sexta-feira, 31 de julho de 2015

História Bonita (13): Daniel Cabrera estuda na rua para ser médico

Um garoto de 9 anos foi flagrado estudando na calçada de uma rua em Cebu, nas Filipinas, e vem comovendo internautas pelo mundo inteiro. O registro foi feito por Joyce Torrefranca, que compartilhou a imagem em seu Facebook.

“Para mim, como estudante, ele me atingiu muito, como um grande momento", disse ela. "Eu quase nunca vou à lojas de café para estudar. E então esse garoto, ele não tem nada, mas ele tem dedicação ao estudo”, disse ela em entrevista à imprensa local. 



Diante do sucesso do post, emissoras de TV procuraram a criança e descobriram que Daniel Cabrera costuma estudar em frente ao restaurante onde sua mãe e seu irmão são funcionários. Sua família foi desalojada após um incêndio consumir sua casa e não têm onde morar.

Em entrevista à “Rappler”, o menino afirmou que sonha em ter duas profissões. “Eu acho que quero ser um policial, mas também quero ser um médico", explicou.

Após a comoção gerada pela história representantes do governo e da assistência social local visitaram a família e prometeram ajuda após o incêndio.


(Matéria do Yahoo)

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Quarta-feira é dia de: Eduardo Galeano

                     A Origem do Mundo

                     A guerra civil da Espanha tinha terminado fazia poucos anos, e a cruz e
a espada reinavam sobre as ruínas da República. Um dos vencidos, um operário
anarquista, recém-saído da cadeia, procurava trabalho. Virava céu e terra, em vão.
Não havia trabalho para um comuna. Todo mundo fechava a cara, sacudia os
ombros ou virava as costas. Não se entendia com ninguém, ninguém o escutava. O
vinho era o único amigo que sobrava. Pelas noites, na frente dos pratos vazios,
suportava sem dizer nada as queixas de sua esposa beata, mulher de missa diária,
enquanto o filho, um menino pequeno, recitava o catecismo para ele ouvir.
Muito tempo depois, Josep Verdura, o filho daquele operário maldito, me
contou. Contou em Barcelona, quando cheguei ao exílio. Contou: ele era um
menino desesperado que queria salvar o pai da condenação eterna e aquele ateu,
aquele teimoso, não entendia.
— Mas papai — disse Josep, chorando — se Deus não existe, quem fez o
mundo?
— Bobo — disse o operário, cabisbaixo, quase que segredando —. Bobo.
- Quem fez o mundo fomos nós, os pedreiros.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Segunda-feira poética: Cheiro de rio.

Hoje trago uma música.  Afinal, antes de ter a melodia, toda música é uma poesia.


Cheiro de Rio
Melodia:Almir de Oliveira e 
Letra:Rodolfo Aureliano
                                                   dedicada a Geraldo Azevedo

Camponeses e reses
Aparecem as vezes
Em meu coração
Arrebatado leão

Cheiro de rio, de navio
Pavio aceso clareando
A alma noturna do rio
Fonte de pensamentos
De velhos e longos lamentos
De novos e loucos alentos
Da pátria,
Da mata, agreste, e sertão

Operários e canários
Cantam as vezes em meus ouvidos
Canções populares de ninar.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

A Função do Leitor I - Eduardo Galeano


Quando Lúcia Peláez era pequena, leu um romance escondida. Leu aos
pedaços, noite após noite, ocultando o livro debaixo do travesseiro. Lúcia tinha
roubado o romance da biblioteca de cedro onde seu tio guardava os livros
preferidos.
Muito caminhou Lúcia, enquanto passavam-se os anos. Na busca de
fantasmas caminhou pelos rochedos sobre o rio Antióquia, e na busca de gente
caminhou pelas ruas das cidades violentas.
Muito caminhou Lúcia, e ao longo de seu caminhar ia sempre
acompanhada pelos ecos daquelas vozes distantes que ela tinha escutado, com
seus olhos, na infância.
Lúcia não tornou a ler aquele livro. Não o reconheceria mais. O livro
cresceu tanto dentro dela que agora é outro, agora é dela.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Quarta-feira é dia de: Manoel de Barros



Peraltagens


O canto triste da sariema encompridava  a

tarde.

E porque a tarde ficasse mais comprida a gente

sumia dentro dela.

E quando o grito da mãe  nos alcançava a gente

já estava do outro lado do rio.

O pai nos chamou pelo berrante.

Na volta fomos encostando pelas paredes da casa pé

ante pé.

Com receio de um carão do pai.

Logo a tosse do vô acordou o silêncio da casa.

Mas não apanhamos nem.

E nem levamos carão nem.

A mãe só que falou que eu iria viver leso

fazendo só essas coisas.

O pai completou; ele precisava de ver outras

coisas além de ficar ouvindo o canto dos pássaros.

E a mãe disse mais: esse menino vai passar

A vida enfiando água em espeto!

Foi quase.

(Memórias inventadas: as infâncias de Manoel de Barros, Iluminuras de Martha Barros - São Paulo: Ed.Planeta Brasil,2010)

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Segunda-feira poética: Elisa Lucinda

Anjo de Guarda e de Papel

Na minha estante mora um moço velho

com cara de rapaz
pela alegria que traz;
Com cara de menino
pela novidade que traz;
Com cara de velho avô
pela qualidade da paz.
Mora lá. Elegante. Solene.
Ainda que poderoso pela fartura de folhas
Todo grande, gigante, recheado de sentidos
Ainda que pareça na forma até grosso
é um poço generoso.
Parece um vigia, uma babá, um tutor.
Parece segurança, certeza, confirmação.
Valente matador de dúvidas, veste a beca da humildade
e nem se incomoda em ser só precisão.
Fica lá. Se doa para a poeira que vem tecer com o sol a teia do tempo
sobre sua firme encadernadura.
Assiste aos lapsos de memória
escora a literatura no ritual da decodificação.
Mas nessa muda eloquência, nessa silenciosa falação
me protege e me rege.
Amigo calado, consistente, combinado. (Tem sempre uma palavra pra dar)
Não me falta, não se vende...
É meu instrutor, protetor e anjo da guarda.
É nele que penso quando vejo um guarda e tenho medo...
Eu queria que a polícia daqui tivesse esse mesmo afetuoso itinerário:
Fiel companheiro do cidadão
como é meu dicionário.

O Semelhante, Elisa Lucinda -5ª edição - Rio de Janeiro: Record 2006


sexta-feira, 17 de julho de 2015

O Grande Anjo, Rubem Alves




Isso que eu vou contar já faz muito anos, é só memória...
   Eu disse que o Paraíso mora  numa ampola de dolantina...
“Cessa a dor!” E ela cessa... Pena que o paraíso seja de tão curta duração. A dor se vai, sim, mas fica de tocaia...
   Me tocaiou... Foi voltando devagarzinho, aparecendo num outro lugar: a coluna. Ela chegava e ia torcendo o corpo, obrigando-o a assumir as posiçoess mais estranhas para livrar-se dela. Lembro-me de uma viagem que fiz até o litoral, corpo curvado, o pé apoiado no painel de instrumentos do carro. Chegando lá, praia, lugar de deleites e risos, a dor não e deixou. Ela só me deixava em paz numa posição: agachado.
   A dor não me deixava alternativas. Qualquer coisa para livrar-me dela: cirurgia. Mas a cirurgia era de resultados duvidosos. Um ortopedista conhecido, sabendo dos riscos, me disse: “Só faço cirurgia de hérnia de disco quando o paciente ameaça cometer suicídio...”.
  Pois é isso mesmo que acontece: a dor, ultrapassado um certo limite, faz sonhar com a morte, como a única possibilidade de libertação. Coisa estranha esta, desejar morrer por amor à vida... Walter Rauschenbush assim colocou a questão no seu livro Orações por um mundo melhor: A norte não é mais uma inimiga e sim um grande anjo, o único a poder abrir , para alguns de nós, a prisão de dor e do sofrimento...”. Quando a dor é sem trégua , a pessoa que sofre tem um único desejo: parar de sofrer. Esgotados todos os recursos para pôr fim à dor, resta morrer.
   Eu não queria morrer;  queria parar de sofrer. No quarto do hospital, torturado pela dor, aguardando cirurgia, ouvi, vindo de não sei de onde ( ou terá sido uma alucinação minha?) um trecho de uma sonata de Beethoven. Que combinação mais estranha! Beleza e dor... num arroubo de coragem ( ou de loucura), cerrei os dentes e disse pra mim mesmo: “Nem toda dor do mundo será capaz de destruir a beleza dessa sonata!”. Mas foi coisa momentânea. Meu corpo não queria  a beleza da sonata  de Beethoven; ele só queria não mais sentir dor... Se o preço de acabar com a dor fosse silenciar a sonata, meu corpo preferiria que a beleza não existisse.
   Finalmente, a cirurgia. Abençoo o meu filho que é anestesista, embora jamais tenha sido o “meu” anestesista. É  perigoso... para ele... Mergulhado no sono, não sinto dor. No dia seguinte, o cirurgião veio me visitar e pediu-me pra fazer um movimento-teste. Fiz. Beliscou. A dor ainda estava lá dentro. Uma outra cirurgia seria necessária. Fiz a segunda cirurgia. A dor piorou, multiplicada por não sei quanto. De volta para casa, só havia um recurso para não sentir mais dor: ficar deitado sobre o gelo... Semanas... Até que pela magia dos bioquímicos, a dor deu-se por satisfeita e se foi...
  Há de se pensar no que fazer com um corpo possuído pelo demônio da dor. Com os meus cachorros eu sei o que fazer...
   (Não é espantoso que haja religiões que creiam que Deus tenha condenado seus desafetos a uma eternidade de dor?)
(Pimentas: para provocar um incêndio, não é preciso fogo/Rubem Alves. 1ª edição- são Paulo: Editora Planeta 2012)

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Quarta-feira é dia de: Marcos Rodrigues



                                                                                                     Reconciliação   
        


                            Dom Pedro Mourão, bispo da Diocese do Alto Cristalino sabia que São Sebastião do Alto era uma cidade de jovens migrantes. Povo valente que veio do sul para plantar o futuro. Era uma ilha de gente, num imenso mar de soja. Sabia que a cidade se deixara levar por sua juventude e sua riqueza. Sabia também que dinheiro e hormônios não combinam com temperança. São Sebastião, tão pequena, trepidava.

   O que Dom Pedro não sabia é que a alma do padre Borelli, a quem indicara para cuidar da paróquia, não harmonizava com combate à luxúria. Se, no momento da indicação, prestasse atenção nas pálpebras do padre, teria notado que tremiam à medida que ouvia sobre a lascívia que embebia o tecido social da paróquia. Teria notado que o cura abaixava a cabeça em pungente contrição. Mas, bispos não prestam atenção nessas coisas e padre Borelli foi para São Sebastião.

   Chegou num sábado e logo na madrugada de domingo ouviu a turba ao longe. Ritmada, urrava: é hoje só, só, só; vai acabar já, já; aproveita macacada que amanhã não tem mais nada! Ficou assustado, mas logo voltou a dormir. Pensando na vida.

   No princípio a cidade ficou intrigada com o padre. Não por seu tipo siciliano discreto.   Nem por sua voz, que sinalizava indulgência. Mas pelo que deixava sobre sua mesa: um crânio com a inscrição eu fui o que tu és e tu serás o que eu sou. Era seu memento mori, estas coisas simbólicas que, desde Roma, nos lembram que haveremos de morrer e assim nos advertem sobre o viver. Era esta a explicação que oportunamente dava aos que a ele vinham. Mas, é difícil fazer jovens verem que haverão de morrer e, mais ainda, que a morte deve balizar seu viver, pelo temor às punições.

   Com paciência, pe. Borelli foi se inteirando das coisas. No confessionário foi conhecendo a tal lascívia que embebia o tecido social. Ouvia tudo sereno mas, nos temas lúbricos, não resistia. Espreitava pela treliça do confessionário. E assim o calor da cidade foi subindo por suas pernas e, para seu desespero, começou a lhe pegar as gônadas.

   Constatou que aquele crânio sobre sua mesa era pouco para segurar o devasso rebanho.    Como tinha sido pouco para segurar a si próprio, haja vista o filho que deixara em Dourados.

   Assustado com tudo aquilo, anunciou que mandaria entalhar uma grande Dança Macabra, a alegoria medieval em que esqueletos dançam de mãos dadas rumo ao cemitério. Nela, estão representados todos os segmentos da sociedade, desde o peão até o prefeito, indignou-se no sermão. Lembrará a todos nós que do pó viemos e ao pó tornaremos, exaltou-se. Pagaremos, todos, após a morte, o que aqui cometermos, qualquer que seja nossa posição social, nosso ofício, nosso dinheiro, encerrou forte, sempre amargurado por sustentar seu filho com o dinheiro da Igreja.

   A ideia foi boa. Pe. Borelli esperou alguns meses por resultados, mas nada mudou em São Sebastião. Nada. A Dança Macabra efetivamente não assustou ninguém.

   Pe. Borelli então foi mais longe. Deixou escapar a ameaça de que o entalhador retrataria a feição dos grandes pecadores. Aí sim, o padre passou da conta. A iminência e a inevitabilidade de uma dura sentença só fizeram aumentar a devassidão. Foi assim na Peste Negra e foi assim em São Sebastião. A volúpia recrudesceu. Pecaram muito mais e confessaram muito menos. Para desespero do padre, que já havia incorporado a picância do confessionário ao cotidiano de sua vida gris.

   Pe. Borelli passou então à reflexão. Foram três semanas até a iluminação. Decidido, guardou o memento mori, descartou a Dança Macabra e não tocou mais no assunto.

São Sebastião então pegou fogo e o pe. Borelli ardeu junto. Mas, desta vez não teve filho. Graças à Providência, que o levou a tomar suas providências, considerava o padre sempre em reconciliação.

 ( Revista Brasileiros)


*Marcos Rodrigues é engenheiro civil pela Escola Politécnica da USP, PhD pela University of Cambridge, Inglaterra. Desde 1990 é Professor Titular da Poli – USP, na área de Informações Espaciais. Dedica-se também à literatura

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Segunda-feira poética: Castro Alves

Meu Segredo
À Senhora D* * * 

I
Eu tenho dentro d'alma o meu segredo
Guardado como a pérola do mar;
Oculto ao mundo como a flor silvestre
Lá no vale escondida a vicejar.


Eu guardo-o no meu peito... É meu tesouro,
Meu único tesouro desta vida.
— Sonho da fantasia — flor efêmera
Uma nuvem, talvez, no céu perdida ...


Mas que importa? É uma crença de minha alma
— Gota de orvalho d'alva da existência
Última flor, que vive aos raios mornos
Do sol de amor na quadra da inocência.


Só, quando a terra dorme solitária
E ergue-se à meia-noite, branca, a lua,
E a brisa geme cantos de tristeza
Na rama — do pinheiro — que flutua;


E quando — o orvalho pende do arvoredo
Que se debruça p'ra beijar o rio,
E as estrelas no céu cintilam lânguidas
— Pérolas soltas de um colar sem fio;


Então eu vou sentar-me sobre a relva,
Eu vou sonhar meus sonhos ao relento,
E só conto o segredo de minh'alma
Das horas mortas ao tristonho vento.



II


Eu sei como este mundo ri d'escárnio,
Deste aéreo sonhar da fantasia.
Eu sei P'ra cada crença de noss'alma,
Ele tem uma frase de ironia...
Ah! deixai-me guardar o meu segredo:
Deste riso cruel eu tenho medo...


Meu segredo? É o canto de poesia
Que suspirou saudoso o gondoleiro,
Que vai morrer gemente sobre as praias.
— Da despedida pranto derradeiro —
Mais aéreo que as vozes da sereia
— Alta noite — sentada sobre a areia.


Meu segredo? É o soluço d'alma triste
Que conta sua dor à brisa errante.
É o pulsar tresloucado de meu peito
A repetir um nome delirante.
Tímido anelar de edêneo gozo,
Castelo que eu criei vertiginoso.


Criei-o numa noite não dormida,
Após vê-la entre todas — a rainha;
Criei-o nestas horas de delírio
Em que sentira em fogo a fronte minha
E o sangue galopava-me nas veias
E o cérebro doía-me de idéias ...


E quem na vida não amara um dia?
E nunca despertara ao som de um beijo?
Quem nunca na vigília empalecera,
Ao seguir co'o pensar louco desejo?
Quem não sonhara ao colo voluptuoso
Da sultana !ouçã morrer de gozo?
Uma noite tentei fechar as pálpebras,
Debalde revolvi-me sobre o leito...
A alma adejava em fantasias d’ouro,
Arfava ardente o coração no peito.
A imagem que eu seguia? É meu segredo!
Seu nome? Não o digo ... tenho medo.


Ai! Dói muito calar dentro em nossa alma
Este anelar fremente de desejos! ...
Ai! Dói muito calar o róseo sonho
Que sonhamos: dormir entre mil beijos
Num seio que de amor todo estremece,
Quando o olhar de volúpias esmorece...


Dói muito... mas dói mais uma ironia,
Quando adeja o pensar no firmamento,
Dói muito... mas dói mais um desengano,
Quando se vive só de um sentimento,
Quando o peito cifrou sua esperança
Em beijar da mulher a negra trança.


Que ventura! Aos teus lânguidos olhares,
Beber — louco de amor — seiba de vida...
Sorver perfume em teus cabelos negros,
Sentir a alma de si mesmo esquecida...
E de gozo de amar louco, sedento,
Viver a eternidade num momento!


Que ventura! Sorver co'os lábios trêmulos
Em teus lábios — de amor — o nome santo...
Que ventura! Fitar-te os negros olhos
Desmaiados de amor e de quebranto...
E reclinada a fronte no teu seio,
Sentir lânguido arfar em doce enleio...


Mas que louco sonhar... Ó minha amante,
Que nunca nos meus braços desmaiaste,
Que nem sequer de amor uma palavra
Dos meus lábios em fogo inda escutaste,
Perdoa este sonhar vertiginoso.
Foi um sonho do peito deliroso.


E, se um dia, entre as cismas de tua alma,
Minha imagem passar um só momento,
Fita meus olhos, vê como eles falam
Do amor que eu te votei no esquecimento:
Recorda-te do moço que em segredo
Fez-te a fada gentil de um sonho ledo...


Recorda-te do pobre que em silêncio
De ti fez o seu anjo de poesia.
Que tresnoitou cismando em tuas graças,
Que por ti, só por ti, é que vivia.
Que tremia ao roçar de teu vestido,
E que por ti de amor era perdido...


Sagra ao menos uma hora em tua vida
Ao pobre que sagrou-te a vida inteira,
Que em teus olhos, febril e delirante,
Bebeu de amor a inspiração primeira,
Mas que de um desengano teve medo,
E guardou dentro d'alma o seu segredo!