segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Umbilina E Sua Grande Rival - Bienal de Pernambuco

     Perambulando pela Bienal  encontrei Umbilina e Sua Grande Rival  agora em nova edição. Pode ser adquirido na Rua 3, boxe Canto Sertanejo

     Recomendo a leitura: criativo, bem humorado, realismo fantástico muito bem escrito.
 
    Esse trabalho de realismo fantástico brasileiro é um livro que poderia muito bem transformar-se em filme pelas mãos de Guel Arraes. 

     Tomara que ele pense o mesmo que eu.

     Enquanto isso,  melhor ler um trecho do  livro:
     Antes de sair de casa, convinha prevenir-se.
     -Sal bento e água benta, Jesus Cristo no altar.
As dificuldades do meu caminho saiam que eu vou passar. Em nome do Pai, do Filhos e do Espírito Santo...
responda amém.
     - Amém.
     - Vamos andando
    Foram.
    - Toda vez que você seguir viagem, reze essa oração.Quando você virar cavaleiro, vai precisar dela.
     - Umbilina na frente,José Maria logo em seguida.
Ela, ensimesmada, compenetrada. Um lenço na cabeça, vestido preto, como se fosse viúva. Mostrar-se viúva de sentimento era uma forma de se vingar de Manoel da Caatingueira, que certamente continuava vivo e se mexendo nos prazeres carnais.
     - Que calor macho! Queixou-se José Maria.
     - Quanto mais a gente sua mais pecado escorre do nosso corpo! retrucou Umbilina.
     - Mãe, responda uma coisa. Essa dor que a senhora sente é que nem um nó na tripa?
     - É muito mais.
     - Oxe! 

(In Belmar, Cícero, Umbilina e Sua Grande Rival, Ed.Fund.Cultura Cidade do Recife 2002. Cap. 5 pag.60)