sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Virgens e Livros, conto de Fernando Farias



Explodi-me no plenário do Congresso Nacional salvando a nação brasileira. Sonhei que eu era um homem bomba religioso.

    Confiando nos textos sagrados fui para céu encontrar as 72 virgens. Quase me afoguei. Entrei por baixo de um rio de leite e mel ao som de harpas celestiais. E conforme prometido, lá estavam elas.

     Eram setenta e sete virgens de verdade. Cada uma com noventa anos de idade e sem dentes. Todas com a mesma cara da Graça Foster da Petrobrás, eu realmente não tinha lido o livro sagrado até o fim.

         Para minha sorte, as setenta e duas sogras não me aceitaram. Fui expulso dos céus. No inferno fui recebido pelo novo chefe Renan Calheiros que me obrigou a usar uma camisa da Rede Globo no meio das passeatas dos Black Blocs.

         Acordei a tempo. Nunca mais leio livros sagrados.