segunda-feira, 29 de julho de 2013

Poesia Para o Depois, Janete Barros

Imagem do Google
...de preferência que seja declamada
Em alto e bom tom,com platéia e tudo.

Isso mesmo!
Quero que cause espanto e dor,
mal e bem estar, isso vai depender
da consciência de cada um que fiz,
do primogênito ao temporão
(os que não fiz foram poupados).

A morte é irremediável...
E depois nem as mais doces lágrimas,
nem o mais longo pranto...

Não ouvirei lamentos,
não verei olhos vermelhos.
...minhas mãos estarão empalmadas
(na melhor das hipóteses).
Nada mais tocarei.
Nem o mais tenro lábio...

Minha voz estridente
não repercutirá mais nada.
Não consolarei ninguém!

E assim, na lápide fria
ficará para sempre gravado
(nada é para sempre)
o dia que nasci e o dia que o mundo
acabou para mim.
Quem disse que o mundo não acaba?!

E depois para completar o círculo perfeito que rege o mundo,
os vermes tomarão conta de tudo,
e meu corpo servirá unicamente para
alimentá-los... quiçá alguma árvore
frutífera...
Um jambo que seja, doce e apetitoso,
já será lucro.

E toda a minha fertilidade fecundará
também a terra...

Por enquanto estou na idade da razão
(segundo Sartre)...
A inspiração flui
e o tempo vale uma poesia.


Por enquanto estou na idade da razão
(segundo Sartre)...
A inspiração flui
e o tempo vale uma poesia.
O mundo cabe inteiro
dentro da minha cabeça.
O sangue lateja, pulsa.
Os feromônios clamam!