sábado, 29 de junho de 2019

Amós Oz Responde: O Que É Um Fanático?


Em sua obra Mais de Uma Luz(Companhia das Letras, 2017), define o fanático como “aquele que só sabe contar até um”. Sua realidade termina nele. Sua matemática se esgotada aí. Não cabem nem dois, porque, segundo ele, “uma das realidades contundentes que identificam um fanático é sua ardente aspiração de mudar o outro para que seja como ele”.  (Amós Oz, Mais Uma Luz, Cia das Letras, 2017)


O escritor israelense muito sabiamente explica o que é um fanático. Nossos tempos estão cheios deles. Os fanáticos brasileiros, israelenses, sírios ou americanos. Os fanáticos políticos e ou religiosos. Estão nas ruas sempre querendo a mesma coisa. 

Veja aqui sobre o assunto  

quarta-feira, 26 de junho de 2019

A Dor de Ser Poeta, Vinícius Gregório

Talvez não seja tão bom

Ser poeta nessa vida;
Talvez seja até sofrida
A vida com esse dom.
Afirmo isso em bom som:
Alegria nos renega!
É que o poeta se entrega,
Sente a dor de todo mundo...
Tem sempre um choro profundo
Que no sei peito se apega.

Saudade é sempre pior
No coração do poeta!
Alegria é nossa meta,
Mas a tristeza é maior!
Eu sinto a dor do menor
Abandonado e sem trilho, 
Sinto a dor do andarilho,
Sinto do velho a idade,
Eu sinto até da saudade,
Da mãe que perdeu o filho...

Eu sinto a dor de quem ama,
Mas não pode ser amado.
Eu sofro multiplicado
Quando a paixão não me inflama.
Eu sinto o queimar da chama
De quem sente solidão.
Sinto a fome de um irmão
Que a muito tempo não come,
Eu sinto a praga da fome
Que atrapalha meu sertão.

O poeta nasce feito
Com seu destino traçado.
Já nasce predestinado
A sentir dor no seu peito...
Deus nos criou desse jeito:
Uma raça diferente.
Sinto a dor de toda gente
Que não tem sonho nem meta...
Sinto até como poeta
A dor que um poeta sente...

Poeta no dia-a-dia,
Tem sentimento apurado,
Só que não sofre calado,
Descarrega em poesia!
Tenta encontrar alegria
Mas só tristeza lhe afeta...
Possui a vida inquieta
Mas mesmo assim é valente,
Pois, com toda a dor que sente,
Não deixa de ser poeta.

Apesar de toda a dor,
Caso outra vez nascesse
E Jesus me concedesse
Escolher o meu labor,
Minha escolha, sem temor
Não era ser diferente.
Mesmo coéssa dor pungente
Que se instala no meu peito,
Eu queria satisfeito,
Ser poeta novamente.

E se eu nascesse de novo
E Deus me desse um Menu
Onde eu visse o mundo inteiro,
Cada conto a olho Nu.
E mandasse eu escolher
Onde eu queria nascer,
Com certeza ia dizer:
De novo no PAJEÚ.


sexta-feira, 21 de junho de 2019

Curta História, Machado de Assis


Corpus Christi, André Santos Silva

"Como pode ser
um Deus tão grande, como Tu,  vir nos visitar?"
Tapete na R.Cândido Abreu - Curitiba
Ao recebê-lo, já em nós, dentro de nós,
faz morada e encontra o Seu lugar.

Deus de Deus, filho do Deus,
caminho e luz, vive perenemente,
e a cada dia se sacrifica 
na mesma morte de cruz.

Doa-se a cada um de nós,
rasga-se sem mesmo se preocupar,
vê da própria carne, escorrer o sangue,
simplesmente por nos amar.

Doa o seu corpo em cada celebração,
e o sangue renova o sacrifício da cruz.
Quem poderia ter tamanho amor?
Oh, Doce Coração de Jesus!

Que o Seu sangue seja respeitado,
e o Seu corpo em meio a nós comungado.
Que cada Cristão nesse dia, Senhor,
Seja por Ti abençoado.

E que se comungarmos, constantemente,
que seja motivo de salvação,
e que por nossa falta de consciência,
nos revigore com o perdão.

Seu Santo Corpo e Sangue,
hoje, dia celebrado,
que revitalizem a nossa alma,
e nos tornem abençoados.

Quero me lembrar do sacrifício,
com alegria, ó Santa Cruz!
Que o nosso coração seja humilde,
semelhante ao de Jesus.

Aprenda mais:  O Que é Corpus Christi?

                            

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Eu Te Amo, Chico Buarque e Tom Jobim



Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás se fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir


terça-feira, 18 de junho de 2019

E O Seu Nível de Corrupção, Como Vai? Millor Fernandes


   Dizem por ai que todo homem tem seu preço. Há quem vá mais longe afirmando que alguns homens são vendidos a preço de banana. Sempre esperei, na vida, o dia da Grande Corrupção, e confesso, decepcionado, que ele nunca veio. A mim só me oferecem causas meritórias, oportunidades de sacrifício, salvações da Pátria ou pura e frontalmente a hedionda tarefa de lutar.. . contra a corrupção. Enquanto eu procuro desesperadamente uma oportunidade, as pessoas e entidades agem comigo de tal forma que às vezes chego a duvidar de que a corrupção exista. Mas, falar em corrupção, como anda a sua?   Vendendo saúde ou combalida e atrofiada como a minha? Responda com muito cuidado às perguntas abaixo e depois conclua sobre sua própria personalidade: você é um corrupto total ou um idiota completo? (Não há meio-termo.) Conte 10 pontos para cada resposta certa (você é quem decide qual é a certa) e verifique depois o grau de sua corruptibilidade. Nota: Se você roubar neste teste, é porque sua corrupção é mesmo absolutamente incorruptível.
A) Você descobre que o chefe do seu departamento está com um caso complicado com a secretária do outro chefe em frente. Você: 1) Finge que não viu nada. 2) Diz à secretária que ou também está, nessa ou vai botar a boca no mundo. 3) Oferece o seu sítio ao chefe pra ele passar o fim de semana. 4) Bota a boca no mundo. 5) Insinua ao chefe que há a perigosa hipótese de a mulher dele vir a saber (e enquanto isso põe a promoção embaixo do nariz dele pra ele assinar).
B) Você acha que a Lei e a Ordem é uma mística social maravilhosa para: 1) Impor a lei e a ordem. 2) Acabar com a grita dos descontentes. 3) Grandes oportunidades de ganhar algum por fora. 4) Dividir o bolo entre os íntimos sem ninguém de fora piar.
C) A primeira vez em que você ouviu falar do escândalo de Watergate você disse: 1) Isso é que é país! 2) Como é que o governo americano permite uma imprensa dessas? Isso desmoraliza um país! 3) Eu não compraria um carro usado desse Nixon. 4) Isso jamais aconteceria entre nós. 5) Quanto terão levado esses caras pra se arriscarem dessa maneira?
D) Você, como representante oficial da fiscalização, comparece à apresentação de contas, em dinheiro, no Instituto dos Cegos. Fica surpreendido com o alto volume das arrecadações e em certo momento: 1 ) Diz : “Estou surpreendido com a miserabilidade dos donativos”. E tenta enrustir algum. 2) Diz: “Como representante do fisco sou obrigado a reter 30 % de tudo porque esta arrecadação é totalmente ilegal”. 3) Diz: “Teria sido até uma boa arrecadação se metade das notas não fossem falsas”. 4) Disfarça bem a voz e diz, entredentes: “Todos quietinhos aí, seus Homeros de uma figa: Isto é um assalto!”
E) Você se demite do cargo de maneira irrevogável por insuportáveis pressões morais e absoluta impossibilidade de compactuar com a presente política da firma. Eles prometem triplicar o seu salário. Você: 1) Recusa, indignado, por pensarem que é tudo uma questão de dinheiro. Só ficará se eles derem também as três viagens anuais à Europa a que todos os diretores têm direito. E participação nos lucros retidos da companhia. 2) Diz que, evidentemente, isso e uma prova moral de que eles estão de acordo com você. O dinheiro, aí é definitivo como demonstração de confiança na sua gestão. 3) Pede para pensar 5 minutos antes de dar a resposta. 4) Explica que tem mulher e filhos e não pode manter um pedido de demissão feito, afinal de contas, por motivos tão irrelevantes.
F) Há uma diferença fundamental entre fraudar e evitar o imposto de renda. Quando você descobriu isso, você: 1) Ficou indignado com as possibilidades de os poderosos usarem tudo a seu favor. Como é que se pode escamotear um ordenado? 2) Começou a estudar furiosamente a legislação para descobrir todos os furos. 3) Tinha 11 anos de idade e estava terminando o curso primário. 4) Nunca mais pagou um tostão de imposto.
G) Você dá um nota de 10 pra pagar o jornal, no jornaleiro velhinho da banca da esquina, e percebe que ele lhe deu 50 como troco. Você imediatamente: 1) Corrige o erro do velhinho? 2) Reclama chateado aproveitando a gagaíce do vendedor: “Pô, eu lhe dei uma nota de 100?” 3) Chega em casa e manda todos os seus filhos comprarem vários jornais? 4) Bota o dinheiro no bolso e fica freguês?
H) Você teve que fazer um trabalho na rua, não pôde almoçar, comeu um sanduíche. Você apresenta a conta na companhia: 1) Um sanduíche — 3 cruzeiros. 2) Almoço — 32 cruzeiros. 3) Almoço com o representante da A&F Ltda. — 79 cruzeiros. 4) Despesas gerais — 143 cruzeiros.
I) Quando o desfalque dado pelo auditor geral (8.000.000 pratas) chega a seus ouvidos você murmura: 1) “Idiota, se deixar apanhar assim”. 2) “Será que eles vão descobrir também os meus 10.000?”. 3) “Se ele tivesse me dado 10% eu tinha feito o negócio de maneira que ninguém nunca ia descobrir”. 4) “Eu fiz bem em não entrar no negócio”.
Conselho de amigo:
Quando alguém, na rua, gritar “Pega ladrão!”, finge que não é com você.


terça-feira, 11 de junho de 2019

O Espelho, Mia Couto

Esse que em mim envelhece
assomou ao espelho
a tentar mostrar que sou eu.
Os outros de mim,
fingindo desconhecer a imagem,
deixaram-me a sós, perplexo,
com meu súbito reflexo.
A idade é isto: o peso da luz
com que nos vemos.
No livro “Idades Cidades Divindades”

sexta-feira, 7 de junho de 2019

O Nome do Cão, Manuel António Pina


O cão tinha um nome
por que o chamávamos
e por que respondia,
mas qual seria
o seu nome
só o cão obscuramente sabia.

Olhava-nos com uns olhos que havia
nos seus olhos
mas não se via o que ele via,

nem se nos via e nos reconhecia
de algum modo essencial
que nos escapava

ou se via o que de nós passava
e não o que permanecia,
o mistério que nos esclarecia.

Onde nós não alcançávamos
dentro de nós
o cão ia.

E aí adormecia
dum sono sem remorsos
e sem melancolia.

Então sonhava
o sonho sólido em que existia.
E não compreendia.
Um dia chamámos pelo cão e ele não estava
onde sempre estivera:
na sua exclusiva vida.

Alguém o chamara por outro nome,
um absoluto nome,

de muito longe. 
E o cão partira
ao encontro desse nome
como chegara: só.

E a mãe enterrou-o
sob a buganvília
dizendo: “É a vida…”

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Papa Escreve Para Lula Diabo Escreve Para Bozo, Pedro Paulo Paulino

Pelas redes sociais,
Quase todo mundo leu
Carta que o Papa Francisco
Recentemente escreveu,
Seu nome embaixo assinou
E para Lula enviou,
Que bastante o comoveu.

Nessa carta já histórica,
Fala Sua Santidade
Em amor, em esperança,
Em justiça e liberdade.
E de maneira envolvente,
Expõe ao ex-presidente
Sua solidariedade.

Por outro lado, no inferno,
O diabo, com mais de cem,
Todo cheio de rancor,
Resolveu lá do além,
De modo bastante claro
Escrever pra Bolsonaro
A sua carta também.

Pela inveja, todos sabem,
O capeta vive cego.
Quando soube da notícia,
Viu insultado o seu ego,
Uma carta logo fez
E lançou, por sua vez,
No site da caixa-prego.

Um internauta que viu,
Leu a carta até o fim,
Aproveitou, fez um print
Da letra do “coisa ruim”,
Um escrito bem graúdo
E todo seu conteúdo
Diz mais ou menos assim:

 “Inferno, trinta de maio,
Caro Bozo presidente,
Desde que você ganhou,
Vivo aqui muito contente!
Lhe apoiei, não me arrependo,
Aprovo o que está fazendo,
No Brasil, contra essa gente.

Eu também estou torcendo
Pelo fim a Previdência,
Pode exterminar sem pena
Tudo quanto é assistência.
E nem que cresça o alarma,
Libere o porte de arma,
Pra aumentar a violência.

Reduza o mais que puder
Verbas pra universidade,
Que é para pobre jamais
Fazer qualquer faculdade.
Faça isso com ganância,
Que aumentando a ignorância,
Aumenta a incapacidade.

30 Melhores Livros Infantis de 2019 - Revista Crescer


A barata de Franz Kafka, o coelho da história de Alice, a sereia de Hans Christian Andersen, os mosqueteiros de Alexandre Dumas, o barão de Ítalo Calvino, a baleia Moby Dick, Dorian Gray e seu retrato, o Homem de Lata, Pinóquio... A senhora Olga nunca estava sozinha em seus jantares. Cega e morando no alto da colina, toda noite ela recebia um convidado especial que relatava suas aventuras. Na realidade, sua convidada era a neta Nina, que diariamente ia à biblioteca guardar os detalhes de uma história para carregar colina acima.

Texto e ilustrações de Eva Montanari Jujuba Editora A partir de 4 anos.






Parece um monte de palavrinhas que servem apenas para compor a ilustração. Mas, olhando bem de perto, você descobre os nomes de livros clássicos que merecem ser conhecidos: As Viagens de Gulliver (Jonathan Swift), O Pequeno Polegar (Charles Perrault), Pluft, o Fantasminha (Ana Maria Machado), Alice no País das Maravilhas (Lewis Carroll), entre outros. É por meio deles que a menina dessa história vai cruzar um mar de palavras, escalar montanhas de faz de conta e prestar uma homenagem a esse objeto que nos leva a lugares desconhecidos.
Texto e ilustrações de Oliver Jeffers e Sam Winston Pequena Zahar. A partir de 4 anos




Este livro está te chamando (não ouve?)
Os livros falam com a gente? Eles têm vozes? Este, da portuguesa Isabel Minhós Martins, chama o leitor a participar e a interagir com o papel. Mais que uma leitura, o livro aqui é um objeto para explorar, sentir cheiros, atravessar florestas com os dedos, ouvir barulhos, tocar nas gotas de chuva até virar uma tempestade. Ao transformar o papel em uma brincadeira interativa, sem precisar de uma tela brilhante para isso, Isabel segue os passos do francês Hervé Tullet, referência no assunto.

Texto de Isabel Minhós Martins Ilustrações de Madalena Matoso, Editora Peirópolis, A partir de 1 ano

Um livro pra gente morar
Um livro pode ser uma casa, onde a gente queira entrar e se demorar, descobrindo palavras, rimas, desenhos. Esta seleção de poemas é assim: um lugar para abrir uma página e se sentir acolhido. Cada poema, de variados autores e épocas – entre eles, Paulo Leminski, Ricardo Azevedo, Ferreira Gullar e Sylvia Orthof –, aborda um conceito sobre o lar. Entre, a casa é sua! E descanse do mundo, como diz Roseana Murray em uma das poesias.

Seleção e organização de Silvia Oberg Ilustrações de Daniel Cabral, Editora Positivo, A partir de 3 anos

Quando Harland nasceu, o premiado autor de livros infantis Oliver Jeffers sentiu necessidade de explicar ao filho o mundo onde acabara de chegar. Dia, noite, tempo, gente, corpo, animais, terra, água, o menino obviamente lançaria um primeiro olhar para tudo isso, e o pai queria ajudar nesse processo. Assim, o autor parte do sistema solar para uma viagem cada vez mais próxima à realidade do bebê, situando o filho como habitante de um lugar chamado Terra e dono de algo chamado corpo. Ativista contra o aquecimento global, a xenofobia e as armas, Jeffers aproveita para passar os conceitos que julga mais importantes: cuidar do nosso planeta e de si próprio e respeitar as diferenças, sendo generoso com o próximo. Uma obra que também nos coloca em nosso lugar...
Texto e ilustrações de Oliver Jeffers Editora Salamandra, A partir de 1 ano
Se os tubarões fossem homens
Tubarões são predadores marinhos, a gente sabe. Mas, se fossem homens, provoca o dramaturgo Bertold Brecht (1898-1956), seriam mais “humanos”? Primeiro, conta, os tubarões construiriam gaiolas para os peixinhos, para que não morressem antes do tempo. Na escola, os peixes aprenderiam, em geografia, a localizar o caminho da boca dos tubarões e, em educação moral, a obedecer, se sacrificar com alegria e se afastar do comunismo – afinal, também descobririam que há diferenças de classes entre eles. E, embora todos os peixes sejam mudos, entenderiam que são “calados em línguas diferentes”, portanto, inimigos. Por fim, a religião revelaria que a vida só começa na barriga dos tubarões. Parece ter sido escrito para os dias atuais, não?

Texto de Bertold Brecht Ilustrações de Nelson Cruz Edições Olho de Vidro . A partir de 6 anos


Os direfentes-Um dia a menina acordou e descobriu que o mundo andava diferente. Havia muitas pessoas estranhas, como as que saíam do salão de beleza com um aquário no cabelo, as que passeavam no parque presas à coleira e as que dirigiam para casa enquanto passarinhos bebiam água de suas bocas. Todas viviam como se não vissem nada disso. Preocupada, a menina pergunta à mãe se era diferente assim e ela garante que não. Será? Neste livro, que instiga a pensar nas diferenças e em como enxergamos o mundo, crianças e adultos refletem e se divertem com as ilustrações surrealistas.
Texto e ilustrações de Paula Bossio Editora Pulo do Gato. A partir de 3 anos
Donana e Titonho Nana e Tonho se conheceram jovens, catando quinquilharias na rua para viver. Casaram, tiveram sete filhos e passaram uma vida guardando o que, para os outros, não tinha serventia. Viraram Donana e Titonho. Na casa deles, pilhas de trecos, papéis, botões, garrafas vazias – “décadas de história, memórias encardidas”, “sentimentos em conserva”, “raivas enlatadas”. Porém, um dia, a enxurrada leva embora a casa e o casal. Um texto poético de Ninfa Parreiras que trata de um assunto marginalizado, que é o sofrimento de catadores de material reciclável, e que dá um recado urgente: a enorme quantidade de lixo que descartamos pode, um dia, descartar a gente. Tudo com as tintas sensíveis de André Neves.
Texto de Ninfa Parreiras Ilustrações de André Neves Editora Paulinas. A partir de 5 anos


Amoras - “As pretinhas são o melhor que há.” No livro Amoras, o rapper Emicida está falando das frutas que dão nome ao livro. Mas também está falando de orgulho racial, de representatividade, de autoestima, de imaginação, de tolerância religiosa. No primeiro livro infantil do rapper, baseado na música do álbum Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa, Emicida reproduz uma conversa que teve com a filha Estela, 7 anos – ele é pai também de Tereza, 1 – na casa de sua mãe.Texto de Emicida Ilustrações de Aldo Fabrini Companhia das Letrinhas. A partir de 3 anos
O espaço -Quantos significados a palavra espaço pode ter? Do espaço sideral a um período de tempo, do vazio na boca quando perdemos um dente ao próprio lugar que ocupamos. É assim, numa viagem por espaços diferentes, que Blandina Franco e Lollo fazem pensar no mundo de coisas que cabem em cada espaço e em nosso tamanho. Eles partem do universo, passam pelas galáxias, o sistema solar, a Terra, o país, a cidade, a casa, o quarto, a janelinha na boca do Zé Luís até acabar dentro de outra imensidão: nosso espaço interno.

Texto de Blandina Franco Ilustrações de José Carlos Lollo Editora V&R. A partir de 2 anos

Enreduana -O primeiro escritor do mundo, quem diria, foi uma escritora. Enreduana era uma sacerdotisa, poetisa e filósofa que viveu em 2.300 a.C. na Mesopotâmia e é dela o mais antigo registro de um poema, quando não havia papel e o texto era registrado em placas de argila. Filha do rei Sargão, metida em política e apaixonada pela deusa Inana – que os autores tratam lindamente como sua esposa, uma ousadia para tempos tão sombrios –, ela foi expulsa de Ur pelo irmão, mas acabou retornando. Porém, quase ninguém hoje conhece essa história. Para tirá-la do apagamento das areias do deserto, nada melhor que contá-la com a sensibilidade do menor grão de areia do mundo, que presenciou sua trajetória até virar argila em uma de suas tábuas. Um poético recurso para trazer à luz essa grande mulher, sem cair no didatismo.
Texto de Roger Mello Ilustrações de Mariana Massarani Companhia das Letrinhas. A partir de 6 anos

Apesar de tudo - Um livro sobre amor, amizade e as lutas que valem a pena. É assim esta obra do colombiano Dipacho, que pode estar falando apenas da complicada arte de se relacionar, mas que também dialoga com o atual momento de ódio virtual. É preciso coragem, paciência, perseverança e resistência para vencer as dificuldades e lutar pelo que amamos e acreditamos. Pois, apesar de tudo, o mais importante é estar juntos, seja você um pinguim ou não. Esteja você lutando por um relacionamento ou contra o aquecimento global – que Dipacho aborda de forma subliminar ao inserir um sol amarelo que cresce, até o gelo em que estão os pinguins começar a rachar.
Texto e ilustrações de Dipacho Companhia das Letrinhas. A partir de 2 anos


Manu e MilaOnde se encontra a alegria? É com essa pergunta de Manu a Mila que o autor André Neves traz, com a habitual sensibilidade, o delicado conceito de felicidade. Quanto precisamos procurar ou caminhar para encontrá-la? Mila acredita que ela pode estar mais próxima do que pensamos, em nosso jardim, em um pingo d’água, numa semente. Manu, ao contrário, crê que ela é muito difícil de atingir, deve estar boiando no oceano. Decidem procurá-la. Em pouco tempo, já estão brincando e dançando e, sem perceber, a alegria já tomou conta delas.
Texto e ilustrações de André Neves Brinque-Book. A partir de 3 anos

Nunca acontece nada na minha rua
Luís Rodolfo é um desses adolescentes que sonham com uma vida extraordinária, recheada de grandes aventuras. Sentado à beira da calçada, ele reclama que nunca acontece nada em sua rua. O mau humor é tanto que não o deixa perceber tudo o que ocorre de incomum à sua volta, marcado em colorido neste livro que tem incêndio, bruxa, ladrão e até chuva de dinheiro e, claro, um garoto que não consegue enxergar ao seu redor as ações surpreendentes da vida. A felicidade está mais perto do que a gente pensa.

Texto e ilustrações de Ellen Raskin Editora Amelì. A partir de 2 anos


Se eu fosse um grande gigante - A grandeza do pequeno. Este é um livro que convida a refletir exatamente sobre esses conceitos de valor e o quanto podemos fazer ao nosso redor, independentemente de nossos tamanhos. Ser um gigante ou ter mais do que se tem não é exatamente uma promoção. É isso o que descobre o menino ao se deparar com as formigas e se imaginar enorme. Se ele fosse grande de verdade, o que faria? Trocaria as nuvens de lugar, abraçaria as montanhas solitárias, salvaria os barcos perdidos na neblina. Mas talvez fosse bem chato ser o único gigante do mundo...

Texto e ilustrações Guridi Editora Pulo do Gato.A partir de 2 anos


O gigante mais elegante da cidade -Jorge era um gigante muito desarrumado que decidiu ficar elegante. Comprou roupas novas e saiu pelas ruas a desfilar. O problema é que Jorge era o gigante com o maior coração da cidade. Ao ver a girafa com frio, deu sua gravata. Ao perceber que faltava uma vela para o barco do bode, deu sua camisa. Ao notar que a casa dos ratos havia pegado fogo, deu seu sapato. E, assim, peça por peça, ele foi se despindo, até não restar nada. Mas ele estava satisfeito de ter ajudado os amigos, mesmo que tivesse de voltar a usar sua camisola surrada. As crianças vão descobrir o valor de ser amável – e se divertirão ao repetir muitas vezes a canção cumulativa de Jorge.

Texto de Julia Donaldson Ilustrações de Axel Scheffler Brinque-Book. A partir de 3 anos

Vazio
Um vazio pode surgir por uma perda, ser descoberto durante nosso processo de amadurecimento e de consciência do mundo ou aparecer sem motivo aparente. Fato é que cada um de nós carrega esse buraco na alma. O que difere é a maneira de lidar com os monstros que dali podem sair. Alguns tentam amenizar a angústia com comida, bebida, televisão, redes sociais. Outros creem que o outro é que pode aplacar nossa tristeza. Nessa busca incessante pela felicidade e pela completude, esquecemos de olhar para a beleza e a riqueza criativa que cada um carrega em seu interior. Descubra como essa sensação incômoda pode ser transformadora nesse livro de sensibilidade ímpar.

Texto e ilustrações de Anna Llenas Editora Salamandra. A partir de 4 anos


Olavo - Que cor tem a tristeza? Para Odilon Moraes, no livro que conta a história de Olavo, ela é marrom. O menino triste, porém, um dia se depara com uma surpresa: um presente à sua porta. Será que alguém se lembrou dele? Esse acontecimento é suficiente para tingir de azul de esperança e alegria a vida de Olavo, ainda que o marrom insista em permanecer quando o garoto não se acha merecedor daquela felicidade. Esta obra é para quem acredita que há esperança, ou que flores possam um dia ainda cobrir desertos.
Texto e ilustrações Odilon Moraes Jujuba Editora.A partir de 4 anos


Lulu e o urso -Era só uma caixa com objetos antigos da mãe: o urso de pelúcia, o casaco do vovô, um botão, uma flor, um par de óculos... E uma menina curiosa, perguntando sobre cada recordação. A mãe vai respondendo sem prestar muita atenção e, quando pede para não ser mais interrompida, a menina já havia se dado por satisfeita. Naquela realidade de páginas em azul e branco, cada um daqueles itens ganhou novo colorido na imaginação da criança e ela agora teria com quem brincar. Mais um primoroso trabalho de Carolina Moreyra e Odilon Moraes, que já ganharam o prêmio Jabuti por Lá e Aqui.
Texto de Carolina Moreyra Ilustrações de Odilon Moraes Pequena Zahar. A partir de 2 anos

O monstro das cores
Qual é a cor da felicidade? Da tristeza? Da raiva? E quando tudo isso aparece misturado, como fica esse colorido e esse sentimento? Quando as emoções chegam todas embaralhadas, torna-se difícil entender o que está acontecendo. É preciso separá-las. Neste livro, Anna Llenas sugere que cada cor-sensação tenha seu próprio pote: o amarelo da alegria contagiante do sol, o azul da tristeza doce dos dias chuvosos, o vermelho da raiva que queima como fogo... Assim, a autora vai ensinando a nomear e expressar cada sentimento. Perfeito para tentar em casa!

Texto e ilustrações de Anna Llenas Editora Aletria. A partir de 2 anos


Meu pai, o grande pirata - A infância é um lugar colorido pela imaginação. Nesta obra de Davide Cali, narrado em primeira pessoa por um menino, descobrimos que seu pai é um grande pirata que o visita uma vez ao ano. Ele lhe conta histórias de tesouros e aventuras e o garoto cresce com as cores dessa fantasia. Um dia, chega a notícia de que seu pai sofreu um acidente e as páginas vão perdendo seu colorido. O pai está vivo, mas de certa forma morreu: não era pirata, e sim mineiro. E assim morre também um menino, que perde sua inocência com a verdade. Mas, anos depois, ele descobrirá que, de certo modo, a tripulação sempre existiu e que, às vezes, precisamos pintar a realidade com tintas vivas de fantasia.

Texto de Davide Cali Ilustrações de Maurizio Quarello Pequena Zahar. A partir de 4 anos

Chão de peixes - A autora Lúcia Hiratsuka busca na memória as cores e os elementos de sua infância para tingir este livro com as tintas e o traço delicado do sumiê, técnica de aquarela japonesa. Uma infância simples no interior paulista, com quintal, pé de fruta, galinhas, carpas, grilos, vaga-lumes, coelhos, retratada com muito sentimento nos versos inspirados em haicais. A beleza está ao nosso redor, nos elementos mais simples e na imaginação da criança, ensina essa obra.

Texto e ilustrações de Lúcia Hiratsuka Pequena Zahar. A partir de 4 anos


A avó amarela - 

Sabia que saudade tem cor? A de Júlia Medeiros, autora dessa história, é amarela. É com esse tom que sua avó Esmeralda estava vestida em uma foto, já que a outra, Beatriz, usava azul no retrato. É baseada nas suas recordações que a escritora nos transporta para um Brasil do interior: de encomendar o galo vivo na feira para virar o almoço de domingo, de acordar antes de o sol sair, de ir à missa, da dentadura que repousa ao lado da cama, de juntar a família ao redor da mesa e do afeto em forma de comida. Mais que isso, nos transporta às nossas próprias lembranças, de uma infância muito diferente da dos nossos filhos. As crianças certamente vão ficar curiosas e querer saber das suas memórias depois dessa leitura!
Textos de Júlia Medeiros Ilustrações de Elisa Carareto Editora Ôzé. A partir de 5 anos

Casa de passarinho - Toda casa tem sala, quarto e cozinha, certo? Por que a do joão-de-barro não teria? O olhar curioso de duas crianças no texto de Ana Rosa Costa, imaginando como é a vida dentro da casinha, e as ilustrações de Odilon Moraes, que humanizam os passarinhos vestindo-os inclusive de terno e vestido, fazem desta uma publicação que brinca com fantasia e realidade. Será que as aves seriam casadas? E o que comem à mesa? Quando cai um graveto será faxina? Jogam dominó em seu tempo livre? Toda criança que já se perguntou como era a vida desse passarinho da porta para dentro vai se sentir um pouco protagonista.

Texto de Ana Rosa Costa Ilustrações de Odilon Moraes Editora Positivo. A partir de 2 anos


Só de brincadeira - São 25 poemas ou 25 brincadeiras e brinquedos - como preferir, pois o livro é uma bem-sucedida junção dos dois. Nessa compilação de poesias sobre o brincar, Leo Cunha faz um convite para as crianças conhecerem brincadeiras como amarelinha, pula-carniça, bambolê, cata-vento, dominó e vaca amarela, e ao mesmo tempo provoca saudades nos pais. O importante, nesta obra, é se divertir e se deliciar com os poemas e as lindas ilustrações de Anna Cunha.

Textos de Leo Cunha Ilustrações de Anna Cunha Editora Positivo. A partir de 4 anos

A fabulosa máquina de amigos - Pipoca era uma galinha muito simpática e prestativa, sempre tinha um elogio a fazer. Mas, nesse cenário rural e inocente, uma trama muito atual e cheia de ironia está por acontecer. Um dia, ela encontra uma tela brilhante, que recebia mensagens. Ficou deslumbrada com a máquina de amigos e começou a passar dias e noites teclando – deixou seus amigos de lado, não desgrudava do celular e quase foi atropelada por não tirar os olhos do aparelho. Até fazer uma festa para conhecer novos amigos e descobrir que o mundo virtual pode ser uma cilada. Sorte que ela tinha amigos de verdade por perto!

Texto e ilustrações de Nick Bland Brinque-Book. A partir de 3 ano

Aqui, bem perto - No começo, você jura que o urso é um amigo imaginário que passa os melhores momentos ao lado do menino protagonista: eles brincam de monstro e pirata, fazem guerra de travesseiros, veem TV comendo pipoca, dividem o biscoito, chutam poças d’água. Estão sempre assim, bem próximos um do outro. Certo dia, o urso cresce, vai embora e fica apenas a saudade, implacável. E, sem perceber, outro urso vai surgindo no meio dessa história. Mas, agora, a protagonista é a irmã mais nova... Quem tem um urso na vida vai entender o quanto é boa essa companhia!

Texto e ilustrações Alexandre Rampazo Editora Moderna. A partir de 3 anos

Parabéns para você!- Este é um livro sonoro, mas não como os pais estão acostumados nos exemplares para bebês. É muito melhor do que a pura reprodução de sons de animais! A cada dupla de páginas, basta encostar o dedo no sensor que está em uma nota musical e um instrumento diferente é tocado: a flauta da ursa, o violão do texugo, o violino da gata, o piano do alce. Cada um executa uma parte da música de parabéns. Na última página, você descobre que todos se reuniram para a festa de aniversário da lontrinha e a canção, então, é tocada com todos os instrumentos – e uma vela se acende. Tem ilustrações lindas e os bebês ficam encantados.

Texto e ilustrações de Nicola Slater Brinque-Book. A partir de 0 ano


Se eu abrir esta porta agora... - O que acontece quando ultrapassamos os limites impostos? Nesta obra de Alexandre Rampazo, que é em formato sanfonado, há dois modos de encarar a situação: com medo ou otimismo. De um lado da sanfona, cada vez que a porta se abre, um ser terrível aparece. Drácula, lobo, bruxa, saci, King Kong, todos eles representam o medo de transpor o limite do armário. Lá dentro, no fim, só vemos roupas e objetos pessoais, que fazem referência aos monstros citados. Do outro lado, cada vez que a porta se abre, um menino aparece em situações muito convidativas de brincadeira e diversão. Sabe aquela história do copo meio cheio, meio vazio? De que lado vocês vão querer ficar?

Texto e ilustrações de Alexandre Rampazo SESI-SP Editora. A partir de 3 anos

Bichos da noite - Quando a escuridão chega, traz mistérios consigo. O que acontece com a casa ao se apagarem as luzes? Para as crianças, tudo pode mudar: abrem-se abismos, cavernas, passagens secretas e saem os bichos. A cobra, a aranha, a libélula, a lagartixa e todos os seres imaginários agem na calada da noite. E, quando o medo parece dominar esse cenário, o conforto de ter os pais por perto faz o coração desacelerar nesta que é a primeira obra infantil de Mariana Ianelli. O livro traz uma interessante leitura visual de Odilon Moraes, que brinca entre o real e a imaginação da criança.
Texto de Mariana Ianelli Ilustrações de Odilon Moraes Editora Positivo.A partir de 4 anos
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