sábado, 16 de fevereiro de 2013

Sim. Eu vejo novela - Regina Porto



Imagem do Google
     Não são todas, não é sempre,  mas assisto sim.  
      Enquanto aguardo  saber se   meu  ato resulta em um (novela) ou dois (novela da Globo) crimes, falo um pouco de Lado a Lado.
     É  bom ver que,  mesmo seguindo alguns clichês, a novela distanciou-se do negro/branco idealizado das novelas anteriores com a mesma temática.
   Os autores foram realistas dando inveja desmedida, oportunismo, falsidade e irresponsabilidade  a Berenice e seu companheiro Caniço. Personagens  muitíssimo bem interpretados por Sheron Menezzes( linda!) e Marcello Melo Jr.   O casal negro citado  é tão ruinzinho quanto  o que mora  no palacete, tem mais poder e é interpretado por Patrícia Pilar (a baronesa) e Wemer  Schünemann (o senador).  
      O sofrimento do Sr.Afonso (Milton Gonçalves), dividido entre o amor e admiração pela filha e  o medo de enfrentar as críticas e gracinhas lançadas sobre Isabel (Camila Pitanga)  por causa de sua profissão de dançarina, tão natural, tão humano   fez o pai rejeitar a filha. 
     Sofrimento e rejeição independem de cor: o negro Afonso e a branca baronesa, de formas diferentes, fizeram o mesmo. Ele se reconciliou com a Isabel, mas espanta-se vendo uma branca trabalhando numa casa de negros. A baronesa, não mudou de ideia com relação à filha, rejeitada porque se divorciando envergonha a família,  mas afeiçoou-se ao neto que é negro.
     No Morro da Providência há pobreza,  mentira, roubo, falsidade, negros ruins. Há também D.Jurema e Isidoro  ( negra e branco) poços de bondade e honradez.
    Na cidade,  há riqueza e, igualmente, mentira,roubo, falsidade, brancos ruins. Há  Edgar e Celinha, brancos ( não há negros morando fora do morro) dignos.    
      Ser mau caráter  é branco e é negro, é inerente a humano, enfim.   
    Também é geral, e não estou aqui discutindo certo e errado, o preconceito contra a mulher muito bem colocado na personagem vivida por Marjorie Estiano,  posta pra fora do emprego tão logo seus patrões (brancos e religiosos) descobriam seu criminoso estado civil de divorciada.  
     A negra, Isabel (linda), depois de enriquecer irou brancos e negros e em ambos os lados houve exceção.  O negro Zé Maria (Lázaro Ramos, impagável)  depois de atos de heroísmo, atrai ira de negros e brancos.   
     De mim, os autores recebem os parabéns por  deixarem os sentimentos bons e maus recaírem sobre as pessoas e não sobre a cor delas e nem por isso insinuarem ou defenderem que  o passado brasileiro contra os negros não existiu.  E nós sabemos que o racismo continua, como também o preconceito contra as mulheres. 
    Gostei de ver as páginas da revolta da Chibata e da Vacina (esta eu não conhecia) trazidas ao público de TV;  agrada ver  o figurino muito bem cuidado, com aplauso especial aos de  Laura, D.Margarida, Isabel e da baronesa;    Por fim, quero falar que na terça de carnaval, vi a personagem Laura dizer o livro que está lendo: A Intrusa, de Júlia Lopes de Almeida.   Por causa da novela, entendi que a autora é do séc. XIX, mas confesso minha total ignorância sobre ela.   
     Já que tinha ido ao Google procurar o nome dos atores para por entre parênteses, procurei também sobre a autora do livro e me impressionei  com o que li: “ embora no seu tempo de moça não fosse de bom-tom nem do agrado dos pais, uma mulher dedicar-se à literatura.   A gente fala disso noutra ocasião. Se alguém tem o livro A Intrusa ou algum outro de Júlia Lopes de Almeida, peço emprestado prometendo devolução. 
     Hoje não tenho aula. Vai dar pra ver a novela.  Será que é de bom tom ver novela na Globo?? 

Lado a Lado: de Claúdia Lage e João Ximenes exibida pela TV Globo no horário das 19h. 
A Intrusa, Júlia Lopes de Almeida ed. Pedra Azul 2016.

3 comentários:

  1. Eu não assisto novela e nem gosto de TV. Mas não tenho mente fechada... a novela em questão, me deu vontade, sim. Pelo contexto, figurino e ideologia etc... Já li alguma coisa nas redes sociais, em jornais, revistas e já ouvi maravilhas de quem acompanha também. Ademais, minha mãe que é noveleira de plantão, gosta e recomenda. Vou pegar o bonde andando, mas fiquei curiosa! Um capítulo que seja...
    Beijos!

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  2. Regina, uma delícia ler suas considerações sobre a novela,bem como sobre o fato de acompanhar uma novela o que não vejo,absolutamente, como crime.Depende muita da novela e essa citada tem um contexto histórico bem interessante. Pena que não acompanhei!
    E quanto ao livro, também desconhecia e posso imaginar o que era a audácia de ser escritora naquela época !
    Parabéns pelo texto, gostoso de ler.
    Marilda

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  3. Olá Marilda,
    Naquela época as mulheres precisavam esconder-se por tras de um nome masculino pra expor ideias. Hoje ter ideias ainda é meio assustador...
    Obrigada por suas palavras. beijo.

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