quinta-feira, 22 de outubro de 2009

L.E - denúncia -

Neste momento o  blog abre exceção e não  vai  falar de livros nem da comunidade a que está vinculado. Recorto e colo matéria publicada nos 2 jornais de maior circulação  do Recife, para mostrar até onde chegamos.
Aproveito para pedir - e enviei  carta aos dois jornais  citados - a publicação  do nome do   colégio. Eis a  matéria;

A violência silenciosa já durava um ano. Sobrevivia graças a ameaças. Se alimentava do medo de um grupo de estudantes. Ontem, oito pais de alunos de um colégio particular e religioso do Recife decidiram denunciar as agressões na Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA).

Alta de 22% nos casos de violência levou GPCA a fazer palestras nas escolas. Ontem, encontro foi no Professor Nilo Pereira. Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press
Assustados com a descoberta revelada na semana passada por uma das vítimas, os pais contaram à polícia os detalhes das agressões sofridas pelos filhos dentro da escola. Todos os envolvidos cursam a sexta série e têm em média 12 anos: dez vítimas e três agressores. No entanto, os acusados são maiores fisicamente e um deles tem 14 anos, o mais velho da turma. Pelos relatos, foram praticadas 26 tipos de tortura contra os menores.


O que aconteceu com os estudantes é o chamado bullying. O fenômeno se caracteriza pelo assédio moral entre alunos, como bater, empurrar, chutar. Trata-se de uma violência continuada, física ou mental, praticada por um indivíduo ou grupo contra uma outra pessoa que não é capaz de se defender por si só, na situação atual, por ser tímida, ter comportamento mais passivo ou ser diferente. É a dominação de um sobre o outro e pode ocorrer em qualquer escola. Pode ser verbal, emocional, racista ou sexual.


No caso em especial, as agressões tinham até nome. Ganso (quando o agressor aperta o órgão genital da vítima até que ela chore), gaveta (quando o agressor aperta o peito da vítima), chave de pescoço, entre outras. "A história só veio à tona depois que um dos adolescentes chegou em casa cheio de hematomas. A mãe perguntou o que havia acontecido e ele disse que tinha caído na escola. Desconfiada, a mãe verificou a roupa do filho e descobriu que não estava suja. Depois disso, o menino terminou contando dos espancamentos", informou o delegado Thiago Uchôa. A direção da escola disse à polícia que também não sabia dos espancamentos.


Surpresa, a mãe procurou outros pais e descobriu que a situação se repetia com mais nove alunos da mesma escola. "Meu filho costumava dizer que queria ficar logo grande, fazer karatê e eu não sabia que era por conta dos espancamentos. Eles praticavam todo tipo de agressão em vários locais da escola, já que há áreas de pouca circulação", comentou um pai, durante um depoimento na GPCA.


Os pais das crianças vítimas também procuraram o Ministério Público de Pernambuco e foram orientados a ir para a GPCA. Ontem, alguns já foram ouvidos dentro do inquérito que vai apurar o caso. Serão ouvidos, ainda, a escola e os alunos acusados. "Havia crianças que chegavam em casa com a roupa rasgada, que eram obrigadas a dar 'cola' nos dias de prova", acrescentou o delegado. O Diario tentou falar com a direção da escola sobre o assunto, mas não obteve retorno das ligações.


Caso sejam considerados culpados pelo juiz da Vara da Infância e Juventude da Capital, os três adolescentes podem cumprir medidas socioeducativas que vão desde reparação de dano, prestação de serviço à comunidade ou mesmo internamento.
Serviço
Grupo de Estudos sobre o Bullying: 9990.2394    (Recife )