quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Rapadura, Rachel de Queiroz

    
Outro dia foi presa uma senhora porque numa banca de mercado, em pleno sábado de feira, agrediu a rival com uma rapadura, dando-lhe uma tijolada que exigiu doze pontos no couro cabeludo. Rapadura é arma perigosa, um paralelepípedo de doce bruto, pesado e com arestas. Batendo de quina pode até matar.
     A banca de rapadura era o local de comércio do próprio marido da agressora. Vinha ela descuidosa, passando ali por acaso, e de repente depara com o quadro ofensivo: o marido em idílio público com a dalila, a messalina, a loba do seu lar! Ela debruçada ao balcão e ele, de dentro, segurava o queixo da sereia e lhe cochichava no ouvido. O monte de rapaduras estava ao lado. Foi só passar a mão na rapadura de cima e virá-la de quina, para castigar mesmo, no pé do ouvido da outra. A agredida se pôs a gritar, com a cara coberta de sangue, e o infiel asperamente ralhou: “Cala a boca, mulher, senão aparece a polícia”.
     Mas avisou tarde, porque a polícia já vinha na pessoa de um cabo a quem o idílio adúltero também repugnara, pois de há muito que ele, cabo, suspirava pelos favores da destruidora de lares. Debalde lhe fizera serenatas, com uma radiola cheia de discos do Roberto Carlos; e ela até lhe atirara um sapato pela janela, certa vez em que ele encostara a máquina cantante à rótula, tocando aquela música em que RC declara à amada : “Você vai aprender a ser gente!”
- Quem vai aprender é a mãe, gritara a Julieta ofendida.
Mas o cabo apanhou o pé de sapato como se fosse o chapim da Borralheira, foi na loja do Geraldo e escolheu a sandalinha mais mimosa que tinha lá, com tiras prateadas e flor de contas no peito do pé. Entregou-a com um bilhete: “Recebi a medida e lhe mando a encomenda”.
     A bela pagou com um sorriso. Mas continuou com o homem das rapaduras, que tinha o que gastar com ela. Cabo arranchado mal ganha para o cigarro.
Agora porém tinha o cabo a sua oportunidade. Mandou a amada para o Samdu, num jipe, e bradou esteje preso para os mais.
    
Na delegacia a agressora já vinha muito unida ao marido (que a tratava até de meu bem) e declarou à autoridade que de nada se lembrava. Só sabia que vinha fazer umas compras, e passando pela banca de rapadura, viu aquela piranha com os dentes na cara do marido - marido de padre e juiz! - Sentira um escurecimento de vista - e aí não sabia mais de nada.
     O delegado, naturalmente, punia pelos direitos de família legítima; e ia passando ao marido, para encerrar perfunctoriamente o caso, quando de súbito aparece a sogra, avisada às pressas. Da rua, a velha vinha gritando. Já sabia que aquilo ia acabar mal, minha filha está farta de sofrer, o sem vergonha do marido não tem rapariga na rua do Baturité que ele não gaste com ela, minha filha devia mesmo era ter lascado a cabeça da vagabunda. E ele ainda bate na pobrezinha, bate de correia, a vizinhança toda sabe!
     Aí a mulher do marido interrompeu agastada: “Minha mãe cale sua boca, que o caso é outro. Ninguém está querendo saber se ele me bate. E se bate, bate no que é dele”.
     A sogra engasgou-se com a ingratidão. Desengasgando ia gritando “mal agradecida!”, mas nesse ínterim o delegado se levantara e pedira silêncio. E explicou que o adultério é a peçonha dos lares; embora fosse errado apelar para a violência compreendia-se que a senhora no desvario da privação de sentidos e inteligência, agredisse a rival. Mas afinal não houvera morte, nem queixa registrada, o sangue era pouco, cada um fosse para casa e não pecasse mais. Falou, estava falado.
     O cabo correu ao Samdu, onde lhe foi fácil fazer entender à pecadora que não há como a proteção das armas para uma frágil dama delicada.
     O marido infiel levou a mulher para casa - conta a vizinhança que lhe deu uma surra para ela deixar de ser valente. E depois foram muito felizes.

Elenco de Cronistas Modernos Ed. 1974 - págs.97-99

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Entre Marília e a Pátria, Frei Caneca

 
Entre Marília e a pátria
Coloquei meu coração:
A pátria roubou-m'o todo;
Marília que chore em vão.

Quem passa a vida que eu passo,
Não deve a morte temer;
Com a morte não se assusta
Quem está sempre a morrer.

A medonha catadura
Da morte feia e cruel,
Do rosto só muda a cor
Da pátria ao filho infiel.
 
Tem fim a vida daquele
Que a pátria não soube amar;
A vida do patriota
Não pode o tempo acabar.

O servil acaba inglório
Da existência a curta idade;
Mas não morre o liberal,
Vive toda a eternidade.

Nota - Há também uma variante:
Entre Marília e a pátria
Coloquei meu coração:
A pátria roubou-m'o todo;
Marília que chore em vão.

Marília, pede a teus filhos,
Por minha própria abenção,
Morram, como eu, pela pátria;
Marília que chore em vão.

Apenas forem crescendo,
Cresçam co'as armas na mão,
Saibam morrer, como eu morro;
Marília que chore em vão.

Defender os pátrios lares,
É dever do cidadão.
Quando exalem pela pátria;
Marília que chore em vão.


Imagem: estudo para Frei Caneca - Antonio Parreiras 1918 

sábado, 16 de setembro de 2017

O Menino Maluquinho - BiblioTheo


Era uma vez um menino maluquinho...  


Se eu escrevesse pra criança, sempre começaria assim: era uma vez...  
Essa frase tem poder  de remeter imediatamente à magia. Pelo menos comigo funciona. 

Era uma vez... duas crianças que ganharam esse livro de Ziraldo.  Eram como o protagonista: travessos, simpáticos, enrolões, enchiam a casa e minha vida de alegria. Cresceram e, também como o Menino Maluquinho, ficaram pessoas legais.  Muito legais.  Muuuuuuuuuuuuuuuito legais, na verdade.  

Esse livro tornou-se um clássico, que originou dois filmes (1995 e 1997) uma série em revista de quadrinhos.  Não assisti aos filmes nem acompanho mais os personagens. A linguagem o livro ficou ultrapassada logicamente.  Lá se vão muitos  anos do lançamento!

Bem, continuando... Era uma vez, outra vez, meu netinho fofo... que nasceu 34  depois que Ziraldo escreveu o Menino Maluquinho. Ele tem o livro, é travesso, é simpático enche a casa e nossa vida de alegria.  Ah sim!! ele fez uma participação nas ilustrações de Ziraldo. 

O menino Maluquinho tem site  que assovia!!





quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Entrevista Solta, Carlos Drummond de Andrade

- Qual a mais bela palavra da língua portuguesa?
Glicínia

- Hoje é glicínia. Apesar de leguminosa.
- E amanhã? 
- Cada dia escolho uma, conforme o tempo.
- A mais feia?
- Não digo. Podem escutar.
- Acredita em Deus?
- Ele é que não acredita em mim.
- E em Saldanha?
- O cisme ou o outro?
- O outro.
- Até Deus acredita nele
- Então papamos a taça?
- Na raça
- E se não paparmos?
- Eu não sou daqui, sou de Niterói.
- Mas tudo é Brasil.
- Para o Imposto de Renda, sim. Para o Imposto de Serviço, são muitos.
- Já fez a declaração?
- Quem faz por mim é um computador da terceira geração.
- Tão complicada assim?
- Ao contrário: a mais simples.
- Parabéns por ter renda
- Mas eu não tenho. Imagine se tivesse.
- E a Apolo-9?
- O maravilhoso ficou barato. Quero ver aqueles três é guiando fusca no Rio.
- Vai melhorar. Olhe os viadutos.
- Estou olhando. Não vejo é pedestre. Já será efeito da pílula?
- O Papa nem sempre é Papa.
- Acha que China e U.R.S.S. irão à guerra?
- Não. A guerra é sempre feita entre um que quer e outro que não quer brigar. Quando os dois querem, verificam que estão de acordo, e detestam-se em paz. 
- E a crise do teatro?
- Cada um leia a peça em casa.
- Os atores ficarão sem trabalho?
- Escreverão peças para leitura em casa.
- Os teatros estão fechando.
- Mas as cervejarias estão abrindo.
- E o Festival do filme?
- Genial. Vai mostrar aquilo que não se vê mais nos cinemas: filmes.
- Esquadrão da Morte?
- Calma. Se é para liquidar com os bandidos, acabará fuzilando a si mesmo.
- É pela eleição por distrito?
- Sou radical. Pelo bairro.
- Seu prato predileto?
- Vontade de comer.
- Cor?
- A do vinho no copo; da luz no mar; dos olhos inteligentes.
- Sua divisa?
- A do meu apartamento. Em condomínio.
- Pretende reservar passagem para a lua?
- Não aprecio lugares muito frequentados.
- Que acha do gênero humano?
- Podia ser pior.
- E dos animais?
- Em geral têm muita paciência conosco.
- Que mensagem envia aos telespectadores?
- Que mantenham desligados seus receptores.
- Qual, o senhor é impossível!
- Também acho.

O Poder Ultra jovem e mais 79 textos em prosa e verso, Andrade, Carlos Drummond de
Ed. José Olympio 1974.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Cadeiras de Aluguel, John Ashbery


 

Sabia-se muito pouco sobre qualquer coisa
antigamente. Era como o que é um vocalise
para uma sonata, as crianças à luz da ribalta
e água correndo sobre pedras
como se tivesse pressa para chegar a algum lugar.
É possível fazer piada sobre isso agora
que o período probatório já passou.
Não admitir estar no papel errado.

As velhas igrejas da América foram vistas como uma nova
filosofia de rivalidade:
jogando, sem, no entanto, serem parte do jogo.
Assim muitas coisas resistem, e ninguém
fica muito ansioso com elas: manchas
como moedas numa árvore que quem diabos
poderia ter previsto em sua época, afinal?
Fique aí só. Me chame de batatas
e sabão. Me chame de sabão e batatas.

A noiva do meu marido desejava que não fosse assim.
Aí vai.

Tradução:Adriano Scandolaro

Sobre o autor leia aqui 
 

sábado, 9 de setembro de 2017

Minhas Leituras do 1º Semestre

 
     Romance de personagens protagonizado por Rebecca Bayliss, jovem londrina que vive longe da mãe e nunca soube do paradeiro do pai, um talentoso pintor e ex-oficial da Marinha. Buscando aproximar-se do passado, Rebecca parte para Boscarva, na península britânica da Cornualha, onde conhece pessoas ambíguas que se revelam aos poucos. Grenville Bayliss, seu avô irritadiço e teimoso; Joss Gardner, o carpinteiro habilidoso por quem Rebecca nutre sentimentos conflitantes; Andrea, uma jovem instável apaixonada por Joss; Eliot, seu primo ambicioso, envolvido em negócios escusos; e Pettifer, o criado leal a Greenville Bayliss.A cada página vão surgindo novos e inesperados personagens, habilmente construídos com a criatividade humana e literária de Rosamunde Pilcher. (Liv. Saraiva)  Minha opinião: recomendo.

     Odisseia mágica, bem-humorada e apaixonada de uma bela viúva em busca de sua filha desaparecida. Empenhada em sua missão ela parte de um pequeno vilarejo mexicano e percorre os bordéis de Tijuana e o lado selvagem de Los Angeles. Resgatada de todas as armadilhas que lhe surgem no caminho, pela sua devoção aos santos, Esperanza vai aprendendo, a duras penas, os limites de sua fé, o direito e o avesso da existência, e as imensas possibilidades com que a vida a brindou.
     A mulher que chega ao fim da jornada, nos braços de um anjo, não será mais a religiosa fervorosa, mas inocente, do início, mas uma devota independente, sexualmente desabrochada e mais do que nunca confiante no poder celestial.(Liv. Saraiva) Minha opinião: É uma doideira, interessante.

 
     As narrativas que compõem este livro são alimentadas pelos contos de As mil e uma noites e pela vida cotidiana doa magrebinos que vivem na França, assim como da memória de seus antepassados - beduínos, comerciantes, desocupados de Tânger ou de Casabranca, pais de família felizes, enamorados desditosos. São histórias ao mesmo tempo lendárias e banais, ´casos do cotidiano e de amor´ que nos falam da dificuldade de comunicar-se, do prazer, da dor, do mal-entendido que, até hoje, opõe o homem e a mulher árabes.(Liv. Saraiva). Minha opinião: prefiro o autor  romancista.
     No fim da década de 60, o líder chinês Mao Tse-Tung lança uma campanha que mudaria radicalmente a vida do país: a Revolução Cultural que, entre outras medidas drásticas, expurgou das bibliotecas obras consideradas como símbolo da decadência ocidental. Mas, mesmo sob a opressão do Exército Vermelho, uma outra revolução explode na vida de três adolescentes chineses quando, ao abrirem uma velha e empoeirada mala, eles têm as suas vidas invadidas por Balzac, Dumas, Flaubert, Baudelaire, Rousseau, Dostoievski, Dickens... Crônica da vida na China durante a revolução de 68. Um romance sobre a felicidade da descoberta da literatura, a liberdade adquirida através dos livros e a fome insaciável de ler numa época em que as universidades foram fechadas e os jovens intelectuais mandados ao campo para serem 'reeducados por camponeses pobres'. Entre os que tiveram de abandonar as cidades está o narrador e seu melhor amigo, Luo. O destino deles é uma aldeia escondida no topo de uma montanha. A vida não é fácil para a dupla, mas com muita coragem, senso de humor, uma forte imaginação e a companhia da Costureirinha - a menina mais bela da região - o tempo vai passando. Até que descobrem a mala repleta de livros banidos pela Revolução Cultural. As obras, sobretudo Ursule Mirouët, de Balzac, desnudam aos adolescentes uma realidade que nunca haviam imaginado - é por intermédio do mundo novo além das fronteiras chinesas e dos grandes mestres da literatura que o narrador, Luo e a Costureirinha compreendem que suas vidas pertencem a algo muito maior.(Liv. Saraiva) Minha opinião: leitura leve com muitos esclarecimentos culturais e históricos. Interessante.

     Quando a banda Pato Fu surgiu, em 1992, foi um choque. O público não estava mais acostumado com tanta imaginação, tanto experimentalismo, características das mais fortes na produção nacional dos anos 60 e 70. O Brasil havia esquecido esse seu potencial. Mas o grupo apareceu e, em pouco tempo, conquistou a simpatia do público com suas letras bem humoradas e ritmos “malucos”. Uma coisa em especial chamou atenção logo de cara: a mulherzinha, com pouco mais de um metro e meio, de voz suave, que se escondia atrás de uma guitarra. Era Fernanda Takai. A amapaense de nascimento, e mineira de criação, produziu em 15 anos de carreira nove discos, três DVDs e uma filha. Mas ainda não se cansou de impressionar. 
     A novidade agora não é com a música, e sim com a literatura. Fernanda Takai acaba de lançar pela Panda Books seu primeiro livro. Nunca subestime uma Mulherzinha é uma reunião de contos e crônicas publicados pela autora nos jornais Correio Braziliense e O Estado de Minas, com prefácio escrito por Zélia Duncan. Nesta publicação o leitor poderá comprovar o talento literário e a irreverência de Fernanda Takai em textos confessionais e bem humorados. Com uma simplicidade sublime, a autora descreve momentos de sua vida e cria outros que poderiam caber na vida de qualquer um.
     Nunca subestime uma mulherzinha surpreenderá até os homenzarrões mais céticos.(liv. Saraiva). Minha opinião: gosto da cantora e gostei da autora. Agradável surpresa.

     Este livro pode parecer um conto de fadas, mas é uma história de amor verídica – o amor entre uma mulher e um homem, o amor pela comida e o amor por uma cidade.
     Por muito tempo, Marlena de Blasi resistiu a ir a Veneza. Até que, em 1989, seu trabalho como chef e crítica gastronômica tornou impossível continuar adiando a viagem. Assim que pôs os pés na cidade, ela ficou completamente seduzida. Seu encantamento foi tão grande que decidiu voltar todos os anos.
     Desde aquela primeira visita, Marlena sempre tinha a sensação de que estava indo a um encontro. Em 1993, o encontro finalmente aconteceu. Ela almoçava com amigos quando um garçom se aproximou e lhe disse que havia uma ligação para ela. Do outro lado da linha estava Fernando, um veneziano que, um ano antes, vira Marlena passeando pela Piazza San Marco e se apaixonara à primeira vista.
     Alguns meses depois, Marlena largava toda a sua vida nos Estados Unidos e se mudava para Veneza, para se casar com o “estranho”, como costumava chamar Fernando. Ele não falava quase nada de inglês. O italiano dela se resumia a algumas palavras relacionadas a comida. Ele abrira mão de seus sonhos e levava uma vida monótona e previsível. Ela era mestre em recomeçar e se reinventar. Ele gostava de tudo muito simples, inclusive as refeições. Ela adorava cozinhar pratos elaborados.
      À medida que eles superam essas diferenças e Marlena vai se familiarizando com as peculiaridades da cultura veneziana, os leitores são presenteados com uma descrição deliciosa e às vezes cômica de duas pessoas de meia-idade que, apesar de tudo, conseguem criar uma relação maravilhosa.
     Em Mil dias em Veneza, Marlena evoca vividamente as imagens, os sons e os aromas de uma das cidades mais românticas do mundo e divide com os leitores as receitas que estiveram presentes em alguns dos momentos mais importantes de sua vida.(Liv. Saraiva). Minha opinião: levei muito tempo para conseguir ler todo, embora seja uma história interessante.
 
O feijão e o sonho é a história do poeta Campos Lara e sua mulher Maria Rosa - ele, um sonhador voltado para o seu ideal de criação, disposto a todos os sacrifícios para viver de sua literatura; ela, uma mulher pé no chão, valente e batalhadora, às voltas com o trabalho da casa e a criação dos filhos, inconformada com o diletantismo do marido e sempre a exigir dele mais empenho, mais feijão e menos sonho, para garantir o sustento da família. (Liv. Cultura) Minha opinião: conhecia apenas a versão de novela das 6. Adorei e recomendo.
     “É Assim Que Você A Perde” é uma leitura viciante, que flui como uma conversa, uma confissão, na qual o narrador é um homem que não consegue evitar seus deslizes, que repetidamente se rende às tentações da carne. A primeira que ele ama também é a primeira que ele trai. Ao relembrar essa história Yuniur, um imigrante latino refém de seu sangue quente, dá início a uma inebriante expiação do desejo.      
     Tudo começa com a menina Magda, traída por ele apesar de ser seu primeiro e verdadeiro amor, e culmina na mais recente traição do personagem que é simplesmente chocante, perturbadora, tanto para o leitor quanto para Yuniur — que fica abismado com sua própria canalhice. (Liv. Saraiva) Minha opinião: Recomendo. É bom saber que e como vivem os imigrantes no pais mais poderoso do mundo.

     Existe felicidade conjugal em uma sociedade na qual o casamento é uma instituição inabalável? Sucesso de crítica e multipremiado por toda a Europa, Tahar Ben Jelloun retrata em Felicidade conjugal a história de um homem que resolve pintar seu último quadro: o de seu relacionamento. As cores são fortes, e, como toda obra de arte, sempre há mais de uma opinião sobre o mesmo assunto, a mesma vida, os mesmos atos. O protagonista, um pintor obrigado a se aposentar após sofrer um AVC, sofre com a certeza de que sua relação conjugal caótica foi a responsável por seu colapso. Diante disso, com o tempo ocioso e com medo de cair em depressão, ele decide escrever suas memórias, narrando o começo do relacionamento, a má relação com os sogros, o amor louco, a rotina e o ódio que se instalou. Um trabalho de autoanálise, que vai ajudá-lo a encontrar coragem para se libertar da relação destrutiva com a esposa. Esta é a primeira parte do livro, chamada de “O homem que amava demais as mulheres”. Ao descobrir, por acaso os escritos do marido, a esposa decide escrever sua versão dos fatos. Começa então a segunda metade, intitulada de “Minha versão dos fatos - Resposta a O homem que amava demais as mulheres”. Obviamente, as versões são divergentes, a ponto de o leitor questionar se os dois fizeram parte da mesma história, do mesmo casal. As duas vozes discordantes de Felicidade conjugal colocam questões modernas a respeito do casamento, do compromisso, da fidelidade e até da influência dos sogros. (Liv.Saraiva) Minha opinião: forma narrativa que prende e faz o leitor tomar partido e se surpreender. Recomendo.

  Caminhando pelas ruas de Paris em uma manhã tranquila, o livreiro Laurent Letellier encontra uma bolsa feminina abandonada. Não há nada em seu interior que indique a quem ela pertence – nenhum documento, endereço, celular ou informações de contato. A bolsa contém, no entanto, uma série de outros objetos. Entre eles, uma curiosa caderneta vermelha repleta de anotações, ideias e pensamentos que revelam a Laurent uma pessoa que ele certamente adoraria conhecer.
Decidido a encontrar a dona da bolsa, mas tendo à sua disposição pouquíssimas pistas que possam ajudá-lo, Laurent se vê diante de um dilema: como encontrar uma mulher, cujo nome ele desconhece, em uma cidade de milhões de habitantes? (Liv. Saraiva). Minha opinião: Recomendo.

Ignácio de Loyola Brandão instiga o leitor com as crônicas deste livro. “Se for pra chorar que seja de alegria” provoca, emociona, atrai. Que prazeres podem surgir em uma aventura noturna no ambiente tétrico que costuma ser o de qualquer cemitério? Por que alguns bares que frequentamos, mesmo depois de terem fechado, continuam luminosos em nossas vidas? De onde veio e para onde vai o esqueleto que dois jovens carregam tranquilamente pelas ruas de São Paulo? O que será que se passa na mente de alguém que está condenado à morte e que, sabendo a hora exata em que vai morrer, convive com a sensação da vida escorrendo pelos dedos? O autor pesca em sua vida – e na vida que o cerca, da qual procura desfrutar ao máximo, observando-a com vagar – aquilo que realmente tem valor. Ainda que a memória seja requisitada aqui em suas crônicas, Loyola não lamenta, não se toma pelo saudosismo. Aliás, ao contrário, aqui o autor sugere a beleza da renovação da vida, com seus clarões, trovões, mistérios e lições. Livro que, de forma despretensiosa e leve, faz pensar (Liv. Saraiva)Minha opinião: crônicas cotidianas, que levam a um passeio por uma cidade brasileira. Recomendo.

     Será que Mozart foi assassinado por Salieri? Tchaikovsky morreu de cólera ou envenenamento? Chopin morreu mesmo tuberculoso? E Beethoven, foi vítima do alcoolismo? A resposta, ou pelo menos algumas hipóteses plausíveis para essas perguntas, estão em Melodia mortal, estreia na ficção adulta de um dos maiores autores para o público juvenil do país. Escrito a quatro mãos por Pedro Bandeira com o médico Guido Levi, o livro examina, à luz dos conhecimentos da medicina contemporânea, os indícios possíveis sobre as mortes polêmicas de alguns grandes compositores da música clássica. E quem conduz a investigação é ninguém menos que Sherlock Holmes, auxiliado pelo seu fiel escudeiro, o doutor John H. Watson, que narra as aventuras do detetive na empreitada. Talvez não seja possível, tanto tempo depois, elucidar a causa dessas mortes que a medicina da época não foi capaz de precisar, mas a diversão é garantida neste romance cheio de teorias científicas e enigmas que formam um intrincado quebra-cabeça, na tradição da melhor literatura policial.(Liv. Saraiva). Minha opinião: Ótimo trabalho de pesquisa. distrai, ensina e diverte. Recomendo

Considerado um dos melhores romances já escritos pelo autor angolano, 'Teoria Geral do Esquecimento' é um livro sobre o medo do outro, o absurdo do racismo, o amor e a nossa capacidade de redenção.(Liv. Saraiva)
Luanda, 1975. A fascinante Ludovica, ou Ludo, criada pelo autor neste livro, ergue uma parede separando seu apartamento do resto do edifício onde vive - e assim nos guia por uma narrativa em que o sentido de humor serve como antídoto à trágica história angolana.(Liv. Cultura). Minha opinião: adorei e recomendo.

 Quando a jovem Mikage se vê  só, depois da morte de sua avó com quem vivia   numa casa muito grande, procura  refugio na cozinha. Porém, um dia um jovem bate à sua porta e lhe chama pra morar com ele e sua mãe, Eriko. Acontece que essa bela e acolhedora senhora, não é na realidade quem parece ser... (Liv. Saraiva). Minha opinião: a história surpreende e leva o leitor a outra cultura. Recomendo





      Sobre a ansiedade com um estilo escrachado, ágil, inteligente e confessional. As crises de pânico, a mania de organização, os remédios tarja-preta e os efeitos da ansiedade em sua vida aparecem sob o filtro de uma cabeça fervilhante de pensamentos, mãos trêmulas, falta de ar e, sobretudo, humor.
      Tati consegue falar de um tema complicado, provocar gargalhadas e ainda manter o pacto de seriedade com o leitor. A capacidade de rir de si mesma confere a tudo isso distância, graça e humanidade.(Liv. Saraiva).

Considerado pela linguista e acadêmica Nelly Carvalho "o cronista do Recife, o nosso Rubem Braga", autor lança seu terceiro livro pela Cepe, seleção de textos publicados no Jornal do Commercio e na revista Algomais. O prefácio é do jornalista e escritor Homero Fonseca, que ressalta, entre outros predicados de Joca, a "capacidade de concisão simplesmente impressionante", além do senso de humor: "Se você, leitor, não der boas gargalhadas, eu choche". (Liv.Cultura)