segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Amor Antigo, Carlos Drummond de Andrade

O Amor antigo vive de si mesmo,

não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede.Nada espera,
mas do destino não nega sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.


(Amar se aprende amando- Ed.Record)