sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Esse cara eu conheço





Gilvan Lemos


  "Uma velha com cara de índia entreabriu o postigo e indagou o que era. Não houve resposta imediata à sua indagação: a pessoa que se encontrava do lado de fora parecia certa de ser reconhecida sem mais preâmbulo e, calada, imóvel, até com certo ar brincalhão, esperava que isso acontecesse. Noite cerrada, vivente alguma na rua, um silêncio de expectativa, frio seco.
     Vento ralo na bainha das calças. A velha estática, apreendia tudo isso mais o cheiro do homem à sua porta. Seu rosto escuro, que surgira antes curioso, recebeu de súbito, uma aragem de dúvida, e endureceu retraído.
     A velha recuou meio passo, a mão firme protegendo o postigo, deixou-se envolver na escuridão da sala. A sombra que lhe caía no rosto evitava que suas feições pudessem ser identificadas." ( Em:Os Olhos da treva)


O autor de Olhos da Treva,  é tímido, tem a cabeça ornada de algodão e fala baixo olhando nos olhos.Gosto dele por isso e pelo carinho que tinha por meu pai de quem era afilhado. Não conheço todos os seus 25 livros, mas gostei dos que li. Em todos eles usa de dois elementos que me agradam muito: simplicidade e lirismo.  Acabei de saber que Gilvan Lemos vai ser um dos homenageados na 9ª edição da Bienal Internacinal do Livro de Pernambuco, em 2013. Homenagem justa com o ocupante da cadeira 26 da Academia Pernambucana de Letras.  Vou procurar ler a recém lançada 3ª edição do livro acima, que ainda não conheço. Há uns cinco anos li A Lenda dos Cem e, de cara, imaginei a história no cinema. Cheguei a enviar um exemplar pra Guel Arraes. Nunca soube se recebeu menos ainda se gostou e teve a mesma ideia de filme que eu.  Recomendo a leitura, talvez o internauta também encontre n'A Lenda dos Cem um filme em busca de um cineasta.