quinta-feira, 30 de maio de 2013

Poema desenhado por crianças

Próximo domingo dia 2 de junho a criançada, a partir de 8 anos, vai se esbaldar nas cores.  Iniciativa feliz da Casa Guilherme de Almeida, leva crianças  á Oficina de Ilustração.  Por meio de desenho e pintura os artistas infantis vão dar forma e cores à imaginação com base no poema Tênis, de Guilherme de Almeida.
 
Tênis
A titia
borda e espia
o gato branco, enroscado
no feltro verde da mesa
e acordado,
com certeza.
Um novelo
cai.  E, ao vê-lo,
o gato bate na bola
e a bola, branca de neve,
pula e rola,
fofa e leve…
Silenciosa,
vagarosa,
–  uma duas angolinhas…  –
a bola solta uma lenta,
longa linha
que se aumenta.
Pouco a pouco,
no mais louco
desnorteante corrupio,
a bola desaparece.
Mas o fio
Cresce… cresce


Como participar? inscrevendo-se pelos telefone 3673 1883 ou 3672 1391 ou por email: casaguilhermedealmeida@gmail.com
Onde fica? R. Macapá 187 - Perdizes
Idade: a partir de 8 anos
Quanto custa?  é grátis.


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Poderoso Theo, meu neto

       Por alguns dias, deixei o blog de mão.
     Qual razão eu teria pra ficar buscando poema, conto, crônica ou notícias postáveis se meu primeiro neto ia nascer? Seria parto natural, sem data marcada, portanto. Fui para São Paulo, levando lençóis de berço, de carrinho e cueiros. Ah, queijo de coalho e sombrinha de frevo também. Tá  certo, em embalagens separadas,tudo despachado. Bagagem de mão: Trident  para mascar evitando dor de ouvido no pouso, muita apreensão e o notebook. Viagem  zen quando os pensamentos voam junto e eu estava repetindo, noutra posição, uma história feliz.
     Sobrevoando o mar, conjecturei como seria aquele bebê. Misturei, em mais de uma alternativa,  traços do pai e da mãe lembrando ter feito o mesmo com meu filho sem nenhum acerto. Meu devaneio encurtou o tempo do voo.
Encontrei Theo naquele barrigão, cercado de sorrisos e esperança dos pais. Minutos depois, ainda no aeroporto de Guarulhos, chegaram e os outros avós vindos do Rio de Janeiro com o mesmo objetivo: ajudar e paparicar. 
      Contrações, mexidas, cansaço ... coisas normais de um evento normal. Nove dias depois, lá fui ver o bebê que não parecia com nenhuma das fisionomias que imaginei.
Devo dizer que sou meio esquisita: fico silenciosa e quieta diante do que me encanta e aquele bebê me encantou. Na verdade, Theo me paralizou. Não me deu vontade de falar, de apertar, de nada. Só de ficar quieta olhando pra ele. Olhar e calar e era tudo. Outra sintonia, tudo havia mudado, a vida pra mim já era diferente por causa dele. Já não sou mais de estardalhaços, demonstrações barulhentes de emoções. Hoje as maiores coisas emoções, principalmente elas, cabem dentro de um pacote de silencio e quietude. Foi assim comigo diante daquele rostinho ainda vermelho e inchadinho: silêncio.
    

Em casa, com ele nos braços,  conversei. Disse a Theo o mesmo que a meus filhos na mesma idade: da felicidade de tê-lo comigo, da importância de sua existência e do amor  que tenho por ele que é tão imenso a ponto de só caber no silêncio. Não lhe desejei nada, achei melhor plantar. Tal fiz com meus filhos, plantei em Theo semente de que ele jamais terá consciência mas que seguirá com ele  por muito tempo em silêncio, mas viva.
Dele trouxe o som de seu protesto em prol da mamanda salvadora, a sensação de pesinho nos meus braços e uma saudade tão danada  que várias coisas perderam completamente a importância. 
     A gente está sempre usando parâmentros para fazer caminhos e com sinceridade, não imaginava que um bebê pudesse ter tamanho poder. Vivendo e aprendendo: Theo, só na base da xixadinha, melhorou em muito minha percepção da vida. 
     Mais uns meses e a gente se encontra novamente, amiguinho.
    

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Prêmio Camões para Moçambique

África lusitana, na pessoa do biólogo escritor Mia Couto, venceu a última edição do Prêmio Camões de literatura, o mais importante prêmio literário  de Portugal. Tenho  a satisfação de dizer que conheci Mia Couto, aqui bem pertinho na UFPE. Claro que fiquei encantada.



Mia Couto na UFPE - Imagem Diário de Pernambuco


 Recomendo  Venenos de Deus, Remédios do Diabo (2008), só pra começar.    Para quem nunca se interessou pela literatura Luso Africana, alerto que está perdendo muita coisa surpreendente. Além dos premiados acrescento Ondjaki, Paulina Chiziane, Valter Hugo Mãe e  José Eduardo Agualusa, todos imperdíveis.

 Vencedores do Prêmio Camões:

2012 – Dalton Trevisan (contista brasileiro)
2011- Manuel António Pina (poeta, cronista, dramaturgo e romancista português)
2010 – Ferreira Gullar (poeta brasileiro)
2009 – Armênio Vieira (escritor de Cabo Verde)
2008 – João Ubaldo Ribeiro (romancista brasileiro)
2007 – António Lobo Antunes (romancista português)
2006 – José Luandino Vieira (escritor angolano; recusou o Prêmio Camões) *
2005 – Lygia Fagundes Telles (romancista brasileira)
2004 – Agustina Bessa Luís (romancista portuguesa)
2003 – Rubem Fonseca (romancista brasileiro)
2002 – Maria Velho da Costa (romancista portuguesa)
2001 – Eugénio de Andrade (poeta português)
2000 – Autran Dourado (romancista brasileiro)
1999 – Sophia de Mello Breyner Andresen (poeta portuguesa)
1998 – Antonio Candido (crítico literário e ensaísta brasileiro)
1997 – Pepetela (romancista angolano)
1996 – Eduardo Lourenço (crítico literário e ensaísta português)
1995 – José Saramago (romancista português)
1994 – Jorge Amado (romancista brasileiro)
1993 – Rachel de Queiroz (romancista brasileira)
1992 – Vergílio Ferreira (romancista português)
1991 – José Craveirinha (poeta moçambicano)
1990 – João Cabral de Melo Neto (poeta brasileiro)
1989 – Miguel Torga (poeta e romancista português)


Ah, esqueci de dizer: Mia Couto é correspondente da Academia Brasileira de Letras na África.  Palmas pra ele.


*Em 2006 Luandino recusou o prémio alegando, segundo um comunicado de imprensa, «motivos íntimos e pessoais». Entrevistas posteriores, sobretudo ao Jornal de Letras, esclareceram que o autor não aceitara o prémio por se considerar um escritor morto e, como tal, entendia que o mesmo deveria ser entregue a alguém que continuasse a produzir. Ainda assim publicou dois novos livros em 2006.

Fontes: Estadão,wikipedia,Liv.Saraiva.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Príncipes da Poesia - final - Paulo Bomfim

Este blog explicou a razão da denominação "príncipe dos poetas".  Copiei parte da primeira postagem explicativa e encerro a série com Paulo Bomfim o 6° e atual príncipe brasileiro.

  Famosa revista carioca do início do século passado, a Fon Fon, numa iniciativa inteligente, fez votação entre os intelectuais da época para escolher quem seria o príncipe da poesia brasileira.
Era o ano de 1907 e o eleito foi Olavo Bilac. Quase duas décadas depois, em 1924 a mesma FonFon, repete a eleição e o novo príncipe é o paulista Alberto de Oliveira em seguida a revista escolhe Olegário Mariano, em 1938. A revista FonFon saiu de circulação em 1958. Olegário Mariano teria sido o último príncipe dos poetas se, nesse mesmo ano, o jornal carioca Correio da Manhã, não tivesse dado continuação à iniciativa da revista.
Guilherme de Almeida, foi eleito pelo jornal o quarto príncipe dos poetas brasileiros. 24 anos depois, em 1982,ainda o Correio da Manhã, escolhe Menotti Del Picchia. Já sem o Correio da Manhã é a vez da Revista Brasília eleger o sexto poeta do principado e o título em 1991 é dado a Paulo Bonfim, com quem está até hoje. ( LivroErrante, 12.11.2012)



Se Me Perdi

Em vícios de encantação
As realidades virtuais
Despetalaram velames
Nas amuradas do cais.

Foram dias, foram noites
Onde de mim me perdi,
Houve luxúria de opalas
E cilícios de rubi. 

Fui caminhando esquecido
No bojo de meus enigmas,
E as ametistas floriram
Na ramagem dos estigmas. 

Se me perdi foi apenas
Motivo de me encontrar,
No vôo de tantas penas,
Meu silêncio e a voz do mar.

*
*
 
Algumas obras do autor:
 

(Fontes: Wikipedia, Google, Página do autor e Livraria Cultura)
 
 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Carlos Pena Filho 84 anos

 Hoje, Carlos Pena Filho completaria 84 anos



PARA FAZER UM SONETO

Tome um pouco de azul, se a tarde é clara,
e espere pelo instante ocasional.
Nesse curto intervalo Deus prepara
e lhe oferta a palavra inicial.

Aí, adote uma atitude avara:
se você preferir a cor local,
não use mais que o sol de sua cara
e um pedaço de fundo de quintal.

Se não, procure a cinza e essa vagueza
das lembranças da infância, e não se apresse.
Antes, deixe levá-lo a correnteza.

Mas ao chegar ao ponto em que se tece
dentro da escuridão a vã certeza,
ponha tudo de lado e então comece.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Quarta-feira é dia de crônica de Paulo Bomfim



Magdalena
     Tia Magdalena é das melhores lembranças que trago da infância.
      Foi companheira e confidente das travessuras do menino solitário rodeado de gente muito mais velha e dos altos muros que cercavam a casa dos avós na Vila Buarque.
      Colecionamos juntos marcas de cigarros que recebíamos das visitas, e, depois, no porão da casa, acabávamos sempre fumando toda a coleção.
      Essencialmente musical, escrevia bem e tinha o dom da sátira. Imitava com muita graça os outros; e os poemas onde retrata as fraquezas e o ridículo de pessoas e situações são peças dignas de serem assinadas por um Moacyr Piza ou por Juó Bananere.
      Ao lado desse aspecto curioso da personalidade, foi durante alguns anos a melhor aluna de piano de Marieta Lion.
      A peça “Noite de São Paulo” de Alfredo Mesquita, encenada no Municipal em 1936, é o divisor de águas de sua vida artística. Desaparecia nesse momento a pianista para surgir em seu lugar a grande cantora.
      Começou estudando com Mademoiselle Bourron, passando a seguir a discípula querida de Vera Janacópolus, irmã de Adriana Janacópolus a escultora que fez aquela cabeça de soldado constitucionalista existente no pátio da Faculdade, no Largo de São Francisco.
      Iniciava-se a carreira da artista que seria a intérprete preferida de Villa-Lobos, Camargo Guarnieri e Mário de Andrade.
      Este último, voltava a conviver com nossa família depois do protesto de meus tios Guilherme e Carlos, do primo Carlos Pinto Alves, de Getúlio Paula Santos e colegas da Faculdade de Direito, no Municipal em 22, durante a Semana de Arte Moderna.
      Paralelamente à música, repetia-se com tia Magdalena, o mesmo drama de desencontros ocorrido com sua tia Alice, meio século antes.
      Ambas se apaixonaram por diplomatas que partiram sem as amadas que não tiveram coragem de deixar os pais enfermos.
      Tia Alice e o embaixador Carlos Magalhães de Azeredo, e tia Magdalena e o embaixador Pytiguar Fleury de Amorim, irmão de sua cunhada Yacyra, casada com o poeta Carlos Magalhães Lebeis.
      Quando Pytiguar ingressou na carreira diplomática, meu avô Sebastião passava muito mal. O casamento com o jovem diplomata foi sendo protelado, protelado, e acabou não saindo nunca.
      Na Argentina, em Portugal, em Liverpool e, posteriormente, em Londres, Pytiguar esperou inutilmente por Magdalena.
      Passou a guerra numa Inglaterra bombardeada, sonhando com alguém que não chegava. Um dia, em dezembro de 48, o coração do embaixador não resistindo a tanta ansiedade, pára de bater em Londres. Seu corpo embalsamado recebe no Rio de Janeiro as honras do Governo e do Itamaraty.
      Tempos depois, o menino Fernando aguardava na sacada de seu apartamento na Rua Cândido Gaffrée, na Urca, o momento em que o navio trazendo da Inglaterra, móveis, livros, quadros e prataria do tio, entraria na Guanabara.
      De longe o vapor vinha se aproximando e meu primo em seu posto de observação informava a família os detalhes da chegada daquela embarcação da Mala Real Inglesa.
      Subitamente grita:
      – Venham ver, o navio está passando aqui em frente e seu nome é Magdalena!
      O Magdalena atracou. Grandes caixotes com seu nome impresso na madeira foram descarregando no porto as lembranças do embaixador.
      Quando o Magdalena, prosseguindo viagem, atravessa novamente a Baía de Guanabara para rumar para Buenos Aires, ocorre então a coisa mais fantástica. Sem mais nem menos, parte-se ao meio e desaparece em poucos minutos!
       O mar unira Magdalena a Pytiguar.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Crônica cantada: Samba do Arnesto

Adoniran Barbosa, foi um cronista da cidade onde nasceu. Cantou São Paulo com carinho, sotaque e humor italianos.



O Arnesto nos convidou pra um samba, ele mora no Brás
Nós fumos não encontremos ninguém
Nós voltermos com uma baita de uma reiva
Da outra vez nós num vai mais
Nós não semos tatu!
No outro dia encontremo com o Arnesto
Que pediu desculpas mais nós não aceitemos
Isso não se faz, Arnesto, nós não se importa
Mas você devia ter ponhado um recado na porta
Um recado assim ói: "Ói, turma, num deu pra esperá
Aduvido que isso, num faz mar, num tem importância,
Assinado em cruz porque não sei escrever"

Arnesto

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Segunda-feira poética: Paulo Leminski

Para Que Leda Me Leia
Leda e o cisne, Paul Prosper Tillier - 1860


       para que leda me leia
precisa papel de seda
       precisa pedra e areia
para que leia me leda

       precisa lenda e certeza
precisa ser e sereia
       para que apenas me veja

       pena que seja leda
quem quer você que me leia

domingo, 5 de maio de 2013

ABL nos morros e quarteis



            Nem só de pompa vive a Academia Brasileira de Letras.  Homenageando o poeta baiano Castro Alves a instituição levou livros às comunidade pacificadas e quarteis do Rio de Janeiro no programa "Livros à Mão Cheia" .  Ana Maria Machado, presidente da ABL, João Ubaldo Ribeiro, Ariano Suassuna e Alberto Costa e Silva e outras personalidades da literatura brasileira se fizeram presente na ação divulgadora da leitura. 

(Fonte: Revista Isto É, maio, ed.2267)



sábado, 4 de maio de 2013

Shakespeare em Minas Gerais

     Acabei de saber que em Londres existe um teatro que recria com perfeição o palco onde eram encenadas as peças de Shakespeare. Chama-se Shakespeare's Globe
     Construido em 1599, foi destruido por um incêndio, esteve fechado depois de reconstruido, mas na atualidade está em funcionamento exibindo peças, mantendo exposição educativa, lojinha temática etc. 
     Pois bem, o Brasil, mais precisamente a pequena cidade de Rio Acima, região metropolitana de
Belo Horizonte, MG vai ser presenteado com a construção da única  réplica do Shakespeare's Globe fora de Londres.           
     Nossa réplica mineira que vai ter 1500 lugares, foi conquista do ator e produtor  Mauro Maya.
     O globo de Shakespeare brasileiro vai fazer o país brilhar em 2016 quando o mundo celebrará os 400 anos da morte do grande dramaturgo.


(Fontes:Revista Isto É,maio ed.2267; wikipedia,Google)

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Bibliotecas abandonadas no Recife



       Foi na Biblioteca do Bairro de Afogados que li quase toda a obra de Érico Veríssimo e me iniciei em Graciliano Ramos. Tudo bem, isso faz tempo eu era adolescente, mas falo porque do jeito que me serviu imensamente naquela época, poderia ter continuado servindo mais e melhor a todos até hoje. Os novos livros poderiam continuar  sendo bem cuidados como era bem cuidado o acervo daquela época. Dona Magdalena Arraes, que doou livros às duas bibliotecas: Afogados e Casa Amarela, quando da época do exílio de sua família, ficaria chocadíssima com o descaso e abandono em que se encontram as   duas unidades atualmente.
Segundo vejo nos jornais, uma das bibliotecas está sem gestor desde o ano passado. Tanto em Afogados quanto em Casa Amarela há Infiltração no teto danificando os livros no período chuvoso,  os exemplares apresentam mofo, há livros espalhados até pelo chão por falta de espaço. O período de funcionamento de uma delas foi reduzido porque parte do teto desabou. São muitas as provas de abandono. É lamentável saber sobre isso, porém não me surpreende posto que em 2011, um dos funcionários de Casa Amarela, já havia me contado a respeito acrescentando, inclusive, não ter esperança de ver melhorar.  Não melhorou.

 
Fonte: Jornal do Commercio 01.05.2013
Imagens:Bobby fabisak/JC

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Conversinha com Theo, Regina Porto






Theo, 
   Estou aqui na sua casa desde sábado. Gosto de vir para cá, embora  não goste exatamente de sua cidade. Sobre isso a gente conversa daqui mais adiante. Temos tempo. Encontrei, ainda no aeroporto,o Vô Murica e Vorinha,que é como provavelmente você vai chamar os pais de sua mãe tão logo passe  a fase de trocar o V pele B, do simpático bobô e bobó.             
          Viemos com alguma antecedência para auxiliar sua mãe em alguns afazeres, só não sei se estamos sendo eficientes porque o que mais fazemos é conversar.  Theozinho, você não faz ideia  do que  e do tanto que se conversa à beira da mesa de sua sala de jantar. Sem dúvida que você  sempre é um dos assuntos, mas  falamos das coisas mais malucas. Rimos muito, muito mesmo.                  
Tem sido ótimo, estou muito satisfeita de ter vindo. Ontem fomos com sua mãe, lá pros lados da Av.Paulista, lugar que me agrada muito.  Dentre outras coisas, sua mãe foi  enfeitar-se. Mudou um pouco os cabelos, ficou mais bonita. 
         Estou falando isso pra dizer  que seu pai deu um “dia de madame” pra ela. Foram eles que me contaram.  Gostei de saber  e ver com que carinho seus pais cuidam um do outro.  Fugindo à cultura nordestina, não  acho que homem possa tudo incluindo desleixar da mulher, por isso me satisfaz imensamente ver o quanto seu pai participa de sua casa, preocupa-se e valoriza sua mãe.  Você vai ficar feliz também.  Eles estão se cuidando pra si e pra você também.  Estamos certos de que você nasce ainda nesta semana e sua mãe apressou-se em enfeitar-se pra você. Ela nem sabe que seu nascimento, por si,  vai embelezá-la. 
       Ontem, ainda de manhã, fomos a uma feira livre aqui perto de sua casa. Saí encantada. Gosto desse tipo de comércio por causa do colorido e aroma das frutas. Sua mãe comprou flores  e enfeitou a casa.  Na noite passada jantamos tarde, depois que sua mãe chegou da aula de inglês, e, como sempre, ficamos todos conversando à mesa.  Enquanto seus pais e nós, os avós, provávamos uma grapefruit,  você se mexeu mesmo já não tendo mais muito espaço. Fomos deitar  já muito tarde, 3:20 da manhã de hoje. Somente agora sua mãe está tomando café da manhã.  Continuo achando que a comissão de avós vinda do Rio de Janeiro e do Recife,só tumultuou sua casa. Agora, que estamos contentes, estamos sim. 
       Você nem sabe, mas já me fez conhecer  pessoas  do bem e agradabilíssimas e está nos proporcionando momentos felizes.  Como disse  de forma assim meio misturada, enquanto você não chega, estou me divertindo e observando a primavera fora de época que você provocou. Bom, não?