domingo, 24 de junho de 2012

Estudantes, Cecília Meirelles

Derramaram-se as estudantes pela praça,
num lampejo de sedas e braceletes;
cestas de flores,
tapete aberto,
caleidoscópio.

Saltam as tranças reluzentes,
desenrolam-se os véus,
ofegam as blusas em cores de pedras preciosas

O vento incha e enrodilha os vastos calções franzidos,
plasma nos corpos adolescentes panos tenuíssimos.
E o sol ofusca os negros olhos cingidos de colírio.

Grande festa na rua matinal,
sob árvores imensas,
entre tabuleiros de bétel
e grãos amarelos.

As estudantes falam com gestos delicados,
com atitudes de estátua,
enleadas em pulseiras,
e nas mãos, com ideogramas de dança,
levantam cadernos, esquadros,
num bailado novo:

e medem a vida
e descrevem o universo.
                                                      Que mundo construirão?

Veja também:
Segunda-feira poética: 

A Amiga Deixada 
Cantiguinhas