domingo, 19 de outubro de 2014

O Debate Eleitoral, César Feitoza



Cumpade, vou lhe contar
O que ontem aconteceu
E se eu me demorar 
Não fique brabo cum eu
E que ontem cheguei mais cedo
Em casa, da minha lida
Tomei banho e disse a Cida
“bote logo meu jantar,
mande os menino durmir”
Pru mode nóis assistir
O debate eleitorá

Meu cumpade eu sei que sou
Matuto do moxotó
Fio de mané cotó
Nunca tive muito estudo
Mas, amigo, não me iludo
E votar bem é preciso
E como estava indeciso
Sentei em frente a tv
Pra num ter muito improviso
Na hora de escolher
O palco já tava armado
Pros besta eles enganá
Com cada qual pro seu lado
Segurando um pedestá
Cada um dando de garra
De uma ruma de papel
De babão tinha um tonel
Uma tuia de assessor
Meia dúzia de jagunço
Magine o tamanho do furdunço
Valei-me nosso senhor
Então o apresentador
Com voz de vento encanado
Disse: “tá iniciado.
O debate começou”.
E então pronunciou
As regras dessa contenda
Aonde cada legenda
De falar tinha sua vez
Aprumei o pince nez
E pensei: “Eu tô num drama
Pra votar nessa eleição”
Mas depois desse programa
Eu tomo minha decisão
Eram só dois candidato
Um homem e uma mulher
Sem muito querequequé
E nem pose pra retrato
Começaro logo os dois
A partir pro enfrentamento
Sobrou nome de jumento
Corrupto, falso e ladrão
Nepotista de primeira
Veiaca, quenga, rameira
Fí dua égua, infeliz
Que acabou com o país
E defecou na bandeira
Cumpade, teve uma hora
Em que eu me alegrei
Pois parou o aperrei
Dos xingamentos de outrora
E então a candidata
Tentado a reeleição
Disse então que dessa data
Em diante a união
Esforços não mediria
A trabalhar noite e dia
P´ra acabar com a corrução
Então eu fiquei perdido
Feito bala sem endereço
Cocei os ói aturdido
E quase que endoideço
Se corrução já existia
No derradeiro mandato
Por que que ela de fato
Num acabou já no começo?
Quando ela disse isso
O candidato cresceu
Lascou no pé do toitiço
Os erros que cometeu
Lhe chamou de incompetente
De ladrona e imorá
E disse “pra Presidente
Você num vai mais ganhá”.
Amigo, quando ela ouviu
Esse mói de desaforo
O sangue véi lhe subiu
Deixando vermelho o couro
Pegou ar e foi dizendo:
Sujeito cabra safado
Quem é você pra falar
Das coisa do meu partido
Caboclo desenxavido
Que tropica e num se apruma
“ta vendo aquele magote
Sentado ali do teu lado
É tudo corno e viado
E ladrão tem uma ruma.
E o debate foi seguindo
Nesse mesmo tirinete
Vez em quando um mentindo
Ou então metendo o cacete
E eu, como eleitor
Fui ficando aperriado
Como é que vou votar
Nesse comboi de safado?
Ninguém disse como ia
Acabar com a sofrência
Que nos enche da carência
Que nos mata dia a dia
Pois num é bossa famia
Que nos dá dignidade
E sim oportunidade
De plantar e de colher
De estudar pra crescer
De num viver de esmola
De ter os filhos na escola
De trabalhar pra viver
Ninguém disse como ia
Acabar com a inflação
Que diminui a fartura
Do prato do cidadão
Ninguém deu a solução
Para a seca combater
Pros meus bichin não morrer
Nas quebradas do sertão
Cumpade, como é que pode
Suceder uma coisa dessa?
Como é que em vez de promessa
De plano de melhoria
Pra acaba com a carestia
Só dizem difamação
Como é que dois cristão
Que querem ser presidente
trata os ouvido da gente
Como se fosse latrina?
E continua nossa sina
E o país não vai pra frente
Toda essa xingação
Não faz a gente escolher
Pois a gente só quer ter
Os problema resolvido
Chega desse alarido
De caô de marqueteiro
Pois o povo brasileiro
Eles não vão governar
E se a gente não acertar
Quando votar nesse pleito
Nossa terra tão amada
Será de novo roubada
Nem nosso Senhor dá jeito