsistência se você não sabe o que é passar fome. Haddad não é modelo pra ninguém, mas pra elas representa a continuidade do mínimo que se conquistou, mesmo com toda roubalheira do partido.
      Minha conclusão é: NINGUÉM É BOM O BASTANTE PRA GOVERNAR ESSE PAÍS.
Mas uma coisa que percebo como espectadora ( não votei em nenhum dos dois) é que tá todo mundo tentando acertar. Ou você acha que seu colega do outro lado amanheceu ontem pensando "hoje é dia de enterrar o país!"?
      Meu apelo é: PARE DE ODIAR AS PESSOAS PORQUE ELAS PENSAM DIFERENTE DE VOCÊ
      Pare de dizer que eleitor de fulano não é seu amigo.
      Pare de excluir as pessoas da sua vida.
      OU VOCÊ ACHA QUE ISSO É DEMOCRACIA?
     Se você e seu amigo não tem maturidade pra discutir política, mudem de assunto e preservem os motivos que aproximaram vocês.
SOMOS PESSOAS, NÃO SOMOS LIXO DESCARTÁVEL.
      Estou muito decepcionada com a sociedade brasileira, com amigos e com pessoas que admirava. Mas eu não vou excluir ninguém. Eu vou continuar tentando me por em seu lugar.
      Como eu disse no começo, esse post foi feito pra desagradar todo mundo. Mas se você chegou até aqui e eu fiz você pensar nem que seja um pouquinho no assunto, obrigada.  Obrigada mesmo. É por você que eu mantenho minha fé na humanidade.

Nota: esse texto foi originalmente postado no Facebook. A autora autorizou publicação no blog.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

No Alto, Machado de Assis

O poeta chegara ao alto da montanha,
E quando ia a descer a vertente do oeste,
Viu uma cousa estranha,
Uma figura má.
Então, volvendo o olhar ao subtil, ao celeste,
Ao gracioso Ariel, que de baixo o acompanha,
Num tom medroso e agreste
Pergunta o que será.
Como se perde no ar um som festivo e doce,
Ou bem como se fosse
Um pensamento vão,
Ariel se desfez sem lhe dar mais resposta.
Para descer a encosta
O outro lhe deu a mão.

Imagem: Center Brasil 

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Contratado Pelo Sevilla Por Causa de Um Livro

  
No futebol a maioria das negociações se deve pelos atributos técnicos do jogador. No entanto, o goleiro tcheco Tomás Vaclík foi contratado pelo Sevilla por um motivo extra-campo. Uma foto do jogador lendo um livro chegou até a diretoria do time espanhol, de modo que o clube se interessou em obter o atleta. Ele foi anunciado no time comandado por Pablo Machín em julho deste ano.

    
De acordo com informações do site Esporte Fera, o diretor Joaquín Caparrós recebeu uma foto de Tomás Vaclík lendo a obra “Origem”, do autor estadunidense Dan Brown – que também escreveu os títulos “O Código da Vínci” e “Anjos e Demônios”.
Ele encaminhou a foto para Carlos Marchena, ex-jogador e também dirigente do Sevilla. Ele é um dos responsáveis por trabalhar na descoberta de talentos. O clube buscou mais informações a respeito do jogador, entrou em contato com ele e o contratou até a temporada de 2021.
     Paco Gallardo, membro da comissão técnica do espanhol, explicou que as redes sociais são uma ótima ferramenta para que o clube consiga prospectar novos jogadores. “Com as redes sociais, podemos encontrar muita informação sobre os jogadores. Existe muita gente com conhecimento sobre eles”, disse ao site oficial do Sevilla.

     Antes que fechar com o Sevilla, aonde é titular absoluto, Tomás Vaclík atuou no clube suíço FC Basel, nas últimas quatro temporadas europeias – entre 2014 e 2018. Nas três temporada anteriores (2011 a 2014), o arqueiro trabalhou no tcheco Sparta Praha. Entre 2010 e 2011, ele defendeu as cores do Viktoria Zizkov.

     O seu primeiro clube enquanto profissional foi o FC Vítkovice, também na República Tcheca. Lá ele trabalhou no time entre 2006 e 2010. Hoje, com 29 anos, Tomás Vaclík tem 393 jogos na carreira. Ele também defende a seleção de seu país.

Matéria de: Maria Lua Ribeiro
Blog do Torcedor, Jornal do Commercio - Recife 4.10.18
Este conteúdo foi produzido pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação. Para compartilhar, use o link https://blogs.ne10.uol.com.br/torcedor/2018/10/04/habito-de-leitura-foi-motivo-para-contratacao-de-goleiro-no-sevilla/
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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

A Primeira Mulher do Nunes, Rubem Braga

    
     Hoje, pela volta do meio-dia, fui tomar um táxi naquele ponto da Praça Serzedelo Correia, em Copacabana. Quando me aproximava do ponto notei uma senhora que estava sentada em um banco, voltada para o jardim; nas extremidades do banco estavam sentados dois choferes, mas voltados em posição contraria, de frente para o restaurante da esquina. Enquanto caminhava em direção a um carro, reparei, de relance, na relance, na senhora.     
     Era bonita e tinha ar de estrangeira; vestia-se com muita simplicidade, mas seu vestido era de um linho bom e as sandálias cor de carne me pareceram finas. De longe podia parecer amiga de um dos motoristas; de perto, apesar da simplicidade de seu vestido, sentia-se que nada tinha a ver com nenhum dos dois. Só o fato de ter sentado naquele banco já parecia indicar tratar-se de uma estrangeira, e não sei por que me veio a idéia de que era uma senhora que nunca viveu no Rio, talvez estivesse em seu primeiro dia de Rio de Janeiro, entretida em ver as árvores, o movimento da praça, as crianças que brincavam, as babás que empurravam carrinhos.        
     Pode parecer exagero que eu tenha sentido isso tudo de relance, mas a impressão que tive é que ela tinha a pele e cabelos muito bem tratados para não ser uma senhora rica ou pelo menos de certa posição, deu-me a impressão de estar fruindo um certo prazer em estar ali, naquele ambiente popular, olhando as pessoas com um ar simpático e vagamente divertido; foi o que me pareceu no rápido instante em que nossos olhares se encontraram.
     Como o primeiro chofer da fila alegasse que preferia um passageiro para o centro, pois estava na hora de seu almoço, e os dois carros seguintes não tivessem nenhum chofer aparente, caminhei um pouco para tomar o que estava em quarto lugar. Tive a impressão de que a senhora se voltara para me olhar. Quando tomei o carro e fiquei novamente de frente para ela, e enquanto eu murmurava para o chofer o meu rumo – Ipanema – notei que ela desviava o olhar; o carro andara apenas alguns metros e, tomado de um pressentimento, eu disse ao chofer que parasse um instante. Ele obedeceu. Olhei para a senhora, mas ela havia voltado completamente a cabeça. Mandei tocar, mas enquanto o velho táxi rolava lentamente ao longo da praia eu fui possuído pela certeza súbita e insistente de que acabara de ver a primeira mulher do Nunes.
     – Você precisa conhecer a primeira mulher do Nunes – me disse uma vez um amigo.
     – Você precisa conhecer a primeira mulher do Nunes – me disse outra vez outro amigo.
    Isso aconteceu há alguns anos, em São Paulo, durante os poucos meses em que trabalhei com o Nunes. Eu conhecera sua segunda mulher, uma morena bonitinha, suave, quieta – pois ele me convidara duas vezes a jantar em sua casa. Nunca me falara de sua primeira mulher, nem sequer de seu primeiro casamento. O Nunes era pessoa de certo destaque em sua profissão e afinal de contas um homem agradável, embora não brilhante; notei, entretanto, que sempre que alguém me falava dele era inevitável uma referência à sua primeira mulher.
     Um casal meu amigo, que costumava passar os fins de semana em uma fazenda, convidou-me certa vez a ir com eles e mais um pequeno grupo. Aceitei, mas no sábado fui obrigado a telefonar dizendo que não podia ir. Segunda-feira, o amigo que me convidara me disse:
     – Foi pena você não ir. Pegamos um tempo ótimo e o grupo estava divertido. Quem perguntou muito por você foi a Marissa.
      – Quem?
      – A primeira mulher do Nunes.
      – Mas eu não conheço …
     -Sei, mas eu havia dito a ela que você ia. Ela estava muito interessada em conhecer você.
      A essa altura eu já sabia várias coisas a respeito da primeira mulher do Nunes; que era linda, inteligente, muito interessante, um pouco estranha, judia italiana, rica, tinha cabelos castanho-claros e olhos verdes e uma pele maravilhosa – “parece que está sempre fresquinha, saindo do banho”, segundo a descrição que eu ouvira.
     Quando dei de mim eu estava, de maneira mais ingênua, mais tola, mais veemente, apaixonado pela primeira mulher do Nunes. Devo dizer que nessa ocasião eu emergia de um caso sentimental arrasador – um caso que mais de uma vez chegou ao drama e beirou a tragédia e em que eu mesmo, provavelmente, mais de uma vez, passei os limites do ridículo. Eu vivia sentimentalmente uma hora parda, vazia, feita de tédio e remorso; a lembrança da história que passara me doía um pouco e me amargava muito. Além disso minha situação não era boa; alguns amigos achavam – e um teve a franqueza de me dizer isso, quando bêbado – que eu estava decadente em minha profissão. Outros diziam que eu estava bebendo demais. Enfim, tempos ruins, de moral baixa e ainda por cima de pouco dinheiro e pequenas dívidas mortificantes. Naturalmente eu me distraía com uma ou outra historieta de amor, mas saía de cada uma ainda mais entediado. A imagem da primeira mulher do Nunes começou a aparecer-me como a última esperança, a única estrela a brilhar na minha frente. Esse sentimento era mais ou menos inconsciente, mas tomei consciência aguda dele quando soube que ela ganhara uma bolsa esplêndida para passar seis meses nos Estados Unidos. Senti-me como que roubado, traído pelo governo norte-americano. Mas a notícia veio com um convite – para o jantar de despedida da primeira mulher do Nunes.
      Isso aconteceu há quatro ou cinco anos. Mudei-me de São Paulo, fiz algumas viagens, resolvi parar mesmo no Rio – e naturalmente me aconteceram coisas. Nunca mais vi o Nunes. Aliás, nos últimos tempos de nossas relações, eu me distanciara dele por um absurdo constrangimento, o pudor pueril do que ele pudesse pensar no dia em que soubesse que entre mim e a sua primeira mulher… Na realidade nunca houve nada entre nós dois; nunca sequer nos avistamos. Uma banal gripe me impediu de ir ao jantar de despedida; depois eu soube que sua bolsa fora prorrogada, depois ouvi alguém dizer que a encontrara em Paris – enfim, a primeira mulher do Nunes ficou sendo um mito, uma estrela perdida para sempre em remotos horizontes e que jamais cheguei a avistar.
      Talvez fosse mesmo ela que estivesse pousada hoje, pelo meio-dia, na Praça Serzedelo Correia, simples, linda e tranqüila. Assim era a imagem que eu fazia dela; e tive a impressão de que seu rápido olhar vagamente cordial e vagamente irônico tentava me dizer alguma coisa, talvez contivesse uma espantosa e cruel mensagem: “eu sei quem é você; eu sou Marissa, a primeira mulher do Nunes; mas nosso destino é não nos conhecermos jamais…”

Nota: o blog manteve a grafia original.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Lua Bonita, Zé do Norte



Lua bonita
Se tu não fosse casada
Eu preparava uma escada
Pra ir no céu te beijar
Se colasse teu frio
Com meu calor
Pedia a Nosso Senhor
Para contigo casar
Lua bonita
Me faz aborrecimento
Ver São Jorge num jumento
Pisando teu quilarão
Pra que casaste
Com homem tão sisudo
Que come dorme e faz tudo
Dentro do teu coração

Lua bonita
Meu São Jorge é teu senhor
É por isso que ele vive
Pisando teu esplendor

Lua bonita
Se tu quer o meu conselho
Vai ouvir eu tô alheio
Quem te fala é o meu amor
Deixa São Jorge
No seu jubaio amontado
E vem cá para o meu lado
Pra gente viver sem dor