segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Segunda-feira poética: Mia Couto


Espiral
 
No oculto do ventre,
o feto se explica como o Homem:
em si mesmo enrolado
para caber no que ainda vai ser.

Corpo ansiando ser barco,
água sonhando dormir,
colo em si mesmo encontrado.
Na espiral do feto,
o novelo do afecto
ensaia o seu primeiro infinito.

No livro Tradutor de Chuvas