quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Quarta-feira é dia de : Por que girafa não tem voz? Rogério Andrade Barbosa.

  Houve   Houve uma época em que os animais da floresta falavam todos a mesma língua.  
     A girafa gostava de se vangloriarvdizendo que era a rainha dos bichos porque tinha o pescoço mais comprido. Como era mais alta que os outros, costumava ficar olhando para o céu e conversando sozinha consigo mesma. 
Os outros bichos logo começaram a se irritar com essa mania da girafa, especialmente na hora em que tentavam tirar uma soneca depois do almoço. Irritados, começaram a traçar um plano para silenciar a chata da girafa. O leopardo foi até a grandalhona e provocou:
      ___ Você fica aí contando vantagem o dia inteiro, mas tem coisas que não sabe fazer. A girafa, que era muito atrevida, gritou:
     ___ O que por exemplo? 
     ___ Correr mais rápido do que eu _ desafiou o veloz leopardo.
     ___ Aceito _ respondeu a girafa, sem pestanejar. 
     ___ Me avise a hora e o lugar. 
     O dia da corrida foi logo marcado. O leopardo, certo que ia vencer, convocou todos os animais da floresta para vê-lo derrotar a grandona. Os  bichos correram para se divertir e torcer pela derrota da girafa. Assim que foi dada a largada, os dois saíram em disparada lado a lado, mas logo o leopardo tomou a dianteira. Corria tanto que acabou chocando-se contra uma árvore e teve de abandonar a competição. A bicharada ficou muito decepcionada ao ver a girafa se tornar campeã. 
     Depois da vitória, ela ficou mais faladora ainda. Ninguém tinha mais paciência para aguentar aquele blá-blá-blá infindável. Até que o macaco, esperto como ele só, resolveu dar um jeito na questão.      Ele tirou um bocado de resina de uma árvore e misturou-a na ramaria que a girafa costumava mastigar. Depois, escondeu-se, esperando a falastrona chegar para comer.      As folhas prenderam-se no comprido pescoço da girafa e, por mais que ela tossisse e cuspisse, ficaram grudadas em sua garganta, calando-a para sempre.          
     Daí em diante seus descendentes passaram a nascer sem voz. 

Fonte: Histórias Africanas para Contar e Recontar - Rogério Andrade Barbosa