Toda vez que o nome do meu pai
ou essa expressão “meu pai”
vem combinada com a palavra "guerra”
uma alta palmeira cresce em mim
e atrás do tronco há um homem escondido.
Um homem escondido que pode ser um morto
ou pode ser assassino
um homem tão culto quanto oculto
é seu destino.
É o inimigo
ali posto pela voz do meu pai
quando lhe perguntei
se havia matado muitos nas tantas guerras
de que se orgulhava.
Na guerra
disse ele
é impossível saber
se o inimigo escondido atrás do tronco
aquele em que adotamos em defesa
e que não mais se vê
está vivo
está morto
está ferido
ou se sequer estava
atrás do tronco.
Em: Gargantas Abertas, Marina Colasanti, Ed. Rosso, 1998, pág.90

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