segunda-feira, 29 de abril de 2013

Segunda-feira poética: Camões

Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.

in "Sonetos"

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Blogueira temporariamente afastastada

Amigos,

Estou afastada do blog porque a operadora GVT, que uso para internet e telefone, não fez, até o momento, instalação no meu novo endereço. 
Amanhã viajo para São Paulo, onde vou aguardar a chegada de meu primeiro netinho. Momento de festa em minha vida. As postagen só voltarão a ser feitas regularmente no final do mês de maio.
Enquanto isso, fiquem descobrindo postagens antigas que é para o acesso não cair.
Abraço a todos.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Segunda-feira dos autores aniversariantes de Abril

Em abril aniversariam Monteiro Lobato,Manuel Bandeira e Augusto dos Anjos

Dia 18 de abril, é o dia nacional do Livro infantil, numa homenagem justíssima a Monteiro Lobato o aniversariante da data. Sobre o assunto, o blog já tem matéria postada. Ah. Lobato faria 131 anos.

Manuel Bandeira, de tão conhecido, a gente nem lembra que ele nasceu há 127 anos!! É o autor de um dos poemas mais conhecidos, Pasárgada. Falar nisso,  Onde fica Pasárgada?

Imagem do Google
Por fim chego em    Augusto os Anjos, o dono do dia 20. O paraibano, conhecido por explorar os temas morte e termos científicos, pode ser pesquisado aqui.
Abaixo um poema do livro Eu,  com a grafia usada por Augusto dos Anjos em 1912.

Psicologia de um Vencido

Eu, filho do carbono e do ammoniaco
Soffro, desde a epigénesis da infancia
A influencia má dos signos do zodiaco.

Profundissimamente hypocondríaco
Sobe-me á bocca uma ancia análoga á ancia
Que se escapa da bocca de um cardíaco.

Já o verme - esse operário das ruinas -
Que o sangue  podre das carnificinas
Come, e a vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabellos,
Na frialdade inorgânica da terra.




Venho postando textos originais para que os mais jovens vejam como se escrevia antigamente e compreendam  que nossa língua (como as demais) muda com o passar dos anos. As mudanças são permanentes porque a língua é algo vivo. Evolui e modifica-se acompanhando todas as influências de seus falantes.

sábado, 20 de abril de 2013

Crônica cantada: Roupa Nova

 
Sábado
Zé Alexandre e Tavico
       
Sábado eu vou à festa
vou levar meu violão
Vou cantando uma canção que'u decorei
Sábado eu vou à festa numa nuvem de algodão
E entre estrelas vou abrir meu coração
E vou encher de vagalumes teus cabelos
e respirar o ar do céu vou
Eu quero o céu e vou com guizos nos sapatos
Minha roupa em farrapos coloridos
Vou rasgar
E vou dançar entre os cristais azuis do tempo
E esquecer a terra longe,
longe, longe a se perder
Sábado eu vou
Sábado eu vou
Sábado eu vou ...



Nota: Se houver incorreção na autoria, por favor informe.Obrigada

         

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Capa de livro: ache uma mais bonita!

Cangaço, cangaceiros, Lampião. Não tenho o menor interesse por nada disso, confesso até uma certa antipatia pelo assunto. Porém há algum tempo entrei numa livraria e, de cara, encontrei Estrela de Couro, A Estética do Cangaço. Uma capa belíssima me obrigou  a folhear o livro sentada numa salinha. Continuo não gostando do assunto tanto quanto continuo extasiada com a beleza da capa. Aliás, todo o trabalho gráfico é primoroso.   Vejam:
Autor: Frederico Pernambucano de Mello
Capa e projeto gráfico:Lena Beauty e Raimundo Gadelha

Qual é a sua bela capa de livro?

quinta-feira, 18 de abril de 2013

História bonita: Lúcia, formada pedagoga aos 74 anos

D.Lúcia Santina Dresch - imagem: Gazeta do Povo
Minhas mãos estavam trêmulas. Olhava para aquele lugar e não conseguia encontrar um canto para acalmar minha ansiedade. Estava sozinha. A mulher que me recebeu na secretaria da faculdade não imaginava que estava ali para falar de mim, do meu maior sonho. Aos 71 anos, fiz minha inscrição para o vestibular de pedagogia. E passei.

Nasci em 1931, em Arroio do Meio, interior do Rio Grande do Sul. Sou a filha do meio de cinco mulheres de uma família simples. Logo cedo pedia para estudar, como alguns vizinhos faziam. Não existia ensino público. Era preciso pagar. Minha mãe não via valor nos estudos, só na enxada. Meu pai queria realizar nossos sonhos. Com o apoio dele, aos 8 anos entrei na escola.

Para não me atrasar, acordava quando nem havia sinal de sol. Trocava de roupa na penumbra. O trajeto para a escola resumia-se a uma trilha, no meio do mato. Quando chovia, ia a pé com outras crianças. Quando não, a cavalo. Não perdia uma aula. Queria conhecer o mundo além da trilha da minha casa até a escola. Na volta para casa, almoçava e ia ajudar meu pai na lavoura. Só conseguia voltar aos livros à noite. Meu pai acendia o forno a lenha para eu ler.

Na minha formatura da 4ª série, fui a primeira aluna da sala. Ganhei de presente um livro de histórias e uma caixa de bombons. Nunca tinha comido chocolate, nem provado o sabor de uma conquista. Uma das professoras notou meu interesse e se ofereceu para ajudar a arcar com meus estudos. Eu teria de morar na casa dela, porque a escola era longe do nosso sítio. Fiquei fora de casa por uma semana. Não aguentei de saudades.

Logo depois, mudamos de cidade, e não existia um centro de ensino próximo. Naturalmente, a vida me levou de volta para a roça. Casei aos 16 anos. Tive oito filhos. À procura de terras férteis, fomos para Quatro Pontes, no Paraná, onde moro até hoje. Criei minha família com o trabalho na lavoura. Quis que todos os meus filhos estudassem. Nunca abandonei a vontade de voltar a frequentar uma sala de aula.

Aos 69 anos, soube de uma campanha da prefeitura para que os moradores voltassem a estudar. Meus filhos eram independentes, e eu viúva. Não tinha compromisso com mais ninguém. Decidi encarar o desafio. Peguei carona com um vizinho e, sem dar satisfação a nenhum filho, fiz a inscrição no supletivo para completar o ensino fundamental e o médio. Foram dois anos.

Ali, descobri que me faltava uma faculdade. Alguns filhos, percebendo minha motivação, propuseram pagar para mim. Prestei vestibular para pedagogia aos 71 anos. Passei na primeira chamada. Fui muito ajudada durante todo o curso pelos meus colegas de sala, que tinham idade para ser meus netos. Até lugar no ônibus da volta eles reservavam para mim. Nos três anos do estudo, faltei dois dias porque o ônibus passou mais cedo. Na formatura, meus filhos aplaudiram de pé minha conquista. Lancei um livro com minhas memórias para agradecer a todos que me apoiaram. Com esse curso, vou ajudar meus 17 netos e 12 bisnetos a encontrar prazer nos livros. Ajudo os que estão por perto em casa a estudar. Uso Skype e Facebook para manter contato com os que moram longe."


(Revista Época)

Sobre o livro: Memórias e Tajetória de Uma Vida, clique aqui.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Quarta-feira é dia de: Luis Fernando Veríssimo

O Estranho Caso da Repórter Que Perguntava

Imagem: Google
Meu nome é Mort. Ed Mort.detetive particular. É o que está no diploma.Fiz o curso por correspondência.Foi difícil.Tive que subornar o carteiro para passar. Meu escri fica numa galeria, entre uma loja de carimbos e uma pastelaria, É difícil distinguir os pastéis dos carimbos, os pastéis são os que deixam a mão preta. Eu tinha o tório também, mas subaluguei. Essa galeria é tão mal frequentada que os assaltantes não dizem mais: "É umassalto." Dizem: 'É outro". Divido o escri com cento e dezessete baratas e um ratão albino. O ratão às vezes desaparece, mas sempre volta. Por isso eu o chamo de Votaire. Sou duro. Meus credores sabem disso. Mesmo assim insistem em cobrar. Sorrio para um lado. Às vezes para o outro. Tenho o bigode que Thuran Bey usou pela última vez em O Califa de Bagdá.  Era tão falso que depois de uma cena de  beijo ele passou para a Maria Montez.
Mort. Ed Mort.
     Eu estava no meu escritório, pensando no que iria almoçar, algum dia,  quando ela entrou. Se era bonita?
No dia em que Deus fizer uma exposição de sua obra, põe ela na capa do catálogo. E falava!
     - Mort. Ed Mort?
     - Em carne e, principalmente, osso.
     - Estou interrompendo alguma coisa?
     - Só o meu rítimo cardíaco, beibi.
     Senti uma certa inquietação entre as baratas. Elas odeiam estes diálogos. Ela se identificou. Era uma repórter.Queria me entrevistar.Eu disse para ela se sentar.Ela olhou em volta. Onde? Sugeri o meu colo. Ela interpretu mal. Pensou que eu estivesse propondo alguma  intimidade. Preferiu ficar de pé.
     - Qual é a sua origem, Mort?
     - Eu saí do nada.
     - Uma infância pobre?
     - Não. A cabeça do Veríssimo.
     - E ele criou você do nada?
     - Você não conhece o Veríssimo. Sou uma paródia literária. Phillip Marlowe, Sam Spade. Esses caaras.Címicos, mas sentimentais. frases curtas como o cano do seu 38.Você os conhece.
     - Não vejo nenhuma arma.
     Com  um gesto rápido que a assustou, saquei o talão da loja de penhores onde está a minha arma. Logo a tranqüilizei, no entanto. Não pretendia usá-lo. Repus o talão no coldre.
     - Você é um típico detetive daliteratura policial americana...
     - Acertou, pequena. Vejo que essa cabeça não está aí só para decoração.
     - Mas o Veríssimo fez você brasileiro.
     - Ainda o pego por isso.
     - Você antes saia só em textos. Depois virou história  em quadrinhos. O Miguel Paiva foi quem lhe deu essa cara.
     - Ainda o pego por isso também.
     - Você vive se metendo em aventuras que acabam mal. Tem um código de honra particular mas ainda não conseguiu decifrá-lo. Disse certa vez que de tanto passar fome ainda chegaria a um estágio superior de percepção metafísica e esperava que lá tivesse um MacDonald's. Na cama é violento, incansável, um verdadeiro atleta -tem o sono agitado, que nenhuma mulher quer dormir com você.
      - Se você sabe tudo isso, por que a entrevista?
      - A entrevista  é imaginária. Só um truque par encher este espaço até aqui.
      - Hmm. Você conhece o Veríssimo.

(Em: Pai Não Entende Nada, 1991)

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Segunda-feira poética: Ode Sobre a Desigualdade.

 Com a mãe, dia do resultado do vestibuar
                             

Alcides no laboratório de biomedicina










“Este poema é uma homenagem a um Alcides muito pobre  porém muito inteligente que decidiu buscar um espaço nessa sociedade excludente quando um tiro dado por outro “Alcides” qualquer obstou o seu caminho em busca da felicidade e de algum lugar ao sol”.   De: Antonio Francisco dos Santos Filho


Nome: Alcides dos Morros Favelado da Silva.
Como tantos outros moradores pobres dessa urbe ferida
Que o destino, aleatoriamente, parece, decidiu jogar nos cafundós dessa vida,
Para, sem berço e sem sorte,
Irem lutando diuturnamente contra os assaltos da morte.



Êta azar da gota nascer desse jeito!
Preto, pobre, sem manta e sem leito,
Num casebre qualquer, de taipa ou madeira,
Muitas vezes de parto difícil,
De qualquer ajuda sempre carece,
Em cima de uma rede rota ou de uma esteira
Ou numa maternidade qualquer do INSS
Mas sempre sem eira nem beira.


A mãe, tendo que cuidar de uma ruma de filhos,
Segue inquebrantável varejando a sua sina,
Doméstica, lavadeira, catadora de lixo, operária...
Não importa, é uma batalhadora incansável,
E será sempre uma verdadeira heroína
Que vai seguir tentando dar à sua prole aquilo que a sociedade desavergonhadamente lhe tira.

 
Não há muito a fazer
A não ser lutar e lutar, e como luta essa gente!
Uma luta inglória, incessante, incongruente,
E os “Alcides” vão nascendo num rito de penúria
Com esse destino insano só a eles circunscrito,
Pois os abonados, bem nascidos,
Não conseguem ouvir nem compreender
Seus lancinantes gritos, nem seus dolorosos prantos.


Esses “Alcides” vão seguir destinos diferentes,
Alguns, trabalhadores braçais para sempre,
Outros, ladrões, traficantes, viciados, indigentes...
Filhos bastardos dessa sociedade indecente
Que os aprisiona nessa triste casta de excluídos permanentes.

 
Mas a natureza na sua imensurável bondade
Resolve prover alguns desses “Alcides” de algum divino dom
Dando-lhes sem cobro aquilo que lhes tira a sociedade
E mudando do seu triste fado o tom;
Vai lhes imbuir, assim, de uma nova dignidade,
Surgindo desse modo os “Alcides” médicos, advogados, professores, padres...
Como se a vida fosse um simples golpe de sorte,
Deixando os omissos, atônitos, acreditando que tal fato seja um milagre de porte.


Quantos desses “Alcides”, um dia, conseguirão ser gente?
Pois não há espaço para todos no reino da desigualdade,
Talvez, com um punhado de fé e a divina fidelidade,
Possam os “Alcides”, bem crentes, obterem as oportunidades perdidas pelos descrentes.
E com essa divinal caridade
Alcançarem o sucesso tão pleiteado nessa sociedade exigente.


Ou talvez com submissão, fé e bondade,
Acatando as esmolas e indulgências dessa cristã sociedade, possam os “Alcides”, numa outra vida, finalmente, serem premiados com o tão almejado reino de justiça e igualdade.
Pois aqui, nesta terra, é de fazer dó,
De tão injusta e cruel, a luta pela felicidade e por um pequeno lugar ao sol!
 



 Nota (1): Alcides morreu um semestre antes de se formar biomédico. A UFPE, concedeu diplomação simbólica ao estudante no dia da colação de grau em dezembro de 2011.
 Nota (2):  As três filhas de D. Maria Luiza, são também estudantes da UFPE. Ana Paula cursa Farmácia, Andrezza cursa Publicidade e Andréa faz Adinistração.

domingo, 14 de abril de 2013

Hoje é dia de Volpi

    
  Volpi não era escritor, todos nós sabemos. Está aqui hoje porque através de Ana Maria Machado e de Nereide S. Santa Rosa / Ângelo Bonito  as crianças poderão conhecer o grande pintor ítalo-brasileiro que hoje faria 117 anos.

Theozinho: quando você passar da fase de ler com os dentinhos, nós vamos ver esses dois livrinhos, palavra de Regivó,combinado? 





Crianças Famosas - Volpi
Autor:  Nereide Schilaro Santa Rosa
Autor: Ângelo Bonito
Coleção: Crianças Famosas
Editora: CALLIS






Era Uma Vez Três
Autor: Ana Maria Machado
Autor: Alfredo Volpi
Coleção: Arte para criança
Editora: Berlendis & Vertecch

6 Perguntas Sobre Volpi
Autor: Rodrigo Naves
Autor: Lorenzo Mammi
Autor: Sonia Salzstein
Editora: IMS
Assunto: Artes - Teoria e história  (Adulto)

sábado, 13 de abril de 2013

Crônica cantada: Lenine

Raposa e as Uvas, ficou muito melhor com Lenine. É a crônica cantada de hoje... O autor canta uma temática jovem dos anos 50 e 60

Lembro com muita saudade
Daquele bailinho
Onde a gente dançava
Bem agarradinho
Onde a gente ía mesmo
É prá se abraçar...


Você com laquê no cabelo
E um vestido rodado
E aquelas anáguas
Com tantos babados
E você se sentava
Só prá me mostrar...


E tudo que a gente transava
Eram três quatro cubas
Eu era a raposa
Você era as uvas
Eu sempre querendo
Teu beijo roubar...


E por mais que você
Se esquivasse
Eu tinha certeza
Que no fim do baile
Na minha lambreta
Aquele broto bonito
Ia me abraçar...


Quando a orquestra
Tocava "Besame Mucho"
Eu lhe apertava
E olhava seu busto
Dentro do corpete
Querendo pular...


Eu todo cheiroso
À "lancaster"
E você à "chanel"
Eu era um menino
Mas fazia o papel
Do homem terrível
Só prá lhe guardar...


E tudo que a gente transava
Eram três quatro cubas
Eu era a raposa
Você era as uvas
Eu sempre querendo
Seu beijo roubar...


E por mais
Que você se esquivasse
Eu tinha certeza
Que no fim do baile
Na minha lambreta
Contente prá casa
Eu ia te levar...


E ao chegar em tua casa
Em frente ao portão
Um beijo, um abraço
Minha mão, tua mão
Com medo que o velho
Pudesse acordar...


A pílula já existia
Mas nem se falava
Pois nos muitos conselhos
Que tua mãe te dava
Tinha um que dizia:
"Só depois de casar"...


E tudo que a gente transava
Eram três quatro cubas
Eu era a raposa
Você era as uvas
Eu sempre querendo
Teu beijo roubar...


E por mais
Que você se esquivasse
Eu tinha certeza
Que no fim do baile
Na minha lambreta
Aquele corpo bonito
Ia me abraçar...


Tudo que a gente transava
Eram três quatro cubas
Eu era a raposa
Você era as uvas
Eu sempre querendo
Teu beijo roubar...


E por mais
Que você se esquivasse
Eu tinha certeza
Que no fim do baile
Na minha lambreta
Aquele corpo bonito
Ia me abraçar...


 

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Li e recomendo : Atado de Ervas,

Por intermédio de Suzie Cafruni, conheci Atado de Ervas de Ana Mariano.  A autora gaucha,em seu romance de estreia, contou a saga de umas familias que viviam  no Rio Grande do Sul, alí na fronteira com o Paraguai.  A autora romanceia a realidade dos estancieiros que dependem da natureza por que dela dependem as safras, as criações, os casamentos.  Getúlio Vargas  entra na narração, como assunto de discussão entre os moradores de São Borja, alguns criticando o povo por aceitar um ditador, outros indiferentes por acharem que não haveria mudança em suas vidas com a vitória ou derrota de Vargas. As vidas narradas pela autora não apresentam nada de especial. O rádio era o único veículo de comunicação e logicamente, quem dava os assuntos das conversas. São
nascimentos com suas expectativas naturais, casamentos desejados e não acontecidos outros acontecidos por solidão, outros bem sucedidos, amor homossexual num tempo em que nem se cogitava sobre o assunto, jovens iniciando-se em tudo, mulheres sem opção de vida, outras mulheres determinando seus próprios caminhos... Como disse, nada excepcional. Uma história universal e simples e é justamente na
simplicidade que está o banho que a autora dá.  Ana Mariana põe lirismo, bom humor, realismo e capricho  no simples. Está aí a diferença. A narração é absolutamente cativante. Dar diferencial ao simples é para poucos talentosos.  Ponto para Ana Mariano.  Se alguém leu e não gostou, atire a primeira pedra.


Ana Mariano
L&PM

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Quarta-feira é dia de: Redação Escolar, Fernando Farias


     
Quando a lua acorda vira um sol que fica deslizando por cima das nuvens.
      As nuvens são os sonhos acumulados das crianças que o vento segura no céu.
Quando juntam muitos sonhos ficam escuras, surgem os pesadelos com raios e trovões e começa a cair em gotinhas de água. O substantivo coletivo das gotinhas chama-se chuva.
Quando a chuva cai fere a terra que geme e solta um cheiro gostoso de terra molhada.
      É esse cheiro que sobe e formam os arco-íris com sete cores. O amarelo vem do sol e as outras cores vêm das estrelas distantes. Não se pode tocar nele, pois é reflexo como um espelho que nossos olhos pensam que está ali como um arco colorido.
      Dizem que se uma pessoa passar por baixo do arco-íris muda de sexo. Minha tia deve ter passado por baixo. Luta boxe, só come saladas e acredita em reencarnação.
Eu não acredito em vida após a morte. Fui ao cemitério visitar meu avô e ele continua sem sair de baixo de terra. Enterrado ao lado de uma mangueira. O corpo dele agora aduba a árvore. Minha avó sempre leva mangas para chupar em casa.
      Meu pai disse que quer ser cremado e as cinzas dele jogadas no mar. Deve ser por isso que o mar é salgado. O sal da cozinha vem do mar das cinzas dos que morreram afogados. As águas dos rios são doces, pois não tem cinzas. Os índios não queimavam os corpos. Comiam cruas mesmo. Minha professora disse que eles devoravam os cérebros dos inimigos para ficarem mais inteligentes. Eu queria comer a cabeça de minha professora para não ter que estudar.
      Ontem fiquei sentada numa cadeira vermelha e macia no teatro, vi um concerto da orquestra sinfônica. Tirei muitas sujeirinhas do nariz, fiz bolinhas e coloquei em baixo da cadeira. Quase dormi, só tocaram três músicas bem demoradas, mas todos gostaram da Nona, não entendi. O maestro, vestido de preto ficou ameaçando os músicos com uma varinha e depois mostrou que não gostou, quando a música acabou ele virou-se e ficou se abaixando mostrando a bunda para os músicos.
      Estou com sono, é tarde. Muito barulho no quarto ao lado. Minha mãe tem asma todas às noites, pois fica gemendo e meu pai a ajuda gemendo também.
      Não vou mais comer peixes do mar, chupar mangas e se passar debaixo do arco-íris eu quero ser um ator de novelas que come muito, beija na boca e se morrer numa novela fica vivo na outra, como na reencarnação.

(Entre Sete Estrelas - O Livro Azul de Fernando Farias)

terça-feira, 9 de abril de 2013

Você conhece outras estátuas?

                 No dia internacional do livro infantil, disse  que A Pequena Sereia, personagem de Hans Andersen, tem estátua em Copenhague e perguntei no Facebook quais outros personagens também tinham sido imortalizados dessa forma.  Aqui no Brasil, sei apenas de Iracema, personagem de José de Alencar.  

Vamos ver o que tenho até agora. Aguardo mais informações.

 A Pequena Sereia (Hans Andersen)
Local: Copenhague, Dinamarca
Escultor:Edvard Eriksen
Data da inauguração: 1913





Iracema (1) Jose de Alencar
Local: Enseada do Mucuripe* - Fortaleza- CE
Escultor: Corbiniano Lins
Data da inauguração: 1965

* Local onde a personagem esperava por Martim Soraes Moreno que aparece sentado.





Iracema guardiã (2)

Local: Av.Beira Mar, praia de Iracema -Fortaleza,CE
Escultor:Zenon Barreto
Data da inauguração:1996
Iracema (3) (José de Alencar)
Local: Lagoa de Messejana - Fortaleza - CE
Escultor: Alexandre Rodrigues
Data da inauguração: 2004









Mafalda (Quino)*
Local: Bairro de San Telmo (R.Chile)
Escultor:Pablo Irrgang (com a personagem)
Ano de inauguração: 2009
* Joaquim Salvador Lavado

Colaboração: Suzana Valença


 O Menino Maluquinho (Ziraldo)
Local: Caratinga - MG
Escultor:José Rosendo
Ano de inauguração: 2003

Colaboração: Marcelo Valença






(Fonte para as estátuas de Iracema: www.ceturdigital.blogspot.com)

Alice No Pais das Maravilhas ( Lewis Caroll) 
Local: Central Park - NY (74th street(leste) e Conservatory Water (norte)
Autores: Jose De Crefft(desenho) e Fernando Texidor (escultor) -Doação de: George T.Delacorte Jr
Ano de inauguração: 1959   
Colaboração: Marcelo Valença. 
(Fonte para a estátua de Alice: www.oitudoemcima.com)

Snoopy (Charles Schulz)
Local: Saint Paul International Airport - Mineapolis
Escultor: desconheço
Ano de inauguração: desconheço
Colaboração: Marilda Romani


fonte para estátua de Snoopy:www.planetsnoopy.com) 

Dom Quixote ( Miguel de Cervantes)
Local: Plaza de España, na Gran Via - Madri
Escultor e ano de inauguração desconhecidos.
A estátua principal é a de Cervantes. Logo abaixo tem, em bronze, o conjunto  dos personagens: D.Quixote no Rocinante, Sancho Pança, Dulcinéa.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Segunda-feira poética: Machado de Assis

       
Sem ter que ler por obrigação, acabei por descobrir os poemas de Machado de Assis e achei por bem trazê-los para cá com a mesma ortografia da época. Além da beleza dos versos dá para ver como se escrevia em 1864, quando Machado de Assis escreveu e o livro  Chrysálidas, de onde tirei esse poema.



         Musa Consolatrix


Que a mão do tempo e o hálito dos homens

Murchem a flor das illusões da vida,

        Musa consoladora,

E ao teu seio amigo e socegado

Que o poeta respira o suave somno.



       Não ha, não ha comtigo,

Nem dor aguda, nem sombrios ermos ;

Da tua voz os namorados cantos

      Enchem, povoam tudo

De intima paz, de vida e de conforto.



Ante esta voz que as dores adormece,

E muda o agudo espinho em flor cheirosa,

Que vales tu, desillusão dos homens?

     Tu que podes, ó tempo ?

A alma triste do poeta sobrenada

     Á enchente das angustias,

E, affrontando o rugido da tormenta,

Passa cantando, alcyone divina.


     Musa consoladora,

Quando da minha fronte de mancebo

A ultima illusão cair, bem como

     Folha amarella e secca

Que ao chão atira a viração do outono,

    Ah ! no teu seio amigo

Acolhe-me, — e haverá minha alma afílicta,

Em vez de algumas illusões que teve,

A paz, o ultimo bem, ultimo e puro!


(Fonte: www.brasiliana.usp.br)