domingo, 10 de março de 2013

Os mundos de Eufrásia: agradável surpresa.


   Acabei de ler: Os Mundos de Eufrásia, de Cláudia Laje. Uma bela história de amor possível apenas para mulheres muito independentes.     Vamos ao livro, por enquanto: A historia romanceada de Joaquim Nabuco e Eufrásia passa-se no século XIX, tempo em que mulher  não precisava saber ler, não votava, não escolhia o futuro marido, casava antes dos 20 anos, sem a presença do pai tinha sua vida decidida e gerenciada  por algum homem, o que estivesse mais próximo.. etc  etc.  Pois bem, Eufrásia  recebeu uma educação diferenciada não só pelo alto poder aquisitivo do pai quanto, na verdade principalmente,  porque este queria que ela e a irmã Francisca fossem financeiramente independentes.  Não por elas, claro.  O pai não queria que elas casassem de jeito nenhum para que  a fortuna da família não se esvaísse.  Educou as duas  de maneira que Eufrásia, mais inteligente e habilidosa, e Francisca não casando ( e ele tirou delas essa promessa) também não perdessem sozinhas toda a fortuna. Involuntariamente deu ferramentas  mais que valiosas nas mãos de uma pessoa  já, naturalmente, com ideias avançadas para a época e lugar.
     O livro conta a história de amor entre Eufrásia, rica, culta, inteligente, bonita e corajosa  e Nabuco: bonito, inteligente, culto,inseguro, dependente e sem fortuna.  Viveram por décadas uma história de amor cheia de atropelos.  Nabuco, sem independência financeira e  preso  à  vontade do pai de fazê-lo político. Não conseguia estabilidade em empregos, estes sempre arranjados pelo pai. Namorava Eufrásia às escondidas e só conseguiu  deixar clara sua relação com ela  pouco antes do falecimento do sogro.
       Com a morte do pai, pelo costume da época, as irmãs Francisca e Eufrásia deveriam ficar sob a tutela do tio, o homem mais próximo,  que administraria toda os bens das jovens. Para o tio, nada mais conveniente: levaria as duas a casarem com seus filhos (dois inúteis) e melhoraria em muito as finanças da sua família com os dotes das moças. Além da pressão do tio para realizar os casamentos, há muito decido por toda a família à exceção do pai e por ter brigado com seu amado, Eufrásia decide fugir com a irmã as irmãs indo para a França. 
     É a primeira de várias e sucessivas separações dela e Joaquim Nabuco.    Desesperado por causa da briga, Nabuco vai, aceitando um trabalho, para Paris. Um não sabendo do outro se encontram no navio e se reconciliam. Começa então a tirania de Francisca que de tudo faz para afastá-los alegando a promessa feita ao pai.  Eufrásia só volta ao Brasil, mais duas vezes.  Totalmente  diferente dos costumes da época  e, em muitas coisas,às vezes da atualidade também, Eufrásia jamais admitiu abrir mão de sua liberdade e independência. Conhecedora e habilidosa financista multiplicou a fortuna que já tinha, fazendo aplicações financeiras, fazendo negócios com o Brasil e outras nações, trabalhando de um escritório em casa.  Por sua independência,  pelas tentativas de trabalho de Nabuco, pelos jogos tirânicos de Francisca, com quem morava em Paris,sua vida amorosa com Nabuco foi carregada de afastamentos longos muito mais que encontros, estes felizes e tórridos. Ela pretendia viver para sempre em Paris, mas voltou ao Brasil apenas duas vezes.  Ele sempre voltava de onde estivesse.  Difícil fazer um resumo desse livro cheio de detalhes, todos muito ricos e imperdíveis.  A leitura de Os Mundos de Eufrásia, foi muito rica.  Aprendi sobre Joaquim Nabuco e ví quanto assusta e impacta o feminismo verdadeiro. O praticado por Eufrásia Teixeira, que nem conhecia esse vocabulário, mas carregava em si a independência,e conhecimento de seu valor. 

Saiba mais sobre essa história.
Conheça o museu da Casa da Hera,  que foi a residência de Eufrásia  e fica na cidade de Vassouras, RJ