quinta-feira, 19 de março de 2015

São José, rogai por nós. Cícero Belmar.



Por ser 19 de março, tenho a sensação de que é um dia diferente. Posso refazer a frase? Tenho certeza de que é um dia especial por ser dedicado a São José, padroeiro de Bodocó, minha cidade. Melhor dizendo, padroeiro dos sertões.

Quando eu era criança acreditava piamente, assim como todo povo do Sertão, que o marceneiro esposo da Virgem Maria eram quem derramava as bênçãos divinas em forma de chuva naquele chão semiárido.

Seguíamos em procissão. Contritos, sob o sol. Mandacarus de braços erguidos. Nós, diante do Divino, olhos para o chão. Quem éramos?

Muitos anos passaram e eu deixei de pensar como criança. Mudei, desacreditei naquela crendice ingênua. Estudei, aprendi algumas coisas. Li a filosofia, a psicanálise, a teologia. Fui existencialista. Neguei o que aprendi no passado.


Mas o tempo não para, disse Cazuza. Não para mesmo. Descobri que li erradamente muitos livros. De filosofia, de psicanálise, de teologia. Tive a graça e o tempo de reaprender o que desaprendi.
Olhos para minhas mãos. Não havia verdade maior do que aquela, da minha infância. A verdade será sempre uma metáfora da vida. Instaurei a minha realidade, com todos os aprendizados e influências. Descubro que tenho uma essência única e genuína como sertanejo.

São José realiza, sim, a façanha de fazer chover. Acreditar é respeitar, é aceitar. É um engajamento e eu sou de assumir compromissos. É como sertanejo que eu me presentifico na história da humanidade.

Viva São José. Sou mais feliz acreditando na poesia. Nas poesias. Esta é uma. Não há nada mais transgressor do que a poesia. Deixar emergir a liberdade de espírito e se permitir acreditar nas coisas simples e puras. Sou sertanejo. É ele quem faz chover no coração. Do Brasil.

(Imagens do Google)