sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz você em 2012

Agradeço a todos os que estiveram direta ou indiretamente comigo no blog e na vida. Todos foram
muito importantes pra mim neste ano que acabou. Não vou desejar que 2012 traga ou seja isso ou aquilo pra ninguém. Ele não irá me obedecerá, infelizmente. Meu poder resume-se em confiar que cada um dos amigos vá ser plenamente capaz de entrar o novo ano com a firme disposição de fazer seu mundo interior bem ecológico. Limpinho como deve ser. Aí sim, que venha 2012.  Feliz você nesse ano que se inicia.
beijos,
Regina, a blogueira.


Imagem: O Livro do Bom Humor de Lailson Holanda Cavalcanti, usada com autorização do autor.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Biquini Cavadão - Sobradinho


Sá e Guarabira
O homem chega e já desfaz a natureza
Tira a gente põe represa, diz que tudo vai mudar
O São Francisco lá prá cima da Bahia
Diz que dia menos dia vai subir bem devagar
E passo a passo vai cumprindo a profecia
Do beato que dizia que o sertão ia alagar
O sertão vai virar mar
Dá no coração
O medo que algum dia
O mar também vire sertão
Vai virar mar
Dá no coração
O medo que algum dia
O mar também vire sertão
Adeus Remanso, Casa Nova, Sento Sé
Adeus Pilão Arcado vem o rio te engolir
Debaixo d'água lá se vai a vida inteira
Por cima da cachoeira o Gaiola vai subir
Vai ter barragem no salto do Sobradinho
E o povo vai se embora com medo de se afogar
O sertão vai virar mar
Dá no coração
O medo que algum dia
O mar também vire sertão
Vai virar mar
Dá no coração
O medo que algum dia
o mar também vire sertão.

Livros mais vendidos de 2011

Ficção
1. A Cabana, William P. Young (Arqueiro)
2. Querido John, Nicholas Sparks (Novo Conceito)
3. A Guerra dos Tronos, George R. R. Martin (LeYa)
4. As Esganadas, Jô Soares (Cia das Letras)
5. Diário de uma Paixão, Nicholas Sparks (Novo Conceito)
6. Água para Elefantes, Sara Gruen (Arqueiro)
7. A Última Música, Nicholas Sparks (Novo Conceito)
8. Um Amor para Recordar, Nicholas Sparks (Novo Conceito)
9. Um Dia, David Nicholls (Intrínseca)
10.Questões do Coração, Emilly Griffin (Novo Conceito)
Não ficção
1. Steve Jobs, Walter Isaacson (Cia das Letras)
2. Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, Leandro Narloch (LeYa)
3. 1822, Laurentino Gomes (Nova Fronteira)
4. 1808, Laurentino Gomes (Planeta)
5. Feliz por Nada, Martha Medeiros (L&PM)
6. Comer, Rezar, Amar, Elizabeth Gilberty (Objetiva)
7. Guia Politicamente Incorreto da América Latina, Leandro Narloch (LeYa)
8. 50 Anos a Mil, Lobão (Nova Fronteira)
9. Mentes Perigosas, Ana Beatriz Silvia (Fontanar)
10. Comprometida, Elizabeth Gilbert (Objetiva)

Geral (  ficção+não ficção+ auto-ajuda)
1. Ágape, Padre Marcelo Rossi (Globo Livros)
2. A Cabana, William P. Young (Arqueiro)
3. Querido John, Nicholas Sparks (Novo Conceito)
4. Steve Jobs, Walter Isaacson (Cia das Letras)
5. A Guerra dos Tronos, George R.R. Martin (LeYa)
6. Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, Leandro Narloch (LeYa)
7. Diário de uma Paixão, Nicholas Sparks (Novo Conceito)
8. 1822, Laurentino Gomes (Nova Fronteira)
9. As Esganadas, Jô Soares (Companhia das Letras)
10. Água para Elefantes, Sara Gruen (Arqueiro)               

Fonte: PublishNews

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Quarta-feira é dia de: Binóculo - Mário Prata

          Ganhei muitas flores de aniversário. E um binóculo, da Ângela, que vive de pesquisas históricas. Só mesmo uma historiadora para ter uma ideia dessas. Os historiadores gostam de ver tudo de perto.Principalmente fatos distantes.
          As flores murcharam, à média distância. E o binóculo alí, na mesinha, a me observar.Bonito, prateado.Deve ter custado caro. Claro que quem dá um binóculo para uma pessoa como eu, solteiro rodeado de prédios e janelas tentadores e indiscretas, tá mais a fim de me ver procurando mulher pelada. Todo mundo sabe que a única finalidade de binóculo é peito nu da vizinha. Foi inventado em 1645 com essa primordial finalidade. O meu filho viu a peça, pegou. Todo mundo que vê um binóculo, pega. E procura a janela. Depois me informou que luneta é melhor. Melhor, para quê? Li o manual de instruções, em alemão. Entendi tudo porque tinha desenhinho.
          Ainda bem que era alemão, porque é impossível entender qualquer manual de instruções em português. Não é? Experimente, um dia, trocar o pneu do seu carro lendo o manual de instruções. Experimente. Melhor não experimentar. Dá pra ver até o guarda joias da vizinha da direita.
           Há uma semana, comecei a usar o binóculo. Minha vida nunca mais seria a mesma. Vicia. Esse troço devia ser proibido. Hitchcok, o mago, do suspense saba disso. O que seria daquela janela sem o binóculo?
           A empregada do oitavo andar(prédio da frente) por exemplo, não era bem o avião que eu sempre imaginei. Além da falta de um canino, tem um joanete descomunal, posto em observação quando ela senta na mureta para limpar os vidros. 
Os peitinhos, razoáveis. Não raspa as pernas.
          Já aqui no prédio da esquerda, no quinto andar o casal vai mal. Infelizmente o meu binóculo não é sonoro, mas, pela movimentação elisiana* dos braços e mãos da mulher, a coisa vai de mal a pior. O marido não fala nada. Ouve. Há cinco dias que ele ouve. Enquanto isso, no quarto da empregada, a residente lê Caras, com caras e bocas.
           No andar de cima, aquele  aposentado (sim, não sai de casa nunca) faz palavras cruzadas (nível fácil) o dia inteiro. Na piscina, a mais gostosa é mesmo a loiraça de décimo primeiro que só faz malhar. Casada - vejo daqui a aliança - está sempre com o desempregado do quinto, também de aliança.
             Venho torcendo para rolar alguma coisa - afinal, a cama dela possibilita boas imagens aqui no meu potente Tasco (é a marca dele). Acho que vai rolar. Mulher quando rí muito das besteiras dos homens, está a um passo de perguntar o horóscopo, o que, como você sabe, é propor eminente e iminente sacanagem.
           Mas como!? Aquela que briga com o marido está, neste momento, fazendo uma mala. Dela? Dele? Ele não está em casa. Ela joga tudo dentro. Agora dá pra ver. São roupas de homem. Meu Deus, quando ele chegar (sempre por volta das oito) a coisa vai ficar boa. É só apagar todas as luzes do meu apartamento, virar a poltrona e esticar o pescoço e as lentes. E um pouco de imaginação.
          O casal gay da direita, terceiro andar,é felicíssimo. Jantam, veladamente, à luz de velas. Um exemplo para o casal que mora no andar de cima: jovem, constituido de homem e mulher. Ela tem sistema nervoso, como diria a minha empregada. Não sei se ainda  há algum prato na casa dela. Outro dia um voou até pela janela, indo atingir a perna do filho do zelador, lá em baixo. Veio polícia e tudo, mas não descobriram de onde partiu o prato. Eu fiquei na minha.
           Tudo ia bem na minha vida até que descobri que o adolescente do décimo primeiro, da direita, tem uma fantástica luneta, direcionada diretamente para minha janela. isso foi o bastante para que eu fizesse um levantamento de todas as minhas realizações aqui da sala, de um mês para cá, e ficasse envergonhado. E o bastante para que fechasse todas as janelas.
          E agora a situação está assim. Basta eu abrir um pouco a janela e olhar, que ele está lá, a postos, seguindo a minha vida.
           Eu aqui escrevendo e o garoto lá, seguindo a minha vida. Vai virar cronista, quando crescer.

*De Elis Regina, que no início da carreira cantava girando os braços como hélices.

(Minhas tudo
Ed.Planeta do Brasil - 2011)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Segunda-feira poética: Ferreira Gullar

Ferreira Gullar - Imagem Letícia Moreira-Folha Press
 
Off Price
Que a sorte me livre do mercado
E que me deixe
Continuar fazendo (sem o saber)
            fora do esquema
            meu poema
inesperado

            e que eu possa
            cada vez mais desaprender
            de pensar o pensado
e assim  poder
reinventar o certo pelo errado.

(Em Alguma Parte Alguma,Ferreira Gullar, Ed. José Olimpio 2010)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal a todos


Toada à toa
Ferreira Gullar

A vida, apenas se sonha
que é plena,bela ou o que for.
Por mais que nela se ponha
é o mesmo que nada por.

Pois é certo que o vivido
-na alegria ou no desespero –
como  gás é consumido...
Recomeçamos do zero.


Que sejamos sempre capazes de recomeçar.
Feliz Natal, Regina.  Dez.2011

Imagem:Natividade
Joseja de Óbidos (1630-1680)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Crônica cantada: "Véspra" de Natal Adoniran Barbosa


Eu me lembro muito bem
Foi numa véspra de natal
cheguei em casa

Encontrei minha nega zangada, criança chroando,
mesa vazia, não tinha nada
Saí fui comprar bala mistura

Comprei também um pãozinho de mel
E cumprindo a minha jura
Me fantasiei de Papai Noel
Falei com minha nega de lado

Eu vou subir no telhado
E descer na chaminé
Enquanto isso você
Pega a criançada e ensaia do Ding-bel

Ai meu Deus que sacrfício
O orifício da chaminé era pequeno
Pra tirar de lá
Foi preciso chamar
Os bombeiros

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Aniversariante do dia: Gregório de Matos

Gregório de Matos
Gregório de Matos Guerra: poeta Brasileiro que nasceu 1636  época em que  o pais pertencia a Portugal. Por essa razão, era um cidadão luso-brasileiro, mesmo tendo nascido em Salvador . Pertenceu à escola barroca de literatura. Advogado formado em Lisboa exerceu algumas funções em Portugal e no Brasil. Passeou pela poesia  satírica, erótica e até lírica, mas foi por suas críticas severas à igreja católica e à sociedade da época que ficou mais conhecido. Apelidado de "Boca do Inferno"  conseguia  inimigos na mesma proporção em que sua poesia tornava-se conhecida.

Por sua poesia ferina foi deportado para Angola em 1694. Ganha o direito de voltar para o Brasil no mesmo ano. Sem permissão de  entrar em Salvador, vai para a cidade do Recife. Na capital pernambucana, acometido de moléstia contraida em Angola e já se sabendo terminal, solicita a presença de dois padres. A  eles pede que sentem-se cada um de um lado de sua cama e, se colocando como Jesus,diz "estar morrendo entre dois ladrões,tal como ao ser crucificado"


Imagem: Gilmak. gkrascunho@gmail.com

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Quarta-feira é dia de conto: Natal, Rubem Braga


É noite de Natal, e estou sozinho na casa de um amigo, que foi para a fazenda. Mais tarde talvez saia. Mas vou me deixando ficar sozinho, numa confortável melancolia, na casa quieta e cômoda. Dou alguns telefonemas, abraço à distância alguns amigos.

Essas poucas vozes, de homem e de mulher, que respondem alegremente à minha, são quentes, e me fazem bem, "Feliz Natal, muitas felicidades!"; dizemos essas coisas simples com afetuoso calor; dizemos e creio que sentimos; e como sentimos, merecemos. Feliz Natal!

Desembrulho a garrafa que um amigo teve a lembrança de me mandar ontem; vou lá dentro, abro a geladeira, preparo um uísque, e venho me sentar no jardinzinho, perto das folhagens úmidas. Sinto-me bem, oferecendo-me este copo, na casa silenciosa, nessa noite de rua quieta. Este jardinzinho tem o encanto sábio e agreste da dona da casa que o formou. É um pequeno espaço folhudo e florido de cores, que parece respirar; tem a vida misteriosa das moitas perdidas, um gosto de roça, uma alegria meio caipira de verdes, vermelhos e amarelos.

Penso, sem saudade nem mágoa, no ano que passou. Há nele uma sombra dolorosa; evoco-a neste momento, sozinho, com uma espécie de religiosa emoção. Há também, no fundo da paisagem escura e desarrumada desse ano, uma clara mancha de sol. Bebo silenciosamente a essas imagens da morte e da vida; dentro de mim elas são irmãs. Penso em outras pessoas. Sinto uma grande ternura pelas pessoas; sou um homem sozinho, numa noite quieta, junto de folhagens úmidas, bebendo gravemente em honra de muitas pessoas.

De repente um carro começa a buzinar com força, junto ao meu portão. Talvez seja algum amigo que venha me desejar Feliz Natal ou convidar para ir a algum lugar. Hesito ainda um instante; ninguém pode pensar que eu esteja em casa a esta hora. Mas a buzina é insistente. Levanto-me com certo alvoroço, olho a rua e sorrio: é um caminhão de lixo. Está tão carregado, que nem se pode fechar; tão carregado como se trouxesse todo o lixo do ano que passou, todo o lixo da vida que se vai vivendo. Bonito presente de Natal!

0 motorista buzina ainda algumas vezes, olhando uma janela do sobrado vizinho. Lembro-me de ter visto naquela janela uma jovem mulata de vermelho, sempre a cantarolar e espiar a rua. É certamente a ela quem procura o motorista retardatário; mas a janela permanece fechada e escura. Ele movimenta com violência seu grande carro negro e sujo; parte com ruído, estremecendo a rua.

Volto à minha paz, e ao meu uísque. Mas a frustração do lixeiro e a minha também quebraram o encanto solitário da noite de Natal. Fecho a casa e saio devagar; vou humildemente filar uma fatia de presunto e de alegria na casa de uma família amiga.

(*)Texto extraído do livro "A Borboleta Amarela", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1963, pág. 124.