terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Esperança,Mário Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano

Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
- Ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
- Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
- O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…



Que sejamos nós a esperança de um ano melhor em 2015

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Monólogo de Natal, Aldemar Paiva



Não gosto de você, Papai-Noel, também não gosto desse seu papel de vender ilusões à burguesia...

Se os garotos humildes da cidade soubessem do seu ódio à humanidade, jogavam pedras nessa fantasia!
Você talvez nem se recorde mais, cresci depressa e me tornei rapaz sem esquecer, no entanto o que passou...
Fiz-lhe um bilhete pedindo um presente e a noite inteira eu esperei contente, chegou o sol e você não chegou!

Dias depois, meu pobre pai, cansado, trouxe um trenzinho feio, enferrujado, que me entregou com certa hesitação...
Fechou os olhos e balbuciou:
“É pra você, Papai-Noel mandou...” e se esquivou, contendo a emoção!

Alegre e inocente, nesse caso pensei que o meu bilhete, com atraso chegara às suas mãos no fim do mês...
Limpei o trem, dei corda, ele partiu deu muitas voltas, meu pai sorriu e me abraçou pela última vez!
O resto só eu pude compreender quando cresci e comecei a ver todas as coisas com realidade...

Meu pai chegou um dia e disse a medo:
“_ Onde é que está aquele brinquedo?
Eu vou trocar por outro na cidade!”

Dei-lhe o trenzinho quase a soluçar e como quem não quer abandonar um mimo que nos deu alguém que nos quer bem, disse medroso: _ Eu só queria ele...
Não quero outro brinquedo, quero aquele e, por favor, não vá levar meu trem!

Meu pai calou-se e pelo rosto veio descendo um pranto e eu ainda creio tão puro e santo como só Jesus chorou...

Mamãe gritou, ele não deu ouvidos, saiu correndo e nunca mais voltou!

Você, Papai-Noel, me transformou num homem que a infância arruinou, sem pai e sem brinquedos, afinal dos seus presentes não há um só que sobre para riqueza do menino pobre que sonha o ano inteiro com o Natal!

Meu pobre pai, doente, mal vestido, pra não me ver assim desiludido, comprou por qualquer preço uma ilusão...

Num gesto nobre pra trazer-me lenitivo, roubando o trem do filho do patrão!

Pensei que viajara, no entanto, depois de grande,

Minha mãe, em pranto, contou, que fora preso e
Como réu ninguém a absolvê-lo se atrevia...

Foi definhando até que Deus um dia entrou na cela

E o libertou pro céu!


Conto de Natal, Quim Monzó

     No princípio tudo continuava normal, se por normal se entende que um ser fabuloso, de cabelos encaracolados louros até os ombros e asas de pena de ganso, como as que às vezes escapolem pelas costuras dos edredons, descesse até a casa de Maria e, lá, no átrio de colunas românicas -isso sim é que era estranho: colunas românicas em Nazaré- lhe anunciasse a boa-nova.
   
 Mas, de fato, tudo continuava exatamente desse jeito: o ser fabuloso, de cabelos encaracolados louros até os ombros e asas de pena de ganso, com olhos amendoados entre o azul, o verde e o rosa, e de uma beleza, mais que inenarrável, assexuada, desceu até a casa de Maria -uma casa humilde, mas limpa e bem cuidada, com vasos de gerânio ao longo do átrio de colunas, românicas tal como dissemos- para anunciar-lhe a boa-nova: que era cheia de graça e bendita entre todas as mulheres. Maria ficou boquiaberta. 
     O arcanjo, vendo a perturbação da mulher, entendeu que o aparato cênico tinha sido realmente impressionante; talvez tivesse pesado um pouquinho a mão. Para tranquilizá-la disse que não precisava ter medo, que somente tinha vindo anunciar-lhe que teria um filho que se chamaria Jesus. A mulher -claro- aceitou a notícia de bom grado, e o arcanjo desapareceu instantaneamente, com a mesma desenvoltura com que havia aparecido. Horas mais tarde, quando o marido, José, voltou da oficina -era carpinteiro-, Maria lhe contou o que havia acontecido. José ficou pasmo.
     Também fica dentro da normalidade mais absoluta a disposição do imperador Augusto, que ordenava que todos os súditos do Império Romano se recenseassem, cada um no povoado ou na cidade de onde a família fosse originária. Por isso, José e Maria pegaram o burro e seguiram rumo a Belém. Maria ia sobre o animal, sentada de lado, e José a pé, puxando as rédeas.
     O que -como as colunas românicas- também não era nada normal era aquela história toda de neve. Quando chegaram a Belém viram que o povoado inteiro estava coberto de neve, até o horizonte, sobre o qual pairava um céu negro e com estrelas de cinco e seis pontas, imóveis e como que recortadas. Na Palestina a neve era um fenômeno meteorológico quase ignorado. Gerações e gerações de cidadãos nasciam e morriam sem tê-la conhecido, sem que isso os preocupasse nem um pouco. E se já tinham ouvido falar, era por viajantes de países distantes, que mencionavam até mesmo montanhas onde a neve é eterna. Os nativos os escutavam encantados, mas, assim que os viajantes terminavam a narrativa, voltavam ao trabalho sem que a neve lhes tirasse nem uma hora de sono. Por outro lado, agora tudo estava nevado: as montanhas, as ruas, os terraços das casas, a barraca da vendedora de castanhas... Era neve em pó, tão em pó que parecia farinha.
     Por causa da afluência de gente para se recensear, não encontraram nenhum quarto livre em toda Belém. Os habitantes não eram muito acolhedores; nem a imagem de uma mulher grávida os movia à piedade. Por isso se viram forçados a instalar-se em um estábulo abandonado. Limparam um canto, perto de um boi adormecido e do burro que levavam. Foi lá que, no dia 25 de dezembro, Maria deu à luz. Era um menino lindo, saudável e chorão. José pegou-o nos braços para limpá-lo. Mas Maria reclamou novamente sua atenção. Estava nascendo um segundo menino.
     Eram dois meninos lindos, e cada um com sua auréola tipo holograma sobre a cabeça. Depois de alimentá-los e pôr as fraldas -sorte que Maria tinha previsto algumas de reserva-, deitaram-nos sobre um monte de palha, um ao lado do outro. Moviam as mãos. O boi e o burro contemplavam a cena com o rabo do olho.
- Você tem certeza de que ele falou em um menino? Será que não eram dois e você não prestou atenção?
José não entendia o que tinha acontecido. Que fossem dois perturbava todos os planos. Até mesmo uma coisa tão pouco importante como a questão do nome. O arcanjo tinha noticiado que havia de se chamar Jesus. Era um nome que não os desagradava: tampouco os entusiasmava, se temos de ser sinceros. Naquela época, os nomes predominantes eram Sandra, Vanessa, Kevin, Jonathan e mesmo Sue Ellen, que lhes pareciam frívolos e pretensiosos. José e Maria haviam considerado outros nomes e até tinham feito uma lista dos que preferiam: Davi, Samuel, Alexandre, Abel, Moisés, Ivã...
     De todos, o que mais lhes agradava era Alexandre. Era um nome sonoro e vibrante. Se o arcanjo não tivesse deixado tão claro que haviam de chamá-lo Jesus, teriam-lhe posto Alexandre, sem nenhuma sombra de dúvida. Mas, enfim, como não podia se chamar Alexandre, para Maria o nome de Jesus já parecia bom. Em algum momento, José tinha proposto que se chamasse como ele: José. Muitos amigos seus punham seu nome no primogênito. Por que não ele? Maria não tinha nem querido ouvir falar de uma possível troca.
     - O arcanjo disse que se chamaria Jesus e vai se chamar Jesus.
Não falaram mais nisso. Iria se chamar Jesus; estava decidido. Mas agora se viam com dois meninos, o dobro do que esperavam. Que nome colocariam neles? Depois de muito ruminar sobre o tema, encontraram a solução. Um se chamaria Jesus Maria e o outro Jesus José. Assim respeitavam a ordem de dar o nome de Jesus e de passagem satisfaziam o desejo de José: ao menos um dos dois se chamava como ele, ainda que fosse o segundo nome.
     Esse era apenas o princípio das duplicações. A partir daquele momento -refletia José- tudo seria duplo. As fraldas, as roupinhas, as chupetas,o consumo de baby wipes.
Um barulho de cascos o tirou da reflexão. Eram camelos que atravessavam, por uma frágil ponte de madeira, as águas do rio, que pareciam imóveis e de papel prateado. Quando chegaram ao estábulo, os três Reis Magos ficaram atônitos. Era a mesma surpresa que Maria e José tinham visto nas caras dos pastores que haviam se aproximado para adorar o menino e, em vez de um, tinham encontrado dois. Um dos pastores, que tinha trazido como presente um carrinho de bebê Chicco de um assento, correu para trocá-lo por um modelo duplo. Melchior, Gaspar e Baltazar -homens acostumados a mil batalhas e destros em tomar decisões- reagiram de modo rápido e, sem que nem Maria e José percebessem, fazendo como se procurassem os presentes, dividiram em duas partes mais ou menos iguais o ouro, o incenso e a mirra.
     Os dois eram filhos de Deus? Ou só um deles era? A pergunta não tinha resposta clara porque, embora um deles (Jesus Maria) caminhasse sobre as águas quando os lavavam na banheira -deixando admirado não só seu irmão como também os pais-, era o outro (Jesus José) que, quando tinham acabado os danoninhos, os multiplicava sem problemas. Essa dualidade -calculava Alexandre enquanto colocava o "caganer" 1 ao lado do padre com guarda-chuva- os manteria ao longo dos anos, até o fim de suas vidas. Alexandre voltou a alinhar os dois bercinhos, contemplou outra vez o presépio e correu gritando para seu pai, reputado membro da Opus Dei, que fosse vê-lo. Estava certo de que o deixaria feliz por seu engenho: em vez de jogar fora a figurinha do menino Jesus do antigo presépio (uma das poucas que não estavam trincadas), incorporou-a às novas, que haviam comprado um dia antes na feira de Santa Lúcia. Não sabia que, naquela noite, seu engenho lhe custaria ir dormir sem jantar.

NOTA
1. Figura em posição de defecar, popular nos presépios da Catalunha
QUIM MONZÓ, 51, é escritor catalão, autor de "O Porquê de Todas as Coisas" (Globo).
RONALD POLITO, 52, é tradutor.
DANIEL BUENO, 39, é artista gráfico

sábado, 20 de dezembro de 2014

Feliz Natal a Todos

                                    Quem  quiser saber sobre a origem do uso da arvore de natal, presépio, Papai Noel e outros símbolos do natal,  pode procurar nessa postagem do blog.

                                  Mas ...                   E a música Noite Feliz ?   Não vai falar nada sobre ela, Regina?  

Ôpa, realmente está faltando. Vamos a ela então.
                                          


   Nossa muito conhecida Noite Feliz,   chama-se, originalmente, Silent Night.  É de autoria do  Padre Joseph Mohr e foi musicada por Franz Gruber, ambos austríacos.      Foi Executada pela primeira vez na noite de natal de 1818, na Igreja de São Nicolau, que não existe mais, no seu lugar está a  Capela Memorial da Noite Silenciosa (Stille-Nacht-Gedächtniskapelle) com capacidade para apenas 20 pessoas.  
     A famosa música   Noite Feliz no Brasil foi gravada  por diversos artistas, mas como nunca ouvi uma interpretação tão bonita quanto a que recebi de um amigo, deixo vocês com essas três cantoras que desconheço.  
     Tenham todos um natal belo e harmonioso como o que vão ouvir clicando aqui.


Silent Night
Capela Memorial da Noite Silenciosa(Austria)

Silent night, holy night
All is calm and all is bright
Round yon virgin mother and child
Holy infant so tender and mild
Sleep in heavenly peace
Sleep in heavenly peace

Silent night, holy night
Shepherds quake at the sight
Glories stream from Heaven afar
Heavenly hosts sing halleluia
Christ the savior is born
Christ our savior is born

Silent night, holy night
Son of God
Love's pure light
Radiant beams from thy holy face
With the dawn of redeeming grace
Jesus Lord at thy birth
Jesus Lord at thy birth



sábado, 13 de dezembro de 2014

Você Leu O Irmão Alemão?

                                                     
         Fizemos nosso Amigo Secreto anual e vi que ninguém pediu o novo livro de Chico Buarque, isso me intrigou.               Notei também que desde seu lançamento não houve no nosso grupo nenhum comentário a respeito.      Pessoalmente não senti o menor interesse em ler O Irmão Alemão. Li três outros livros de Chico que não me entusiasmaram. Ótimo compositor. Prefiro o Chico na música.  


Me bateu curiosidade, por isso pergunto:


Você leu O Irmão Alemão? 

 Gostou? Recomenda para a blogueira chatinha?

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Revendo 2014 (3) O Que Eu Lí Até Agora?



 Contos de Eva Luna 
Isabel Alende
A autora tem uma capacidade inventiva de impressionar. Todos os contos trazem maior ou menor grau de romatismo. Recomendo a leitura






 A Menina Que Roubava Livros
Markuz Zusak

Meu segundo livro de Markus Zusak me agradou bastante  e o filme lançado em 2013 também é muito bom. recomendo filme e livro
 A Fábrica de Papel 
Marie Arana

Com esse livro conheci a autora peruana. Foi Marilda, do grupo LivroErrante, quem me deu dizendo que tinha gostado muito. Marilda tem razão: Marie Arana criou uma história cheia de lendas e costumes da amazônia peruana, acrescentou umas mentiras e fez um romance no estilo (ou gênero?) realismo fantástico. Recomendo.
 Avó Dezanove e o Segredo do Soviético
Ondjaki

Livro juvenil que agrada a adulto. Novamente Ondjaki situa a narrativa no período que em Angola estavam militares soviéticos. Lírico e bem humorado ao mesmo tempo é de leitura muito agradável, Recomento 
 A Vida Secreta das Abelhas
Sue Monk Kidd


Outra autora que conheci através do grupo de leitura LivroErrante.  É um romance cujo fio condutor é a solidariedade.  A vida da  menina Lily é contada fazendo paralelo com a vida das abelhas.  Abandono, amizade, solidariedade, racismo,  tudo junto num livro imperdível. Recomendo  o filme também.
A Cidade dos Hereges
Federico Andahazi


Imperdível!  A personagem principal em cartas enviadas  a seu ex namorado  expõe dúvidas filosófico-religiosas extremamente pertinentes.  Sem monotonia alguma o livro é, também, didático.  Expõe a hipocrisia dos conventos e a pouca ética da estrutura política que, infelizmente, muito assemelha-se com nossa atualidade.  Não conhecia o autor e fui apresentada ao livro por Malu do Rio do Janeiro.  
Pepetela

De forma irônica e franca Pepetela usa Caposso pra mostrar a escenção de uma pessoa que tornou-se empresário rico valendo-se da estrutura de seu partido em Angola. Pepetela mais uma vez fala da realidade de seu próprio país. É um romance bem estruturado e que prende o leitor com poucas páginas de leitura. O quadro mostrado em Predadores também pode ser encontrado emalguns países da América Latina. Brasil incluido. 
Recomendo a leitura.

 Cidades de Papel
John Green

Único livro que li desse campeão de venda.
É um pouco enfadonho pra quem não está  na adolescência e juventude, mas vale a leitura.  Dei maior atenção ao fato de que mãe e filha querem a mesma coisa: que a outra se enquadre e seja como ela própria acha que é certo. Pessoas mais jovens veem por outra perpectiva.  Dei o exemplar a uma jovem que conheci na fila da bilheteria do cinema. Ia (como a fila inteira) ver A Culpa É Das Estrelas, do mesmo autor.  Cidades de Papel, deve chegar às telas em 2015.

Pedro Bandeira
Fui ver o lançamento desse livro e encontrei um montão de adolescentes entusiasmados com o livro e o autor exatamente como minha filha  vários anos atrás. Conheci, inclusive, uma mãe que tinha lido A Droga da Obediencia em sua juventude e tinha levado a filha pra conhecer o autor. Esse livro fala como estão Os Karas 30 anos depois. 
Recomendo para adolescentes.

 O Nosso Reino
Valter Hugo Mãe
História do menino Benjamim de oito anos e sua vida em uma pequena aldeia portuguesa à época  do regime salazarista. O garoto reprimido pela tradição eligiosa da época e lugar e pelas tragédias ao seu redor busca com dificuldade entender a diferença entre o bem e o mal. Sua infância é incomum também, ou principalmente, porque às vezes é considerado ( e explorado) santo outras vezes é um demônio. Recomendo a leitura.


Zelota, A Vida e a Época de Jesus de Nazaré
Reza Aslan
O escritor e especialista em religião Reza Aslan mergulha na turbulenta época em que Jesus viveu, reconstruindo com maestria a Palestina do século I em busca do Jesus histórico. Ao fazê-lo, encontra um rebelde carismático que desafiava as autoridades de Roma e a alta hierarquia religiosa judaica - um dos chamados zelotas, nacionalistas radicais que consideravam dever de todo judeu combater a ocupação romana. Aslan descreve um homem cheio de convicção, paixão e contradições; e aborda as razões por que a Igreja cristã preferiu promover a imagem de Jesus como um mestre espiritual pacífico em vez do revolucionário politicamente conscientizado que ele foi. 'Zelota' oferece uma nova perspectiva sobre aquela que talvez seja a história mais extraordinária da humanidade. Recomendo, é imperdível.

Adriana Falcão

Usando as cartas e bilhetes que seus pais trocaram durante toda a vida, Adriana conta a história desse casal que viveu uma relação intensa.  A autora  conta os fatos como eles aconteceram e por eles serem por vezes inusitados ou absurdos, dá pra ver pitada de humor.




O Segredo do Meu Marido
Liane Moriarty
Cecília  lê uma carta que seu marido escreveu pra ser lida depois de sua morte... Essa carta muda tudo na vida da família bem estruturada que ela tinha. O segredo é revelado antes da metade do livro e mesmo assim a autora segura o leitor. É que o romance traz 4 famílias que se cruzam numa história absolutamente plausível e agradável. O final surpreende. Não conhecia a autora. Recomendo a leitura.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Revendo 2014 (2) Agradável Supresa: Pé de Livros

                       Minha agradável surpresa deste ano,  é mais uma declaração de amor, orgulho e admiração por uma amiga e colega de leituras.  Vamos ao fato, então.  Ontem foi o lançamento oficial  da Editora Cartonera pé de Livros. Aconteceu na Bienal Internacional do Livro do Ceará.  
     Incansável, obstinada mesmo, incentivadora da leitura infantil, Janete Barros criou e leva o projeto Pé de Livros a lugares públicos e escolas da bela capital cearense. 
    Sem patrocínio oficial nem apoio financeiro, carrega sozinha todo o bem caprichado material de apoio, bem como o artigo principal que são os livros.  


                                                                                   


Sucesso onde chega!!!!

Não contente com apenas disponibilizar livros infantis para leitura gratuita... 






...Janete Barros, criou uma editora cartonera cujo lançamento oficial se deu com o livro O Abacateiro, de sua autoria.  Pela Cartonera Pé de Livros, vão ser lançados,principalmente, trabalhos feitos pelas crianças leitoras




O projeto Pé de Livros vai ter mais postagens no blog. 

domingo, 7 de dezembro de 2014

Revendo 2014 (1) Mais acessadas.

Dezembro é mês de férias também para a blogueira, então optei por dar um passeio pelo  LivroErrante. Clique no mês para ver a postagem.
     
     No início do ano eu ainda estava com preguiça e sem inspiração, mas dei sorte: o jornal de maior tiragem aqui do Recife trouxe um artigo em que cita o LivroErrante. Isso foi em J.a.n.e.i.r.o  e, claro, que adorei!   


     Mês seguinte: F.e.v.e.r.e.i.r.o    postei uma marchinha de carnaval cantada pelo autor Eduardo Dusek e Preta Gil .  






     Em M.a.r.ç., Gabriel García Márquez completou 87 anos e o blog trouxe um texto dele que você pode rever clicando no mês.
 
     O grande Gabo, nos deixou órfãos em    A.b.r.i.l .  







     

Comecei a falar do Crcuito da Poesia  em    M.a.i.o
quando explico o que é e quem faz parte do projeto. 





     
No Mês mais festivo do Nordeste, trago Rubem Braga, veja o mês de J.u.n.h.o   


 Chegou o segundo semestre e aí, meu implicante predileto morreu.
      Em 30 de J.u.l.h.o tem um cordel formidável e que foi a postagem mais acessada do ano.  

A Chegada de Ariano Suassuna no Céu é um cordel imperdível.





    


 Eu E Os Poetas do Recife trouxe Mauro Mota e foi a  postagem mais acessada de A.g.o.s.t.o .





     Estive na noite de autógrafos do escritor predileto de minha filha quando adolescente. Foi na Livraria Cultura que ví o sucesso, simpatia e vitalidade de Pedro Bandeira. Sua droga aniversariante também rendeu bem no blog no mês de     S.e.t.e.m.b.r.o .  Sobre o autor, minha filha fala  em outra postagem muito acessada.

    


Marina Rubini, a jovem que fez nota 1000 duas vezes na redação do ENEM, está bem acessada em   O.u.t.u.b.r.o .



     
E em N.o.v.e.m.b.r.o  o que mais interessou aos internautas foi a história de uma fotografia que eu não consegui tirar.





sábado, 6 de dezembro de 2014

Queria Ver Você Feliz, Adriana Falcão

   
   
   "Para engolir os quatrocentos comprimidos que o mataram, Caio usou guaraná em vez de água. (...)      Maria Augusta nunca mais tomou guaraná. Só tomava os comprimidos. "


    " No dia 3 de julho de 1979, nasceu Isabela.
    No meio da alegria geral, o grave problema: Maria Augusta tinha certeza de que o Skylab ia cair na cabeça da Adriana, estava desesperada e precisava tomar suas providências. O jeito era grudar na filha, foi a conclusão. Inútil discutir maluquice. Ela conseguiu permissão para ir dormir na casa de Adriana, para que morressem juntas. Na madrugada de 11 de julho, o Skylab caiu na Austrália, Maria Augusta achou aquilo um desaforo."



     Conheci a autora com seu último livro Queria Ver Você Feliz e me surpreendi com sua capacidade de contar com humor duas tragédias familiares. 
     A narrativa é fortemente influenciada por seu trabalho de roteirista o que dá velocidade e fuidez à leitura.  
    Não é recomendado para que gosta de drama ou pieguismo. Adriana não explora as mortes.   Narra a vida de uma família onde a loucura se faz presente na mesma medida do amor. Conta os fatos simples e objetivamente de forma que também a comicidade seja vista. 

sábado, 29 de novembro de 2014

Mainha Me Ensinou - Maria Rita


Ainda me lembro com clareza
O que mainha me ensinou
A respeitar a natureza
Pela fartura sobre a mesa agradecer ao Criador
Sempre andar num bom caminho
Tirar o espinho de uma flor


Pra dar e receber carinho
Pra não viver em desalinho
Só se entregar a um grande amor


Pra dar e receber carinho
Pra não viver em desalinho
Só se entregar a um grande amor


Ah! Encontrei um amor assim
É tudo o que sonhei pra mim


Num amanhecer
(Eu e você)
Quando entardecer
(Você e eu)
O tempo já passou
A gente nem notou
Anoiteceu


E deixa clarear
(Que um anjo bom)
Chegou pra completar
(Nossa paixão)
Felicidade minha
Hoje eu sou mainha
Mainha tem razão
Ainda me lembro com clareza

Esta música está no CD Coração a Batucar

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Não Fotografei a Resignação, Regina Porto

     
Imagem: Regina Porto
Domingo passado fui fazer umas fotos. Queria fotografar coisa ou cena que por si traduzisse uma palavra. Qualquer que fosse. Estive  no marco zero do Recife onde  acontecia a feira de cultura japonesa. O pequeno bairro fervilhava com jovens skatistas, crianças de bicicleta e  admiradores de mangás. Estes, vestidos a caráter, desfilavam personagens. 
    Por todos os lugares havia quem, sozinho ou em grupo,  vestisse  roupas a  mim incompreensíveis com perucas azuis, amarelas e laranjas. 
   Apesar de caminhar bastante e de ver tanta gente fantasiada o que me chamou a atenção para fotografar foi um casal religioso. Ele, usando paletó e gravata, no mesmo lugar onde ficam todos os religiosos pregadores, sob o mesmo sol escaldante. Tinha um microfone e um amplificador perto de si. Pregava para plateia nenhuma, virando-se pra um lado e outro. Tinha as veias do pescoço dilatadas.  Passei  próximo mas no lado da sombra e vi que com ele estava um senhora aparentemente  de 75 anos.  Seguia o pregador, seria sua mulher?, com os olhos e com movimento bem contido, entregava um panfletozinho. 
   Ele exaltado e ela meio que paralisada, ambos torrando no sol. Não consegui fotografá-la apesar de ter nela a imagem perfeita da palavra resignação.
   Lembrei que, ano passado, naquele mesmo lugar e sob o mesmo sol escaldante encontrei um pregador que me indicou o caminho do inferno por causa de uma blusa de alcinhas que usava. Por comilança engordei e perdi a blusa, devo ter perdido o inferno também.   
   A lembrança da má sentença  jogada pra mim mais a postura e fisionomia daquela senhora mexeram tanto comigo que comecei a fazer mentalmente a história do casal. E, confesso, eu não estava sendo generosa com o pregador. 
   Fui tirada de minha crônica quando um grupo de jovens fantasiados chegou e um deles, com ar bem relaxado, simpático e educado, falou: vou ajudar.  Dito e feito: destruiu minha cena de resignação.          Uffa, ainda bem.


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O Bordado, A Pantera Negra - Raimundo Carrero e Ariano Suassuna.





O Bordado, A Pantera Negra,   Raimundo Carrero


           
  O punhal alumiando. Os olhos faiscando no fundo da moita. A noite - pantera negra - esconde o mato. Simão bugre, cartucheiras cobrindo o dorso, arrasta-se, abrindo caminho, Sente os espinhos enfincando-se no peito. Rasga a pele com a unha fina: o sangue corre. 
     Enfurecido pela dor, esmagaum cacto, Parece umaferaa acuada. recebe a pancada do vento no rosto como se fosse um coice. 
Agora, a moita está às costas. Não vê as matas se perdendo nos confins, mas tem na mente todos os caminhos e estradas. Perdido entre o silêncio e as trevas está o mundo Santos dos Umãs.
     O punhal alumiado parece espelho. A fera pisa com rigidez, sacode a brutalidade dos seus músculos. O tempo caminha em passos apressados para a madrugada. Antes, o trovão geme atrás das nuvens, depois a chuva despenca, saciando a sede da terra.

 Simão Bugre apalpa a arma. Os cabelos de fios ásperos descem, molhados, pelos ombros. Os pés de animal esmagam as pedras. O primeiro trovão confunde-se com o relinchar de um cavalo e o estrondar do vento. É preciso apressar o passo para chegar logo à serra.

O Romance do Bordado e da Pantera Negra, Ariano Suassuna

Desça, Musa alumiosa
do sertão da minha espera!
Me dê seu fogo de sangue,
sua faísca de fera,
para que eu cante o Romance
do Bordado e da Pantera!

Meu folheto foi versado
por um caso verdadeiro,
contado por gente ilustre
-que é Dom Raimundo Carrero -
passado na sua terra,
Santo Antônio do Salgueiro.


Morava lá em Salgueiro
terra braba do Sertão,
um homem vaquejador
que se chamava Elesbão,
casado com uma mulher
por nome de Conceição

Ali, pelas redondezas
ele era o maior Vaqueiro.
Seu cavalo, ruço forte,
era o maior dos campeiros
respondendo pelo nome
valente de "Visageiro"

Ele vaquejava gado,
ela seus panos bordava.
Ele campeava o Mato,
ela pr'os santos rezava.
Se Elesbão era valente
Conceição alumiava!


Romance do Bordado e da Pantera Negra
Raimundo Carrero aos 23 anos escreveu um conto que mostrou a seu amigo Ariano Suassuna. Este gostou tanto do texto que fez em cordel a mesma narrativa.
Raimundo Carrero perdeu os originais nos anos 70. 
Recentemente encontrados, a Ed. Iluminuras transformou em livro com a excelente ilustração de Marcelo Soares. Recomendo a leitura. 

sábado, 15 de novembro de 2014

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Um Passado Imaginário, Antonio Falcão

O cineasta Woody Allen tem em Meia-noite em Paris uma das suas melhores realizações. O filme conta que um romancista americano encantado pela capital francesa, após ouvir as 12 badaladas da meia-noite, em 2010 cai na fantasia de madrugar com intelectuais e artistas que fizeram na década de 1920 os parisienses anos loucos. Assim, ele “convive” em viagens fantásticas com Scott Fitzgerald, Hemingway, Gertrude Stein, Cole Porter, Buñuel, Toulouse-Lautrec, Dali e Picasso, pra falar só de alguns. E nesse alucinante realismo mágico decide ficar na cidade para sempre.
        
 Sem ser passadista, eu vi com prazer esse filme 3 vezes. E recomendo Meia-noite em Paris a quem tem bom gosto e algum conhecimento da geração perdida daqueles anos 20. Mas um amigo, que é cinéfilo de carteirinha e escreve ficção literária, assistiu essa obra de Allen em 9 sessões, curtindo cada uma no maior alumbramento. A partir da experiência, porém, ele passou a ter sonhos centrados na tentativa de inventar um passado que não existiu e isso veio a perturbá-lo. Como exemplo, diz que certa vez, dormindo, encontrara o escritor carioca Lima Barreto, que, além de brilhante, era bêbado contumaz e neurótico. Para variar, Lima tomando cachaça olhou o cinéfilo sem interesse. E, de cara, pediu para não ser incomodado, pois ali estava à espera de seus personagens recém-enamorados: Policarpo Quaresma, o patriota, e Clara dos Anjos, a mulata que foi vítima do racismo brasileiro. Curioso em saber desse namoro, o amigo inquiriu se o escritor via incesto nisso. “Não, pois, embora ambos sejam crias minhas, não são irmãos e vivem em livros distintos – um destes, por sinal, póstumo.” Aí, o passadista pediu permissão para escrever sobre os dois e Lima: “Não posso autorizar ou proibir. Apenas temo que você deforme meus personagens. Se quer uma ideia mais original, sem que Graciliano Ramos e Machado de Assis saibam, escreva sobre o acasalamento da cadela Baleia com o cão Quincas Borba. Digamos, ela querendo levá-lo pro cangaço e ele a fim de ver a cachorra como passista de uma escola de samba.”

O amigo ficou de pensar, agradeceu a ideia e acordou com a sensação de que, tal qual Lima Barreto, tinha um parafuso a menos e se sentia interno no mesmo hospício onde o genial escritor carioca esteve. Daí, desistiu de criar esse passado literário com lances malucos. Ainda bem.

(Texto publicado originalmente no Jornal do Comércio, Recife)

Imagens:
1) - cartaz de divulgação do filme usa  Starry Night  de Van Gogh  ao fundo do Rio Sena
2) cachorra Baleia de Ademir Martins (1963)
3) Quincas Borba com seu cão do mesmo nome. Desconheço o autor.