segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Segunda-feira poética: Ano Novo, Mário Quintana

Amigo, não vou desejar que o próximo ano lhe seja ou traga isso ou aquilo, mas também não pense que, assim, justamente em dia festivo, fiquei má. Nada disso. Desejo sinceramente é que você seja suficientemente forte e persistente para buscar e, logicamente, conseguir fazer de seu ano de 2013, um tempo muito melhor.  Leia, guarde com carinho e pense calmamente no que postei abaixo.  Plantemos, pois, a ES-PE-RAN-ÇA

 Ano Novo 
Mário Quintana
 
Lá bem no alto do décimo segundo andar do ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas buzinas
Todos os tambores
Todos os reco-recos tocarem:
- Ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada – outra vez criança
E em torno dela indagará o povo:
- Como é o teu nome, meninazinha dos olhos verdes?
E ela lhes dirá
( É preciso dizer-lhes tudo de novo )
Ela lhes dirá bem alto, para que não se esqueçam:
- O meu nome é ES – PE – RAN – ÇA

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Amigo Secreto

Acho essa brincadeira meio chatinha, mas quando se trata do A.S de meu querido grupo de leitura  fico na maior empolgação. O grupo é pequeno, coeso e se conhece  há, praticamente, 6 anos. Nossos presentes sempre são livros e logicamente damos algumas sugestões.

Este ano, tivemos 10 participantes. Os livros já estão chegando a seus destinatários.  
 Aline recebeu A Revolução dos Bichos de George Orwell,  








Tânia ganhou livro de um autor que nunca li: Nora Roberts, Regressos. 

Vou esperar que comente para pedir emprestado. Fagner também recebeu, mas não lembro o título. 







O meu chegou hoje: O Filho de Mil Homens de Valter Hugo Mãe.  O gatíssimo angolano, autor  do meu presente, insiste em escrever títulos e seu nome em minúscula e eu coloco tudo em maíúsculas. 







 Taciana  avisou que recebeu Os Soldados de Salamina de Javier Cercas.                  
Outro autor que não conheço. Vou ter de pedir emprestado. Faltam Rosa, Neto e Fagner que ainda não informaram. A Ju não recebeu ainda porque os Correios extraviaram e sua amiga vai enviar outro exemplar.







Inês Pedrosa é a autora do livro que Fagner ganhou: Fazes-me Falta.  Este livro eu já li. Não conhecia autora, gostei e recomendo


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Pequenas notícias (2)

O filme Universo Graciliano de Sylvio Back, que traz depoimento do recém falecido Lêdo Ivo, tem estreia marcada para março de 2013. O documentário teve locações em Maceió e Rio de Janeiro. Do mesmo produtor, ainda este ano começam as filmagens de Angústia. Um dos clássicos de Graciliano Ramos. 














Lançado no Sesc de Triunfo - PE a segunda edição do livro: A Dona de Lampião, da jornalista Wanessa Campos. Versa sobre Maria Bonita.

Príncipes da Poesia (3) Olegário Mariano

           Ainda escolhido por votação organizada pela Revista FonFon em 1938 o 3º príncipe dos poetas é  Olegário Mariano. Pernambucano do Recife tem vários livros de poesia reunidos pela Ed.José Olímpio em Toda Uma Vida de Poesia I e II, que só pode ser adquirido em sebos.  Além de poeta, Olegário Mariano foi também compositor e escreveu para revistas usando pseudônimo. Este blog vem mostrando poemas de Olegário Mariano  internet e músicas dele em parceria com Joubert de Carvalho. Até seu aniversário em março de 2013 o blog LivroErrante vai partilhar descobertas a respeito do terceiro príncipe dos poetas do Brasil.



Que Haverá Para Além Das Montanhas? 
Olegário Mariano

Que haverá para além das montanhas, na linha
Que o horizonte apagou para o céu abraçar?
Por que Deus não me deu asas de ave marinhaa?
Que haverá para além das montanhas? - o Mar.

que haverá para além do corpo azul do oceano,
Da onda cujo destino errante é ir e voltar?
Esta ilusão, esta miagem, este engano...
 Que haverá para além de tudo, além do mar?

Para além, muito além das distâncias perdidas
Onde o sol é mais quente e onde é mais frio o luar,
Há o Amor - grande vida a viver de mil vidas,
O amor muito maior que as montanhas e o mar.

(Em: Toda uma vida de poesia - vol. 1, pag. 500)

 
Os primeiros príncipes dos poetas foram: Olavo Bilac e Alberto de Oliveira


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A Casa de Oscar, Chico Buarque

Projeto da casa de São Conrado - RJ



A casa do Oscar era o sonho da família. Havia um terreno para os lados da Iguatemi, havia o anteprojeto, presente do próprio, havia a promessa de que um belo dia iríamos morar na casa do Oscar. Cresci cheio de impaciência porque meu pai, embora fosse dono do Museu do Ipiranga, nunca juntava dinheiro para construir a casa do Oscar. Mais tarde, num aperto, em vez de vender o museu com os cacarecos dentro, papai vendeu o terreno da Iguatemi. Desse modo a casa do Oscar, antes de existir, foi demolida. Ou ficou intacta, suspensa no ar, como a casa no beco de Manuel Bandeira.
Senti-me traído, tornei-me um rebelde, insultei meu pai, ergui o braço contra minha mãe e saí batendo a porta da nossa casa velha e normanda: só volto para casa quando for a casa do Oscar! Pois bem, internaram-me num ginásio em Cataguases, projeto do Oscar. Vivi seis meses naquele casarão do Oscar, achei pouco, decidi-me a ser Oscar eu mesmo. Regressei a São Paulo, estudei geometria descritiva, passei no vestibular e fui o pior aluno da classe. Mas ao professor de topografia, que me reprovou no exame oral, respondi calado: lá em casa tenho um canudo com a casa do Oscar.
Depois larguei a arquitetura e virei aprendiz de Tom Jobim. Quando minha música sai boa, penso que parece música do Tom Jobim. Música do Tom, na minha cabeça, é casa do Oscar.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz nataaaaaaaaaaaaaaaaaaall!!

Estava difícil de escolher minha mensagem de natal. Dei sorte e agora há pouco recebo uma na medida certa: é linda, auto explicada e não carece de acréscimo algum.
Apenas clique aqui e entre no clima. 
beijos,
da blogueira.  

domingo, 23 de dezembro de 2012

Crônica Carioca de Natal - Lêdo Ivo



     O Homem zarolho, postado atrás do balcão da portaria do hotel, olhou para o ventre de Maria e disse, peremptório:

- Não há vagas. Os quartos estão todos tomados.

Ela e José desceram; em silêncio, a suja escada que rangia. Logo os envolveu, na noite nova, o rumor da cidade. O povo corria para os ônibus e trens, jornaleiros anunciavam o lançamento de uma bomba atômica no Pacífico – e tudo aquilo desnorteava ainda mais o casal que passara o dia procurando um quarto na grande cidade indiferente. Como dispunham de pouco dinheiro, subiam apenas as escadas das hospedarias que lhes pareciam acessíveis, mas em nenhuma delas haviam encontrado acolhida.

José e Maria continuaram perambulando, ora através de grandes avenidas, ora por estreitas ruas transversais. Estavam cansados, tinham vindo de longe, perseguidos por uma calamidade, e a ninguém conheciam. De vez em quando, Maria parava, queixando-se de seu doce fardo e das veias de suas pernas inchadas. E José erguia os olhos para os arranha-céus iluminados, via os aviões a jato que rumorejavam nas alturas, e esperava que sua mulher sorrisse – era o sinal para continuarem a caminhada.

Tanto andaram que se detiveram diante dos tapumes semiderruídos de um terreno baldio. José espiou, e viu ao longe, entre touças de capim, montes de tijolos e detritos, a sombra de um galpão. Entraram furtivamente, embora ninguém os estivesse observando. Tinham encontrado, afinal, um lugar para aquela noite. José acendeu um fogo de gravetos.

E foi ali que Maria deu à luz o seu filho. Perto, um jumento se agitava, incomodado pelos ratos e moscas que lhe importunavam o sono.

À luz vacilante do fogo de gravetos, José contemplou o recém-nascido: menino. E Maria, pálida, parecia sorrir.

De repente, ouviram rumores e se assustaram. Eram três pessoas que se aproximavam do galpão, atraídas decerto pela luz do pequeno fogo.

Os três visitantes se acercaram e, olhando para dentro do galpão, compreenderam que um menino havia nascido.

O primeiro deles, que carregava um saco, era lixeiro; o segundo, camelô; e o terceiro, um negro tocador de violão, trazia o seu instrumento.

O lixeiro abriu o saco e, escolhendo o trapo menos sujo que ali havia, deu-o a Maria, para que com ele envolvesse santamente o corpo do menino. O camelô depositou aos pés da criança um brinquedo de matéria plástica, coisa de contrabando. E, como o recém-nascido começasse a chorar, o terceiro visitante fez vibrarem as cordas do seu violão. E logo a criança se aquietou.

Então, o ar da noite estrelada encheu-se de sereias, toques de sinos, apitos de navios e de carros. E Maria perguntou:

- Que barulho é este?

Um dos visitantes respondeu:

- É noite de Natal. O povo está comemorando o nascimento de Jesus Cristo.

Maria olhou para o seu filho que, envolto em trapos, dormia inocente no improvisado berço de palha. E duas lágrimas, grossas e cristalinas, desceram lentamente pelo seu rosto. 




sábado, 22 de dezembro de 2012

Poema de natal (infantil)





Noite De Natal
Edvedete Cruz Machado

Quando é noite de Natal,
Noite de amor e carinho,
As estrelas lá no céu,
Vão clareando um caminho.

Nesta estrada luminosa,
Vem vindo Papai Noel,
Trazendo, pras criancinhas,
Brinquedos feitos no céu.

Papai Noel, que acertou
Do céu à terra o caminho,
Meu desejo é que depressa
Encontre meu sapatinho.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Véspera de Fim de Mundo, não perca! a blogueira.

Charge de Jarbas, para o DP 20.12.12
     Aproveito o último dia antes da aternidade, para falar abobrinhas.  Talvez não tenha mais oportunidade de dizer o que ninguém me perguntou e isso é triste, muito triste porque eu sou falante. Este blog, foi criado por brincadeira. Eu queria saber como mexer com esse recurso da comunicação virtual. Quando comecei em 2008 o blog estava atrelado a uma comunidade do,naquela época, maravilhoso mundo do Orkut. Oh, quanto tempo faz! Sim, o Orkut era uma sensação e eu fazia parte de uma comunidade desta sensação do momento que trocava livros para leituras.  O blog Livro Errante, está, pois quase fazendo 5 anos. A comunidade do Orkut, mudou de nome, passou por outras mudanças benéficas, mas continua com o mesmo objetivo: reunir virtualmente pessoas responsáveis que trocam livros para leitura.Quando comecei por brincadeira, o blogger não disponibilizava recursos tecnicos simplérrimos de tags, por exemplo. Minha inexperiência, falta de seriedade e outras cositas más, não davam bom número de acesso ao blog. Há 3 anos totalmente desvinculado do grupo do Orkut e já levando a sério o blog LivroErrante tomou caminho completamente diferente e adquiriu a seriedade necessária para em 2011 e 2012 ser convidado a participar do Prêmio TopBlog  e chegar como finalista em ambas as ocasiões. Em janeiro próximo,o meu querido blog completará 5 anos.  Caso o mundo, novamente, não se acabe (dizem que aqui não vai ter fim de mundo porque o país não possui infra estrutura para evento desse porte), voltaremos a conversar a respeito do blog e de ser blogueira, coisa que eu adoro. 
Hoje, a grande véspera, deixo aqui algumas coisas que mais gostei de postar em 2012.  Em maio tive a sorte de encontrar um texto inédito de Chico Anysio: O Menino. Muito bonito: mistura de riso e lirismo na dose certa para comover.
A crônica cantada escolhida foi Chegança, na voz e encenação de Antônio Carlos Nóbrega. É para ouvir e pensar a respeito.  E nas segundas-feiras poéticas selecionei, com dificuldade, dois poemas para um mesmo tema. essa escolha aconteceu porque achei interessante ver duas pessoas falarem, em tempos diferentes sobre a mesma coisa. Confiram, enquanto vou no shopping. Você só tem um dia para ler. Amanhã..... buuuuuuuuuum. O último fim de mundo do ano de 2012.


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Um Natal Diferente, Ferreira Gullar

Caricatura feita por Dodô caricaturas

 


      Naquele ano de 1968, passei o Natal em cana.Não diria que foi um Natal festivo, mas, dentro das possibilidades, eu e meus companheiros de prisão tratamos de fazer jus à data, gozando a situação em que nos encontrávamos. No nosso xadrez -o X 3- havia oito presos, Paulo Francis, eu e mais seis; no xadrez ao lado, estavam, além de Caetano Veloso e Gilberto Gil, vários jovens, entre os quais um que se chamava Perfeito Fortuna, o líder deles. Pela grade da janela, que dava para os fundos da prisão, nos comunicávamos com nossos vizinhos que não paravam de inventar encrencas e cantar. Já minha preocupação era por ordem em nosso convívio e achar um jeito de encher o tempo. Daí ter proposto que cada um contasse coisas interessantes de sua vida, relacionadas ou não com a luta política.
      Uma das figuras mais curiosas do grupo era um sujeito alto e ossudo que se chamava Antônio Calado, homônimo do escritor e que, devido a isso, tinha sido preso. Quando soube que eu conhecia o romancista, implorou-me para dizer aos militares que ele não era o outro Callado. Mas como atendê-lo se até aquele momento estávamos todos incomunicáveis? Quando, dias depois, fomos levados um a um ao interrogatório, pude fazer o que me pedira. Disse maldosamente ao oficial que me interrogava: "Ele se parece tanto com o escritor Antônio Callado quanto um jabuti se parece com um lápis". O oficial me fitou irritado mas, no dia seguinte, mandou soltá-lo.
      Fui preso no dia 13 de dezembro, em minha casa, no começo da noite, por um oficial do Exército, que se tornou mais tarde conhecido como um dos chefes do jogo do bicho no Rio de Janeiro: o capitão Guimarães. Eu e Teresa estávamos nos preparando para ir ao cinema, junto com Vianinha, João das Neves e Pichín Plá, nossos companheiros do Grupo Opinião. João e Pichín já haviam chegado. Quando soou a campainha da porta, fui abrir pensando que era o Vianinha, mas deparei-me com dois soldados do Exército.
      - É aqui que mora o senhor Ferreira Gullar?
      - Do que se trata?
      - É o senhor?
      - Sou eu mesmo, mas do que se trata?
      - Tenho um ordem de prisão contra o senhor -disse o capitão, forçando a entrada.
      Neste instante, Teresa chegou à sala. Ao tomar conhecimento da situação, perguntou ao oficial.
      - O senhor tem uma ordem de prisão?
      - A ordem é verbal. Ele está preso.
      - Mas isso é ilegal, disse ela.
      A televisão estava ligada e nela apareceu a figura do ministro da Justiça lendo um documento.
      - Escute, falou o capitão, apontando para a televisão.
      O ministro lia o Ato Institucional n.º.5, que suspendia todos os direitos constitucionais do cidadão. João das Neves e Pichín Plá assistiam àquilo apavorados, temendo que sobrasse para eles, já que estávamos todos num mesmo barco. Nossa preocupação era agora com o Vianinha, que poderia estar sendo procurado também.
      - Vamos inspecionar a casa, disse o capitão, e se encaminhou para o corredor.
      João e Pichín aproveitaram para dar o fora.
      - Fiquem esperando pelo Vianinha lá embaixo e avisem a ele, adverti eu.
      Os dois saíram. Eu entrei na cozinha, abri a geladeira e joguei dentro dela minha caderneta de endereços, a fim de que não caísse nas mãos dos milicos. Em seguida, sussurrei a Teresa que, depois que me levassem, telefonasse para Mário Cunha, na sucursal do "Estadão", informando de minha prisão.
     Enquanto isso, eles vasculhavam a casa mas, ao tentarem entrar no quarto dos meninos, Luciana, minha filha, que tinha então 13 anos, os impediu e fechou-se no quarto. A mando da Teresa, ela tinha levado para lá alguns exemplares do jornal do Partido.
      O capitão, então, voltou-se para a estante do corredor e começou a catar ali os livros que supostamente serviriam para me inculpar. Ele ia olhando a capa dos livros e os devolvendo à estante. Como ali estavam os livros sobre arte, a sua busca era infrutífera. Até que se deparou com uma pasta, abriu-a e sorriu satisfeito. Tinha encontrado o que buscava. Chamou o soldado e entregou-lhe a pasta.
      - Isto vamos levar, disse ele ao soldado.
      Eu, que tinha reconhecido a pasta, aproximei-me:
      - Por que vai levar? São os originais de um livro meu sobre arte.
      - Sobre arte?, disse ele ironicamente- Sei...
      De fato, eu havia reunido ali uma série de artigos que publicara, anos atrás, no Suplemento Dominical do "Jornal do Brasil", sobre os movimentos da arte contemporânea e pusera o seguinte título: "Do Cubismo à Arte Neoconcreta". Deveria entregar aqueles originais, na semana seguinte, à Editora Ler.
      Inutilmente tentei explicar ao capitão que aqueles artigos nada tinham a ver com política. O soldado os levou junto com livros e revistas considerados subversivos. Só depois de algum tempo entendi o motivo daquela decisão. Ele achou que a palavra "cubismo" dizia a respeito a Cuba.
      E essa foi a anedota que nos fez rir muito naquela noite de Natal que passamos no xadrez da Vila Militar.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Melhores poemas do ano

             Um gaucho,uma portuguesa e um sergipano são os autores das poesias mais acessados do último ano de nossos vidas. Dele, Mário Quintana, de quem é muito difícil escolher algo, o blog foi feliz na postagem de 2ª Canção de Muito Longe; De Florbela Espanca  reveja Soneto e o sergipano é Cleômanes Campos. Confesso, não conhecia. Bom de ter blog é a quantidade de coisas que a gente aprende, tanto por acaso quanto por pesquisa.  Creio que muitos de vocês também não conheçam, então vale a pena ler Meu Brinquedo Preferido e saber mais sobre Cleômanes Campos.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

As melhores crônicas cantadas

     Conforme disse ontem, vou colocar aqui uma postagem por dia até quando o mundo acabar.
     Nessa retropectiva notei que a crônica cantada é, de longe, a postagem mais difícil de fazer e, por isso, caso o mundo não acabe, vou rever se vale a pena manter da forma que está até agora.  
     Em 2012, a crônica cantada que ouvi seguidas vezes depois da postagem foi das menos acessadas, porém uma que me agradou muito pelo humor inteligente, Pilosofia Vurtuguesa, de Eduardo Dusek  foi bem aceita. Teve número de acessos alto também, uma música que conheci por acaso e repeti até aprender. É de Caetano Veloso e feita para Mart'Nália. Os dois cantam: Pé do Meu Samba.  
     Outra muitíssimo bem acessada é uma cronica cantada infantil, creio que dos anos 80. É de Vinicius de Moraes e quem canta é Moraes Moreira.

Regina.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Antes que o mundo acabe

              Estamos terminando mais um ano e essa é uma época em que os acessos aos blogs cai um bocado. Leitores e blogueiros enchem-se  de afazeres e o tempo fica curto para postar e acessar.
Como estamos às portas do fim do mundo, o terceiro, se não me engano, achei por bem fazer uma retrospectiva de 2012. Vai de hoje à noite até o dia 21 de manhã.  Uma postagem por dia apenas. Caso eu sobreviva e não esteja sozinha no mundo junto com as baratas (lembram que elas resistem até a uma bomba atômica?),  volto ao blog normalmente. 

           Inicio colocando aqui os 5 posts mais acessadas do ano de 2012.

          O campeão, foi o poeta gaucho Marío Quintana, mas não com um poema. Como ele é muito mais conhecido pelas poesias, maravilhos,diga-se de passagem, procurei  trazer algo menos comum e encontrei a contribuição dele num livro infantil. Velha história, foi uma postagem do começo do ano que agradou em cheio.
          A história bonita, de Camila foi postada porque refere-se à redação que ela fez para o ENEM, do meio do ano,considarada a melhor daquela data. Fiz questão de trazer a notícia para que eu mesma de tanto ver universitários castigando a língua portuguesa, não perca as esperanças.  Em março deste ano, por ocasião do lançamento do filme, Heleno, protagnizado por Rodrigo Santoro, reproduzi uma crônica veiculada no JC e num site francês (li em português, claro) escrita por um autor do Recife no livro Um sonho em Carne e Osso sobre os melhores jogadores de futebol do Brasil. A postagem Heleno de Freitas, foi reproduzida em outros blogs e me surpreendeu.
         Carlos Drummond de Andrade, também foi dos mais acessados com sua crônica Olhos de Preá, postada em junho também com a intenção de trazer o lado menos conhecido do grande poeta. Por fim, a quinta postagem mais acessada foi de março e é novamente uma história bonita. A de Júlia, que foi aprovada em 12 vestibulares.


Volto amanhã,
Regina

sábado, 15 de dezembro de 2012

Crônica cantada: Rosas, Ana Carolina

Ana Carolina

Você pode me ver
Do jeito que quiser
Eu não vou fazer esforço
Pra te contrariar
De tantas mil maneiras
Que eu posso ser
Estou certa que uma delas
Vai te agradar... (2x)
Porque eu sou feita pro amor
Da cabeça aos pés
E não faço outra coisa
Do que me doar
Se causei alguma dor
Não foi por querer
Nunca tive a intenção
De te machucar...
Porque eu gosto é de rosas
E rosas e rosas
Acompanhadas de um bilhete
Me deixam nervosa...
Toda mulher gosta de rosas
E rosas e rosas
Muitas vezes são vermelhas
Mas sempre são rosas...
Se teu santo por acaso
Não bater com o meu
Eu retomo o meu caminho
E nada a declarar
Meia culpa, cada um
Que vá cuidar do seu
Se for só um arranhão
Eu não vou nem soprar...
Porque eu sou feita pro amor
Da cabeça aos pés
E não faço outra coisa
Do que me doar
Se causei alguma dor
Não foi por querer
Nunca tive a intenção
De te machucar
Porque eu gosto é de rosas
E rosas e rosas
Acompanhadas de um bilhete
Me deixam nervosa...
Toda mulher gosta de rosas
E rosas e rosas
Muitas vezes são vermelhas
Mas sempre são rosas...
Porque eu gosto é de rosas
E rosas e rosas
Acompanhadas de um bilhete
Me deixam nervosa...
Toda mulher gosta de rosas
E rosas e rosas
Muitas vezes são vermelhas
Mas sempre são rosas...
Você pode me ver
Do jeito que quiser
Eu não vou fazer esforço
Prá te contrariar
De tantas mil maneiras
Que eu posso ser
Estou certa que uma delas
Vai te agradar...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Cartão de natal: Luis Gonzaga e Zé Dantas


E já que estamos todos falando em Luis Gonzaga, aproveito para deixar o cartão de natal do blog para todos vocês.  Minha forma nordestina de abraçar  os internautas que estiveram aqui compartilhando informações, dando sugestões e apoio, criticando. Contribuindo, enfim!  Muito obrigada a todos e Feliz Natal.



Cartão de Natal de Luis Gonzaga e Zé Dantas.










Melhor capa de revista de 2012




Como acontece anualmente, a ANER selecionou, dentre 16 revistas brasileiras, a revista que trouxe a melhor capa em 2012.

A revista Casa Vogue foi a vencedora, confiram:

Para ver as demais concorrentes clique aqui. Eu gostei muito das capas de Lola, Náutica e Negócios. Teria dificuldade em escolher. E você?

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Quarta-feira é dia de: Mário Prata


Criado-mudo

     Tudo começou quando resolvi me mudar do décimo para o quarto andar, aqui mesmo, neste edifício da Alameda Franca. Um carrinho de supermercado seria o suficiente. Queria fazer lá embaixo um lar, já que isso aqui virou um vício.
Lá no quarto andar, tem quatro apartamentos.Eu não conhecia ainda os vizinhos quando o fato se deu. Passei o dia levando coisas lá para baixo. Há dois dias faço isso, ajudado pela Cristina.
     Uma das últimas viagens e lá ia eu com a Cris ao lado, descendo pelo elevador.
Carregávamos o criado-mudo. O criado-mudo tem uma gavetinha. Quando a porta se abriu, havia duas famílias esperando. Meus vizinhos. Pai, mãe, crianças e até uma avó. Foi quando eu estendi o braço para me apresentar como o novo vizinho que tudo aconteceu. E foi muito rápido. Muito.
     Quando eu tirei a mão do movelzinho para cumprimentar aqueles que agora são meus vizinhos, a gavetinha deslizou. Eu ainda tentei uma gingada com o corpo pra ver se evitava a catástrofe, mas não adiantou.
     A filha da mãe estava indo para o chão, lisa como quiabo, com tudo dentro.
E não existe nada mais indiscreto que uma gavetinha de criado-mudo de um homem que mora sozinho. Ou mesmo que não more. Ali você vai jogando coisinhas, papéis.
Coisas, enfimCoisas que só têm um destino na vida: a gavetinha do criado-mudo.
     Entre a danada escapar do móvel e esparramar tudo pelo chão, não devem ter sido nem dois segundos. Mas estes dois segundos foram sofridos.
      Neste pedacinho de tempo tentei, em vão, me lembrar do que era que tinha lá dentro e conseqüentemente, toda a vizinhança ia ver. Além da Cristina.
Não deu outra. A gaveta caiu de quina e tudo voou, de cabeça pra cima, tudo querendo se mostrar.
     Há quanto tempo aquilo tudo não via a luz do dia, já que ficavam debaixo do abajur lilás? E não ficou tudo amontoadinho, não. O material se esparramou legal pelo hall.
Diante do que vi no primeiro bater de olhos, a idéia foi pular em cima e cobrir tudo com o corpo até todo mundo sumir dali.
Sim, na gavetinha do criado-mudo a gente joga tudo.Pelos meus cálculos, devia ter coisas ali dos últimos cinco anos.
Eu não tinha idéia do que é que estava indo para o chão e aos olhos da vizinhança estupefata. Um pedaço da minha vida estava ali, no chão, sujeito à visitação pública.
Uma vergonha.
     E o pior é que não dava para pegar tudo de uma vez. Teve pilha que rolou escada abaixo. Moedinhas rodopiavam sem parar, fazendo aquele barulhinho.
A primeira coisa que a Cristina recolheu foi um par de brincos douradérrimos. Que não eram dela. E eu não ia explicar ali que eu não tinha a menor idéia de quem foram. Podiam estar ali há cinco, seis anos.
As crianças olharam para três camisinhas e deram-se sorrisos cúmplices. Não foi bem este o olhar da Cris.
Aquele pequeno despertador com o vidro quebrado. Estava parado às 10h10 do dia 23, sabe-se lá de que mês ou ano. Três edições da Playboy. Velhas. Uma da Tiazinha. Constrangimento.

     Pra minha sorte, bem ao lado caiu a História da Filosofia, de I. Khlyabich.
E o livro daquela jovem namorada do Sallinger, do Apanhador no Campo de Centeio. Amenizou um pouco. E as camisinhas eram de 98, tava escrito lá. Limpou um pouco a barra. Um pouco.
Sim, por outro lado, mostrava que desde 98 que eu... Deixa pra lá.
Tinha o menu da minha aula de culinária de março.Tinha procurado tanto o Guia de Acesso Rápido do celular. Tava lá.
Agora eu ia aprender a apagar os telefones vencidos da caixa.
Meu Deus, o que é aquilo no pé do garoto? Viagra!
E o filho da mãe pegou e mostrou para o pai, que me olhou com pena, com dó: tão jovem...
Tive que dar explicações: - Hehe, é o Jair, que é do 103, psicanalista, amostra grátis...
Cris, com os alheios brincos na mão, escondeu o Viagra. Vexame total.
Mas isso era só o começo da minha vida esparramada no chão de mármore.
- A conta da compra do computador que eu dei para a minha irmã.
- Duas pilhas Duracell que jamais saberemos se estão boas ou já usadas. Esse problema de pilhas soltas me enlouquece.
- Sabe aquelas moedinhas de orelhão que não funcionam mais? Várias.
- Uma foto minha com a atriz Manoella Teixeira, abraçados na porta do Ritz (isso foi há dois anos, fui logo explicando).
- Uma cartela de Lexotan, uma de Frontal e uma de Zoloft. Pronto, os vizinhos não teriam mais dúvidas. Um louco deprimido se aproximava.
- Quatro canetas Bic que eu duvido que ainda funcionem.
- Uma capinha de celular que eu comprei há uns quatro anos e não serviu.
- Uma caneta dessas de marcar texto, aquela amarela, sabe? Seca, é claro.
- Um tubo de Redoxon, vencido há várias gripes.
- Um papelzinho com um telefone que jamais saberemos de quem é.
- Um benjamim.
- Um tubo (suspeitíssimo) de Hipoglós.
- Um disquete de computador sem nada escrito nele. O que pode ter aqui?
- Um par de óculos escuros que nunca foram meus.
- Umas cinco ou seis chaves que nunca saberei que portas abrem.
- Um livrinho mandado (e escrito) por um leitor, com o nome Ser Gay é Ser Alegre.Como explicar isso, de joelhos?
- E, para encerrar o meu derrame, um papel em branco com um beijo de batom vermelho, bem no meio. Tentei dizer que era da minha afilhada, Maria Shirts,mas não colou.
Fui recolhendo aquilo tudo, aqueles pedaços da minha vida e colocando de
novo dentro da gavetinha. E me levantei.
Entramos em silêncio no apartamento, eu certo de que ia começar uma nova
vida ali.
Mas logo cheguei à conclusão de que a gente nunca começa nada, a gente
continua.
Ajeitei o criado-mudo ao lado da cama.
Fiquei olhando para o indiscreto móvel que eu achava mudo.
Mas que, em dez segundos, contara cinco anos da minha vida.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

História bonita (9): Lívia, adolescente medalha de ouro

     Antes de falar da Lívia, vencedora da Olimpíada de Língua Portuguesa edição 2012 na categoria crônica, vamos explicar do que se trata esse evento bienal.
     É uma iniciativa do MEC juntamente com a Fundação Itaú Social para desenvolver ações de formação de professores com o objetivo de contribuir para a melhoria do ensino da leitura e escrita nas escolas públicas brasileiras.
    Nos anos pares,  realiza-se um concurso de produção de textos que premia as melhores produções de alunos de escolas públicas de todo o país. Na 3ª edição participam professores e alunos do 5º ano do Ensino Fundamental (EF) ao 3º ano do Ensino Médio (EM), nas categorias: Poema no 5º e 6º anos EF; Memórias no 7º e 8º anos EF; Crônica no 9º ano EF e 1º ano EM; Artigo de opinião no 2º e 3º anos EM. Nos anos ímpares,  desenvolve-se ações de formação presencial e à distância, além da realização de estudos e pesquisas, elaboração e produção de recursos e materiais educativos.
      Na 3ª edição (2012) da Olimpíada de Língua Portuguesa, categoria crônica (9º ano do ensin fundamental ao 1º do ensino médio), a vencedora foi a pernambucana Lívia da Silva Santos  moradora do bairro da Muribeca em Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana do Recife. A jovem Lívia, medalhista de ouro, é estudante do ensino médio e faz concomitantemente o 3º período de Eletrônica no IFPE ( antiga escola técnica).    O tema deste ano foi O Lugar Onde Vivo, e a crônica da Lívia da Silva Santos podemos ler abaixo:

Lívia c/ a profa.orientadora Tatiana. Imagem: Bernardo Rebello


Sob Um Teto de Estrelas



Lívia Santos







Era um fim de tarde, desses que fazem o céu assumir seu tom mais alaranjado. Deitada no pequeno sofá- encaixado milimetricamente entre duas das paredes da salinha apertada-, absorta em meus pensamentos, mal pude ouvir o som desesperado lá fora. De repente o bater na porta convida-me a sair. Parado à porta está um homem: alto, magricela, colete laranja- tal como o céu também se vestia-, careca, o bigode escuro escondendo a boca com a qual me intima:
- Senhora, o seu prédio vai desmoronar. Por gentileza, retire-se do edifício imediatamente

As paredes além do homem mostravam-se fissuradas e desgastadas pelo tempo. Sempre passando por elas, no entanto, nunca havia me dado conta dessa situação. O teto parecia apenas aguardar, cordialmente, a saída dos seus protegidos. O chão, tentando resistir, bravamente, à erosão, não obtinha sucesso. Nada se ouvia além do choro, do desespero, da agonia. As cores, em substituição ao laranja, agora se faziam vermelho e azul e dançavam agitadas aos gritos desesperados e inquietos das sirenes sobre os automóveis lá embaixo. Tentei correr, pegar as coisas que me valiam, mas logo fui impedida pela mão do homem que segurava meu braço enquanto dizia:
- Senhora
, não há tempo. Pela sua segurança, retire-se do prédio.
     Pernas trêmulas, olhos marejados. Desci cada degrau das escadas relutando com a realidade que me fissurava, me marcava como cada uma das paredes. Elas estavam marcadas pelo tempo; eu, pela ausência dele. Câmeras, microfones, repórteres, curiosos. No pátio, colchões, crianças, fogões, geladeiras, animais, cadeiras, mulheres, todos brigavam igualmente por um espaço no caminhão de mudanças.
    Olhei para a rua que sempre me abrigara nas noites de tédio, quando o sofá era, por qualquer ângulo, desconfortável e as conversas nos tamboretes eram mais instigantes. Ela agora se mostrava acolhedora, como uma mãe, e imensa. Sem Chão, Sem Teto (e, se isso indica alguma ambiguidade ao leitor, está no caminho certo). Os outros edifícios, abandonados ou não, cercavam-me como paredes. Sem laranja. As cores agora assumiam seu tom mais escuro. O azul e o vermelho recusavam-se a sumir.
     Sentei-me num meio fio e esperei atenta. Na pequena “pracinha verde”, as senhoras conversavam aflitas sobre a tragédia. A feira da sulanca, emprestada gentilmente pela festiva cidade de Caruaru (e ficam aqui os meus sinceros agradecimentos), que alegrava umas noites intercalares desse pequeno lugar, foi obrigada a dividir a atenção de seus contempladores com o tal edifício, que não saía da boca do povo. Eu, ainda impactada, ouvia ecoar as palavras que jorravam da boca de Miró, o poeta da Muribeca, que chorava, pedia, implorava pelo simples direito de seus irmãos de terem um lar.
E não se ouvia falar em mais nada. Cada morador narrava sua versão do enredo. Quem dera fosse só o meu enredo, ou que se limitasse aos que me acompanharam nele. A história se repetiu, a história se repete em cada edifício do pequeno Conjunto Muribeca, um bairrozinho do “Berço da Pátria” e quase invisível diante de um “Leão do Norte”, mas que ainda ostenta em letras garrafais as boas-vindas aos seus visitantes, aos moradores e àqueles que tentam ficar, pois em terra de Muribeca quem tem casa é Rei, mas há sempre um cantinho velho para um desabrigado.


Fontes: Jornal do Comércio - Recife
           Site: Olimpíada da Língua Portuguesa

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Descobrindo Olegário Mariano (1)


Morro da Conceição- Recife. Imagem: FolhaPE

Dezembro

Dezembro é um mês religioso. Sinto
Todas as sensações que ele me empresta.
Do livro do Passado quase extinto
É um pouco de emoção que ainda me resta.

Evoca tempo idos... Desenterra
Velhas lembranças comovidamente:
Dezembro fala ao coração da Terra
E a Terra fala ao coração da gente.

Rumor
lento de sinos! Por que rolas
Do alto e vais murmurando pelos valos
?
Não perturbes a toada das violas
Nem o canto metálico dos galos!

Dezembro é um velho cofre de memórias,
Cheio de fantasias e de afetos.
Ai como bolem
na alma as tais histórias
Que as avozinhas contam para os netos!

Hoje que faz luar e a noite é bela,
Alongando os meus olhos à distância,
Deixo-me aqui ficar nesta janela
Enquanto voa o pensamento à infância...

Há vozes, alaridos
, algazarras,
Expressões de alegria, olhos de espanto:
Passam as raparigas
... Falam tanto,
Que parecem um bando de cigarras.

Olho absorto... A paisagem se assemelha
Àquela que eu deixei de olhos molhados...
Entre árvores, sonhava a Casa Velha,
A Vivenda dos meus antepassados.

E ao lado a igreja humilde e luzidia
,
De adro
deserto e de portais franzinos,
Que ao pôr do sol, no alto da torre, abria
As gargantas de cobre dos três sinos.

Ah Dezembro! Teu hálito é tão doce
Que o sinto como um beijo em minha face,
Uma bênção que cai como se fosse
Uma existência que se renovasse.

Para mim que ando cousas relembrando
Evocas
um velhinho... O luar desponta,
Há vozes... E ele passa murmurando
Lendas... Que lindas lendas ele conta.

(De Evangelho da Sombra e do Silêncio, 1912)

domingo, 9 de dezembro de 2012

Eu no Blogosfera

Ganhei de meu filho o livro Blogosfera de Homero Fonseca; nem precisa dizer do que se trata não é? H.F colocou em  livro uma seleção de postagens feitas  entre 2007 e 2009 com seus respctivos comentários, respostas, réplicas e tréplicas. É interessante. De repouso médico me dediquei à leitura do blogosfera. Lá estou eu lendo, concordando, discordando, nada disso, tudo isso e lá para o fim, que vejo? um comentário de Regina Valença!!!  Pois não é que sou eu mesma? Coincidência enorme me encontrar num livro que ganhei! Ô mundo pequeno!

sábado, 8 de dezembro de 2012

Sábado cantado com Gilberto Gil

Aos 70 anos Gilberto Gil esbanja talento. Sobre essa música, que é um poema, é um tratado de filosofia, é um depoimento, é que eu e você pensamos... Tudo isso? Nada disso?   Não sei e também não importa classificar.  Vamos ler. Para ouvir clique na última palavra da letra.

Não tenho medo da morte
mas sim medo de morrer
qual seria a diferença
você há de perguntar
é que a morte já é depois
que eu deixar de respirar
morrer ainda é aqui
na vida, no sol, no ar
ainda pode haver dor
ou vontade de mijar

a morte já é depois
já não haverá ninguém
como eu aqui agora
pensando sobre o além
já não haverá o além
o além já será então
não terei pé nem cabeça
nem figado, nem pulmão
como poderei ter medo
se não terei coração?

não tenho medo da morte
mas medo de morrer, sim
a morte e depois de mim
mas quem vai morrer sou eu
o derradeiro ato meu
e eu terei de estar presente
assim como um presidente
dando posse ao sucessor
terei que morrer vivendo
sabendo que já me vou

então nesse instante sim
sofrerei quem sabe um choque
um piripaque, ou um baque
um calafrio ou um toque
coisas naturais da vida
como comer, caminhar
morrer de morte matada
morrer de morte morrida
quem sabe eu sinta saudade
como em qualquer despedida.



(CD: concertos de cordas e máquinas de ritmo)