sábado, 29 de junho de 2013

Cronica cantada: Isso é Brasil Mc Garden

Isso é Brasil

McGarden
DJ Vinicius Baladao


E aí, Garden, acorda! Vamos ser feliz?

Como é que vocês querem ser feliz esse ano
Deixando a responsa com Feliciano
Humanos direitos vão ter o direito
de ter um monstro nos direitos humanos

Daqui apouco vão tacar mais lenha
Querer acabar 'com'a'lei'maria da penha
Se pá ele vai pedir seu cartão
Mas vê se vai esquecer de dar a senha

(...Vóz Feliciano pedindo senha do cartão...)

Mantenho minha fé em nós
Do que no seu Deus que está nas igrejas
Que só ama quem põe na bandeja
E manda pro inferno quem toma uma breja

Tá rolando dinheiro a vera
E tu quer saber onde que tão os seus
Na Assembléia dos Deputados
Ou se tá na Assembléia de Deus

Se pá lá na Universal
Se pá teve lá na Mundial
Ou se tá la na igreja da graça
A Igreja que é internacional

Mas se for olhar profundamente
os problemas com crente é peixe pequeno
O Brasil é o país da festa
e o que nos resta é ta no veneno
Brasileiro quer ser mais malandro
explorando os bolivianos

enquanto'isso o nosso Nióbio
sai daqui por debaixo dos panos
observe de perto, meu mano
olha lá nossos governadores
não investem na educação
pra não ter uma geração de pensadores

pensadores tentaram avisar
mas você fingiu que não viu
Aqui a bunda vale mais que a mente
Infelizmente esse é o Brasil

o Problema ta lá no nordeste
Tá aqui em São Paulo e também ta no Rio
Isso, Isso é Brasil
Isso, Isso é Brasil

A bandeira são somente cores
os nossos valores você não sentiu
Isso, Isso é Brasil
Isso, Isso é Brasil

Autoridades não usam idéias
Só usam onomatopeia do "Shiu"
Isso, Isso é Brasil
Isso, Isso é Brasil

MC Garden ta aqui te falando
tu tá escutando será que ouviu?
Isso, Isso é Brasil
Isso, Isso é Brasil

Sistema de saúde precário
só de lembrar até passou mal
me incomodo menos com a doença
do que com a demora do hospital

Brasileiro achando legal
Ser tratado como animal
Mas como é que vamos reclamar
Se as vezes nós agimos como tal
Violência policial

é melhor nem tocar nesse assunto
daqui a pouco vão excluir esse vídeo
e se eu falar muito vão me excluir junto

Agora olha nossos os buzão
Que as 7 da manhã não cabe mais ninguém
E logo mais aumenta a condução
E vocês vão achar que está tudo bem

tão querendo acabar com os índios
que é a origem do nosso país
o dinheiro ta mandando em tudo
e deixando mudo quem quer ser feliz

a pressa ta matando cicliísta
e nas avenida mais um arregaço
o que dá a sorte de ter vivido
o piloto maldito joga fora o braço

Na rede social só piada
também alienando a massa
ou garota posando pelada
quer ta na playboy, mas fez isso de graça

Mc's esqueceram da paz
jovens como antes não se fazem mais
o casal acaba de ir pra adolescência
e na mó indecência eles já vão ser pais

onde é que estão os pais?
será que estão presos na sela?
ou será que tão presos na sala
em frente a uma TV assistindo novela?

pensadores tentaram avisar
mas você fingiu que não viu
aqui a bunda vale mais que a mente
infelizmente esse é o Brasil

o Problema ta lá no nordeste
Ta aqui em São Paulo e também ta no Rio
Isso é Brasil
Isso é Brasil
A bandeira são somente cores
os nossos valores você não sentiu
Isso é Brasil
Isso é Brasil
autoridades não usam idéias
só usam onomatopéia do Shiu
Isso é Brasil
Isso é Brasil

(Caminhoneiro cansado na estrada
exploram da prostituição infantil
Isso, Isso é Brasil
Isso, Isso é Brasil
o respeito do nosso país

Mandaram lá pra ponte que partiu
Isso, Isso é Brasil
Isso, Isso é Brasil
Mc Garden ta aqui te falando
tu tá escutando será que ouviu?
Isso, Isso é Brasil
Isso, Isso é Brasil)

terça-feira, 25 de junho de 2013

Traças e sorteios

Grupo virtual de leitores reunido desde 2008, sorteia mensalmente um livro entre seus integrantes. Neste primeiro semestre nove pessoas foram sorteadas e os títulos foram bem variados. Os sorteios são feitos de maneira informal: pelo papelzinho numerado, por site específico, pelo numero do celular. O importante é participar, pedir emprestado ou ler antes de entregar ao vencedor. Vício na leitura e brincadeira estão na ordem do dia dos integrantes do grupo.  Os livros sorteados até o momento foram:

Em Janeiro
A Casa, André Vianco
Ganhador: Neto, do Espírito Santo

Em Fevereiro
Fabíola ou A Igreja das Catacumbas, Cardeal Wiseman
Ganhadora: Suzie, do Rio Grande do Sul
Amar, verbo intransitivo, Mário  de Andrade
Ganhadora: Jussara, de Pernambuco

Em Março
Felicidade Demais, Alice Munro 
Ganhadora: Rosa, de Goiás

Em Abril
Toda Poesia, Paulo Leminski
Ganhador: Frank, de São Paulo
Ganhador: Neto, do Espírito Santo
 
Em Maio
Ganhadora: Jussara, de Pernambuco
Reparação, Ian McEwan
Ganhadora: Regina, de Pernambuco
 
Em Junho

As Regras de Moscou de Daniel Silva foi o livro pedido pela sorteada Tânia, de São Paulo. Comprei hoje e quando ela terminar de ler vou pedir emprestado que eu não me sustento de curiosidade. E como nosso grupo é de ler por empréstimo vou pedir também um dos livros sorteados em Março: Fabíola ou a Igreja das Catacumbas  afinal, quem ofereceu foi o Neto e ele lê coisas interessantes.

Ode à Maria Emília

Dizem que sogra não presta!
Que são o diabo em figura de gente!
A que eu tive não era como estas
era sim, de outra vertente,
Uma figura incomum, gente bem diferente.

Era sensível e inteligente,
E tinha uma calma que apressava a gente.
Parecia ter ciência de tudo
Estava além do comum desse mundo
Era um rio profundo e perene.

Quando a conheci, o seu cabela já estava
prateado,
Mas ainda estava forte e segura,
E embora branda, resoluta,
Para as tormentas dessa vida parecia
impermeável!

Era Maria, como muitas,
Vinha de uma terra seca que no verão esturricava
Mas a secura daquela terra
Pelo seu coração na passava
Era um poço de imensa ternura, que a todos,
Acudia e ajudava.

Não nego! Tive muita sorte!
Pois a Emília que virou minha sogra
Era mais que uma mulher de verdade
Era um anjo ativo sem qualquer vaidade
Um ser que espalhava ternura e felicidade
E quando partiu
Deixou um olor de muita saudade.
Parece até que virou uma estrela,
De raro esplendor e terna beleza,
E como na vida,
Reluziu com doçura e tenacidade,
Hoje brilha intensamente
Pelos eflúvios da eternidade! 

Na imagem, o autor: prof.Antonio Francisco S. Filho e sua sogra: Maria Emília. 

sábado, 22 de junho de 2013

Cronica cantada: São João Antigo



São João Antigo
              Ze Dantas e Luis Gonzaga          

Era festa de alegria
São João!
Tinha tanta poesia
São João!
Tinha mais animação
Mais amor mais emoção
Eu não sei se eu mudei
Ou mudou o São João Bis

Vou passar o mês de Junho
Nas ribeiras do sertão
Onde dizem que a fogueira
Inda aquece o coração
P´ra dizer com alegria
Mas chorando de saudade
Não mudei nem São João
Quem mudou foi ma cidade

terça-feira, 18 de junho de 2013

Caro jovem manifestante

Manifestação SEM vandalismo e SEM desacato?  TEM MEU APOIO.
Polícia SEM agressão? TEM MEU APOIO.
Governador QUE DESAUTORIZA, cassetete, bomba de gás e arma? TEM MEU APOIO.

                             
 
Caro manifestante: exponha sua revolta, mostre à imprensa que você chegou no limite, tá de saco cheio de bandalheira, dessa copa que mina os cofres públicos, tá puto da vida com aquele partido que você aplaudiu, mas que hoje engana a todos e ri de você. 
     Grite a plenos pulmões que  na sua faculdade tem um bando de analfabetos entre os aprovados no Enem e entre os professores também. Vá lá, amigo!
Pinte sua cara, ponha máscara do que você quiser, leva a namorada, seu cachorrinho e demais amigos. Fale, escreva, grite  que nesse momento e lugar você está perdidinho querendo ver um caminho. Faça isso sim!  Compareça às prévias e, mais importante, compareça no dia 20 de junho.  Vá lá dizer o que precisa, mas não esqueça jamais de ser original. Proteste como nunca foi feito antes.  Faça-se ouvir vestindo branco na alma.         
     Qualquer que seja a roupa ou máscara que use, não esqueça:  vista branco. Caro jovem, exibindo a face da paz, você vai ser querido por todos e por todos apoiado. Dispense a pedrada nos ônibus: o motorista e passageiros são tão vítimas quanto você. Dentro dele tem trabalhadores e estudantes, gente como seus pais e irmãos.  Não quebre vidraça, não deboche nem ridicularize o policial. Ele, se duvidar, nem pode estudar como você e, acredite, também é um trabalhador.  Reitero, caro manifestante, vá desabafar porque é  urgente e necessário, mas vá na paz.  De minha parte, um abraço de esperança.

                                  Caro policial,  diante de seus olhos passam jovens revoltados. Com o que?  Com tudo o que lhe revolta também: transporte ineficiente, cidades bagunçadas, escolas ruins, por exemplo. Esses rapazes e moças são arrogantes e atrevidos?  São. Na idade deles, você também era. No momento são mais corajosos que você, caro policial.          
     Estão protestando  contra tudo, perdidos até consigo mesmos, mas fazem isso - repare - sem nada que lhes proteja.  Vejo daqui, caro policial, que você está perplexo e aborrecido: vai  passar horas olhando um bando de jovem malucos carregando cartazes com dizeres os mais diversos,  e sem entender o que eles querem.  Ótimo!! muito melhor passar horas entediado que minutos correndo atrás de bandido armado.  Não está entendendo?  É o seguinte: esse bando de jovens esquisitos, são os mesmos que sentam nos ônibus e metrôs, com seus filhos.  Os pais deles passam 4 meses por ano, fazendo o mesmo que você: pagando impostos pra não ter escolas decentes, pra não ter médicos quando precisam. 
     Esses jovens que passam na avenida estão perdidos, sem rumo algum, procuram por um caminho porque o país onde nasceram, está sem direção.  No país deles e no seu país, o governo abandonou a decência em troca da fantasia de copas de futebol.   Caro policial, esses manifestantes, mesmo que estabanados, metidos a valente ou reis do pedaço,  estão fazendo o que você gostaria, mas não pode.  Você precisa trabalhar ganhando pouco, correndo risco, fazendo turnos estafantes. Então, aproveite e deixe que esses jovens esquisitos façam o que você gostaria.   
    
Baixar o cassetete numa moça que, se duvidar, podia ser sua filha?  para quê?  Pra depois sair na internet e ser mais odiado?  Alie-se ao manifestante. Faça diferente:  arrume-se com seus colegas e formem uma parede de proteção. Deixe eles passarem à sua frente. Mesmo que algum deles, mais idiota do que a idade permite, grite na sua cara, olhando nos seus olhos, uns xingamentos disparatos, deixe ele seguir em frente. Vai ser só mais um idiota. Oh, são tantos nessa cidade!  No final de tudo, você volta pra casa toma um banho e terminará o dia em paz. Quem sabe esses manifestantes até consigam melhorar alguma coisa e você, indiretamente, será beneficiado?

                            
  Caro governador Eduardo Campo,  vou tratá-lo por você, minha idade permite.
     Estive lembrando do que me ocorreu há uns muitos anos, quando saí do colégio no final das aulas e me dirigi com mais duas colegas para a avenida Guararapes como fazíamos diariamente para tomar ônibus de volta para casa. Por todo o trajeto havia policiais militares. Caminhamos pela avenida Cde.da Boa Vista, naquela época tão bonita,cruzando com soldados a cavalo. Apesar de amedrontadas, seguimos para fazer o que devíamos: tomar ônibus para voltar pra casa. No centro, onde se concentravam praticamente todos os terminais de ônibus da cidade, o impacto foi maior: não podíamos ficar em lugar algum.  
     Havia policial a cavalo em todos os pontos e soldados  armados até os dentes, na frente e dentro da agência central dos Correios, do antigo cinema Trianon, da agência da CEF e provavelmente em outros lugares mais, que não chegamos a ver tão grande era nosso pavor.  
     Em nossa última tentativa de voltar, entramos na rua da Palma, sem sucesso: 4 soldados (a essa altura, só Deus sabia a cor da farda), tomaram posição daquele jeito brusco e rápido que eles sabem fazer pondo-se bem espigados e com a arma cruzada na diagonal sobre o peito (sei lá que arma era, não entendo disso até hoje!-todas são pavorosas) e um deles diz: "passa não!".  A gente era adolescente!!  
   Falei nisso, caro Eduardo, pra dizer do desnecessário, do desigual.  Eram 3 adolescentes, magras, baixinhas e abobalhadas tentando voltar pra casa.  Eram quatro fardados, homens feitos e armados que cumpriam ordens. Os dois lados faziam seus papeis. Até aquele momento foi assim. Congele-se a cena.
     Dia 20 de junho, muitos anos depois da situação que passei, vários jovens irão às ruas cumprir seu papel: dizer que estão insatisfeitos. Vou concordar com eles no que eles tem para reclamar. Mesmo que de forma confusa, muito confusa até, esses manifestantes têm do que reclamar sim.  
     Vê-los  nesses movimentos, me enternece e me tira o sentimento de desesperança que senti sinceramente até o mês passado.  
    Dos pais e pessoas com sua idade, governador, não era possível vir nada. Estão todos dando duro pra sobreviver à inflação que está voltando sem controle. Esperar o quê das autoridades, governador?  O crédito que a elas foi dado, não vingou. Lamentar pra quê?      
     Eles estão certos, Eduardo. Essa  arena levou dinheiro que devia ir pra outros lugares, nosso transporte é sofrível, as escolas de nosso estado caem aos pedaços literalmente.  Coisas assim não irritam?  Sim. A indignação é necessária e louvável. Você faz uso político da indignação. É ela que leva à mudanças.  
     Sob meu ponto de vista,você, governador,   cresceria muito como pessoa se, ao contrário do soldado que apenas nos impediu a passagem, protegesse esses manifestantes.    
     Se você PUBLICAMENTE der ordem a seus comandados policiais de que compareçam FARDADOS E DESARMADOS  aos locais de concentração e manifestação terá garantida a paz e, mais que tudo, o respeito de todos eles.  Cá pra nós, os rapazes e moças estão cobertos de razão. São destemperados impulsivos e arrogantes sim, mas não podem ser considerados perigosos a ponto de precisar de pelotão armado de nada.  Pense nisso.

                      
Prezado Stéphane Hessel,  infelizmente a natureza não permitiu que você completasse 100 anos. Se assim tivesse acontecido, teria sabido pela imprensa que jovens brasileiros, enfim, fizeram o que você tanto pediu: indignaram-se!  Quase garanto, que nenhum deles leu seu livro. Não importa:  você ficaria felicíssimo se pudesse saber que indignaram-se. Que sejam, então, bem sucedidos.


Regina Porto, 18.06.2013


 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Parabéns pra você, Ariano Suassuna

Imagem do blog: As primeiras palavras
    Ontem assisti à última entrevista feita pelo jornalista Geneton Moraes Neto com Ariano Suassuna.
Morri de inveja do jornalista: eu também queria ser amiga de Ariano. Em 1970,  quando ouvi falar no nome do escritor pela primeira vez atraves  do LP  da Orquestra Armorial.  O lp instrumental e totalmente diferente do que eu conhecia, me deixou encantada e intrigada. Por que era diferente? Desde há muito  sabendo a resposta, consegui  em 2010, adquirir Orquestra Armorial, em CD.  Para minha surpresa e felicidade continuei perplexa e encantada com o trabalho desenvolvido pelo Maestro Cussy de Almeida. O cd é a vertente musical do Movimento Armorial, criado por Ariano Suassuna. O movimento, conhecido de todos os pernambucanos, abrange também o teatro, literatura e artes plásticas.

Imagem de: Wiliam Medeiros



Sobre Ariano Suassuna, não tenho competência pra falar e você sabiamente já clicou no nome dele no começo da postagem.  Hoje o escritor completa 86 anos e como não posso abraçá-lo parabenizando, divido com todos a alegria de Antônio Carlos Nóbrega o melhor representando do Movimento Armorial da atualidade.  Assista!

Ariano Suassuna e Abelardo da Hora, são meus cabelinhos de algodão prediletos.






sábado, 15 de junho de 2013

Melhores Livros Infantis Nacionais de 2012


A seleção é da Revista Crescer:




Arnaldo Antunes e Zaba Moreau

Ilustração do Grupo Xiloceasa

Idade recomendada: 2 anos

Uma Princesa Nada Boba

Texto: Luis Antônio

Ilustração: Biel Carpenter

Idade recomendada: 5 anos




Problemas Boborildos

Texto e ilustrações de: Eva Furnari

Idade recomendada: 7 anos

Alice no Telhado

Texto e ilustrações: Nelson Cruz

Idade recomendada: 5 anos


Árvores do Brasil: Cada Poema no Seu Galho

Texto: Lalau

Ilustrações: Laurabeatriz

Idade recomendada: 5 anos


Mil e Uma Estrelas

Texto e Ilustrações de: Marilda Castanha

Idade recomendada: 3 anos



Pedro Noite 

Texto: Caio Riter

Ilustração: Mateus Rios

Idade recomendada: 5 anos


Ops

Texto e Ilustração: Marilda Castanha

Idade recomendada: 1 ano


Eu Ví

Texto e ilustração: Fernando Vilela

Idade recomendada: 2 anos


Achei

Texto e ilustrações:Angela -Lago e Zoé Rios

Idade recomendada: 2 anos


Sapo Ivan

Texto e ilustrações: Henfil

Idade recomendada: 2 anos


Branca de Neve e as Sete Versões

Texto: José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta

Ilustrações: Bruna Assis Brasil

Idade recomendada: 4 anos



Museu Desmiolado

Texto: Alexandre Brito

Ilustrações: Graça Lima

Idade recomendada: 7 anos










Amanhã, faço aqui as minhas recomendações de leitura infantil

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Segunda-feira poética: Olegário Mariano

Crepúsculo de Junho


A saudade do  Sol vibra nas folhas tenras
E as alamêdas têm retos de mocidade...
Ainda se ouver um rumor de assas que já fugiram.
As árvores estão chrando de saudade
Pelas últimas folhas que caíram...

Há sombras na água... O poente é ouro velho
                                                            [diluido
E a paisagem perdida em meia tinta,
Tem sombras imperfeitas e bizarras...
Sente-se muito ao longe, apagada, indistinta,
A música das últimas cigarras...

Com estas sugestões de crepúsculos tristes
Esta Elegia trêmulo rascunho...
dos meus olhos fugiu tôda Felicidade
Para sentir-vos, ó Crepúsculos de Junho,
Na vossa humana e intérmina saudade.

Foi preciso sentir e amar as árvores!...
Fui árvore também, vivi com elas,
Mas veio o outono, malsinado outono,
Deixando além de folhas amarelas,
A angústia da saudade e do abandno.

Por vós que humanizais a natureza,
Me ajoelho, me enterneço e me acabrunho.
Crepúsculos de Glória e de Beleza!
Que alegria sentir vossa tristeza
Por estas tardes lânguidas de Junho!

(Em: Toda uma vida de poesia vol. 1- págs 197,198,Ed.José Olímpio, 1957)

Nota: o leitor vai encontrar acento onde não existe bem como letra maiúscula
sem necessidade. A blogueira informa que isso se deve ao fato de ter mantido
a grafia original e que era dessa forma que se escrevia nas décadas de 40 e 50.

Sem poema, por enquanto

     Sei que hoje é dia de por um poema, se possível de Camões que é o aniversariante do dia. Acontece que não há nada mais bobo do que falar de um ícone.  Pois hoje, aliás, agora há pouco,  conheci um autor e uma palavra nova em inglês.  O doodle do Google de hoje, traz um autor infantil que também é ilustrador, ou ilustrador que também a autor, não sei bem. 
     É o Maurice Sendak, que faria 85 anos.   
     Autor de vários livros, porém, apenas  Onde Vivem os Monstros, tem edição em português. 
    
Desse livro, lançado em 1963, surgiu o filme em 2010, com direção de Spike Jonze. Maurice tem duas séries para TV: Os 7 Monstrinhos e O Pequeno Urso e ganhou em 1970 o prêmio Hans Christian Andersen.





sábado, 8 de junho de 2013

Crônica-cantada:Zeca Pagodinho

Normas da casa

Da próxima vez que quiser me visitar, avisa:
"vai lá". Mas avisa
Porque vou as normas da casa mudar
Quem não for amigo só entra de crachá
Pra moralizar, vou ter que mudar

Dessa vez foi demais, você trouxe a família
da sua vizinha
Comadre, compadre, cunhado, madrinha
Fizeram uma zorra lá no meu quintal, total
Sanfona, viola, cavaco, pandeiro
Rolou samba, forró, hip-hop, de tudo por lá

Babou! Chegaram bem na hora que eu ia almoçar
Que horror! Quando eu falei "servido",
um já estava em meu lugar
Sujou! Comeram e beberam quase tudo
Que povo mal-educado (lá foi meu frango com quiabo)
Que horror! Zoaram o dia todo, ninguém tinha disciplina
Sujou! Criança, velho e jovem se jogaram na piscina
Bastou! Quando a farra acabou já era noite
Não deu mais pra me segurar, mandei todo mundo vazar

Da próxima vez...

No dia seguinte fui fazer faxina
Caramba quase que enfartei
De tanta sujeira na minha piscina
Que a mãe de quem foi lá xinguei
Osso de galinha, pilha, dentadura, peruca, garrafa, carvão,
lotado de cerveja, maiô, camisinha, e uma cueca samba canção.
Bolinha de gude, chapinha cabelo a água tão amarelada
tava na cara que ali foi banheiro desaperto da rapaziada
Não diz que é mentira foi tudo filmado, só pra você dou perdão
Porém sua turma me deixou bolado nunca mais, nem no portão, ah não!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

De Mindlim pra todos nós...


"O vírus do amor ao livro é incurável, e eu procuro inocular esse vírus no maior número possível de pessoas."
José Mindlin

Este simpático velhinho é José Ephim Mindlim. Sobre ele já muito foi dito, principalmente quando de seu falecimento aos 95 anos em 2010.

Trago Mindlim agora porque quero lembrar o valor de compartilhar conhecimento de todo o tipo.  Este senhor não tinha nenhuma obrigação de desfazer-se de seu vasto acervo, que beirava 40 mil livros. A maioria das pessoas nem o conhecia ou sabia que ele tinha tanto livro e gosto pela leitura desde quando jovem.  Só pude ver um poema de Machado de Assis, escrito no original, como se escrevia no século XIX, por causa dele.  Mindlim fez, em vida, doação à USP de toda a sua biblioteca, para que ficasse acessível ao público.  Ele jamais iria saber quem leu ou deixou de ler. Saber que o que ele juntou por anos a fio iria servir a quem, de outra forma, jamais teria acesso a bons livros era o que importava.    Para quem é de ou está em São Paulo, pode visitar  a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, lá na USP.

Para quem precisar ou quiser visitar um acervo de excelente qualidade pode acessar o site da Biblioteca Brasiliana.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Festival RioMar de Literatura Pernambucana - dia 6

Encerra hoje, dia 6, o Festival RioMar de Literatura que está acontecendo no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura.  Quem não pode participar, deve aguardar para uma provável repetição no próximo ano.  Vamos torcer por isso.
 
Programação dia 6
 
14h - Poesia Pernambucana. Mesa redonda com mediação de Neilton Limeira e dbatedores: Dirceu Rabelo, Wellington Melo, Amaro Poeta.
Autores e livros estudados: 
Dirceu Rabelo
Edmir Domingues
Valdemar Lopes
 
16h - A Importância do Cordel Na Literatura Pernambucana -Palestra de Meca Moreno com os debatedores: Maria alice amorim e Luis Berto. Apresentação performática: Allan Sales.
 
17:30h - Cultura Judaica e Literatura Pernambucana - Palestras de Jacques Ribemboim,Tânia Kauffmann e Germano Haiut
 
19:30h - Aula Magna com Marcos Accioly, apresentação de Neilton Limeira

Festival RioMar de Literatura Pernambucana - Dia 5 de maio


Programação dia 5
14h  - Literatura Infantil - Debate e contação de história, coordenação de: Antônio Nunes "Tonton"
16h -  Quarta às Quatro - Coordenação de: Geraldo Ferraz, Apresentação teatral: Lepê Correia e o Kandela Etu
17:30h - Poesia Performática - coordenação de: Bernardete Bruto e Taciana Valença
Apresentação de performances poéticas.
18:30h - O Livro do Futuro, palestrante: Antônio Campos
19:30h - O Romance Pernambucano, mesa redonda com mediação de: Adilson Jardim. Debatedores são: Raimundo Carrero; Juan Pablo Martin; Veldenides Cabral Dias, Sidney Rocha e Cícero Belmar.
O Festival acontece no Teatro Eva Herz, Livraria Cultura. Entrada franca.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Festival RioMar de Literatura Pernambucana - dia 4

Programação
dia 4 (terça-feira)

14h - Discurso de abertura: Waldênio Porto (presidente da Rede das Academias de Letras do NE)
Depoimentos: Alexandre Santos (presidente da UBE)   e Jacques Ribemboim (pres. Movimento em defesa do livro e do autor pernambucanos)

15:30h - Cangaço, Tema Brasileiro Para o Mundo - Palestra de: Frederico Pernambucano de Melo com os debatedores: Geraldo Ferraz, Tarcísio Rodrigues e Carlos Newton Júnior

17h - O Fantástico na Literatura Pernambucana - Mesa redonda com mediação de André de Sena e os debatedores são: Roberto Beltrão e Mirella Izidro. Apresentação da peça: A Velha e os Gatos, com Geninha Rosa Borges.

18:30h - O Conto Em Pernambuco - Mesa redonda com mediação de: Francisco Mesquita e os debatedores: Anna Maria César, Jacinto Santos e Felipe Aguiar.  Os autores estudados são: Gilvan Lemos, Milton Lins, Everaldo Moreira Veras,Perseu Lemos.
20h - História na Literatura Pernambucana
Mediação: Claudio Pina e os debatedores são: Tácito Medeiros, Waldênio Porto, Alexandre Santos. Autores e livros estudados: Waldênio Porto - Olinda Abrasada
Alexandre Santos - Maldição e Fé
Jacques Ribemboim -Olinda Judaica
José Antônio Gonçalves de Mello - No Tempo dos Flamengos
Meraldo Zisman - Marranismo


Local: Teatro Eva Hertz, Shopping RioMar - Pina, Recife
Entrada franca.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Três Sonetos Positivos, Joaquim Cardozo

Eu te direi de amor em  frase nova:
Estátua na Ponte Maurício de Nassau.

Verbo que em si conduz a singulares
Emanações fatais de escura prova
Que é força de ambições crepusculares

Eu te direi da flor que se renova
Em frondes de segredos seculares
Surgindo da clausura de uma cova
Em mutações tranqüilas e lunares

Direi também de folhas, de aventuras
Levadas velozmente nas alturas
Dos ventos e das asas vencedoras:

Mas de tanto dizer fique o silêncio
Que é cinza de palavras e que vence
O surto de inverdades tentadoras.

II

Por senda escura uma visão me leva...
Em vez dos claros rumos da manhã
Sigo um caminho, um chão feito de treva,
De légua de colina e de rechã.

Em vez do alvor das nuvens que me enleva
Das nuvens de que a tarde é tecelã
Olho o vulto da noite que se eleva
Ouço o vento do mar na telha-vã

Da noite preta que me estende os ubres
De novo sorvo os meus sonhos insalubres
E o leite sugo de imprecisas mágoas.

Do mar que ao fim de tudo há de me ter
Se o meu ferido corpo merecer
O encerro, o encanto e o cântico das águas.

III

Sobre o meu coração dedos de luvas,
Dedos sutis de mãos consoladoras,
Roçaram leves num roçar de chuvas
De vento e de verão sobre lavouras.

Mas se um vinho mortal de eternas uvas
A embriaguez me trouxe, e, aterradoras,
Fulgurações de rútilas saúvas
Meu sangue percorreram, salvadoras,

As tuas mãos lacustres me envolveram,
E de águas matinais frescor me deram...
Mãos e que mãos tão lúbricas e brandas!

As cores das manhãs que me inundaram
Enfim bruma e fantasmas dispersaram
De noites brancas, lívidas, nefandas.


(Poesias Completas 2ªed.1979, Civilização Brasileira)

Nota: este blog coloca pela primeira vez na internet os Três Sonetos Positivos de Joaquim Cardozo.
Nota 1: o blog manteve a grafia original.


 



sábado, 1 de junho de 2013

Crônica cantada: Chá de Panela - Aldir Blanc

Chá de Panela 

Guinga e Aldir Blanc


Hermeto foi na cozinha
Pra pegar o instrumental :
Do facão à colherinha tudo é coisa musical.
Trouxe concha e escumadeira, ralador, colher de pau,
Barril, tirrina, e peneira - tudo é coisa musical.
Me convidou pra uma pinga, meu não pesou com dó,
Piscou um olho só, disse que eu tiro a seringa,
Que home que não bebe e nega mocotó,
Acaba quenga em vez de guinga, se veste de filó
Afrouxa o fiofó e o ferrão já nem respira:
Encolhe feito um nó
E vai ficar menó...
Assoprou numa chaleira, bateu numa bacia.
Jesus , ave Maria, era uma sinfonia!
Secador e geladeira entraram no compasso,
Dançou a farinheira, saleiro no pedaço e tudo era coisa musical,
Funil mandando: ôi! fogão gritando: uau!
Fez um chocalho de arroz e outro de feijão
No talo do mamão cortou a fruta que já vi tocá mais doce,
Irmão, direto ao coração.
Assoprou numa chaleira, bateu numa bacia...
Nesse chá de panela que eu senti a vocação:
Vi que música é tudo que avoa e rasga o chão.
Foi hermeto Paschoal que magistral me deu o dom de entender que
O lixo ao avião em tudo há tom
E que até penico da bom som se a criação é mais
Se o músico for bom