segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Velho Poema Infantil

Na minha infância, todas as crianças tinham cadernos escolares com a mesma capa. Era o tempo da escola primária a cidade era São Bento do Una,o livro adotado se chamava Nordeste, tinha gravuras de Percy Lau e essa  poesia singela: 

Meu Doce Lar

Máximo de Moura Santos.
Imagem do Facebook


Oh! meu querido
Sempre florido
Meu doce lar.
É uma casinha
Que está sozinha
Junto do mar.

Quando é bem cedo,
Pelo arvoredo
Que fica além,
mansa desliza
Suave brisa
que vai e vem.

O sol vem vindo
Então sorrindo
Corro ao pomar,
E satisfeito
Encho meu peito
De puro ar.

No quintalzinho
Meu papaizinho
Já está de pé,
E mamãezinha
Lá na cozinha
Faz o café

Disposta a mesa
Oh! que beleza!
Meditem só,
Neste deleite
Café com leite
E pão-de-ló.

É todo dia
Ai que alegria
No meu pomar,
Oh como é belo
O meu singelo
Meu doce lar.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Desafio do Facebook 2


Meu segundo desafio do Facebook veio de Antônio Neto,um colega de leituras. Ele me mostrou suas escolhas e pediu as minhas:

1- Nunca li
Antônio: nunca li nada de Agatha Christie
Eu:   Também não lí

2 - Não sinto vontade de ler

Antônio:Sidney Sheldon
Eu: Proust e Gilberto Freire. Casa Grande & Senzala nunca me atraiu e o que comprei:Modos de Homem e Modas de Mulher, continua na minha estante. Gilberto Freire, me desculpe.


3 - Ninguém que eu conheça lê, mas eu gosto:
Antônio:"Pés como os da corça nos lugares altos", de Hannah Hurnard
Eu: aqui não lembrei nenhum livro nessas condições.

4 - Último que li

Antônio:Tempo de Chuva - de Carlos Almeida

Eu:Meu último livro foi: Quarenta Dias, Maria Valéria Rezende. 

 Narrativa do mergulho de 40 dias de Alice perdida numa periferia empobrecida que ela não conhece, à procura de um rapaz que ela não sabe ao certo se existe. Alice é uma professora aposentada, que mantinha uma vida pacata em João Pessoa até ser obrigada pela filha a deixar tudo para trás e se mudar para Porto Alegre.





5 - Leria tudo de novo
Antônio:Cem anos de Solidão, de Gabriel Garcia Marquez. O Senhor das Moscas, de William Golding. Luanda Beira Bahia, de Adonias Filho.
Eu: leria novamente: A Festa do Bode e A Guerra do Fim do Mundo, ambos de Mário Vargas Llosa.

Lembrei de outro livro de que gostei muito e que é de uma autora premiada com o Pulitzer: Pavilhão de Mulheres de Pearl S. Buck

 Preciso ler outro livro dela.






6 - Um autor que tocou meu coração
Antônio:Ferenc Molnàr, com o livro Os Meninos da Rua Paulo. Não posso deixar de citar José Mauro de Vasconcelos, com " O meu pé de laranja lima".

Eu:O autor que me tocou o coração foi: Gavino Ledda  com o livro Pai Patrão, lançado em 1972 e transformado em filme pelos irmãos Taviani em 1975. Ambos, livro e filme, fizeram muito sucesso à época.







7 - "Todo mundo" leu e gostou menos eu
Antônio:Paulo Coelho (não consigo começar a ler...)


Eu:Comigo a decepção foi: A Louca da Casa, de Rosa Montero. 
No meu antigo grupo de leitura alguém falou nesse livro e nós gastamos muito tempo procurando por ele. Depois de ler achei que não valeu a pena ter comprado o exemplar.







8 - Uma indicação: 
Antônio:Olhos de Cobra, de Andreia Fernandes

Obs: Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago, é uma experiência única, recomendo!
Convido para este desafio  Regina Porto 

Eu: Americanah, Chimamanda Ngozi Adichie. Esse livro me encantou pela realidade que narra e pelo estilo da autora. Chimamanda mostra a realidade social e política da Nigéria, narrada por uma mulher negra de classe média. Da mesma autora, recomendo Hibisco Roxo.


E você? Que autor(a) nunca leu?  Quem você não pretende ler? Que livro você gosta mas nenhum amigo conhece? qual último livro você leu?  O que você indica?  Conte pra nós..


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A História Acompanha o Leitor..



E se você descobrisse que os personagens do livro que começou a ler no Galeão, vão para Lisboa também, e uma semana depois vão para Paris junto com você? Coincidência?
Nem tanto!  Os personagens viajam, sim, junto com você e isso é uma invenção  da FCB para um  programa de milhas. O nome dessa inovação? Trip Book.
 Funciona assim: o ebook, usando uma tecnologia (e-paper) criada exclusivamente para o programa de milhagem, identifica onde o leitor/passageiro está e segue com ele.
Bem a história que está no e-book com a inovação, conta as aventuras de viagem de Theo e Maria Manoela, casal na faixa dos 40 anos de idade que mora em São Paulo e decide dar um tempo nas obrigações cotidianas. Juntos, eles fazem uma viagem para a mesma cidade onde passaram a primeira lua-de-mel, décadas antes, numa tentativa de reviver  a paixão.  Esse é o ponto inicial do romance escrito por Marcelo Rubens Paiva. 
O especial é que o destino do casal vai mudando à medida em que o leitor vai viajando. Se o leitor/passageiro for para Lisboa o casal também ira e a na história serão colocadas referências da bela capital. Entrarão: parques, pontos turísticos, costumes, restaurantes de Lisboa.  História e personagens permanecerão, mas destinos e referências mudarão novamente se o leitor viajar para Nova York. 
Achei bem interessante. Por enquanto somente São Paulo, Rio de Janeiro, Nova York e Paris, Roma, Buenos Aires, Lisboa estão no roteiro do Smiles.
O ebook, que é o primeiro do tipo lançado no Brasil, poderá ser baixado gratuitamente para tablets pelo aplicativo Trip Book Smiles para os sistemas iOS e Android.

Fonte:Nômades digitais
Imagem:pr.dreamstine.com

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O Cão Escapa de Aparecer no Jornal, Pepetela



Imagem: Armindo Lopes
Em artigo de primeira página, ilustrado com duas fotografias, o “Jornal de Angola” informava:

“Ontem, pelas 17 horas, reinava enorme animação na Feira Popular de Luanda, pois as festividades eram destinadas aos pioneiros, por ocasião do Dia Mundial da Criança. Milhares e milhares de crianças da capital tiveram entrada gratuita e divertiam-se, quer com os carrosséis, baloiços, concursos de natação e pólo aquático, torneios de xadrez, tômbola, quer com brinquedos improvisados. Várias orquestras actuavam simultaneamente em sítios diferentes da Feira para dar maior calor e ritmo ao local. Era uma verdadeira festa para os mais novos que se manifestavam ruidosamente, como só eles o sabem fazer, marcando o fim próximo do ano escolar, regozijando ainda mais os que tiveram aproveitamento, compensando, em parte a tristeza dos muitos – infelizmente – que já não têm hipótese.

“ Foi por essa altura que, junto do carrossel, onde se concentravam centenas de crianças, um cão furou o cordão de pioneiros à espera de sua vez e, em ladrar desesperando, atraiu a atenção sobre si. O cão era da conhecida raça pastor-alemão, também chamado cão-polícia. E mostrou bem ser justificado o nome da raça. Alguns populares mais velhos até o quiseram afastar com pontapés. Mas o chão, ao lado do sistema elétrico do carrossel. Tal foi a confusão e a insistência, que apareceu o serviço-de-ordem. Um policial avançou para o objeto misterioso e o cão calou-se logo.  

“Desembrulhado o pacote, ficou a descoberto uma bomba-relógio de fabrico caseiro, mas com peças de origem sul-africana, como se provou mais tarde. Camaradas das Fapla, chamados de urgência ao local, desmontaram prontamente o engenho, impedindo-o assim de cumprir a sua macabra missão.

“Com o pânico criado pela descoberta e dada a confusão gerada, as autoridades fizeram evacuar a Feira, para procurar outras possíveis bombas. Nada mais se encontrou. Na precipitação da fuga, ninguém se pôde aperceber para onde tinha ido o cão, desaparecendo assim sem deixar rasto.

“Mais uma vez a reação criminosa tentou ceifar vidas inocentes, num claro testemunho de sua barbaridade e do seu desespero pelo avanço imparável da nossa Revolução Popular. Ninguém ignorava que  a festa era destinada às crianças e o gesto maquiavélico visava unicamente nossos filhos inocentes.

“As centenas de pioneiros que poderiam ter sido vítimas dos assassinos e foram salvas pelo instinto maravilhoso desse cão aproveitam esta página para comovidamente agradecerem ao seu protector anónimo, que mostrou ser mais humano que os autores do gorado atentado.

“Ao lado, os camaradas das Fapla já com a bomba desmontada e uma fotógrafa dum cão pastor-alemão, que poderia ser o do herói do dia se o fotógrafo estivesse lá.” 



(O Cão e os Caluandas, Pepetela. Publicações Dom Quixote,Lisboa,3ª ed. 1986, págs.77-79)

Fapla: Forças Armadas Populares para libertação de Angola.
Nota: o blog manteve a grafia original lusitana.