quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Ciao, Carlos Drummond de Andrade (última crônica de)



Ciao foi publicada no dia 29 de setembro de 1984, no Caderno B do Jornal do Brasil. Era a despedida de Drummond do gênero crônica
 Página do caderno B do Jornal do Brasil, onde Drummond publicou sua última crônica














     Há 64 anos, um adolescente fascinado por papel impresso notou que, no andar térreo do prédio onde morava, um placar exibia a cada manhã a primeira página de um jornal modestíssimo, porém jornal. Não teve dúvida. Entrou e ofereceu os seus serviços ao diretor, que era, sozinho, todo o pessoal da redação. O homem olhou-o, cético, e perguntou:

      -Sobre o que pretende escrever?

    -Sobre tudo. Cinema, literatura, vida urbana, moral, coisas deste mundo e de qualquer outro possível.

     O diretor, ao perceber que alguém, mesmo inepto, se dispunha a fazer o jornal para ele, praticamente de graça, topou. Nasceu aí, na velha Belo Horizonte dos anos 20, um cronista que ainda hoje, com a graça de Deus e com ou sem assunto, comete as suas croniquices.

     Comete é tempo errado de verbo. Melhor dizer: cometia. Pois chegou o momento deste contumaz rabiscador de letras pendurar as chuteiras (que na prática jamais calçou) e dizer aos leitores um ciao-adeus sem melancolia, mas oportuno.

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     Creio que ele pode gabar-se de possuir um título não disputado por ninguém: o de mais velho cronista brasileiro. Assistiu, sentado e escrevendo, ao desfile de 11 presidentes da República, mais ou menos eleitos (sendo um bisado), sem contar as altas patentes militares que se atribuíram esse título. Viu de longe, mas de coração arfante, a  Segunda Guerra Mundial, acompanhou a industrialização do Brasil, os movimentos populares frustrados mas renascidos, os ismos de vanguarda que ambicionavam reformular para sempre o conceito universal de poesia; anotou as catástrofes, a Lua visitada, as mulheres lutando a braço para serem entendidas pelos homens; as pequenas alegrias do cotidiano, abertas a qualquer um, que são certamente as melhores.

     Viu tudo isso, ora sorrindo ora zangado, pois a zanga tem seu lugar mesmo nos temperamentos mais aguados. Procurou extrair de cada coisa não uma lição, mas um traço que comovesse ou distraísse o leitor, fazendo-o sorrir, se não do acontecimento, pelo menos do próprio cronista, que às vezes se torna cronista do seu umbigo, ironizando-se a si mesmo antes que outros o façam.

     Crônica tem essa vantagem: não obriga ao paletó-e-gravata do editorialista, forçado a definir uma posição correta diante dos grandes problemas; não exige de quem a faz o nervosismo saltitante do repórter, responsável pela apuração do fato na hora mesma em que ele acontece; dispensa a especialização suada em economia, finanças, política nacional e internacional, esporte, religião e o mais que imaginar se possa. Sei bem que existem o cronista político, o esportivo, o religioso, o econômico etc., mas a crônica de que estou falando é aquela que não precisa entender de nada ao falar de tudo. Não se exige do cronista geral a informação ou comentários precisos que cobramos dos outros. O que lhe pedimos é uma espécie de loucura mansa, que desenvolva determinado ponto de vista não ortodoxo e não trivial e desperte em nós a inclinação para o jogo da fantasia, o absurdo e a vadiação de espírito. Claro que ele deve ser um cara confiável, ainda na divagação. Não se compreende, ou não compreendo, cronista faccioso, que sirva a interesse pessoal ou de grupo, porque a crônica é território livre da imaginação, empenhada em circular entre os acontecimentos do dia, sem procurar influir neles. Fazer mais do que isso seria pretensão descabida de sua parte. Ele sabe que seu prazo de atuação é limitado: minutos no café da manhã ou à espera do coletivo.

     Com esse espírito, a tarefa do croniqueiro estreado no tempo de Epitácio Pessoa (algum de vocês já teria nascido nos anos a.C. de 1920? duvido) não foi penosa e valeu-lhe algumas doçuras. Uma delas ter aliviado a amargura de mãe que perdera a filha jovem. Em compensação alguns anônimos e inominados o desancaram, como a lhe dizerem: “É para você não ficar metido a besta, julgando que seus comentários passarão à História”. Ele sabe que não passarão. E daí? Melhor aceitar as louvações e esquecer as descalçadeiras.

     Foi o que esse outrora-rapaz fez ou tentou fazer em mais de seis décadas. Em certo período, consagrou mais tempo a tarefas burocráticas do que ao jornalismo, porém jamais deixou de ser homem de jornal, leitor implacável de jornais, interessado em seguir não apenas o desdobrar das notícias como as diferentes maneiras de apresentá-las ao público. Uma página bem diagramada causava-lhe prazer estético; a charge, a foto, a reportagem, a legenda bem feitas, o estilo particular de cada diário ou revista eram para ele (e são) motivos de alegria profissional. A duas grandes casas do jornalismo brasileiro ele se orgulha de ter pertencido ― o extinto Correio da Manhã, de valente memória, e o Jornal do Brasil, por seu conceito humanístico da função da Imprensa no mundo. Quinze anos de atividade no primeiro e mais 15, atuais, no segundo, alimentarão as melhores lembranças do velho jornalista.

     E é por admitir esta noção de velho, consciente e alegremente, que ele hoje se despede da crônica, sem se despedir do gosto de manejar a palavra escrita, sob outras modalidades, pois escrever é sua doença vital, já agora sem periodicidade e com suave preguiça. Ceda espaço aos mais novos e vá cultivar o seu jardim, pelo menos imaginário.

Aos leitores, gratidão, essa palavra-tudo.

Fonte: Brasil Escola

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Carlos Drummond de Andrade na Voz de Belchior

Dentre os muitos admiradores de Carlos Drummond de Andrade, creio ter sido Belchior 
quem lhe prestou a melhor homenagem.  
Em 2004 o selo Cameratti com a Revista Caras e  Belchior lançaram o 
Projeto As Várias Caras de Drummond.  
O projeto consiste de 1 álbum com 31 poemas musicados por Belchior e um livro com 
31 desenhos do poeta feitos pelo cantor fã.




Selo Cameratti, junto com a revista “Caras”, em novembro de 2004.

CD 1
1. Sentimental
2. Lagoa
3. Concerto
4. Cota zero
5. Liquidação
7. Quando desejos outros é que falam
8. Toada de amor
9. Lanterna Mágica
10. Orion
11. Poema que aconteceu
14. Ar
15. Política literária
16. Poesia
CD 2
2. Arte poética
3. Os inocentes do Leblon
5. Cidadezinha qualquer
6. Cantiguinha
7. Boca
8. Ainda que mal
10. Serenata
11. Nova canção do exílio
12. Sweet home
13. Rosa rosae
14 – Mosaico de Manoel Bandeira
15 – No banco de jardim

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Sentimental,Belchior e Carlos Drummond de Andrade




Sentimental Ponho-me a escrever teu nome com letras de macarrão. No prato, a sopa esfria, cheia de escamas e debruçados na mesa todos contemplam esse romântico trabalho. Desgraçadamente falta uma letra, uma letra somente para acabar teu nome! – Estás sonhando? Olhe que a sopa esfria!
Eu estava sonhando… E há em todas as consciências, um cartaz amarelo: “Nesse país é proibido sonhar.” – Carlos Drummond de Andrade, do livro “As impurezas do branco” (1973).

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Desafio do Facebook: 7 Dias 7 Capas de Livros Que Impactaram

Recebi de Letícia (MG) o desafio de postar durante 7 dias, a capa de 1 livro que tenha sido muito importante para mim.  

Dia 1:  Pai Patrão, de Gavino Ledda . 

Livro e autor estão neste blog numa postagem de 2009.

Gavino Ledda (Sigilo, Sassari, 1938) hoje prefere ser chamado de Gaínu de sos Agues (Gavino dos Ágües, referência a um povo que habitou que habitou a Sardenha durante a idade do Bronze). Filho de um pequeno proprietário rural, escreveu como pastor no interior da ilha. Analfabeto até perto de seus vinte anos, resolveu estudar e mudar o rumo de sua vida. Formou-se em lingüística em 1961, em Roma. Pai patrão, seu primeiro romance (1975), narra em primeira pessoa a infância usurpada de um menino que é obrigado a deixar a escola com 6 anos de idade para ajudar o pai no patoreio e na lavoura. A dura vida do campo e a luta pela construção de uma personalidade independente são narradas com extrema pujança entremeada por poéticos momentos de contato com a natureza da Sardenha, ela própria um personagem. A trajetória levará o garoto a buscar, como pode, alfabetizar-se, aprender italiano, estudar, enfim: enriquecer-se culturalmente para conquistar o espaço de sua individualidade para além das pré-determinações da autoridade patriarcal e da vida e dos costumes da aldeia, que se lhe apresentam com força de "destino". O livro tornou-se mundialmente famoso, especialmente após o filme homônimo dos irmãos Taviani, nele inspirado, que ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1977 (site da Saraiva)

Dia 2 : A Arte da Felicidade, de Dalai Lama e Howard C.Cutler (Martins Fontes, 2011)


Recomendo o livro para quem tem ou não alguma crença religiosa, mas especialmente para cristãos evangélicos.

O propósito de nossa existência é buscar a felicidade. Parece senso comum, e pensadores ocidentais como Aristóteles e William James concordaram com a idéia. No entanto, a visão que se apresenta nesta obra é uma visão de felicidade como um objetivo verdadeiro, um objetivo para a realização do qual podemos dar passos positivos. Neste livro estão relatadas longas conversas com o Dalai-Lama as quais constituem a base desta obra, com o objetivo expresso da colaboração num projeto que apresentaria suas opiniões sobre como levar uma vida mais feliz, acrescidas das próprias observações do autor a partir da perspectiva de um psiquiatra ocidental. ( site da Saraiva)


Dia 3 - Dois Idiotas Sentados Cada Qual Em Seu Barril, Ruth Rocha, ilustração de Jaguar.
(Nova Fronteira, 1994)

O livro de Ruth Rocha é para crianças, mas  deveria ser leitura obrigatória de todos os adultos.
Este blog traz postagem sobre Dois Idiotas Sentados Cada Qual  Em Seu Barril, feita em 2017. 
Leia aqui.


Um é teimosinho. O outro é mandão. O que pode acontecer quando esses dois idiotas, sentados cada qual no seu barril de pólvora, com uma vela acesa na mão, se encontram para provar sua valentia?Com personagens que beiram ao ridículo, Ruth Rocha mostra como alguns conflitos poderiam ser evitados se o orgulho e o egoísmo deixassem de estar tão presentes na vida das pessoas. (site da Saraiva).


Dia 4:Peixe Na Água - Memórias, Mário Vargas Llosa (Cia das Letras- 1994)


Das mais prazerosas leituras que fiz na vida. Recomendo o livro.
O autor relata como foi sua campanha para a presidência do Peru (perdeu para Alberto Fuji Mori). As decepções e surpresas que teve, e o que aprendeu.


“Muita coisa aprendi no processo eleitoral, e a pior delas foi descobrir que a crise peruana não devia ser medida apenas em termos de contrates, derrocada da instituições, aumento acelerado da violência; ao mesmo tempo tudo isso somado criara determinadas condições nas quais o funcionamento da democracia passava a ser uma espécie de paródia na qual os mais cínicos e espertos sempre levavam a melhor.” (pág. 504)








 
Dia 5:De Filho Para Pai, Márcio Vassalo (Ed.Abacate -2014)



Mais lírico livro infantil que já li. Estão de parabéns o pai e o filho que inspiraram a obra.


Por meio de uma narrativa essencialmente poética, o autor convida o leitor a conhecer a história de um pai e seu filho pequeno. Trata-se de um cotidiano igual a tantos outros, com brincadeiras, traquinagens, amizades, invencionices, mas também com tristezas, briguinhas, silêncios e novas descobertas. (site da Saraiva)




Dia 6: Hibisco Roxo, Chimamanda Ngozi Adichie (Cia das Letras, 2011)

Protagonista e narradora de Hibisco roxo, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente “branca” e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente. (site da Saraiva)

Dia 7: Os Catadores de Conchas, Rosamunde Pilcher

A grande saga familiar de Rosamunde Pilcher, Os catadores de conchas, lançada em 1987 na Europa e, em 1990 pela Bertrand Brasil, está ganhando uma nova roupagem. Em homenagem à 30ª edição no Brasil deste querido romance, Rosamunde Pilcher escreveu uma introdução em que conta a história da gênese desta obra.O livro é um romance de vínculos – de uma geração para a outra; dos pais que continuam vivos; e dos símbolos e legados do passado que vêm a representar o futuro. Trata da busca da identidade no espelho fragmentado de nossa infância e do confronto com a imagem embaçada pelo aflorar das lembranças do passado. O romance é repleto de pessoas reais e impregnado de valores cotidianos; os personagens de Rosamunde Pilcher poderiam ser qualquer um de nós.O leitor é convidado a partilhar da alegria, da tristeza e da magia do livro. Ambientando a ação em Londres e na Cornualha, desde a Segunda Guerra Mundial até os dias de hoje, Rosamunde Pilcher narra a história da família Keeling, e das paixões e desilusões que a mantiveram unida durante três gerações. A família gravita em torno de Penélope, e são seu amor, coragem e senso ético que determinam o curso de todas as suas vidas.Entre os bens que são mais caros a Penélope encontra-se Os catadores de conchas, que seu pai pintou e lhe deixou como lembrança e legado. É esta pintura que simboliza para ela os vínculos entre as gerações – o presente, o passado e o futuro. Mas é justamente o destino desta pintura que poderá vir a desagregar a família... Escrevendo com grande compaixão pelas fraquezas, desejos e alegrias humanas, a história de Rosamunde Pilcher transborda de emoção. O mundo por ela criado e descortinado para nós torna-se um lugar onde nos sentimos à vontade, um lugar ao qual mal podemos esperar para voltar, um lugar de que jamais nos esqueceremos. (site da Saraiva)

Última atualização 20.11.2018 às 23h27

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

De Braulio Bessa aos Professores - out.2018




     Não sei fazer poemas. Aproveito, então, o talento de Bráulio Bessa, para deixar meu abraço aos professores em geral e especialmente para D.Elita que me alfabetizou;  minha irmã Cema; minha cunhada e professora também de vida, Edinha; Prof. Antônio de TGA da UFPE; prof. Oswaldo, hoje meu amigo e mais o recente, prof. Enéas que gosta muito do que faz e faz bem.   Meu carinho imenso por todos vocês.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O Post Mais Odiado do Mundo, Roberta Maropo



     
      Sim, estou escrevendo esse post pra fazer todos infelizes. Desculpem. Mas estou de saco cheio. É revoltante ver pessoas inteligentes proferirem discursos de ódio contra outras pessoas. Amigo, estamos divididos nesse embate ideológico, e tudo o que o Brasil menos precisa é disso.
      Honestamente, eu entendo o eleitor médio de Bolsonaro. Descarte os extremistas, aquele pessoal mal educado que não representa os milhões de pessoas que votaram nele. Esqueça o seu "bolsominion secreto". Pense nas outras pessoas com família que com sufoco pagam seus impostos, que estão cansadas de serem enganadas a despeito de fazerem tudo correto. São pessoas que fizeram esse voto de protesto, a maioria consciente do estrupício que Bolsonaro é, mas convenhamos, não temos nenhum santo aqui. Não se preocupe que elas não querem colocar uma arma na sua cara nem banir você da sociedade por ser negro, homossexual ou mulher. Não defendem fascismo e vão colocar Bolsonaro pra fora igual a você se ele surtar no governo. Então calma, não tente prever um futuro negro que não aconteceu, que você não é vidente.
      E, sério, eu entendo o eleitor de Haddad. Esqueça os "esquerdopatas", esqueça seu amigo que aproveitou-se das "mamatas" , esqueça as "feminazis" violentas e os anticristãos ruidosos. O eleitor médio de esquerda quer a mesma coisa que você. Um país melhor, mais justo, mais igualitário. Um país que reduza as desigualdades geográficas, como diz a Constituição. Mesmo que pareça, a maioria dessas pessoas não quer tomar nada de você, só quer o espaço delas. O Nordeste que votou em Haddad só quer o pão que sobra na sua mesa. Diga que é assistencialismo barato , mas não seja injusto com quem está votando pela sua subsistência se você não sabe o que é passar fome. Haddad não é modelo pra ninguém, mas pra elas representa a continuidade do mínimo que se conquistou, mesmo com toda roubalheira do partido.
      Minha conclusão é: NINGUÉM É BOM O BASTANTE PRA GOVERNAR ESSE PAÍS.
Mas uma coisa que percebo como espectadora ( não votei em nenhum dos dois) é que tá todo mundo tentando acertar. Ou você acha que seu colega do outro lado amanheceu ontem pensando "hoje é dia de enterrar o país!"?
      Meu apelo é: PARE DE ODIAR AS PESSOAS PORQUE ELAS PENSAM DIFERENTE DE VOCÊ
      Pare de dizer que eleitor de fulano não é seu amigo.
      Pare de excluir as pessoas da sua vida.
      OU VOCÊ ACHA QUE ISSO É DEMOCRACIA?
     Se você e seu amigo não tem maturidade pra discutir política, mudem de assunto e preservem os motivos que aproximaram vocês.
SOMOS PESSOAS, NÃO SOMOS LIXO DESCARTÁVEL.
      Estou muito decepcionada com a sociedade brasileira, com amigos e com pessoas que admirava. Mas eu não vou excluir ninguém. Eu vou continuar tentando me por em seu lugar.
      Como eu disse no começo, esse post foi feito pra desagradar todo mundo. Mas se você chegou até aqui e eu fiz você pensar nem que seja um pouquinho no assunto, obrigada.  Obrigada mesmo. É por você que eu mantenho minha fé na humanidade.

Nota: esse texto foi originalmente postado no Facebook. A autora autorizou publicação no blog.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

No Alto, Machado de Assis

O poeta chegara ao alto da montanha,
E quando ia a descer a vertente do oeste,
Viu uma cousa estranha,
Uma figura má.
Então, volvendo o olhar ao subtil, ao celeste,
Ao gracioso Ariel, que de baixo o acompanha,
Num tom medroso e agreste
Pergunta o que será.
Como se perde no ar um som festivo e doce,
Ou bem como se fosse
Um pensamento vão,
Ariel se desfez sem lhe dar mais resposta.
Para descer a encosta
O outro lhe deu a mão.

Imagem: Center Brasil 

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Contratado Pelo Sevilla Por Causa de Um Livro

  
No futebol a maioria das negociações se deve pelos atributos técnicos do jogador. No entanto, o goleiro tcheco Tomás Vaclík foi contratado pelo Sevilla por um motivo extra-campo. Uma foto do jogador lendo um livro chegou até a diretoria do time espanhol, de modo que o clube se interessou em obter o atleta. Ele foi anunciado no time comandado por Pablo Machín em julho deste ano.

    
De acordo com informações do site Esporte Fera, o diretor Joaquín Caparrós recebeu uma foto de Tomás Vaclík lendo a obra “Origem”, do autor estadunidense Dan Brown – que também escreveu os títulos “O Código da Vínci” e “Anjos e Demônios”.
Ele encaminhou a foto para Carlos Marchena, ex-jogador e também dirigente do Sevilla. Ele é um dos responsáveis por trabalhar na descoberta de talentos. O clube buscou mais informações a respeito do jogador, entrou em contato com ele e o contratou até a temporada de 2021.
     Paco Gallardo, membro da comissão técnica do espanhol, explicou que as redes sociais são uma ótima ferramenta para que o clube consiga prospectar novos jogadores. “Com as redes sociais, podemos encontrar muita informação sobre os jogadores. Existe muita gente com conhecimento sobre eles”, disse ao site oficial do Sevilla.

     Antes que fechar com o Sevilla, aonde é titular absoluto, Tomás Vaclík atuou no clube suíço FC Basel, nas últimas quatro temporadas europeias – entre 2014 e 2018. Nas três temporada anteriores (2011 a 2014), o arqueiro trabalhou no tcheco Sparta Praha. Entre 2010 e 2011, ele defendeu as cores do Viktoria Zizkov.

     O seu primeiro clube enquanto profissional foi o FC Vítkovice, também na República Tcheca. Lá ele trabalhou no time entre 2006 e 2010. Hoje, com 29 anos, Tomás Vaclík tem 393 jogos na carreira. Ele também defende a seleção de seu país.

Matéria de: Maria Lua Ribeiro
Blog do Torcedor, Jornal do Commercio - Recife 4.10.18
Este conteúdo foi produzido pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação. Para compartilhar, use o link https://blogs.ne10.uol.com.br/torcedor/2018/10/04/habito-de-leitura-foi-motivo-para-contratacao-de-goleiro-no-sevilla/
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