segunda-feira, 9 de abril de 2012

Um Soneto de Esperança, Francisco Borges Neto

Tento em vão, amor, encontrar a palavra
que me engane nesta noite fria,
como um inconformado que lavrara
a terra infértil do vazio em que sofria

E vazia nunca foste. Por que quisera
eu, cheio de nada, conter tua euforia
exasperante de menina? Quem dera
sorrir meu cração como sorriste um dia!...

Tua alegria, poente junto  ao crepúsculo,
amanhecia também como a fortaleza
da alvorada; e estremeço cada músculo

de meu corpo, em desespero, pela certeza
que habita traiçoeira, no minúsculo
verme que sou, a causa da tua tristeza.

(Vencidas as Primaveras Insípidas - 2011)