segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Soneto da Paz, Joaquim Cardozo

Este soneto é natureza morta,
Traço na alvura, sobra de uma flor,
Sinal de paz que inscrevo em cada porta,
Gesto, medida de comum valor.

É letra e clave, é modulo que importa
Na redução da voz, do som. Calor
Do que vivido foi e inda comporta
Palpitação de implícito lavor.

Moeda que correu por muitas mãos,
Brinquedo que ficou perdido a um canto
Num lago de esquecidas esperanças.

Mas nos seus versos fecho os sonhos vãos
E em notas claras, digo, exalto e canto:
-Paz! Paz! Brincai, adormecei, crianças!

Cardozo, Joaquim. Poesias Completas. Ed.Civilização Brasileira, Rio de Janeiro 1979, pág.64





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