segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Soneto de Michelangelo


Com os belos olhos teus vejo a luz clara
que com os meus, cegos, já não posso olhar;
com teus pés posso um peso carregar,
o que pra mim, manco, é coisa rara.

Com tuas asas pra sempre eu voara;
com teu engenho ao céu posso chegar;
fazes-me empalidecer ou corar,
gelado ao sol, na neve, um Saara.

O teu querer é só o querer meu,
meu sentimento nasce no teu peito,
no teu alento a minha voz busquei.

Como lua solitária sou eu,
que no céu não se pode ver direito
a não ser que reflita o astro-rei.

Tradução de Jorge Pontual