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Mostrando postagens de Abril, 2014

Uma Alma Aberta a Ser Preenchida Em Castelhano, Gabriel García Márquez

Pronunciamento feito em Cartagena das Índias, Colômbia,26 de março de 2007 Diante das Academias de Língua e dos reis de Espanha. Por ocasião da abertura do IV congresso Internacional da Língua. O autor era homenageado por seus 80 anos de idade,40 anos da publicação de Cem Anos de Solidão e 25 anos do Prêmio Nobel.




Uma Alma Aberta Para Ser Preenchida Em Castelhano       Nem no mais delirante dos meus sonhos, nos dias em que escrevia Cem Anos de Solidão, cheguei a imaginar que poderia ver uma edição de um milhão de exemplares. Pensar que um milhão de pessoas poderiam decidir ler algo  escrito na solidão  de um quarto, tendo como arsenal as vinte e oito letras do alfabeto e meus dois dedos indicadores, parecia claramente uma loucura. Hoje, as Academias da Língua fazem isso como um gesto  para um romance que passou diante dos olhos de cinquenta vezes um milhão de leitores, e para um artesão insone como eu, que não sai da sua surpresa por tudo o que aconteceu.      Mas não se trata, nem pode …

Entrevista com Eduardo Galeano

Em 1998, entrevistei a escritora Rachel de Queiroz (1910-2003) e ela me confessou sentir “antipatia mortal” porO Quinze, o clássico da literatura brasileira que publicou aos 20 anos, em 1930, e que, desde então, seria sua “obra mais importante e mais popular” (tudo quanto é enciclopédia se refere assim ao livro). O mesmo acontece comAs Veias Abertas da América Latinae o escritor uruguaio Eduardo Galeano.  Publicado em 1971, quando Galeano tinha 30 anos, a obra até hoje o persegue. É sempre nomeado como “o autor deAs Veias Abertas…“, o que, pelo visto, o incomodamesmo porque tem mais de 30 livros além dele. Na entrevista coletiva que deu na sexta-feira 11 em Brasília, onde veio para ser o escritor homenageado da2ª Bienal do Livro e da Leitura, Galeano ouviu provavelmente a milionésima pergunta sobre Veias Abertas. “Faz 40 anos que você escreveu As Veias Abertas da América Latina. Quais são as veias abertas hoje em dia?” E ele, em um português bastante razoável: “Seria para mim impossív…

A Cadeira 23

Antônio Torres,o romancista baiano, em cerimônia realizada ontem, dia 8,tomou posse  da cadeira  23, da Academia Brasileira de Letras.
Antônio Torres, escritor na FLIP, em Parati ( Andre Teixeira/Agência o Globo) O escritor é o 8º  "imortal" ocupante da cadeira. A Academia Brasileira de Letras (ABL) possui 40 membros e a cadeira 23, é a que tem como patrono o cerense José de Alencar e como fundador Machado de Assis. Aprendi hoje, que Antônio Torres é  o curador do projeto Nuvem de Livros, biblioteca online que permite acesso ilimitado a milhares de livros, audiolivros, vídeos, teleaulas e conteúdos educativos através de computadores, celulares e tablets. Do autor: Um Cão Uivando Para a Lua, em 1972.  Essa Terra, 1976 Pelo fundo da Agulha, 2007

Uma dessas,é a cadeira 23 e seus imortais ocupantes, foram:
Machado de Assis (fundador) - RJ José de Alencar( patrono) - CE Lafayete Rodrigues Pereira - MG Alfredo Pujol - RJ Otávio Mangabeira - BA Jorge Amado - BA Zélia …

Poema de Sete Faces, Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério,simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Um conto e três versões: A Moura-Torta (3)

Era uma vez um rei chamado Massad, que governava um país extenso e cheio de fartura. Esse rei tinha apenas um filho, cha­mado Anuar, um príncipe virtuoso e de bom coração. Quando Massad morreu, Anuar o suce­deu no trono, governando, desde o início, com sabedoria e justiça. E o povo, que já o estimava sinceramente, passou a amá-lo e respeitá-lo ainda mais. Um único problema, entretanto, afligia Anuar: passado o período de um ano, que se guardava como luto pela morte do rei ante­rior, as leis do país exigiam que o novo rei se casasse tantas vezes quantas fossem ne­cessárias, até que tivesse um filho para ser o futuro soberano. Mas Anuar não gostava de nenhuma mulher, nem acreditava que pudes­se amar uma pessoa. Os conselheiros da coroa, com medo de que Anuar perdesse o trono, começaram a procurar-lhe pretendentes entre as princesas de outros países. Viviam a enaltecer a beleza e as virtudes dessas moças, mas o rei nem sequer ouvia as descrições que eles faziam.


Anuar tinha o hábito de todos…

Um Conto e Três Versões: A Moura Torta 2

Uma vez havia um pai que tinha três filhos, e, não tendo outra cousa que lhes dar, deu a cada um uma melancia, quando eles quiseram sair de casa para ganhar a sua vida. O pai lhes tinha recomendado que não abrissem as frutas senão em lugar onde houvesse água.
O mais velho dos moços, quando foi ver o que dava a sua sina, estando ainda perto de casa, não se conteve e abriu a sua melancia. Pulou de dentro uma moça muito bonita, dizendo: "Dai-me água, ou dai-me leite". O rapaz não achava nem uma coisa nem outra; a moça caiu para trás e morreu.
O irmão do meio, quando chegou a sua vez, se achando não muito longe de casa, abriu também a sua melancia, e saiu de dentro uma moça ainda mais bonita do que a outra; pediu água ou leite, e o rapaz não achando nem uma coisa nem outra, ela caiu para trás e morreu.
Quando o caçula partiu para ganhar a sua vida, foi mais esperto e só abriu a sua melancia perto de uma fonte. No abri-la pulou de dentro uma moça ainda mais bonita do que as duas pri…

Um Conto e Três Versões: A Moura-Torta (1)

Nunca havia ouvido falar desse conto, até que comecei a ler José Lins do Rego. por causa dele, pesquisei e aprendi que A Moura-Torta é um conto espanhol, com origem provável na época em que a Península Ibérica estava libertando-se da dominação árabe.  Com  o passar dos anos e mudança de lugar a conto foi adquirindo várias versões e formas narrativas.  O blog LivroErrante, traz, inicialmente, a versão  que me fez conhecer A Moura-Torta.   Segue abaixo a narrativa feita por Mãe Filipa do livro Água Mãe:
“Foi um dia uma princesa muito bonita, que tinha os cabelos louros e os olhos azuis, tão louros os cabelos que pareciam de ouro de moeda, tão azuis os olhos como o azul do céu. Ia ela todos os dias se banhar na fonte de seu pai; Quando a menina saía de casa, os passarinhos da corte voavam atrás dela. Faziam nuvem no céu, para que o sol não doesse na sua cabeça e a princesa só pisava em flores cheirosas, só pisava em terras cobertas de rosas. ‘Lá vem a princesa minha senhora’, gritavam as m…