sexta-feira, 25 de julho de 2014

Eu e os poetas do Recife, Manuel Bandeira

                  As imagens ao lado foram feitas no Espaço Pasárgada que fica na Rua da União.   Manuel Bandeira refere-se à casa do avô no  "lá" do verso: "... tudo parecia impregnado de eternidade" - 

                   Acima estou com um boneco gigante de Manuel Bandeira, que sai no carnaval. 

Abaixo, MB num desenho de Romero Brito.


Posto um poema de que não lembrava, apesar de já ter lido, todos os livros do poeta.


O Súcubo
Quando em  silencio a casa adormecia e vinha
Ao meu quarto a aromada emanação dos matos,
Deslizáveis astuta, amorosa e daninha
Propinando na treva o absinto dos contatos.

Como se enlaça ao tronco a ondulação da vinha,
Um por um despojando os fictícios recatos,
Estreitáveis-me cauta e essa pupila tinha
Fosforescências como a pupila dos gatos. 


Tudo em vós flamejava em instintiva fúria.
A garganta cruel arfava com luxúria.
O ventre era um covil de serpentes em cio...

Sem paixão, sem pudor, sem escrúpulos - éreis
Tão bela! e as vossas mãos, fontes de calafrio,
Abrasavam no ardor das volúpias estéreis...




O que significa Súcubo?
No poema:Demônio  feminino que, segundo velha crença popular,vem pela noite copular  com um homem, perturbando-lhe o sono  e causando-lhe pesadelos.
Outros significados: pessoa que se coloca por baixo. Indivíduo sem força de vontade. 
( dicionário básico da Língua Portuguesa. Folha de São Paulo - Aurélio Buarque de Holanda)