sábado, 4 de fevereiro de 2012

Crônica cantada: Ventania, Geraldo Vandré



Meu senhor, minha senhora,
vou falar com precisão.
Não me negue nessa hora,
seu calor, sua atenção
A canção que eu trago agora
fala de toda a nação.
Andei pelo mundo afora
querendo tanto encontrar
um lugar prá ser contente
onde eu pudesse mudar.
Mas a vida não mudava
mudando só de lugar.
Que a morte que eu vi no campo
encontrei também no mar.
Boiadeiro, jangadeiro iguais
no mesmo esperar,
que um dia se mude a vida
em tudo e em todo tugar.
Prá alegrar eu tenho a viola
prá cantar, minha intenção,
prá esperar tenho a certeza
que guardo no coração.
Prá chegar tem tanta estrada
prá correr meu caminhão.
Já soltei o meu cavalo.
Já deixei a plantação.
Eu já fui até soldado,
hoje muito mais amado
sou chofer de caminhão.
Já gastei muita esperança.
Já segui muita ilusão.
Já chorei como criança
atrás de uma procissão.
Mas já fiz correr valente
quando tive precisão.
Amor prá moça bonita,
repeito prá contrmão,
saudade vira poeira,
na estrada e no coração.
Riso franco, peito aberto,
sou chofer de caminhão.
Se você não vice certo,
se não ouve o coração,
não se chegue muito perto,
não perdôo ingratidão.
Riso franco, peito aberto,
vou cantar minha canção.
De setembro a fevereiro
o que vir não vou negar.
Rodando país inteiro,
norte, sul, sertão e mar,
aprendi ser tão ligeiro
que ninguém vai segurar.
Fui vaqueiro e jangadeiro,
no campo e no litoral.
Cantador serei primeiro,
cantando não por dinheiro,
por justo anseio geral.
Cantador serei primeiro,
cantando não por dinheiro,
por justo anseio geral.
Cantando por justo anseio geral
(canta: Quinteto violado)