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Perspectivas Acerca do Envelhecimento na Sociedade Brasileira Wellington Ribeiro, redação nota mil (2)

Na obra "Feliz aniversário, a escritora Clarice Lispector aborda,  dentre outros aspectos, a realidade de exclusão vivenciada por grande parte dos idosos brasileiros, os quais, de acordo com a autora, só são lembrados por seus familiares em datas comemorativas. Ao transpor o viés literário, percebe-se a acentuação dessa problemática, a qual aborda a falta de perspectiva social perante ao envelhecimento existente no Brasil contemporâneo. À vista desse conceito, é ideal analisar o passado nacional e o descaso governamental como desafios para a plena longevidade da sociedade. Diante desse cenário, nota-se que a dificultosa promoção de um futuro digno à terceira idade advém de um processo de desenvolvimento nacional pautado na exclusão socioespacial. Isso pode ser constatado, de forma evidente, pois o país, desde o período do Brasil Colônia, foi construído por práticas violentas (como a promulgação da Lei dos Sexagenários), as quais visavam à marginalização de escravizados com mais de...
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Perspectivas Acerca do Envelhecimento na Sociedade Brasileira, Carlos Eduardo Santos. Redação nota mil (1)

O sociólogo e professor Boaventura de Sousa Santos afirma que a sociedade vive uma “sociologia das ausências”, uma vez que os saberes e o modo de vida de determinados grupos tendem a ser invisibilizados por não se encaixarem na lógica da racionalidade ocidental. Nesse sentido, ao analisar o hodierno contexto brasileiro, é perceptível que a população idosa é marcada pela sociologia defendida pelo professor, já que o envelhecimento desses indivíduos testemunha um descaso social de desassistência e preconceito, marcado por perspectivas que dificultam a qualidade de vida e a inclusão social. Por isso, urge uma discussão sobre essa problemática, a qual é sustentada não só pela negligência estatal, mas também pela omissão midiática. Diante desse cenário, faz-se mister mencionar a ausência de políticas públicas de saúde para a população idosa como um dos fatores dessa estigmatização. Nessa ideia, verifica-se que esse panorama é facilmente encaixado no conceito de “necropolítica”, descrito pe...

Trigueira, poema de Júlio Dinis

  Trigueira! que tem? Mais feia Com essa cor te imaginas? Feia! tu, que assim fascinas Com um só olhar dos teus! Que ciúmes tens da alvura Desses semelhantes de neve! Ai, pobre cabeça, leve! Que te não castigue Deus. Trigueira! se tu soubesses O que é ser assim trigueira! Dessa ardilosa maneira Porque tu o sabes ser; Não virias lamentar-te, Toda sentida e chorosa, Tendo inveja à cor da rosa, Sem motivos para a ter. Trigueira! Porque és trigueira É que eu assim te quis tanto. Daí provém todo o encanto Em que me traz este amor. E suspiras e murmuras; Que mais desejavas inda? Pois serias tu mais linda, Se tivesses outra cor? Trigueira! onde mais realça O brilhar duns olhos pretos, Sempre húmidos, sempre inquietos, Do que numa cor assim? Onde o correr duma lágrima Mais encantos apresenta? E um sorriso, um só, nos tenta, Como me tentou a mim? Trigueira! E choras por isso! Choras, quando outras te invejam Essa cor, e em vão forcejam Por, como tu, fascinar? Ó louca, nunca mais digas, Nunc...

O Carro Já Estava... , crônica de José Lins do Rego

     O carro já estava bastante lotado quando apareceu um passageiro que se espremeu na lata de sardinhas. Mas todos estavam felizes porque, àquela hora, fora uma providência aparecer um lotação para o Jockey.      E quando saimos da avenida, a conversa já estava pegada e a intimidade estabelecida.      - A bomba at6omica fracassou - dizia o homem da frente , quase sem poder mexer o pescoço.      - Fracassou nada - respondeu o outro lá do fundo do carro, com uma voz que vinha de longe.      - É truque americano - informava o companheiro ao meu lado. - americano não quer negócio de dividir segredo. E por isso fez toda aquela viagem.      - É, mas russo não vai no jogo. Russo é bicho manhoso.      - Que nada. Manha é do inglês.      - Americano diz o que sente. Eu não acredito que a história da bomba seja manobra.      - Eu não sei, mas acreditar em gring...

Narração, poema de Giórgos Sefaris ( tradução: Darcy Damasceno)

Esse homem caminha chorando; Ninguém saberia dizer por quê. Alguns pensam que ele chora amores perdidos Como os que nos atormentam tanto, No verão, junto ao mar, com os fonógrafos. Outros pensam em suas tarefas cotidianas, Papéis inacabados, filhos que crescem, Mulheres que envelhecem com dificuldade. Ele possui dois olhos como papoulas, Como papoulas colhidas na primavera, E duas pequenas fontes no canto dos olhos. Ele caminha nas ruas, não se deita nunca, Transpondo pequenos quadrados sobre o dorso da terra, Máquina de viver um sofrimento sem limite Que termina não tendo mais importância. Outros ouviram-no falar Sozinho, enquanto passava, De espelhos partidos há muitos anos, De rostos partidos no âmago dos espelhos, Que ninguém poderá jamais restaurar. Outros ouviram-no falar do sono, De visões horríveis nas portas do sono, De rostos insuportáveis de ternura. Habituamo-nos a ele, ele é correto, é tranquilo Só que caminha chorando sem parar, Como os salgueiros à beira dos rios que per...

Canção da Rosa de Pedra, poema de Zila Mamede

Essa, a rosa da promessa da noite do nosso amor, murcha rosa indiferente, sem alma, escassa de olor? Por que essa rosa de pedra, o meu presente nupcial? – Pantanosa flor de lama gerada em brisas de sal. O riso da minha infância, gritam-no abismos de sangue onde boia impura, incauta, flor de pedra, flor de mangue. A vã promessa incumprida na noite do nosso amor repousa em praias de sombra navega em mares de dor. Sobre a autora: 1928-1985 - Nasceu na Paraíba mas está mais ligada às letras e à cultura do Rio Grande do Norte, onde viveu a maior parte de sua vida e onde o mar a levou para sempre. O  poema Elegia,  incluído na presente seleção, é como um prenúncio de seu destino.  Formada em biblioteconomia, tendo exercido cargos de importância no Instituto Nacional do Livro (em Brasília) e como diretora da Biblioteca Central da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Seus principais livros:  Rosa de Pedra  (1953),  Salinas  (1958),  O Arado...

Poemas da M.P.B: Se Avexe Não, Accioly Neto

Ô, xalalalalalalá Ô, xalalalalalalá Ô, xalalalalalalá Ô, coisa boa é namorar Se avexe não Amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada Se avexe não A lagarta rasteja até o dia em que cria asas Se avexe não Que a burrinha da felicidade nunca se atrasa Se avexe não Amanhã ela para na porta da sua casa Se avexe não Toda caminhada começa no primeiro passo A natureza não tem pressa, segue seu compasso Inexoravelmente chega lá Se avexe não Observe quem vai subindo a ladeira Seja princesa ou seja lavadeira Pra ir mais alto, vai ter que suar Ô, xalalalalalalá Ô, xalalalalalalá Ô, xalalalalalalá Ô, coisa boa é namorar Se avexe não Amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada Se avexe não A lagarta rasteja até o dia em que cria asas Se avexe não Que a burrinha da felicidade nunca se atrasa Se avexe não Amanhã ela para na porta da sua casa Se avexe não Toda caminhada começa no primeiro passo A natureza não tem pressa, segue seu compasso Inexoravelmente chega lá Se avexe não Observe quem vai subindo a...