segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Fenelivro-Feira Nordestina do Livro 2015, terça-feira








Manhã
 





11:00 Cantinho da Trela – Contação de histórias com Ilana Ventura.






Tarde 
 

13:00 Coopergas – Workshop – Livros digitais interativos. Uma oportunidade. (José Fernando
Tavares).
16:00 Sala Déborah Brennand – “Literatura e Intimidade na Era da Superexposição.” José
Castello com apresentação de Lourival Holanda.
Coopergás – Workshop – “Como ler um livro digital. Dicas práticas. (José Fernando
Tavares.)
17:00 Sala Ariano Suassuna – Sílvia Gusmão + Professora de Ensino Médio. “A Escolha da
Profissão pelos Adolescentes.”
17:30 Sala Especial – “Cinema e Literatura – Um diálogo Fecundo.” Com José Geraldo Couto.

Noite 
 
18:00 Coopergás – Workshop – Produzir um eBook com InDesign. Desafios e oportunidade.
(José Fernando Tavares)
19:00 Sala Ariano Suassuna – Noites Nordestinas Sergipe. Jeová Santana + Ronaldo N. Sousa
+Marcos Moura – Vieira.
Sala Déborah Brennand – Pedro Américo e Thiago Corrêia. “A Literatura de Gilvan
Lemos.”
20:00 Café Alberto Cunha Melo – Chico Santa Rita – Lançamento – “De Como Aécio e Marina
ajudaram a eleger Dilma.”

Estive com Agualusa na Feira do Livro

No stand depois de pegar autógrafo pra meu livro para o da Érika e o da Ju.

 Olha a dedicatória aí em baixo.

Morram de inveja.

 Agualusa me disse que morou em Olinda por 6 meses, que frequentemente vem ao Recife e que já esteve numa bienal de Pernambuco com o Mia Couto. 

Na semana passada acabei a leitura de um livro dele, o Nação Crioula e esse que tenho nas mãos é o Viver No Céu, que vou começar a ler hoje.
"Este é um livro que eu gostaria de ter lido quando tinha 16 anos: mundo flutuante, dirigíveis! Até acho estranho nunca ninguém ter tido esta ideia. Há imensos livros sobre o fim do mundo, mas as pessoas vão viver para o mar, ou para debaixo da terra."
(Agualusa)

Segunda-feira poética: Mia Couto




Mudança de Idade

Para explicar
os excessos do meu irmão
a minha mãe dizia:
está na mudança de idade.
Na altura,
eu não tinha idade nenhuma
e o tempo era todo meu.
Despontavam borbulhas
no
rosto do meu irmão,
eu morria de inveja
enquanto me perguntava:
em que idade a idade muda?
Que vida,
escondida de mim, vivia ele?
Em que adiantada estação
o tempo lhe vinha comer à mão?
Na espera de recompensa,
eu à lua pedia uma outra idade.
Respondiam-me batuques
mas vinham de longe,
de onde já não chega o luar.
Antes de dormirmos
a mãe vinha esticar os lençóis
que era um modo
de beijar o nosso sono.
Meu anjo, não durmas triste, pedia.
E eu não sabia
se era comigo que ela falava.
A tristeza, dizia,
é uma doença envergonhada.
Não aprendas a gostar dessa doença.
As suas palavras
soavam mais longe
que os tambores nocturnos.
O que invejas, falava a mãe, não é a idade.
É a vida
para além do sonho.
Idades mudaram-me,
calaram-se tambores,
na lua se anichou a materna voz.
E eu já nada reclamo.
Agora sei:
apenas o amor nos rouba o tempo.
E ainda hoje
estico os lençóis
antes de adormecer.

Tradutor de chuvas,Mia Couto, Editorial Caminho 2011.

Fenelivro - Feira Nordestina do Livro 2015 Segunda-feira



DIA 31.08
 
Manhã

11:00 Cantinho da Trela – Contação de história com Flavioleta


Tarde 

15:00 Coopergas – Workshop – Livros digitais interativos. Uma oportunidade. (José Fernando
Tavares)
16:00 Café Alberto Cunha Melo – Bruno Gaudêncio. Lançamento – “Ariano Suassuna em
Quadrinhos.”

Noite 
18:00 Coopergás – Workshop – Como ler um livro digital. Dicas Práticas. (José Fernando
Tavares.)
19:00 Sala Ariano Suassuna – Noites Nordestinas Bahia. Rui Espinheira, Carlos Barbosa, Állex Leilla e Florisvaldo Mattos.
20:00 Teatro BeberibeJosé Eduardo Agualusa, Everardo Norões e Luiz Cláudio Arraes.
“Língua portuguesa: ponte ou barreira”.
Coopergás – Workshop – Produzir um e-book com InDesign. Desafios e oportunidade.
(José Fernando Tavares)

sábado, 29 de agosto de 2015

Fenelivro Feira Nordestina do Livro 2015 (Domingo)





DIA 30.08.15 domingo

Manhã
 

09:00 Sala Ariano Suassuna – Oficina com Alexandre Melo (projeto cultural)

10:00 Sala Déborah Brennand – Carlos Andreazza, Carlo Carrenho e Álvaro Filho: “O Livro

como Negócio: perspectivas de futuro.”








11:00 Cantinho da Trela – Contação de história com Flavioleta.








Tarde

13:00 Café Alberto Cunha Melo – Lançamento Álvaro Filho.

14:00 Sala Ariano Suassuna – Oficina com Alexandre Melo (projeto cultural).

15:00 Café Alberto Cunha Melo – Sheila Borges, debate: “O repórter amador e as motivações

para a produção da notícia” (com Juliano Domingues, Laurindo Ferreira e Amilcar

Bezerra.) Lançamento: “O Repórter Amador.”

17:00 Sala Déborah Brennand – Mesa redonda: “Da Notícia à Ficção: jornalismo e literatura.”

Com Cícero Belmar, Paulo Santos de Oliveira e Guilherme Fiúza. Moderador: Marco

Polo.

Noite 

19:00 Café Alberto Cunha Melo – Lançamento com Adrilles. Carlos Andreazza apresenta.

Sala Ariano Suassuna – Noites Nordestinas Alagoas. Luiz Alberto Machado junto com

Carlito Lima, Arriete Vilela e Eduardo Proffa.

20:00 Teatro Beberibe – Padre João Carlos.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Fenelivro - Feira Nordestina de Livros 2015 (Sábado)


Manhã

09:00 Sala Ariano Suassuna – Minicurso de elaboração de projetos culturais – Ênfase no Funcultura, Alexandre Melo
10:00 Cantinho da Trela – Alice Vitória; O Discurso de Alice. Lançamento dos livros “O Monstro de Chocolate,” “A Bruxinha Boazinha e Os Ratinhos de Circo” e “O Monstro Invisível.”







11:00 Abertura do stand “O livro do futuro, o futuro do Livro.”



Tarde
14:00 Sala Ariano Suassuna – Minicurso de elaboração de projetos culturais – Ênfase no Funcultura, com Alexandre Melo (projeto cultural)
14:00 Sala Louro do Pajeú – Painel Literário – André Neves, escritor e ilustrador, Lenice Gomes,  escritora, Rosinha Campos, escritora e ilustradora e Jane Pinheiro, escritora.

15:00 Café Alberto Cunha Melo – Lançamento Affonso Romano livro “Entre o Leitor e o autor” (Rocco). Adriana Doria Mattos apresenta.

17:00 Sala Louro do Pajeú – “Quem controla o controlador”, com Andréa Nunes e Eduardo Machado (apresenta).






Noite
18:00 Café Alberto Cunha Melo – Lançamento – Poesia em Cena 3, de Flávia Suassuna.
19:00 Sala Ariano Suassuna – Noites Nordestinas. Paraíba. Linaldo Guedes + Sérgio Castro Pinto + Hildeberto Barbosa Filho + André Ricardo Aguiar
20:00 Palco: A Lira

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Quarta-feira é dia de: José Eduardo Agualusa

Carta a Ana Olímpia

Paris, Abril de 1878

Princesa,

          Acabo de receber uma carta de Arcénio de Carpo, na qual ele, inadvertidamente, me dá a conhecer factos que supõe serem já do meu conhecimento.  E não deviam ser? tivesse eu, como as minhocas, cinco corações, e um estaria em festa, outro apertado de angústia, o terceiro em fúria, o quarto duvidando do mundo e o quinto , simplesmente, ardendo de paixão. No meu único coração todos esses sentimentos se confundem, e assim, violentamente confundidos, produzem em mim uma excitação geral, que não sou capaz de controlar ou sequer de definir.

         Vou pois ser pai e tu escondeste-me a notícia. Diz Arcénio que a criança deve nascer em Julho. Significa que quando em Fevereiro nos separámos já guardavas no ventre, ocultando-o de mim, um filho meu. É certo que não pretendia ter filhos, e lembro-me que discutimos esse assunto, e discordámos.  disse-te então que não gostaria que ficasse neste mundo sinal algum da minha passagem, a não ser, vagamente, uma imprecisa nostalgia pousada sobre os lugares, as pessoas, os objetos que um dia intensamente amei. Um homem faz um filho e o que acontece? Depressa este lhe dá dois netos, e aqueles quatro bisnetos, e assim por diante, originando um ruidoso caudal de gente que irá com seu nome e o seu sangue atravessar a eternidade. Fazer um filho é gerar um universo. Hão-de vir os anjos, mas também os demónios; há-de vir o amor, ma igualmente o ódio; e juntamente com o sublime virá o abominável. A mim, que não me agrada o papel de Deus, parece-me(parecia-me) um filho um acto arrogante e temerário.

        Lembro-me com efeito de ter defendido esta tese, depois do jantar, ignorando que esperavas um filho meu. Mas - Santo Deus! - era depois do jantar e conversávamos. Eu, convicto de que nunca faria descendência, fumava e filosofava. Se soubesse do teu estado certamente filosofaria em sentido contrário, e com idêntica convicção.

       Enfim, servem estas rápidas linhas para te dizer que estarei no Recife dentro de trinta ou quarenta dias. Parto mais cedo do que previa não apenas por causa da carta do jovem Arcénio, mas também porque sem ti esta cidade me parece morta, e eu me sinto intoleravelmente só. Como escreveu o velho Balzac (foi Balzac?): A solidão é óptima, desde que haja alguém com quem possamos conversar sobre isso. Abraço-te, a ao nosso filho.

Fradique. 

Nação Crioula, a correspondência secreta de Fradique Mendes, José Eduardo Agualusa, págs.125/126 Ed.Grypus, Rio de Janeiro 2001.

O blog manteve a grafia lusitana usada pelo autor.