quarta-feira, 14 de junho de 2017

Vou Procurar Outra Padaria, Regina Porto

   
Não estou avistando Lanusa, daqui da varanda da casa de minha filha!

    Hoje vim para cá decidida a encontra-la para perguntar ...  
      Bem, deixa contar a história do começo.  
     Foi assim: ano passado marquei de vir fazer uns trabalhos com minha filha. Viria de manhã e, para não dar trabalho, combinei de almoçar aqui perto numa padaria que oferece almoço em self-service.  Demorei demais no trajeto e, do ônibus, pedi que me encontrasse na padaria. 
    Eu iria direto para lá, reservaria uma mesa e já começaria a fazer nossos pratos. A padaria não faz reposição.
      Desci na parada e não fui pra casa de minha filha.     
Como combinado, segui para a padaria e... Quem vejo, assim que abro a porta e olho na direção das mesas?  Lanusa!
     Estava numa mesa perto das janelas e com uma jovem pra mim desconhecida. Nos olhamos e sorrimos simultaneamente.
     -Oi! Tudo bem?
     -Tudo bem.  Você mora por aqui?
     - Não. Marquei com minha filha que mora aqui perto.
     - Eu moro nesse prédio verde, perto da esquina.
     - Minha filha mora no amarelo. O da esquina.
     Coloquei a bolsa na mesa ao lado e fui fazer meu prato. Lanusa terminou e  estava na fila do caixa, quando notei  um pacote na mesa de onde ela saiu. Supondo ser dela, fui lá entregar. Era de outra pessoa e ela entregou o pacote. Voltei pra fazer meu prato e esperar minha filha que chegou segundos depois que Lanusa deixou a padaria.
     - Já fez seu prato foi, mãe?
     - Não. Botei algumas coisas pra você, antes que acabe tudo. Conversei rapidamente com uma prima...
     -Foi? Eu conheço? Cadê ela?
     - Foi. Não conhece. Ela já saiu.  Tem um problema, Suzi! Ela já morreu
     Voltei a essa padaria mais algumas vezes. Nunca reencontrei Lanusa.
    Este ano, mês passado, voltamos lá. Queria levar minha bolsa, mas por praticidade minha filha sugeriu deixa-la em casa.  Saímos apenas com o cartão e chaves da casa, colocados na bolsa minúscula de minha filha. 
    Quem eu encontro, de costas, perto das janelas e na mesa que eu ocupei no ano passado? Isso mesmo: Lanusa!  Conversava com outra pessoa e não me viu mesmo quando preparar nossos pratos. Ficamos distantes e minha filha, desta vez, conheceu minha prima.   A amiga saiu primeiro e falou animadamente com um mulher que estava na nossa mesa. Lanusa saiu depois, me reconheceu e nos falamos quando ela passou por mim em direção ao caixa.
     Fiquei com cara de divertimento e espanto por vários dias.   
     Vou procurar outra padaria.


Não estou avistando Lanusa, daqui da varanda da casa de minha filha!
    Hoje vim para cá decidida a encontra-la para perguntar ...  
      Bem, deixa contar a história do começo.  
     Foi assim: ano passado marquei de vir fazer uns trabalhos com minha filha. Viria de manhã e, para não dar trabalho, combinei de almoçar aqui perto numa padaria que oferece almoço em self-service.  Demorei demais no trajeto e, do ônibus, pedi que me encontrasse na padaria. 
    Eu iria direto para lá, reservaria uma mesa e já começaria a fazer nossos pratos. A padaria não faz reposição.
      Desci na parada e não fui pra casa de minha filha.     
Como combinado, segui para a padaria e... Quem vejo, assim que abro a porta e olho na direção das mesas?  Lanusa!
     Estava numa mesa perto das janelas e com uma jovem pra mim desconhecida. Nos olhamos e sorrimos simultaneamente.
     -Oi! Tudo bem?
     -Tudo bem.  Você mora por aqui?
     - Não. Marquei com minha filha que mora aqui perto.
     - Eu moro nesse prédio verde, perto da esquina.
     - Minha filha mora no amarelo. O da esquina.
     Coloquei a bolsa na mesa ao lado e fui fazer meu prato. Lanusa terminou e  estava na fila do caixa, quando notei  um pacote na mesa de onde ela saiu. Supondo ser dela, fui lá entregar. Era de outra pessoa e ela entregou o pacote. Voltei pra fazer meu prato e esperar minha filha que chegou segundos depois que Lanusa deixou a padaria.
     - Já fez seu prato foi, mãe?
     - Não. Botei algumas coisas pra você, antes que acabe tudo. Conversei rapidamente com uma prima...
     -Foi? Eu conheço? Cadê ela?
     - Foi. Não conhece. Ela já saiu.  Tem um problema, Suzi! Ela já morreu
     Voltei a essa padaria mais algumas vezes. Nunca reencontrei Lanusa.
    Este ano, mês passado, voltamos lá. Queria levar minha bolsa, mas por praticidade minha filha sugeriu deixa-la em casa.  Saímos apenas com o cartão e chaves da casa, colocados na bolsa minúscula de minha filha. 
    Quem eu encontro, de costas, perto das janelas e na mesa que eu ocupei no ano passado? Isso mesmo: Lanusa!  Conversava com outra pessoa e não me viu mesmo quando preparar nossos pratos. Ficamos distantes e minha filha, desta vez, conheceu minha prima.   A amiga saiu primeiro e falou animadamente com um mulher que estava na nossa mesa. Lanusa saiu depois, me reconheceu e nos falamos quando ela passou por mim em direção ao caixa.
     Fiquei com cara de divertimento e espanto por vários dias.   
     Vou procurar outra padaria.