sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz você no novo ano!!



Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.


( A blogueira só volta no  dia 4/01/2011.)

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Breve nas livrarias: Estórias Mínimas


Estórias mínimas
José Rezende Júnior
Ed.Letras.

Aguardem o lançamento do  livro.

Para quem ainda não conhece José Rezende: o autor escreve contos com no máximo 140 caracteres. Sensuais, irônicos, eróticos,bem humorados mas sempre curtíssimos como Vício Maldito, postado abaixo:



 VÍCIO MALDITO!

O marido, que não fumava, saiu no meio da noite pra comprar cigarro. Voltou dez anos depois, com câncer nos dois pulmões.




Capa e micro estória enviadas para mim pelo autor que também autorizou a postagem.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O Motorista do 8-100,Rubem Braga


    Tem o Correio da Manhã um repórter que faz, todo domingo, uma página inteira de tristezas. Vive montado em um velho carro, a que chama de "Gerico"; a palavra, hoje, parece que se escreve com "J"; de qualquer jeito (que sempre achei mais jeitoso quando se escrevia com "g") é um carro paciente e rústico, duro e invencível como um velho jumento. E tinha de sê-lo; pois sua missão é ir ver ruas esburacadas e outras misérias assim.
    Pois esse colega foi convidado, outro dia, a ver uma coisa bela. Que estivesse pela manhã bem cedo junto ao edifício Brasília (o último da Avenida Rio Branco, perto do Obelisco) para assistir à coleta de lixo. Foi. Viu chegar o caminhão 8-100 da Limpeza Urbana, e saltarem os ajudantes, que se puseram a carregar e despejar as latas de lixo. Enquanto isso, que fazia o motorista? O mesmo de toda manhã. Pegava um espanador e um pedaço de flanela, e fazia o seu carro ficar rebrilhando de limpeza. Esse motorista é "um senhor já, estatura mediana, cheio de corpo, claudicando da perna direita; não ficamos sabendo seu nome".
    Não poupa o bom repórter elogios a esse humilde servidor municipal. E sua nota feita com certa emoção e muita justeza mostra que ele não apenas sabe reportar as coisas da rua como também as coisas da alma.
Cada um de nós tem, na memória da vida que vai sobrando, seu caminhão de lixo que só um dia despejaremos na escuridão da morte. .Grande parte do que vamos coletando pelas ruas tão desiguais da existência é apenas lixo; dentro dele é que levamos a jóia de uma palavra preciosa, o diamante de um gesto puro.
    É boa a lição que nos dá o velho motorista manco; e há, nessa lição, um alto e silencioso protesto. Não conheço este homem, nem sei que infância teve, que sonhos lhe encheram a cabeça de rapaz. Talvez na adolescência ele sucumbisse a uma tristeza sem remédio se uma cigana cruel lhe mostrasse um retrato de sua velhice: gordo, manco, a parar de porta em porta um caminhão de lixo. Talvez ele estremecesse da mais alegre esperança se uma cigana generosa e imprecisa lhe contasse: "Vejo-o guiando um grande carro na Avenida Rio Branco; pára diante de um edifício de luxo; o carro é novo, muito polido, reluzente...".
    É costume dizer que a esperança é a última que morre. Nisto está uma das crueldades da vida: a esperança sobrevive à custa de mutilações. Vai minguando e secando devagar, se despedindo dos pedaços de si mesma, se apequenando e empobrecendo, e no fim é tão mesquinha e despojada que se reduz ao mais elementar instinto de sobrevivência. O homem se revolta jogando sua esperança para além da barreira escura da morte, no reino luminoso que uma crença lhe promete, ou enfrenta, calado e só, a ruína de si mesmo, até o minuto em que deixa de esperar mais um instante de vida e espera como o bem supremo o sossego da morte. Depois de certas agonias a feição do morto parece dizer: "enfim veio; enfim, desta vez não me enganaram".
    Esse motorista, que limpa seu caminhão, não é um conformado, é o herói silencioso que lança um protesto superior. A vida o obrigou a catar lixo e imundície; ele aceita a sua missão, mas a supera com esse protesto de beleza e de dignidade. Muitos recebem com a mão suja os bens mais excitantes e tentadores da vida; e as flores que vão colhendo no jardim de uma existência fácil logo têm, presas em seus dedos frios, uma sutil tristeza e corrupção, que as desmerece e avilta. O motorista do caminhão 8-100 parece dizer aos homens da cidade: "O lixo é vosso: meus são estes metais que brilham, meus são estes vidros que esplendem, minha é esta consciência limpa." (1949)


(Rubem Braga. O homem rouco. Rio: Ed. do Autor, 1963. p. 143-146)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Li, gostei e recomendo: Interioranos

Ano terminando decidi ler apenas os 8 livros que solicitei ao  grupo que formamos há 3 dezembros consecutivos. Leves e de poucas páginas terminaria todos eles antes de terminado janeiro. Acontece que recentemente Clávio Valença lançou um livro de contos lá no Museu do Estado - Recife. Por que eu leria Interioranos se já estou à espera de vários?  Porque conheço o autor. E lá fui eu.
Exímio contador e criador de histórias, com ou sem H, Clávio Valença criou personagens formidáveis. Desses que podem morar no bairro ao lado ou na casa da frente em qualquer cidade do interior, em  qualquer dos Rio Grande, do Norte ao  do Sul.
 Interioranos traz  13 contos bem humorados, ponteados de ternura e ironia sutil. Leitura rápida e muito divertida. O livro segura o leitor desde as primeiras páginas além do que é muito bem  acabado. Bonito mesmo.

Interioranos-Clávio Valença
Ed.Comunigraf,2010

Interioranos - Clávio Valença
R$30,00
Onde comprar:
Livraria da Jaqueira
R.Antenor Navarro 138 -
81 3265 9455
Potylivros
Av.Cde. da Boa Vista 1413
ou pelo telefone:3203 2626
Livraria Cultura ( a partir do dia 30/12)
Paço Alfândega - ou pelo  telefone: 81 2102 4033

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Andei Léguas de Sombra, Fernando Pessoa

Andei léguas de sombra
Dentro em meu pensamento.
Floresceu às avessas
Meu ócio com sem-nexo,
E apagaram-se as lâmpadas
Na alcova cambaleante.
Tudo prestes se volve
Um deserto macio
Visto pelo meu tato
Dos veludos da alcova,
Não pela minha vista.
Há um oásis no Incerto
E, como uma suspeita
De luz por não-há-frinchas,
Passa uma caravana.


Esquece-me de súbito
Como é o espaço, e o tempo
Em vez de horizontal
É vertical. A alcova
Desce não se por onde
Até não me encontrar.
Ascende um leve fumo
Das minhas sensações.
Deixo de me incluir
Dentro de mim. Não há
Cá-dentro nem lá-fora.


E o deserto está agora
Virado para baixo.


A noção de mover-me
Esqueceu-se do meu nome.


Na alma meu corpo pesa-me.
Sinto-me um reposteiro
Pendurado na sala
Onde jaz alguém morto.


Qualquer coisa caiu
E tiniu no infinito.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Natal Chique- Vitorino Nemésio

Natal Chique   


Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na muita pressa e pouco amor.

Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.

Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado…
Só esse pobre me pareceu Cristo.
______________________________________________
Vitorino Nemésio:Açores 1901 - Lisboa 1978
Algumas obras do autor:
Poesia:
O Verbo e a Morte
Canto de Véspera
Sapateia Açoriana, Andamento Holandês e Outros Poemas
Romance:
Paço de Milhafre

Varanda de Pilatos
Mau Tempo no Canal

Esse poema foi uma sugestão do colega blogueiro Leonardo B, a quem agradeço com um  beijo.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Horóscopo poético: Capricórnio 22 de dezembro a 21 de janeiro

Capricórnio - Vinicius de Moraes

A capricorniana é capricornial
Como a cabra de João Cabral.
Eu amo a mulher de capricórnio
Por que ela nunca lhe põe os próprios.
A caprina é tão ciumenta
Que até o ciúmes ela inventa.
Mulher fiel está aí: é cabra
Só que com muito abracadabra.
Suas flores: a papoula e o cânhamo
De onde vem o ópio e a maconha
Ela é uma curtição medonha
Por isso nos capricorniamos

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Noite Feliz, Marcos Rodrigues

   O desembargador Gabriel Ferreira de Araújo, aos domingos, recebia todos os filhos, netos e agregados para almoçar. Mesmo viúvo, mantinha o costume. Gostava da reunião, mas não participava muito da conversa. Era muito rápida, não entendia tudo. Preferia acompanhar à distância. Foi assim também  naquele domingo.
    Estavam todos preocupados com o Natal, percebia. Mais por sua viuvez recente. Ninguém sabia direito como ia ser. Nem os filhos, nem os agregados. Ninguém falava nada, mas havia algo no ar.
    De repente o tema veio à mesa, trazido pela mais velha. Cuidadosa, tocou no assunto como se nada houvesse. Ceia mais cedo ou ceia mais tarde? Assim tão cedo? E os agregados? E as famílias dos agregados? E os namorados? Quem traz o quê? Naquela conversa toda havia apenas a certeza da presença da Almerinda, que continuava cuidando da casa e, sobretudo, dele mesmo. Excelente pessoa, a Almerinda.
    Ele ouviu tudo com muita calma e pensou em suas vontades. Matutou, ponderou e decidiu. Esperou a hora certa e bateu com a faca na taça de vinho pedindo silêncio. Era sempre atendido, mesmo pelas crianças, que nunca prestavam atenção.
    Contou a história do Bispo de Myra, nascido em 280 na Turquia, que mais tarde se tornou São Nicolau. Mais tarde ainda, depois de muitas distorções, resultou nesse Papai Noel presente. Com cara, barba, barriga, bota, vestimenta e cores definidas pela Coca-Cola em 1931. Era um absurdo, um despautério. Não fazia sentido todo mundo atrás de presentes desnecessários por conta de um boneco comercial. Correr para cá e para lá numa noite de Natal era desatino. Atender expectativas de felicidade dos anúncios de margarina era insânia. Era preciso sublevar-se contra as forças do mercado. Era preciso ousar. Não deveriam fazer nada na noite do vinte e quatro. Ou melhor, cada um deveria fazer o que quisesse e eu quero ir para a cama, disse rindo e trazendo um pouco de confiança a todos.
    Houve um que bobagem papai, vem todo mundo aqui, vai ser ótimo. Mas ele foi firme, disse que pessoalmente preferia tomar uma sopa às sete da noite, meia taça de vinho e dormir. Na paz do Senhor, frisou, olhando para cima.
    Mais queixumes, nem todos legítimos, e ele insistiu que preferia isso mesmo. Notou que a mais velha, a esta altura, morria de culpa de ele ter pensado nisso, mas repetiu que preferia tomar uma sopa às sete da noite, meia taça de vinho e dormir. Na paz do Senhor, insistiu sem olhar para cima. Seria um exagero.
    Com essa insistência e o bom humor, a culpa foi se dissipando. O famoso peru da Almerinda não precisaria ser devorado justo na noite do vinte e quatro. Melhor seria num domingo qualquer, no almoço. Os ovos nevados também. A simplificação trouxe paz a todos. Curiosamente um juvenil sentimento de transgressão também permeou o ambiente. E, não obstante alguns pulsos de incerteza, ficou decidido que não fariam nada na noite do vinte e quatro.
    Mas houve a tarde do vinte e quatro, em que ele recebeu algumas visitas. A Almerinda serviu chá e bolo de laranja. Lá pelas cinco todos se foram. Ele tirou uma soneca, acordou bem disposto, tomou um banho e se arrumou.
    Às sete a Almerinda preparou um levíssimo suflê de chuchu e serviu duas taças de vinho. Ele a convidou para sentar-se com ele e jantaram. Juntos, como faziam desde junho. Ela então lavou a louça, fechou a casa e subiram para o quarto. Juntos, como faziam desde outubro.
    Antes de dormir ele pensou que algum dia teria de explicar essas coisas para a mais velha. Mas não chegou a se preocupar. Logo dormiu. Com um anjo.



*Marcos Rodrigues é engenheiro civil pela Escola Politécnica da USP, PhD pela University of Cambridge, Inglaterra. Desde 1990 é Professor Titular da Poli - USP, na área de Informações Espaciais. Dedica-se também à literatura

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Recordo Ainda,Mário Quintana

Recordo ainda... e nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...


Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...


Estrada afora após segui... Mas, aí,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iludais o velho que aqui vai:


Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai!...
Que envelheceu, um dia, de repente!...

domingo, 19 de dezembro de 2010

Pernambuco Em Campanha Contra o Bullying

Cartilha distribuida nas escolas públicas do Estado Pernambuco

A peleja da covardia com a senhora educação
I
Esse cordel tão modesto
Mas feito com consciência
Pretende sintetizar
Com clareza e eficiência
O significado de bullying
Como assédio ou violência

II
O bullying pode ocorrer
No ambiente de emprego
No parque ou no futebol
Causando desassossego
Espalhando a discórdia
A violência e o medo
III
Tem também o cyberbullying
Que ocorre no Orkut
Nos sites da internet
No twitter ou facebook
Qualquer um pode ser vítima
Seja pobre, rico ou Cult
IV
Até mesmo na escola
Lugar de cidadania
Do respeito às diferenças
Palco da democracia
Há o bullying escolar
Uma tremenda covardia
V
Isso mesmo meu amigo
Se atualize sem demora
Preste muita atenção
Ao que vou dizer agora
O Bullying também ocorre
No chão das nossas escolas!
VI
E é sobre esse último caso
Que agora vou falar
A terrível violência
Que vive a nos rodear
Principalmente a que ocorre
No ambiente escolar
VII
A discriminação é a base
Do assédio praticado
Com o intuito de humilhar
O sujeito atacado
Constranger ou meter medo
Pra deixá lo acuado
VIII
Também há o preconceito
Como chave desse mal
Seja ele de estética
Ou de classe social
De racismo deslavado
Ou de escolha sexual
IX
Apelidos humilhantes
Xingamentos raciais
Palavrões e ameaças
Atitudes imorais
Esses são alguns exemplos
Mas existe muito mais...
X
O importante é entender
Que bullying é covardia
É o ato do valentão
Praticado dia a dia
Contra aquele que é mais fraco
Ou que está em minoria

sábado, 18 de dezembro de 2010

Meu Presente de Natal Chegou Adiantado,Ignácio de Loyola Brandão

Fiquei encantada com essa história e trouxe para dividir com vocês.


     
Meu presente de Natal chegou adiantado. Semana passada o e-mail de uma senhora de 78 anos entrou em meu computador. No mesmo instante, 40 anos se evaporaram e me vi na redação da revista Claudia, então na Marginal, Freguesia do Ó. Anos 70. Uma tarde, Thomaz Souto Correa, diretor, passou pela minha mesa: "Estamos recebendo um número enorme de cartas com leitoras enviando contos. Precisamos responder. Fique com essa incumbência. Responda todas!" Havia essa preocupação, a interação com as leitoras. Não havia e-mails, fax, computadores, era máquina de escrever, papel timbrado, selo, cola, correio. Não achei uma tarefa desagradável, sou curioso, lia besteiras aterrorizantes, mas lia coisas razoáveis, curiosas, boas.

     Via a imaginação das leitoras desfilando pela minha mesa, sonhos, fantasias, queixas, projetos. Um dia, apanhei um conto bom, apenas mal estruturado. A mulher do interior (qual cidade?) sabia o que queria dizer, elaborava personagens, tinha noção da condição feminina. Respondi, elogiei, fiz sugestões. A resposta demorou, o conto voltou reescrito. A demora, ah, a demora. Vocês nem imaginam por que demorava.

     Minha resposta tinha ido para a casa de uma amiga da leitora que a entregava em momento propício, quando o marido da contista não estava em casa. Ele, como homem, dono da casa e talvez pensando que mandasse na mulher e nos sonhos dela, a tinha proibido de escrever. Encontrara uns escritos, rasgara, indagara: qual é? O que ela pensava?

     No entanto, a leitora continuou a escrever. Refez o conto, mandou, fiz novas anotações, ela estava a um passo do muito bom. Nova demora, meses passaram. Outra carta. Então, fiquei sabendo as condições em que ela escrevia. Era à noite. Quando a casa se aquietava, ela esperava o marido ir para a cama, ia junto, dava um tempo. Quando percebia que ele dormia pesado, saía, trancava a porta do quarto, ia para a cozinha, fechava a porta, cuidava para que ruídos não vazassem. Cobria a mesa com um cobertor grosso (medo do barulho), levava o abajur para baixo da mesa, ajeitava-se e escrevia. Já vi na minha vida todo tipo de refúgios para escrever, mas este bateu tudo, ganhou. Porque era a escritura sob repressão. Mas ela desafiava o totalitarismo, a rudeza, e escrevia até a madrugada. Com fita-crepe escondia tudo embaixo da mesa.

    Ela deixou aquele conto de lado, mas tentei novos contatos, queríamos que ela nos deixasse contar a história dela na revista, num número especial dedicado à condição feminina. Teria junto o comentário de Carmen da Silva, uma das jornalistas que desbravaram o mundo feminino, carregando bandeiras que a tornaram querida pelas mulheres, odiada pela ditadura, mal vista, visada. Carmen foi uma brava - morreu de câncer, nova ainda - e doce figura! Mas a leitora disse não, complicaria demais a vida dela, que não era fácil. Uma de minhas últimas cartas foi: "Pelo amor de Deus, não pare de escrever! Nunca." Depois, o silêncio.

     Passaram-se 40 anos. Deixei Claudia, fui para Planeta, Ciência e Vida, Vogue, escrevi meus livros. Nós, escritores, sempre nos perguntamos: quem é atingido por aquilo que escrevemos? A quem chegam nossas palavras, escritos? Em quem repercute o que dizemos em palestras, conversas, bate-papos? É um dos mistérios deste ofício. De maneira que, quando temos uma resposta, é preciso se alegrar. É o que faço agora com o e-mail de Maria Olimpia, chegado semana passada. A melhor coisa deste ano, dos últimos anos. Ela escreveu:

"É provável que você não se lembre de mim, pois tivemos um contato há cerca de 40 anos atrás, quando você trabalhava na revista Claudia. Esta revista oferecia uma oportunidade a escritores novos e mandei um conto para ela. Junto foram algumas informações sobre mim e expliquei que escrevia na "calada da noite" escondida do meu marido. Ele não me "permitia" ser uma escritora. E, para minha surpresa e alegria, recebi de você, a sugestão de contar na Claudia a minha história. Isto não aconteceu, mas, dentro de mim, você, colocou a semente da coragem para continuar tentando.

Hoje, dia 10/12, ganhei de presente o livro Ruth Cardoso, Fragmentos de Uma Vida, escrito por você. Fiquei emocionada. Estou com 78 anos e, hoje, viúva, morando em Visconde de Mauá, sou uma escritora e me dedico à literatura. Já vendi 600 exemplares de meu livro A Cozinheira e o Visconde. Sou "Chef de cozinha", mas, jurei a mim mesma que, ao fazer 80 anos, deixarei a cozinha e trocarei, definitivamente, a colher de pau pela caneta(ainda uso, digito muito mal no computador). Fico feliz, em poder agradecer a você, o bem que me fez com seu apoio e estímulo, embora esteja fazendo isto 40 anos depois. Carinhosamente, Maria Olimpia."


Publicado no Estadão dia 17/12/2010

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

30 melhores livros infantis de 2010

Os melhores livros infantis ( 2 a 7 anos) de 2010 escolhidos pela Revista Crescer.
Girafas Não Sabem Dançar - De: Giles Andrade,Ilustração:Guy Parker-Rees
Ed.Cia das Letrinhas  - Idade:a partir de 2 anos


Geraldo é uma girafa muito desengonçada. Se tenta correr, troca as pernas e se estatela no chão. Mas coragem é o que não lhe falta. Tanto que resolveu ir ao baile anual da selva. Na festa, os bichos dançam todo tipo de música - rock, tango e até chachachá. E todo mundo na África está cansado de saber que girafas não sabem dançar. Todo mundo, inclusive o Geraldo. Pois não é que, mesmo assim, ele respirou fundo e, aos tropeções, dirigiu-se para a pista de dança? Com dobraduras e figuras que se movimentam por puxadores, este livro vai contar o que aconteceu com o Gê naquela noite. E o leitor vai ver como o grilo cricrilou um conselho precioso para nosso amigo - graças a ele, Geraldo foi capaz de uma proeza que deixou a selva inteira de boca aberta. 


Da Pequena Toupeira Que Queria Saber Quem tinha Feito Cocô na Cabeça Dela
De:Werner Holzuwarth e Wolf Erlbruch-Ed.Cia das Letrinhas - Idade:a partir de 2 anos


Numa manhã, quando ia saindo de sua toca, a toupeirinha percebe que alguém fez coco em sua cabeça. Mas quem teria feito tal coisa? Para esclarecer o enigma, ela interroga todos os animais que vai encontrando pelo campo - o cavalo, a pomba, a vaca, o porco... Para se inocentar, eles exibem os respectivos cocos à toupeira - há de todos os tamanhos, formatos e consistência... Até que, finalmente, graças à ajuda de duas moscas - grandes especialistas no assunto -, a toupeira encontra o culpado e dá um jeito de se vingar. Nesta edição, além de se divertir com as dobraduras, as crianças poderão interagir com as cenas manipulando os puxadores.


Filhotes de Bolso Saem de Férias- De: Margaret Wild,Ilustração:Stephen Michael King -Ed. Brinque book - idade:A partir de 3 anos

Nessa aventura, os cachorrinhos Bife e Bufe, que adoram ser os filhotes de bolso do seu Toto, vão para a praia com ele. Depois de muita diversão, levam um susto - o querido e enorme casaco do seu Totó desaparece e, com ele, os bolsos onde 'moram' os dois filhotes. Bife e Bufe decidem, então, procurar o casaco por toda a praia até, finalmente, encontrá-lo e, assim, voltarem a ser os filhotes de bolso do seu Totó.



A Visita dos Dez Monstrinhos - De:Ângela Lago_Ed.Cia das Letrinhas - Idade:a partir de 3 anos


Foi pensando nas crianças que estão aprendendo os números - e nos seus pais e professores - que a escritora criou um livro em rima. Nele, dez monstrinhos vão chegando, um a um. Quando eles são mandados embora, o senhor zero resolve brincar de ser fantasma. Colorido e em letra de fôrma, é uma ferramenta para as crianças em fase de alfabetização.

Bichos, Ronaldo Simões Coelho


Por sugestão do neto, o autor escreve sobre os bichos que existem no sítio da família.



Elefantes Nunca Esquecem - De:Anuska Ravishankar
Ilustração: Christiane PieperEd. Manati - lazer uma cullturaA partir de 3 anos



É senso comum que os livros para crianças devem contar histórias repletas de valores construtivos. É também senso comum que, se um elefantinho perdido, criado por búfalos, um dia encontra uma manada de elefantes, ele.... O senso comum é importante na vida da gente. Por isso mesmo é bom que alguém saiba como desconstruí-lo quando uma mentalidade destrutiva ameaça a sobrevivência do planeta e da humanidade.

Monstros
Ed.Salamandra. Idade: a partir de 4 anos

Para quem lê este livro de monstro, existem duas possibilidades - ou a pessoa o lê à noite, e ri até cair da cama, ou lê de dia, e ri até cair no chão. Um livro cheio de possibilidades e de piadas.





Fuja do Garajuba - De: Shel Silverstein
Ed.Cosac Naify. Idade: a partir de 5 anos

O primeiro livro de Shel Silverstein, de 1964, é o seu único em cores. Nele, o autor adentra o imaginário infantil e convida as crianças a rirem dos próprios medos. Fuja do Garabuja é uma coletânea de 44 poemas sobre monstros e criaturas imaginárias bem incomuns, como o Gruto, um bicho bom de disfarce; o Gradiardo, com seus dentes em fila dupla e garras afiadas; o Grício, gordinho de olhos vermelhos, e outros tantos que somente alguém tão criativo como Silverstein poderia criar, com um humor sutil que cativa crianças e adultos. A simplicidade poética e o minimalismo característicos do autor ganham nesta obra o colorido das ilustrações em aquarelas.


Maurício, Leão de Menino - De:Flávia Maria,Ilustração: Millôr Fernandes Ed.Casac Naify  Idade: a partir de 6 anos
Conta a história de um leão diferente, que mora dentro do guarda-roupa de um garoto. Um dia, o menino se enche de coragem e conhece Maurício, que logo dá uma lambida na bochecha dele, mostrando amizade.


O Lobo - De:Graziela Teixeira.Ed.Manati. Idade: a partir de 6 anos
Dentro desta história há um outro livro de histórias. Um livro onde mora um lobo cinzento, que ganha vida e voz pelo afeto do pai de Lília. Todas as noites, o pai embala a menina com histórias até que ela se veja envolvida em um silêncio acolhedor. Mas uma noite, o pai não volta para casa e a dor, o medo e a raiva invadem o coração e a casa de Lília.

Peter Pan,Monteiro Lobato,Ilustração:Fabiana Salomão.Ed.Globo.Idade: a partir de 6 anos







Marcelino Pedregulho - De: Sempé. Ed.Casac Naify. Idade: a partir de 6 anos

Em 'Marcelino Pedregulho', o autor apresenta um menino que enrubesce sem nenhum motivo. Todos o acham muito diferente, mas Marcelino não entende o porquê. Então, ele se isola das outras crianças para poder brincar em paz. Até que conhece um vizinho muito estranho - Renê Rocha, o garoto violinista que espirra todo o tempo, mesmo sem estar resfriado. Uma grande e sincera amizade nasce a partir das diferenças

A Árvore Vermelha, Shaun Tan.Ed. SM Idade:a partir de 7 anos

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Como estimular a leitura infantil

Acabo de ver na Revista Crescer, algumas dicas para estimular a leitura das crianças. Coloquei algumas aqui, justamente as que me lembro de ter feito.  Tem tudo para funcionar. Para meus filhos, hoje adultos, funcionou muito bem. Agora, sem querer desanimar ninguém: se não for sincero, se pai e mãe não gostam de ler, vamos ser realistas, a probabilidade dos filhos gostarem cai muito. Não é impossível, mas dificulta.
Vamos às dicas:

*Não importa onde você guarde os livros: quarto, sala, banheiro, escritório... o importante é que fiquem em prateleira baixa, acessível à criança.

*Mentenha os livros limpos e organizados da forma mais simples para você e principalmente para as crianças. Pode ser por ttema, ordem alfabética, cor da capa...

*Ensine seu filho a cuidar dos livros, mas não exagere. O livro tem de ter aparência de que foi lido e relido. Livro intacto é livro não lido.

*Hora de leitura é hora de afeto. Você pára tudo e lê para a criança e ela entende o recado. Ao pegar e escolher um livro você está mostrando o carinho que sente pelo objeto e seu filho vai aprender a amá-lo também.

*Ler antes de dormir é uma delícia e é muito útil, mas boas leituras podem  acontecer de manhã cedo, na volta da escola, depois do almoço, qualquer hora é hora.

*Em sala de espera de consultório, em viagens, no quarto, na sala, no banheiro, no jardim. O importante é a leitura acontecer quando houver disposição por parte da criança  e de quem lê para ela.

*Ver os pais lendo é um dos melhores incentivos. Aproveite a hora que você está com um livro para estimular a criança na leitura individual.

*Leia com calma. Degustem o livro em parceria. Se a criança tiver vontade de ficar mais tempo numa ilustração ou se fizer perguntas, deixe rolar. Se precisar, use um marcador de página. Não se prenda ao tamanho do livro ou à obrigação de terminar a história de uma vez. Crianças determinam o rítimo  da leitura.

*Evite usar o mesmo tom de voz para o livro inteiro. Dê os tons que a história pede. Viva a história com gestos, expressões faciais, mudanças na entonação...

*Se o livro for mais complexo, pode interromper a leitura para algum comentário ou pergunta se achar necessário.

*Se for a criança que estiver lendo em voz alta, não faça correções imediatas...

Outras possibilidades  a partir do livro e da leitura:

Por que não encenar total ou parcialmente o que estiverem lendo? para isso objetos prosaicos podem compor um cenário, adereços etc.

O final pode ser mudado. O livro inteiro pode ser mudado.

E o desenho?  pode entrar como auxiliar também. Desenhar a história ou só os personagens  ou outras coisas a partir do livro.

As Pulseiras,Humberto de Campos


     Graciosamente morena, com uns grandes olhos negros, cabelo ondeado, corpo flexível, e um andar de cobra no descampado, mme. Batista Belo era, sem contestação admissível, uma das figuras mais acentuadamente chics da cidade. Os seus vestidos não eram ricos, nem eram caros os seus chapéus; era, porém, tão definido o cunho da sua elegância, que, nas, festas, nos teatros, nos passeios, era ela quem se revelava a rainha, a dominadora, a vitoriosa, no meio de outras mais opulentamente trajadas.
    Conhecedor da pérola que possuía, o marido vigiava-a de perto, cumulando-a de mimos, — de colares, de brincos, e, principalmente, de pulseiras, de que ela possuía, já, a mais soberba variedade. Eram pulseiras de platina, com brilhantes; de ouro, com safiras; de prata, com pérolas foscas; e eram, sobretudo, de metal mais ou menos liso, em número de vinte ou trinta, que tilintavam ao menor movimento, dando à linda senhora, quando ela passava na Avenida, um galhardo aspecto de burra-madrinha. À tarde, ao saírem, o dr. Belo não deixava de recomendar:
    — Lulu, as pulseiras? Já as puseste todas?
    Um dia, intrigada com essa exigência galante o marido, madame não pode mais, e interpelou-o:
    — Augusto, por que exiges que eu use tanta pulseira, quando saio? Isto já está, até, se tornando ridículo...
    E insistindo:
    — Por que é; hein?
    — Por que é? — gracejou o desgraçado, relutando.
   E num acesso de coragem:
   — É para saber, no cinema, onde é que você anda com a mão!


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Natal,Cecília Meireles

   

Como estamos mudados! Em meio século, perdemos aquela ingenuidade dos votos dirigidos de janela a janela: "Boas Festas!", "Feliz Ano Novo!"; das ceias tradicionais, talvez copiosas, porém modestas; das lembrancinhas oferecidas às crianças como um dom misterioso do céu; dos vestidos novos para os ofícios das igrejas e as visitas aos presépios; alegria das músicas e cânticos, deslumbramento dos olhos diante de uma Belém infantil, com patinhos nos lagos e lavadeiras nos rios... Ah! como éramos sensíveis, imaginativos! Como estávamos prontos a completar, com a nossa memória dos episódios evangélicos, a paisagem arbitrariamente inventada! Como achávamos naturais todas as coisas desencontradas naquele mundo fictício! Talvez prevíssemos que o nosso não o era menos, e igualmente e misteriosamente desencontradas as coisas que nele iríamos presenciar!

     Esperávamos por esses últimos dias do ano combinando sonhos de novas alegrias alimentadas pelas lembranças dos anos anteriores. A vida estava assim pautada, na terra, sobre exemplos de coisas celestes. Essa mistura do humano com o divino trazia-nos como num estado de levitação, e mesmo em redor de nós tudo era ascensão de anjos e santos, uma aparição deslumbrada de Magos e um acordar sobrenatural de pastores. Falávamos de tudo isso com uma surpreendente naturalidade. Conhecíamos a linguagem dos sinos, cujas mensagens pareciam na verdade descer do céu para a nossa inocência feliz e luminosa.

     Enfim, éramos felizes porque um Menino, ao mesmo tempo parecido com todas as crianças, e diferente de todas elas, nascera um dia, num lugar muito longe, e era uma alegria festejar-lhe o aniversário, não só por ser assim como um irmãozinho de todos nós, mas porque a Sua bondade era uma esperança para os nossos pequenos corações, já assustados e tímidos, secretamente desejosos de felicidade.

     Mas pouco a pouco tudo foi ficando tão complicado, tão difícil! Das simples ceias familiares, que apenas aproximavam as pessoas num convívio sentimental, passou-se às grandes ceias de repercussão social, ceias festivas em luxuosos ambientes, sem compreensível relação com a data do calendário. Das lembrancinhas modestas que recebiam as crianças, por aquele acontecimento, dos cartões de boas festas afetuosos e ingênuos, passou-se a uma superabundância de presentes, a uma efusão de votos, a uma profusão de árvores de Natal, dos mais diversos feitios e coloridos - e tudo se converteu numa grande festa decorativa, ruidosa, suntuosa, profana, em que se confundem tradições cristãs e pagãs e se misturam as celebrações religiosas do Menino Jesus com as alegrias do Ano Novo.

     (Ah! quem vos visitou, lugares humildes da Palestina, que ainda hoje pareceis os mesmos de outrora, em vossa rústica simplicidade. Lugares de onde, no entanto, iria surgir uma nova luz - na verdade, uma nova Estrela - para os povos da Terra!)

     E, de repente - seja no Rio ou em São Paulo, ou em qualquer grande centro ocidental - essas avenidas enfeitadas, essas lojas acesas, esses fantásticos presentes que se acumulam, sugestivos e atraentes por todos os lados! E as mãos ágeis dos vendedores que abrem e fecham caixas, estendem papéis maravilhosos, desenrolam atilhos dourados, fitas cintilantes, que entre os seus dedos se convertem em flores de inúmeras pétalas!

     Tudo isso em torno do Nascimento daquele Menino que, a princípio um pequenino fugitivo perseguido, passa logo a uma iluminada criança a discutir com doutores - sem que se possa adivinhar se algum dia brincou, despreocupado, nem que brinquedos terão sido os seus. Em todo caso, se esta pompa, se este delírio, se estas luzes copiosas, se estas horas inquietas dos Natais de hoje servem para aproximar as criaturas, malgrado o contraste de tanto fausto e grandeza com a doce pobreza de Jesus - estes Natais assim celebrados continuarão a ser uma bela e feliz festa cristã!

(Do livro: Ilusões do mundo -Ed. Nova Aguilar)

Imagem:  Cecília, obras

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

À Sua Mulher Antes de Casar,Gregório de Matos


Discreta, e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia:

Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:

Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trota a toda ligeireza,
E imprime em toda a flor sua pisada.

Oh, não aguardes, que a madura idade
Te converta em flor, essa beleza
Em terra, em cinza, em pó, em sobra, em nada.

________________________________________________________________________________

Gregório de Matos Guerra, nascido em Salvador em 1636, oficialmente era português uma vez que o Brasil só viria e tornar-se independente no século XIX. É considerado o maior poeta barroco em língua portuguesa. Sua obra traz poemas sacros, humorísticos e satíricos. O apelido de Boca do Inferno, deve-se a suas constantes críticas à igreja católica. Gregório de Matos faleceu no Recife aos 59 anos.
Este blog já publicou outro poema do autor. Para vê-lo, clique aqui.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Crônicas da M.P.B: Samba do Blackberry


Samba do Blackberry
Rafael Rocha e Alberto Continentino
Banda Tono

De manhã

Quando ainda penso em acordar

Ela já está a dedilhar

Mexendo feliz no seu novo brinquedo

Eu não vou nem me comparar

Não tenho como disputar

Pois não mando e-mail

Só mando desejo

Essa é minha situação

Eu quero sua atenção

E já fiz imagino até onde eu podia

Eu penso até em desistir

O que eu posso fazer é ir

Não possuo tamanha tecnologia

Ela me trocara por um Blackberry

(Banda: Tono)
Para ouvir clique aqui

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A Coruja Que Era Deus, James Thurker



     Era uma vez numa meia noite sem estrelas uma coruja que estava numa galho  de um carvalho. Duas toupeiras, em silêncio, tentavam passar despercebidas.
    -Vocês! disse a coruja ?
    -Quem ? responderam com voz trêmula, de medo e de pasmo, porque não podiam acreditar que alguém pudesse ver naquela noite escura.
   -Vocês duas! disse a coruja. As toupeiras fugiram correndo e disseram às outras criaturas do campo e da floresta que a coruja era o maior e mais sábio de todos os animais porque podia ver no escuro e responder a qualquer pergunta.
     -Quero ver isso!", disse uma serpentário, e chamou a coruja uma noite quando estava muito escuro. --Quantas patas estou levantando?", perguntou o serpentário.
     -Duas, disse a coruja, e estava certo.
   -Pode você dar-me outra expressão que signifique 'ou seja' ou 'isto é'?",perguntou o serpentário. 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O que estou lendo? Marçal Aquino

Ed.Cosac Naify - RS34,90
Duas narrativas paralelas se entrecruzam na geometria peculiar do autor paulista. O primeiro núcleo de Cabeça a prêmio trata de Brito e Albano, dois matadores de aluguel a serviço dos irmãos Menezes, poderosos traficantes de drogas. Nessa história aparecem também o piloto de avião Dênis e Elaine, filha de um dos chefes do tráfico. Eles protagonizam a segunda história - sua paixão, marcada por uma forte carga sexual, leva-os a um temerário plano de fuga. Marçal Aquino construiu os personagens com incrível habilidade, fez um livro com momentos de violência, mas sem o apelo do grotesco, às vezes chega a dar algum lirismo aos personagens. É meu segundo livro do autor e novamente estou gostando muito. Recomendo.
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