O arco da chuva disparou mil flechasde água sobre a caatinga de um tom gris.
E o camponês ouvir ir pelas frestas
da janela a canção - tarde feliz!
O seu tosco aposento esguia réstia
de lua, vinda a noite, também quis
saudar e àquela alma tão modesta
mas de crença e virtude as mais sutis.
O arco da chuva, nos seguintes dias
retesado, outras vezes enviou
flechas de água, de verdes e alegrias.
E o campônio outra vez o chão lavrou
e as suas mãos calosas e vazia
o céu daquele março abençoou.
Em: Dunas, Livo de sonetos. Luciano Maia. academia Cearence de Letras 1984, pág.180

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