quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Charge ou Cartum?

Você sabe qual a diferença entre uma charge e um cartum?  
 Veja um e outro e tente dizer quem é charge e quem é cartum.

Primeira imagem:


( Resposta certa: charge)


 Segunda imagem:
   (Resposta certa: cartum)
 
 

Acima, a primeira imagem é uma charge e a segunda é um cartum. 
 
 
Vamos esclarecer:
Charge: é um desenho relativo a um fato acontecido, seja ele histórico ou não.Sempre um fato social.Pode ou não ter legenda. Tratando-se de um fato social, sempre tem prazo de validade. Dura enquanto durar o fato ou a lembrança deste. Pode ter conotação de denúncia, gozação e solidariedade também como é o caso do exemplo acima. A charge (primeira imagem) acima está relacionada ao fato mais recente, a tragédia da cidade de Sta.Maria - RS. 
Cartum: desenho com caráter  simplesmente humorístico ou poético ou até filosófico a respeito de uma ideia geral. É atemporal. O exemplo usado trata da dificuldade do uso do vaso sanitário por um minotauro, que apesar de ser um macho não tem anatomia   que permitar fazer xixi naquele toalete. É um fato genérico. Não vai perder a validade.

Hoje, é o dia nacional dos Quadrinhos. A esse respeito, o blog plublicou em 2012, leia aqui: HQ 1 - HQ 2. - HQ 3 e HQ 4

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

aniversário do blog, encerramento.

Encerro as postagens comemorativas do aniversário do blog, divulgando e agradecendo as pessoas que mais me ajudaram durante esses 5 anos. Foram 5 pessoas que me orientaram com relação a audiência, layout, estilo de postagem, divulgação e exemplo. Todas, sem exeção, foram e continuam sendo importantíssimas. A elas, meu mais carinhoso abraço de agradecimento. 


Amanda Gaspar
Carlos Maciel
Ladyce West
Marcelo Valença
Suzana Valença

Recomendo: O Filho de Mil Homens,Valter Hugo Mãe

Capa da ed.Alfaguara
Creio que nunca disse: detesto esse estilo(?)  de escrita sem vírgula, sem maiúsculas... sem fôlego.  Por causa disso precisei me carregar de boa vontade para ler A Máquina de Fazer Espanhóis. Ótimo livro.  Quando Valter Hugo Mãe escreve liberto de José Saramago, confesso, me agrada muito mais.  Estou finalizando a leitura de O Filho de Mil Homens. 

Vamos ao livro:
Crisóstomo é um pescador que sente-se velho e incompleto sem filhos aos quarenta anos.[...via-se metade no espelho porque se via sem mais ninguém , carregado de aus~encias e de silêncios...Pag.11, cap.1]Torna companheiro um grande boneco que comprou. Camilo é um órfão que surge meio do nada numa traineira onde  Crisóstomo trabalha.    Cada capitulo é, por si, um conto muito bem urdido. Cada personagem traz uma imensa solidão fruto do estranhamente e rejeição a eles diispensados por serem, digamos assim, diferentes. Uma anã, por ter engravidado de algum dos 15 homens da aldeia traz alívio às mulheres e mantem o silêncio masculino quando morre de parto. O filho sobrevive e vai ser companheiro/filho de Crisóstomo mais adiante. Antonino desperta a repulsa geral e o sentimento de culpa da mãe por sua homossexualidade. Casa-se com Laura, abandonada pela mãe, numa situação arranjada para servir a ambas as partes diante das demais pessoas. [ ...Um homem maricas, por mais repugnante que fosse, seria sempre um marido com vlidade para melhorias fundamentais como aumentar a estabilidade financeira e assegurar o socorro nas urgências e azares diversos..Pag.54,cap.4] A mãe de Antonino, atrapalha-se com sentimentos de nojo,culpa, amor pelo filho.  A vida, as circunstâncias, as necessidades diversas vão desfazendo laços e  formando novas uniões e famílias.[De qualquer modo, já não precisavam falar.Pertenciam-se e comunicavam entre si pela intensidade dos sentimentos.Tinham inventado uma família. Pag.199 cap.21] Valter Hugo Mãe, magistralmente desenvolve as carências e loucuras de cada personagem e recoloca cada um no lugar mais provável que a vida lhes reservou, sem, de forma alguma, apelar para o mais fácil e edulcorado. Uma característica que notei em V.H, desde o livro anterior foi o lirismo dentro das tragédias.   Um romance, bem escrito, poético, com críticas claras à hipocrisia da sociedade e à religião, original e com toque de realismo fantástico. Recomendo a leitura. Para quem conhece o autor, vai gostar de vê-lo independente de Saramago. Quem não conhece, vou arriscar: duvido que não goste. 

Aniversário do blog, última estatística


 Ao longo de 2011, publiquei o horóscopo poético   com os doze poemas feitos por Vinicius de Moraes para cada signo zodiacal. O signo mais acessado foi o de Gêmeos, das pessoas que nasceram entre 21 de maio a 20 de junho.

A postagem campeã de acessos desde o início do blog até hoje é: 10 mais vendidos categoria infanto juvenil. Foi um ranking da Livraria Cultura , de junho de 2008.  Em seguida, outra postagem de 2008 caiu no gosto do internauta: Cidade do Livro.     A terceira postagem mais acessada é: Onde Fica Pasárgada.

 



O Blogger, me permite monitoramento de outras coisas também. Além do número de acessos, posso saber também de qual país vêm meus leitores.  O Brasil, logicamente, lidera e é seguido por USA,Portugal e Rússia.

A origem  dos acessos é esmagadoramente do Google. Essa informação é importante para que o blogueiro saiba o que e como fazer postagens. É  o tipo de acesso de quem faz pesquisa e esta é uma das razões porque me preocupo com a vericidade e correção nas informações que dou. Procuro também trazer assuntos relevantes e, sempre que possível, material pouco comum. Agradeço aos internautas ocasionais e frequentes. Espero estar sendo útil e agradeço sempre que receber qualquer crítica ou  sugestão

A todos, meu abraço.  


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Testamento do Homem Sensato, Carlos Pena Filho


Quando eu morrer, não faças disparates
nem fiques a pensar: Ele era assim...
Mas senta-te num banco de jardim,
calmamente comendo chocolates.

Aceita o que te deixo, o quase nada
destas palavras que te digo aqui:
Foi mais que longa a vida que eu vivi,
para ser em lembranças prolongada.

Porém, se um dia, só, na tarde em queda,
surgir uma lembrança desgarrada,
ave que nasce e em vôo se arremeda,

deixa-a pousar em teu silêncio, leve
como se apenas fosse imaginada,
como uma luz, mais que distante, breve.


domingo, 27 de janeiro de 2013

Príncipes da Poesia (4)

           O 4º príncipe da poesia é Guilherme de Almeida que foi escolhido em 1958, duas décadas depois da eleição de Olegário Mariano.  Guilherme de Almeida foi eleito pelo jornal carioca Correio de Manhã


                             Príncipe dos poetas (4) Guilherme de Almeida

                                                O Idílio suave

                                        Chegas. Vens tão ligeira
                            e és tão ansiosamente esperada, que enfim,
                           nem te sentindo o passo e já te tendo inteira,
                                            completamente em mim,
                            quando, toda Watteau, silenciosa, apareces,
                                         é como se não viesses.


                                        Vens... E ficas tão perto
                            de mim, e tão diluída em minha solidão,
                         que eu me sinto sozinho e acho imenso e deserto
                                                 e vazio o salão...
                         E, sem te ouvir nem ver, arde-me em febre a face,
                                         como se eu te esperasse!

                                                  Partes. Mas é tão pouco
                                 o que de ti se vai que ainda te vejo o arfar
                                do seio, e o teu cabelo, e o teu vestido louco,
                                                   e a carícia do olhar,
                                      e a tua boca em flor a dizer-me doidices,
                                                   como se não partisses!



Já publicados:
Príncipes da poesia (1) Olavo Bilac
Príncipes da poesia (2) Alberto de Oliveira
Príncipes da poesia (3) Olegário Mariano

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Vamos comemorar doando?

Novamente escolho uma ação social para comemorar aniversário. Desta feita , a cidade de Piracicaba-SP é a escolhida. 


A Escola Municipal prof. Alberto Thomazi vai contar com a nossa colaboração para  a formação de sua biblioteca.  Este blog, acredita que você também queira colaborar. Se você é da cidade de Piracicaba pode ir lá pessoalmente doar quantos livros infantis quiser.  Se mora longe, pode enviar pelos correios para o endereço abaixo.







E.M Prof. Alberto Thomazi
Rua Batatais S/N - Cruz Caiada
13413.015 Piracicaba SP


Aniversário do blog, revista Veja e carnaval

Algumas boas coisas postadas no blog foram frutos do acaso.  Uma situação dessas me aconteceu há quase um ano. Eu conto:  zapeando pelas imprensa on line, dei de cara com um blogueiro da Rev.Veja que havia tempos não lia. Em Fevereiro de 2011 ele procurava  10 contos de carnaval facilmente encontráveis na internet.  Disse que encontrou, mas sentiu falta de 2 que ele julgava muito bons. Não tive dúvidas, corri no meu exemmplar de 200 crônicas escolhidas de Rubem Braga e digitei A Batalha do Largo do Machado, comprei num sebo o livro de Marques Rabelo e, da mesma forma, digitei Caprichosos da Tijuca. Postei todos dois e avisei ao blogueiro, que rapidamente informou no seu blog:

"Um folião chamado Rubem Braga (Postagem de fevereiro de 2012)
Recebi há poucos dias da leitora Regina Porto uma mensagem em que ela informava ter preenchido por conta própria uma grave lacuna na literatura carnavalesca digital: depois de ler um post – publicado no Todoprosa no carnaval passado – em que eu, listando bons itens de literatura momesca disponíveis na internet, lamentava a ausência da monumental crônica Batalha do Largo do Machado, de Rubem Braga, ela foi lá e, voluntariosa, publicou o texto. Ei-lo. É imperdível."
 
Sorte que por total desinteresse por ideologias, leio absolutamente tudo. Inclusive a revista semanal Veja (óóóó). Por causa do blogueiro da Veja,lí um conto que não conhecia; comprei o livro de Marques Rabelo que também não conhecia, um montão de gente leu os dois contos que eu pus na internet e ninguém havia posto antes. Ponto pro LivroErrante que aumentou os acessos, ponto pra Sérgio Rodrigues do todoprosa.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Dalton Trevisan, Casimiro de Abreu e meu vizinho.


        É de Dalton Trevisan, ví agora, o conto  mais acessado nesses  5 anos. Clínica de Repouso   me surpreendeu porque foi uma postagem em que não pus marcadores, nem anunciei em lugar algum.  Tenho  mais textos de Dalton no blog e meu preferido é Ponto de Crochê. que pela quantidade de acessos, não é preferência para a maioria. 

A estatística do blog indica que as poesias são mais acessadas que contos e crônicas, isso eu não esperava.   A poesia campeã é  A Ternura, de Álvaro Pacheco. Encontrei por acaso esse poema num livro bem velhinho.. O autor é do Piaui e só conheci por causa desse poema realmente terno.  Outras duas poesias bateram recorde de visitas: Juriti, de Casimiro de Abreu e uma de Gregório de Matos... deixa ver o que anotei...Epigrama !!

Tive muito prazer em postar aqui um poema que eu adorei e foi enviada pelo autor, César Feitoza, meu vizinho do andar de cima. Ele é de uma região de poetas repentista e cantadores de Pernambuco. Vale conferir  Matutando O Que É Você.  


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Aulinhas gratuitas

     Para quem não sabe, blog não é brincadeira. Dá sim, uma satisfação enorme mas acompanhada de compromisso.  Desde há muito procurei ao máximo fazer o blog com seriedade dando fontes,autorias, caprichando ao máximo na correção tanto ortográficas quanto das informações; me comprometendo a buscar coisas, se não inéditas, mas que não fossem tão repetidas. Essa opção me deu em troca um aprendizado grande. Como quase todo mundo, conhecia o poema de Manuel Bandeira: Vou-me Embora Pra Pasárgada. Porém, só com o blog me perguntei Onde Fica Pasárgada. Ganhei a resposta e a postagem é uma das mais acessadas até hoje.  Ah, está acompanhada do comentário de Rosa Santana que é mais uma aulinha gratuita.

Fernando Sabino
     Apreciadora do gênero,gostei de ter postado sobre a crônica. Na primeira parte trago a explicação dada pela professora Alfredina Nery do que vem a ser uma crônica. Na segunda parte, a mesma professora traz exemplo de crônica de Fernando Sabino. 
    Estas, Pasárgada e Crônica, foram as duas postagens didáticas que mais gostei de fazer. Ambas foram muito acessadas.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Primeiro Poema do blog

    
     Continuo mexendo no bau dos 5 anos do blog e descubro muito satisfeita que o primeiro dia poético que havia era a quarta-feira e estreou com um  poema de Ladyce West. A peregrina cultural , Ladyce, é companheira de leitura, desde 2008.
      Uma pessoa séria, curiosa e inteligente que fez um blog para, dentre outras coisas, compartilhar seus conhecimentos e descobertas.  Leia aqui, o primeiro poema postado no LivroErrante e depois vá lá conferir o blog da Ladyce. Recomendo sem medo de errar.




sábado, 19 de janeiro de 2013

Primeira Crônica Cantada

 Em agosto de 2010, totalmente desvinculado do grupo de leitura do já decadente Orkut o blog LivroErrante começou a trazer músicas que poderiam ser crônicas.  Inicialmente a série foi batizada como Crônicas da M.P.B e Adoniran Barbosa foi o estreante. Vale a pena reler e ouvir e se você tiver alguma sugestão para as próximas postagens, faça contato. Colabore com o que hoje chama-se Crônica Cantada e é postada aos sábados.

Nota:
Em  dezembro de 1983, foi fundado o Museu Memória do Jaçanã, por Sílvio Bittencourt, com a presença de dona Matilde de Lourdes Rubinato, esposa de Adoniran Barbosa. Sílvio, com a colaboração de antigos moradores, reuniu histórias, fotos, jornais, livros e outros objetos para dar início ao registro da história do distrito. Atualmente, o museu encontra-se em situação precária. (Wikipedia)




sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Primeiro seguidor errante

     Meu primeiro seguidor foi Fred Matos, de quem eu havia lido Melhor que a Encomenda. Não lembro como já havia feito contato com ele, só sei que tão logo o Blogger disponibilizou tags para seguidores, ele chegou.
      Fiquei muito feliz, claro. Eu já conhecia o blog que Fred Matos mantém e babava com as fotos com que ilustra suas postagens. 


Além de Melhor Que A Encomenda, ganhei dele Anomalias  que estão disponíveis para empréstimo. 
     Uma vez, paguei um mico!!! Vou contar.
     Escolhi um conto do autor e copiei todinho no blog, feliz da vida com o que tinha feito porque gostei do texto, achava que ia agradar.  No outro dia, de manhã, encontrei um email onde Fred, gentilíssimo, informava que na minha postagem havia uns "errinhos" de digitação e, por essa razão, me enviava anexo o texto correto. Fiquei intrigada e fui ver.  Morri de vergonha: estava cheio de erro de digitação. Fiz as correções, informei e me desculpei com o autor que mais uma vez, cavalheiro, minimizou a tragédia. 
     Desde então  nunca mais fiz qualquer postagem quando estou caindo de sono. Nunca mais!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Há exatamente 5 anos.

       Tempo de aniversário  vou mexer no baú e o que encontro?  uma postagem feita exatamente no dia 17 de janeiro.  Tratava de nossa primeira ação social
       O Chá de Letrinhas, foi nossa comemoração por um ano de leituras e empréstimo de livros.           
     Escolhemos um escola pública da cidade de Poços de Caldas- MG cuja vice diretora, a Cláudia, pertencia e era muito ativa no grupo do Orkut. Decidimos que enviaríamos para a escola pelo menos 1 livro por mês durante um ano. 
  Aproximadamente 15 pessoas participaram e generosamente enviaram mais de um exemplar mensalmente. 
      Foi algo extremamente prazeroso pra todos os doadores ajudar à biblioteca da escola de Poços de Caldas.

Aniversário do blog: eu era sem noção.

      No começo, eu postava coisas relativas ao grupo de leitura do Orkut. Empolgada e inexperiente em blog era totalmente sem noção. Fazia várias postagens num dia só, cada uma mais boba que a outra, uma pavor!  
     Naquela época o Blogger não disponibilizava alguns recursos. Eu nem sabia lincar manualmente. A fonte que eu usava era feia e eu não sabia trocar.  Revendo agora as primeiras postagens do blog acho muito engraçado. Gosto de saber que não junto  poeira na estante  com livros já lidos. Em 2008, assim como fizeram alguns colegas, deixei livros em alguns lugares públicos.
      Dentro do exemplar de Um Chopp Para A Gordinha, deixei aviso de que depois de ler, fizesse o que eu fiz deixando o livro novamente em algum lugar para ser achado. Larguei livro em cinema, restaurante, praça... Aliás, deixando livro por aí a reporter Beatriz Castro da Rede Globo fez  matéria comigo e eu saí no Jornal Nacional, mas isso é outra história...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Aniversário do blog: o começo

                 Amigos, criei esse blog no auge do suceso do Orkut, quando fazia parte de um grupo de leitores viciados. O blog  seria uma extensão da comunidade. Vária postagens diziam respeito apenas ao que acontecia no Orkut.  Alguns excelentes contos foram escritos por participantes daquele grupo e ainda podem ser lidos aqui. Era pura brincadeira.   
                Fui, aos poucos, fazendo mudanças  no conteudo e na interface e o blog adquiriu vida própria mesmo que ainda muito rudimentar.  Hoje o blog LivroErrante completa 5 anos e é muito prazeroso fazê-lo. Os acessos são crescentes e por dois anos consecutivos LivroErrante foi finalista do Prêmio TopBlog o que me dá grande satisfação. Tenho me divertido e,sobretudo, aprendido muito com ele.  
               Por causa do blog LivroErrante precisei ler mais, reler alguns autores e pesquisar também para em hipótese alguma usar do expediente muito usado de copiar e colar de outros blogs.  Depois que fiz roteiro de postagens para melhor organizar meu trabalho aqui, determinei a quarta-feira para trazer um conto ou crônica. 
             Hoje, trago um conto escrito por Roberta Maropo. Num Piscar de Olhos foi  o conto vencedor de nosso concurso lá dos tempos do Orkut, quando eu só brincava de blogueira. Por ser um conto muito bom, deixo pra você leitor  como parte da história desse blog.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Pequenas Doses de Paulo Leminski

S.O.S

     não houve sim que eu dissesse
que não fosse o começo
     de um esse o esse



Viver É Super Difícil

     viver é super difícil
o mais fundo
     está sempre na superfície.


Leite Leitura


     leite, leitura
letras literatura
     tudo o que passa
tudo o que dura
     tudo o que duramente passa
tudo o que passageiramente dura
     tudo, tudo, tudo
não passa de caricatura
     de você minha amargura
de ver que viver não tem cura.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Castelo Armorial

Em São José do Belmonte, a 479 km do Recife, está sendo construido um castelo com elementos baseads no movimento armorial, criação de Ariano Suassuna. A decoração:onças aladas, pássaros exóticosetc são   personagens dos romances A Pedra do Reino e O Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. O castelo tem o objetivo de enaltecer a cultura nordestina, conforme explica seu dono o comerciate Clécio de Novaes Barros. 
Clécio, gastou 10 anos em planejamento e mais 4 para chegar à estrutura com um gasto estimado em R$ 2 milhões. O sonho, levantado com recursos próprios, tem altura de um prédio de 6 andares e área de 1.500 metros quadrados.
No castelo do Sr.Clécio pode-se encontrar cópias de quadros feitos por Ariano e Zélia Suassuna, sua mulher. tem também uma cidade cenográfica com réplicas em homenagem a J.Borges mestre em xilogravuras. O castelo possui cópias de quadros confeccionados por Ariano e sua mulher, Zélia Suassuna; cidade cenográfica, com elementos da década de 1930 (casa de farinha, cabaré, cartório); uma homenagem ao cordelista J. Borges, com réplicas de suas xilogravuras e exposição de fotos contando a história de São José do Belmonte.
Na entrada do castelo há uma torre central representando  o reino encantado de dom Sebastião e bonecos representativos do Rei Quaderna principal personagem d'A Pedra do Rreino.
São José do Belmonte só conta com uma atração:  a Cavalgada à Pedra do Reino, em maio. O dono do castelo pretende incluir a cidade numa rota turística usando seu fantástico castelo  como cenário ou palco para apresntações teatreis e musicais. Não há previsão para o término da construção nem está aberto ao público por enquanto.






Leia também: 40 anos d'A Pedra do Reino de Ariano Suassuna

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

100 anos de Rubem Braga

                   "Sempre tenho confiança de que não serei maltratado na porta do céu, e mesmo que São Pedro tenha ordem para não me deixar entrar, ele ficará indeciso quando eu lhe disser em voz baixa: 'Eu sou lá de Cachoeiro...' (Rubem Braga)

Um dos melhores  e, sem dúvida,  um do mais produtivos cronistas do país,o grande escritor Rubem Braga faria 100 anos hoje.

                                               O Conde E O Passarinho
     Acontece que o Conde Matarazzo estava passeando pelo parque. O Conde Matarazzo é um Conde muito velho, que tem muitas fábricas. Tem também muitas honras. Uma delas consiste em uma preciosa medalhinha de ouro que o Conde exibia à lapela, amarrada a uma fitinha. Era uma condecoração (sem trocadilho).
     Ora, aconteceu também um passarinho. No parque havia um passarinho. E esses dois personagens – o Conde e o passarinho – foram os únicos da singular história narrada pelo Diário de São Paulo.
     Devo confessar preliminarmente que, entre um Conde e um passarinho, prefiro um passarinho. Torço pelo passarinho. Não é por nada. Nem sei mesmo explicar essa preferência. Afinal de contas, um passarinho canta e voa. O Conde não sabe gorjear nem voar. O Conde gorjeia com apitos de usinas, barulheiras enormes, de fábricas espalhadas pelo Brasil, vozes dos operários, dos teares, das máquinas de aço e de carne que trabalham para o Conde. O Conde gorjeia com o dinheiro que entra e sai de seus cofres, o Conde é um industrial, e o Conde é Conde porque é industrial. O passarinho não é industrial, não é Conde, não tem fábricas. Tem um ninho, sabe cantar, sabe voar, é apenas um passarinho e isso é gentil, ser um passarinho.
     Eu quisera ser um passarinho. Não, um passarinho, não. Uma ave maior, mais triste.     
      Eu quisera ser um urubu.
      Entretanto, eu não quisera ser Conde. A minha vida sempre foi orientada pelo fato de eu não pretender ser Conde. Não amo os Condes. Também não amo os industriais. Que eu amo? Pierina e pouco mais. Pierina e a vida, duas coisas que se confundem hoje, e amanhã mais se confundirão na morte.
    Entendo por vida o fato de um homem viver fumando nos três primeiros bancos e falando ao motorneiro. Ainda ontem ou anteontem assim escrevi. O essencial é falar ao motorneiro. O povo deve falar ao motorneiro. Se o motorneiro se fizer de surdo, o povo deve puxar a aba do paletó do motorneiro. Em geral, nessas circunstâncias, o motorneiro dá um coice. Então o povo deve agarrar o motorneiro, apoderar-se da manivela, colocar o bonde a nove pontos, cortar o motorneiro em pedacinhos e comê-lo com farofa.
Quando eu era calouro de Direito, aconteceu que uma turma de calouros assaltou um bonde. Foi um assalto imortal. Marcamos no relógio quanto nos deu na cabeça, e declaramos que a passagem era grátis. O motorneiro e o condutor perderam, rápida e violentamente, o exercício de suas funções. Perderam também os bonés. Os bonés eram os símbolos do poder.
     Desde aquele momento perdi o respeito por todos os motorneiros e condutores. Aquilo foi apenas uma boa molecagem. Paciência. A vida também é uma imensa molecagem. Molecagem podre. Quando poderás ser um urubu, meu velho Rubem?
     Mas voltemos ao Conde e ao passarinho. Ora, o Conde estava passeando e veio o passarinho. O Conde desejou ser que nem o seu patrício, o outro Francisco, o Francisco da Umbria, para conversar com o passarinho. Mas não era aquele, o São Francisco de Assis, era apenas o Conde Francisco Matarazzo. Porém, ficou encantado ao reparar que o passarinho voava para ele. O Conde ergueu as mãos, feito uma criança, feito um santo. Mas não eram mãos de criança nem de santo, eram mãos de Conde industrial. O passarinho desviou e se dirigiu firme para o peito do Conde. Ia bicar seu coração? Não, ele não era um bicho grande de bico forte, não era, por exemplo, um urubu, era apenas um passarinho. Bicou a fitinha, puxou, saiu voando com a fitinha e com a medalha.
     O Conde ficou muito aborrecido, achou muita graça. Ora essa! Que passarinho mais esquisito!
     Isso foi o que o Diário de São Paulo contou. O passarinho, a esta hora assim, está voando, com a medalhinha no bico. Em que peito a colocareis, irmão passarinho? Voai, voai, voai por entre as chaminés do Conde, varando as fábricas do Conde, sobre as máquinas de carne que trabalham para o Conde, voai, voai, voai, voai, passarinho, voai.

(Em: O Conde e o Passarinho, 1936) - Leia sobre Rubem Braga

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Pequenas notícias

Já sabemos que o Itau Cultural distribui livros infantis gratuitamente a quem solicitar; agora o que era bom ficou melhor: os mesmo livros distribuidos em edição comum estãosendo lançados também em braile. Ao lado, alguns dos livros que tem edições para deficientes visuais.








"A Gueixa e o Panda-Vermelho", livro da cantora Fernanda Takai, marca a estreia da cantora, na literatura infantil.
Ela teve a ideia de escrever essa fábula depois de visitar o zoológico de Ueno, em Tóquio, no Japão, onde todos só queriam saber do famoso panda-gigante. Nem ligavam para o raro e solitário panda-vermelho, uma "mistura de raposa, urso, gato e guaxinim".




Capa do livro "A Gueixa e o Panda-Vermelho"

A Batalha Pela Alma dos Beatles, o livro em que Ivan Justen Santana  traz os fatos todos que culminaram na separação da grande babda inglesa de todos os tempos. O autor, tem material suficiente para preencher mais de 500 páginas com depoimentos sinceros de todas as pessoas que estavam ou estiveram envolvidas com os Beatles e viveram seus momentos finais.

O Diário Roubado

     A escritora Régine Deforges,em O Diário Roubado narrra a história de Leone uma garota de 15 anos que tem grande amor por Mélie, outra garota do mesmo colégio onde estuda numa pequena cidade da França nos anos 50.
     A autora expõe todas as dificuldades sofridas, principalmente por uma dels, leone, que teve sua vida totalmente devassada depois que um de seus diários foi lido. Como costumava acontecer com as adolescentes de décadas passadas, Léone narrava em diário, todas as suas angústias, dúvidas e amizades. Léone que tinha dificuldades na vida em família, conversava consigo mesma escrevendo  sobre suas necessidades e descobertas. Julgava seguro o lugar onde guardava um diário com as descrições de suas descobertas sexuais e nele, usava de franqueza para falar de seus prazeres hetero e homossexuais. Seu julgamento foi falhou:  o diário foi parar nas mãos de um dos rapazes que tendo sido rejeitado por ela, vingou-se lendo em público as descrições de Léone sobre seu amor homessexual adolescente.
     A protagonista, dona do diário roubado, sofre a rejeição do grupo de amigos e da família. Sua reação debochada, encolerizada e dispersiva só piora sua situação já ruim com seus pais e avó. Leone passa por fortes agressões físicas e humilhações.
A história passada na frança e há muitas décadas está longe de poder ser chamada de ficção. O passar do tempo apenas mudou as formas de demonstração de intolerância.
     Régine Deforges, maior representante da literatura erótica francesa, foi por muitos anos censurada por editar literatura considerada "ofensiva". Sua consagração só aconteceu em 1981 com o livro A Bicicleta Azul. Régine Deforges tem 77 anos e vive em Paris. O Diário Roubado foi adaptado para o cinema por Christine Lipinska

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Férias da Cultura


Como acontece a cada ano, todas as lojas da Livraria Cultura estão com programação especial de férias para as crianças.  

                     
Em São Paulo: 

QUANDO: quinta (10), às 16h
Samuca conta a história "Meu Presente", da autora Eva Montanari

QUANDO: sábado (12), às 11h
Abigail conta história de um rei africano que, graças a um anel mágico, tem muitos poderes

QUANDO: sábado (12), às 12h30
São 30 minutos de contação de diferentes histórias da editora SM

QUANDO: domingo (13), às 15h
Teatro com a Bruxa Babuxa. Ela procura um pretendente alto, simpático e inteligente. Faz um pedido a uma estrela cadente e de bruxa passa a ser uma linda princesa. Mas nem tudo dá certo!

Férias na Cultura
QUANDO: até 31 de janeiro
ONDE: Conj. Nacional, Av. Paulista
QUANTO: grátis


Para as demais lojas entre no site da Livraria Cultura

Nota da blogueira: as lojas do Recife estarão fechadas para balanço até o dia 22, por esta razão é aconselhável telefonar antes para confirmar o período de atividades de férias: 81 2102 4200


Melhores livros de 2012 (adulto)

A revista Super Interessante divulgou o que considera os 10 melhores livros do ano. Mesmo que você tenha seus escolhidos, vale a pena verificar as sugestões da revista.  Quem sabe não acrescenta mais um? De minha parte, já me interessei por ler três dos citados. E você, o que sugere? Qual seu melhor livro do ano?

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

4 sugestões de leitura da Revista Marie Claire




 

Uma Morte Súbita
Primeiro livro adulto da britânica J. K. Rowling, autora do sucesso Harry Potter, promete ser um dos mais disputados do verão. A história, cheia de suspense, fala de disputas e desavença em um vilarejo da Inglaterra.


1Q84 | Livro 1
Eleito um dos melhores romances de 2011 pelo The NewYork Times, chega ao Brasil o primeiro livro da trilogia escrita pelo consagrado autor japonês Haruki Murakami. A publicação, inspirada na obra de George Orwell 1984, apresenta Aomame, uma mulher que esconde a profissão de assassina.




O Diário De Frida Kahlo
As anotações de uma das maiores pintoras da história, a mexicana frida Kahlo, ganham nova edição no Brasil. Esgotado há quase duas décadas, o livro ganha nova edição este mês no Brasil. Nele estão ilustrações e manuscritos produzidos durante os últimos dez anos de vida da artista, que morreu em 1954. Além dos autorretratos, o delicado diário apresenta textos que revelam seus affairs, entre eles com o revolucionário russo Leon Trotsky e com a fotógrafa italiana Tina Modotti, e narra a conturbada relaçãocom o marido, um dos titãs da arte moderna,o pintor Diego Rivera. José Olympio,

Por Que Você Não Se Casou... Ainda
O título engana, mas não se trata de um simples manual de ajuda para solteirona sem crise. Escrito pela roteirista americana Tracy Millan, é uma divertida análise dos problema se das autossabotagens que impedem mulheres modernas e bem-sucedidas de encontrarem um parceiro.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

A Vela de Sebo - Hans Christian Anderson





     Aquilo chiava e fervia enquanto o fogo dançava debaixo do caldeirão; era o berço da vela de sebo --e do interior do berço cálido surgiu a vela perfeita, elegante, brilhando branca e esguia. A julgar por seu aspecto, todos os que a contemplavam se convenciam de que ali estava a promessa de um futuro feliz e radioso --uma promessa que, como todos viam muito bem, ela não deixaria de cumprir.

     A ovelha --uma linda ovelhinha-- era a mãe da vela, enquanto o caldeirão onde se derretia o sebo era seu pai. Da mãe ela herdara o admirável corpo branco e uma certa noção da vida; mas do pai recebera o desejo de ter uma chama ardente, capaz de penetrar medula e ossos --e de "brilhar" vida afora. Sim, essa era sua feição, assim ela se formara: entregara-se à vida impregnada das melhores e mais luminosas esperanças. E nela encontrara um número incrivelmente vasto de outras estranhas criaturas às quais se misturara, desejosa de aprender a conhecer a vida e, quem sabe, dessa maneira encontrar o lugar que melhor lhe correspondia.

     Contudo, acreditava demais no mundo; e o mundo só se interessa por si mesmo, não quer saber de velas de sebo... Porque, incapaz de entender qual era a finalidade da vela, o mundo tratou de usá-la em proveito próprio e manuseou-a de forma errada, sem cuidado; seus dedos sujos foram manchando cada vez mais a cor imaculada da inocência, que acabou desaparecendo por completo, coberta pela imundície do mundo inteiro, com o qual a vela mantivera um contato próximo demais, ela que nunca soubera a diferença entre o sujo e o limpo... mas que mesmo assim, por dentro, continuava inocente e pura.

     Os falsos amigos perceberam que eram incapazes de atingir o que havia por dentro da vela e, furiosos, descartaram-na como uma coisa inútil.

     Mas a superfície externa, negra de sujeira, não deixou que os bons entrassem --os bons ficaram com medo de se contaminar com aquele pretume, não quiseram ficar manchados-- e por isso guardaram distância.

E a pobre vela de sebo ficou sozinha e abandonada, sem saber o que fazer. Sentia-se desprezada pelos bons; agora entendia que não passara de um instrumento para que os maus fossem mais fundo em sua maldade; sentiu-se, com isso, tremendamente infeliz, vendo que não dedicara a vida a nada de útil, talvez até tivesse conspurcado o que havia de melhor ao seu redor --era incapaz de compreender para que ou para onde afinal se dirigia, ou por que razão vivia neste mundo-- e estragado a si mesma e aos outros.

     Cada vez mais e com maior profundidade ela refletia, mas quanto mais pensava, maior era seu abatimento, pois era incapaz de encontrar alguma coisa boa, algum sentido autêntico para sua existência --ou de divisar a meta que lhe fora destinada ao nascer. --Era como se aquela camada negra também tivesse coberto seus olhos.

     Foi então que ela encontrou uma chamazinha, um pavio; ele conhecia a vela de sebo melhor do que ela própria; aquele pavio percebia as coisas com enorme clareza --inclusive através da camada externa-- e, lá dentro, encontrou uma grande bondade; sendo assim, aproximou-se dela; luminosas esperanças despertaram na vela; que se acendeu --e o coração, dentro dela, derreteu-se.

     A chama explodiu, como uma tocha de júbilo num matrimônio abençoado, e tudo ao redor se iluminou e ficou claro; desvendando os caminhos para os que a levavam, seus amigos de verdade --que agora também buscavam a verdade guiados pelo clarão da vela.

     Contudo, o vigor do corpo também era suficiente para nutrir e carregar a chama ardente. --Gotas e mais gotas, como sementes de uma nova vida, escorreram ao longo da vela e recobriram com sua substância --a sujeira passada.

     Elas não eram apenas a matéria daquele matrimônio mas também seu enlace espiritual.

     Agora a vela de sebo encontrara o lugar que lhe cabia na vida --mostrando que era uma vela de verdade, que brilhou durante muito tempo para sua própria alegria e a das outras criaturas...