segunda-feira, 30 de maio de 2011

Cultura, Arnaldo Antunes.

O girino é o peixinho do sapo.
O silêncio é o começo do papo.

O bigode é a antena do gato.
O cavalo é o pasto do carrapato.

O cabrito é o cordeiro da cabra.
O pescoço é a barriga da cobra.


O leitão é um porquinho mais novo.
A galinha é um pouquinho do ovo.


O desejo é o começo do corpo.
Engordar é tarefa do porco.

A cegonha é a girafa do ganso.
O cachorro é um lobo mais manso.

O escuro é a metade da zebra.
As raízes são as veias da seiva.

O camelo é um cavalo sem sede.
Tartaruga por dentro é parede.

O potrinho é o bezerro da égua.
A batalha é o começo da trégua.

Papagaio é um dragão miniatura.
Bactéria num meio é cultura.

( in Antunes, Arnaldo,"Nome" São Paulo.BMG Ariola Discos,1993)

sábado, 28 de maio de 2011

Crônicas da M.P.B: Três Apitos, Noel Rosa



Três Apitos
 Noel Rosa

Quando o apito da fábrica de tecidos
Vem ferir os meus ouvidos
Eu me lembro de você

Mas você anda
Sem dúvida bem zangada
E está interessada
Em fingir que não me vê
Você que atende ao apito
De uma chaminé de barro
Por que não atende ao grito tão aflito
Da buzina do meu carro?

Você no inverno
Sem meias vai pro trabalho
Não faz fé com agasalho
Nem no frio você crê

Mas você é mesmo
Artigo que não se imita
Quando a fábrica apita
Faz reclame de você
Sou do sereno
Poeta muito soturno
Vou virar guarda noturno
E você sabe porque
Mas você não sabe

Que enquanto você faz pano
Faço junto do piano
Estes versos prá você

Nos meus olhos você vê
Que eu sofro cruelmente
Com ciúmes do gerente impertinente
Que dá ordens a você

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Vote no Livro Errante

Amigos, o blog Livro Errante foi indicado e está participando da votação para o TopBlog 2011. Agora que você entrou aqui, convido a que dê uma olhada nas postagens que faço  desde 2008.  Caso goste e queira colaborar votando no blog vou ficar muito feliz.


Para votar clique no selo azul TopBlog, à direita da tela e seguir o passo-a-passo.


Agradeço a visita e seu voto.
Um abraço.


Regina

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Sozinho, Eduardo Oliveira Freire


 A menina procurou uma peça bem pequena do quebra-cabeça, que acabara de ganhar de presente.

- Não acho, mãe! - começou a chorar.

- Quem manda, não ter cuidado com suas coisas.- disse a mãe.

Ela continuou a chorar por algum tempo, depois, esqueceu-se da pecinha perdida. Foi brincar com uma coleguinha da rua, onde morava. Aprendeu, que se perde algo ou alguém.

No fim da tarde caiu uma tempestade, típica chuva de verão.

*******

Uma peça se separa do quebra-cabeça. Almeja conhecer outras paisagens. Um grito intenso surge em sua consciência: "Quero ser só".

O vento a sopra para baixo da mesa. A vassoura a varre para fora da casa. A água do rio transborda, carregando-a para longe.

Ela nunca voltou para casa, nem sabe mais o caminho de volta. Esqueceu-se de seu passado. Vive intensamente o presente:

"Eu sou o meu próprio quebra-cabeça".




(www.bestiario.com.br)

Arnaldo Antunes no Prêmio Portugal Telecom 2011


Clique na imagem para ver todos os
livros selecionados
O livro N.D.A de Arnaldo Antunes foi um dos 50 selecinados na primeira etapa da edição deste ano do Prêmio Portugal Telecom.
"Nenhuma das alternativas me atrai
nem a lua que brilha nem a folha que cai
nem o nome do pai



nenhuma das alternativas me dá medo
nem olhar a mulher
nem saber o segredo
nem a bruxa de Blair
nem o bispo Macedo


nenhuma das alternativas me seduz
nem a voz do deserto
nem a mão que conduz
nem o sonho desperto
nem o lustro da luz"
(Do livro: N.D.A - Arnaldo Antunes)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Segunda-feira poética: Contra a Sedução, Bertold Brecht

Estátua de Brecht em frente ao Berliner Ensemble
Escultura de: Fritz Cremer
Foto de Ricardo Demencock

Contra a sedução
Bertolt Brecht

Nunca se deixem seduzir
Não há caminho de regresso
Penetra o dia pelas portas
Durante a noite o vento sopra
Mas a manhã não volta mais.


Nunca se deixem convencer
De que esta vida vale pouco
Bebam a vida em grandes goles
Então verão que ainda foi pouco
Quando tiverem de a deixar.


Não vivam nunca de esperar
O tempo é muito limitado
Deixem mofar os incapazes
O grande bem é a própria vida
Vive-se apenas uma vez.


Nunca se deixem enganar
No mundo há fome e servidão
Qual o motivo de ter medo?
Como animais os homens morrem
E após a morte não há nada.


Bertold Brecht: médico,poeta e teatrólogo alemão. 1898-1956

sábado, 21 de maio de 2011

Horóscopo poético: Gêmeos 21 de maio de 20 de junho

Gêmeos
Vinicius de Moraes

A mulher de gêmeos
Não sabe o que quer
Mas tirante isso
É uma boa mulher.
A mulher de gêmeos
Não sabe o que diz
Mas tirante isso
Faz o homem feliz.
A mulher de gêmeos
Não sabe o que faz
Mas por isso mesmo
É boa demais...

Demais sígnos já publicados:

Peixes

Áries:

Touro:

Leão:

Libra:

Escorpião

Sagitário

Capricórnio:



Próximas publicações:
Câncer
Virgem

Crônicas da M.P.B: E O Mundo Não Se Acabou, Assis Valente





O blog já havia trazido esta música-crônica,porém o vídeo utilizado foi retirado do Youtube. Recoloco agora porque, novamente houve anúncio de fim de mundo e justamente para este sábado. Quem, como eu, sobreviver venha aqui avisar e cantar junto com o Sururu Na Roda.

E O Mundo Não Se Acabou
 Assis Valente

Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...
E até disseram que o sol
Ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez batucada...
Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando
De aproveitar...
Beijei a bôca
De quem não devia
Peguei na mão
De quem não conhecia
Dancei um samba
Em traje de maiô
E o tal do mundo
Não se acabou...
 Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...
E até disseram que o sol
Ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez batucada...
 Chamei um gajo
Com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele
Mais de quinhentão...
Agora eu soube
Que o gajo anda
Dizendo coisa
Que não se passou
E, vai ter barulho
E vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou...
Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...
E até disseram que o sol
Ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez batucada...
Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando
De aproveitar...
Beijei a bôca
De quem não devia
Peguei na mão
De quem não conhecia
Dancei um samba
Em traje de maiô
E o tal do mundo
Não se acabou...


Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar...

Assis Valente: 1911-1958
A primeira gravação desta música foi feita por Marlene-1938
Mantivemos a grafia original

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Prêmio TopBlog 2011

Começou a votação TopBlog 2011. 


 Vou ficar muito feliz se você  votar no Livro Errante.
É fácil:Clique no selo do lado direito da tela.--->
Agradeço a sua colaboração,

Regina

Feira de Livro na Universidade Federal de Pernambuco

Quando? dia 26.05.2011
Onde? Hall do auditório do CCSA - UFPE
A que horas? 19h
Quanto custa? 1Kg alimento não perecível, 1 livro ou R$2,00

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Quarta- feira é dia de conto: No Pago, Clemenciano Barnasque

No Pago


O Último rasto
        É o seu último rasto...
     Deitado para a morte, no chão verde do pago em que vivera, o fogoso bagual de outrora, do alto da coxilha onde definha,vê, além, o sol também morrendo...
      É uma agonia ao acaso.
      Não pode mais se erguer!
      À pegada segura da pata sucede o rasto sangrento de seu dorso, deixando na grama machucada os vestígios de pelo luzidio.
      É o último rasto seu, que fica sobre o campo airosamente pisado tantas vezes!
      ... E, lesto, em longo vôo tardo, um urubu vem descendo sobre aquela pupila agonizante, na ânsia cruel de debicá-la, para que não gele, talvez, na órbita profunda, guardando no cristalino da retina a visão derradeira da querência.


Vencido


      Quando o índio Nico apontava na coxilha, em direção à casa, batendo largamente os calcanhares, escapando pelas pontas dos pés  as tamancas de cepos gastos, a égua alazã, a cria baia escaramuçando atrás, já se tomava cuidado com o charque no varal, por causa do Topete, conhecido avestruzeiro das redondezas.
     Alto, delgado,boca negra, esse jaguara bernento em tudo se assemelhava ao dono.
     Lombo de sem-vergonha eram ambos.
     Por onde passassem, pontas de gado corriam em direção ao rodeio e avestruzes desasavam-se cabriolando gambetas ao ganido fino e cansado do Topete.
     Nos galpões onde chegava não havia guasca que escapasse inteira: de uma feita chegou a tirar um coração de sebo pendurado num cachorro e foi  comê-lo rosnando, atrás dos chiqueiro dos terneiros.
     O dono era a mesma cousa: pedincha e vadio. tudo lhe servia: uma tira de  lonca para costurar a carona vermelha de couro cru, um facão de aparar casco, para fazer gancho e cortar capim, finalmente, qualquer cousa convinha.
     Antigamente, vivera de capanga; agora, cortava santa-fé por empreitada no banhado das Tiriricas, onde erguera um ranchinho.
     Vencido pelo meio, sua inércia era um protesto às coisas de hoje.
     - Dantes - lembrava a pitar, com ar sarcástico - tudo aberto,campanha grande, não se chorava um matungo, um angico oco para furar oropa, avestruz não tinha dono, era de quem pertencesse as boleadeiras.
     Agora até parece que peixe e mulita têm marca. Chô-mico!
     E assim filosofando um vencido do pampa definha, revivendo a vida de outros tempos...


No pampa


    Sua história é a de todos: piazote, redomoneando potrancas, depois enfrenando por conta própria e, finalmente, o seguro vaqueando da fronteira, conhecedor de todos os atalhos.

Rio Inhanduí - Alegrete, RS
     Ferido em 93, no Inhanduí, dizer que guiara uma sortida feliz em Santa Maria Chica, ultimamente...
     Corredor de profissão, sua vida decorreu numa carreira longa, dumbarrancamento para outro.
     Salvou muita parada, inclusive a última, em que um guaiapeva se atravessou no trilho..
     Morreu, mas rodou na frente.
     E assim, atravessados para sempre na raia direita de uma cancha, acabaram anônimos, um potrilho de esperança e um corredor de fama.

(Nota:o blog manteve a grafia original)

________________________________________________________________________________

Clemenciano Brum Barnasque nasceu em São Sapé - RS em 1892 e faleceu aos 49 anos em POA.
Era regionalista, porém seu tema não se resumiu à figura do gaúcho que o "monarca das coxilhas" representava. Clemenciano Barnasque foi um paisagista dos pagos, animalista das coxilhas que, como os artistas plásticos, voltou-se  aos aspectos da vida em campanha. Fez isso em prosas poéticas que denominou de "marchas pampeanas." Excetuando  o "centauro dos pampas", derramou seu ufanismo em os "centauros da história" no livro Efemérides Rio- Grandenses, de 1931 e em O Rio Grande na História e na Legenda de 1932. Clemenciano Barnasque foi redator da Imprensa Oficial do Estado  e Inspetor Estadual de Ensino (Graciliano Ramos também foi em Alagoas). Auto denominava-se um índio de São Sapé. Costumava ser encontrado sempre de bombachas e cuia de mate às mãos mesmo que em casa.  O texto acima postado é de seu livro de estreia: No Pago de 1925.
(Fonte: Entrevero. Ed. L&PM. - Responsável pelos autores gaúchos: Carlos Reverbel)


terça-feira, 17 de maio de 2011

Aniversariante do dia: Carlos Pena Filho


Estátua de Carlos Pena Filho - Praça da Independência,
popularmente conhecida como: Pracinha do Diário 
 Carlos Souto Pena Filho, poeta do azul,nasceu no Recife no dia 17 de maio de 1928. Seu pai era o comerciante português Carlos Souto Pena e sua mãe D. Laurinda Souto Pena. Cursou o ensino fundamental em Portugal. Quando voltou ao Recife, estudou no Colégio Nóbrega e no Joaquim Nabuco.


Muito cedo começou a escrever e manifestar sua vocação poética. Em 1947, publicou no Diário de Pernambuco o soneto Marinha. Daí em diante continuou publicando seus poemas nos suplementos de outros jornais do país. Era saudado como promessa de um grande poeta da novíssima geração pernambucana.

Os primeiros sonetos e poemas escritos foram reunidos e publicados sob o título geral de O tempo de busca. Mais tarde, Carlos Pena Filho publicou um longo poema intitulado Memórias do Boi Serapião; O poema é uma versão erudita do gênero de cordel e inicia de forma sentimental e melancólica.
Foi colaborador do Diario de Pernambuco, Diário da Noite, Folha da Manhã, porém marcou sua atividade jornalística, principalmente, no Jornal do Commercio, onde dirigiu a seção Literatura, mais tarde intitulada Rosa dos Ventos.
Ingressou na Faculdade de Direito do Recife, em 1953, juntou-se a companheiros de uma geração que se interessava muito pela política, pela sociologia e, principalmente, pela literatura, e muito pouco pela Ciência do Direito.
Tendo realizado um mediano exame vestibular, Carlos Pena Filho impôs-se graças à sua sólida cultura. Isso não o impedia de recorrer, vez por outra, à sua imaginação para se safar dos imprevistos. Certa feita, havendo se equivocado durante uma prova oral sobre determinada questão de Direito, refutou o professor que o advertia afirmando com ênfase que um novo mas já “famoso jurista europeu” – Fred Zimeman – pensava do modo como se expressara. O professor aceitou sua “tirada” sem saber, e provavelmente nunca soube, que Fred Zimeman, era justamente um diretor cinematográfico de invulgar talento, responsável pela direção do filme Matar ou Morrer, um dos melhores westerns de todos os tempos, então em voga.

Com Clara Maria, única filha.
 Formado em 1957 publicou: A vertigem lúcida. Carlos Pena estava no auge de sua arte e as edições dos seus livros logo se esgotavam.
Sua última poesia, Eco, foi publicada no Jornal do Commercio, no domingo, véspera de sua morte trágica.
No dia 2 de junho de 1960, o poeta estava no carro de seu amigo, quando foram atingidos por um ônibus desgovernado. Carlos Pena recebeu uma violenta pancada na cabeça. O rádio logo divulgou a notícia e as autoridades e os amigos acorreram ao Pronto Socorro. O motorista e o amigo tiveram ferimentos leves, mas Carlos Pena não resistiu aos ferimentos e morreu no dia 10 de junho de 1960.


(Fontes: wikipedia,www.portalsaofrancisco.com.br,site Pref. Cidade do Recife)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Segunda-feira poética :A Solidão e Sua Porta, Carlos Pena Filho

A Solidão e Sua Porta
Carlos Pena Filho



Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
E quando nada mais interessar
(nem o torpor do sono que se espalha)
Quando pelo desuso da navalha
A barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha


Arquitetar na sombra a despedida
Deste mundo que te foi contraditório
Lembra-te que afinal te resta a vida


Com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída
Entrar no acaso e amar o transitório.


(dedicado a Francisco Brennand)

domingo, 15 de maio de 2011

Crônicas da M.P.B:É Uma Partida de Futebol, Skank



É uma partida de futebol
Bola na trave não altera o placar
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer o gol
Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?

A bandeira no estádio é um estandarte
A flâmula pendurada na parede do quarto
O distintivo na camisa do uniforme
Que coisa linda é uma partida de futebol

Posso morrer pelo meu time
Se ele perder, que dor, imenso crime
Posso chorar, se ele não ganhar
Mas se ele ganha, não adianta

Não há garganta que não pare de berrar
A chuteira veste o pé descalço
O tapete da realeza é verde
Olhando para bola eu vejo o sol

Está rolando agora, é uma partida de futebol
O meio-campo é lugar dos craques
Que vão levando o time todo pro ataque
O centroavante, o mais importante
Que emocionante, é uma partida de futebol

O meu goleiro é um homem de elástico
Os dois zagueiros tem a chave do cadeado
Os laterais fecham a defesa
Mas que beleza é uma partida de futebol

Bola na trave não altera o placar
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer o gol
Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?

O meio-campo é lugar dos craques
Que vão levando o time todo pro ataque
O centroavante, o mais importante,
Que emocionante é uma partida de futebol !

Utêrêrêrê, utêrêrêrê, utêrêrêrê, utêrêrêrê

sábado, 14 de maio de 2011

Babel de papel - por que Buenos Aires?

Ontem postei "Babel de papel - torre de livros na Argentina" que traz a imagem comemorativa da escolha de Buenos Aires como a capital mundial do livro. O que vem a ser isto, explico a seguir:

Capital Mundial do Livro é um título concedido pela UNESCO e por grandes representantes da indústria editorial mundial - Associação Internacional dos Editores (IPA), Federação Internacional de Vendedores de Livros (IBF) e Federação Internacional das Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA) - a uma cidade em reconhecimento da qualidade dos programas de promoção do livro e da leitura e dedicado a toda a indústria do livro.

A cidade nomeada é escolhida para ser a Capital Mundial do Livro por 1ano e a escolha é feita com antecedência, tal copa de mundo e olimpíadas.

As outras cidades já ganhadoras foram:

2001- Madrid, Espanha

2002- Alexandria, Egito
2003- Nova Deli, Índia
2004- Antuérpia, Bélgica
2005- Montreal, Canadá
2006-Turim,Itália
2007-Bogotá,Colômbia
2008-Amsterdam, Holanda
2009-Beirute,Líbano
2010-Liubliana,Eslovênia

2011-Buenos Aires,Argentina




A  Capital Mundial do Livro de 2012 será:
Erevan, na  Arménia.

Leia também: http://livroerrante.blogspot.com/2011/05/babel-de-papel-torre-de-livros-na.html

(Fontes: Estadão e wikipedia)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Babel de papel - torre de livros na Argentina.

Buenos Aires, recentemente designada Capital Mundial do Livro de 2011, inaugurou no dia 11 deste mês uma torre de 28 metros de altura feita de livros.  Podemos até chamar de torre de Babel de papel, porque ela foi feita por 30 mil exemplares de livros de 54 países, vários autores, gêneros, línguas. Tudo para celebrar o título dado pela Unesco.
A autoria é de Marta Minujin, artista plástica que explica ter recebido edições dadas pelas embaixadas e por moradores da cidade de Buenos Aires que passaram 2 meses deixando suas doações nas livrarias da capital argentina. 
Marta Minujin acrescenta que "a ideia foi transfornar a torre num veículo da cultura, unificando o mundo através dos livros".
A estrutura da Babel de papel argentina é de ferro e  tem forma espiralada. Está na praça San Martin até o dia 27 de maio. Os visitantes percorrem a espiral ao som da palavra livro, dita em diversos idiomas e ao final do passeio recebem cópia de "A biblioteca de Babel, conto de Jorge Luis Borges, escritor argentino. 


Para quem, como eu, se perguntou: o que será feito com os livros depois que a torre for desmontada?
Os livros, todos catalogados e plastificados previamente, terão duas destinações: parte será doada aos visitantes e a outra parte fara integrará o acervo da  Primeira Biblioteca Multilíngue da Cidade de Buenos Aires.  Nota: a embaixada brasileira doou 200 exemplares.


(Fonte: Estadão)

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Quarta-feira é dia de conto:Projetos ,Lya Noronha

Projetos
Lya Noronha     
     Joana queria ser o que seu pai sempre sonhou: professora do Instituto de Educação,seria como realizar-se através do sonho do pai.Uma forma de agradá-lo.Estudou por vários anos para conseguir a almejada profissão.Mas a vida fez umas armadilhas para aquela quase menina,que virou sem saber ,mulher e sem querer,mãe.E tudo ficou guardado entre papéis ,fraldas,escritos e outras caixas que nunca eram remexidas,ela também depositou seus ideais,esperando por um tempo mais propício para executá-los.Queria ser psicóloga,decoradora e escritora.Por vezes até duvidava se esse tempo chegaria.

     Então a mesma roda da vida girou uma vez mais,e ela se viu sozinha com o filho,sem condições,sem esperanças,mas com muita coragem.E essa mesma coragem ela utilizou para conquistar um espaço,mudar de profissão,tentar alternativas outras,que a fez avançar financeiramente,mas a limitou na sua área de conhecimentos,porque a então mulher,já quase madura,parou no tempo,investiu muito pouco em si mesma.Cuidou de melhorar as condições do filho,que um dia falou para ela,que ela não chegaria a lugar nenhum,e que hoje nem a procura mais.Passou o dia das mães como se fosse um estranho no mesmo ambiente que ela.E ela tratou de retornar para casa chorando,com uma sensação de nada ter feito,e hoje viver por viver: sem projetos.

(Este conto ficou em 2º lugar no Concurso de Contos da Petros- ano 2000)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Memórias Póstumas de Bras Cubas, queridinho de Woody Allen



Um brasileiro envia Machado de Assis para  Woody Allen com o recado: "você vai gostar disso". Acertou  em cheio. O produtor, diretor e ator americano diz que não teria lido se o livro fosse de muitas páginas. Não sendo, leu e ficou maravilhado. Ressaltou  que Memórias Postumas de Brás Cubas é original, charmoso e divertido. Ao jornal inglês The Guardian disse, ainda, ser espantoso que Machado tenha vivido em tempo tão distante visto que para ele o livro é  moderno. Acrescentou que Memórias Póstumas lhe despertou algo como também aconteceu com O Apanhador no Campo de Centeio de J.D. Salinger.
Para Woody Allen Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis e O apanhador no campo de centeio", de J. D. Salinger; estão entre seus 5 livros prediletos. 
Os demais são:Coletânea de textos de humor The world of S. J. Perelman;
Biografias Really the blues, de Mezz Mezzrow e Bernard Wolfe, e Elia Kazan, de Richard Schickel.


(Fonte: Diário de Pernambuco)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Segunda - feira poética: Mário Vargas Llosa

   Estatua viva
Mário Vargas Llosa

Tengo un revoltijo
en la cabeza:
Pensamientos, 

Un sombrero de
Púas e barrotes

Descascarados
Y la imagen de

Una pierna
Frangante de
Mujer.

(digo frangante
Pero podría decir
También
Suculenta,
Voluptuosa,

Aterciopelada,
Núbil o
Febril)

La armazón
Deleznable
Que me colma
Significa disperción,
Riqueza,
No confusión.
Soy todas
Esas cosas:
Desejos y sueños,
Basura y deseo,
Belleza,
Escombros
Y una tierna 
Ansiedad.
II
Decir que no vivimos
Porque somos de medera
Piedra o bronze
Es una
Infame calunia.
Hablo en plural
Pensando en
Mis hermanas:
Habitan en el 
Corazón de las
Pinturas,
De los poemas,
En las acrobacias
De las bailarinas
O aparecen
Y desaparecen,
Disgragadas,
Diseminadas,
Intensas,
Inefables,
Invisibles,
En los efluvios
De la musica.
¿No vivimos?
Amamos,
Soñamos,
Sentimos,
Sobresaltadas,
Transidas
Y exaltadas
Por los misterios
De la vida,
Impregnadas
De sensaciones
Delicadas
Y potentes
Deseo.
La nostalgia
De la palabra
Y de la carne
¿No es vivir?
Es vivir de
Manera
Más pura
-¿O deberia decir
menos impura?-
Más esencial,
No tán estúpida
Y acaso
Mewnos parecedera
III
Confinada en
Este parque
De sauces
Castaños,
Senderos de grava,
Césped
Y bancas de madera
Tengo una existencia
Llavadera,
Quieta y tranquila
Aunque no exenta
De compensaciones
Y sorpresas.
No me molesta 
Que los perros
Me orinen
Levantando
Una pata.
Me emociona
Que los enamorados
Se besen
Y acaricien
En la sombra
Que proyeto,
Que los vagabundos 
Se acurruquen
A mis pies
Cubiertos de cartones
Para sortear
La noche.
Pero odio
A los muchachos
Que no navajas
Filudase rasguñan
Y desportillan
Tratando
De pasarme
Sus inmundos
Tatuajes.
Cierto:
Sufro a veces
Por mi mudez
Y mi inmivilidad.
En los veranos
Calurosos
Me gustaría
Refrescarme

En el estanque
De los patos
Y en los inviernos
Cantar
Entonadas melodías
O recitarle
Un poema romantico
A la luna.
Son sueños 
Imposibles,
Como partir
En expedición
Al polo norte
O susurarle en 
El oído
Palabras tiernas
A esa muchacha
Pelirroja
Que comtiempla
La geografía
De las nubes

Y suspira
Además
De hacer el amor,
De eyacular
Con alegría
E ímpetu
En el cuerpo
De mi amada,
También
Me gustaría
Morir
La inmortalidad
Es larga
Y aburrida.
Lo que da 
Pasión y frenesi
A la vida
Es saber
Que
Más pronto 
O mas tarde
Se termina
A veces
Me desmoraliza
Una premonición:
Que
Cuando a todos
Estos humanos
Se los hayan
Comido
Los gusanos
Y a todos
Los árboles
Que me rodean
Los hayan
Carbonizado
Los incendios,
Marchitado
Los años
O arrebatado
Los vientos
Del huracán,
Yo seguiré
Aqui,
Lozana
Y joven,
Desafiando
Al tiempo
Con la serenidad
De las estrellas

domingo, 8 de maio de 2011

Dia das mães - 2011

Para quem já teve ou vai ter

o privilégio de ser retratada por um Picasso

ou uma Tarsila
que faziam trelas impagáveis mas se sabiam os anjos que eram mesmo,
meu abraço.
Feliz dia das mães

do blog, com carinho.

sábado, 7 de maio de 2011

Crônicas da M.P.B:Despejo na Favela/Abrigo de Vagabundo, Adoniran Barbosa



Despejo na favela
Adoniran Barbosa

Quando o oficial de justiça chegou
La na favela
E contra seu desejo entregou pra seu narciso um aviso pra uma ordem de despejo
Assinada seu doutor , assim dizia a petição dentro de dez dias quero a favela vazia e os
barracos todos no chão
É uma ordem superior,
Ôôôôôôôô Ô meu senhor, é uma ordem superior { 2x
Não tem nada não seu doutor, não tem nada não
Amanhã mesmo vou deixar meu barracão

Não tem nada não seu doutor vou sair daqui pra não ouvir o ronco do trator
Pra mim não tem problema em qualquer canto me arrumo de qualquer jeito me ajeito
Depois o que eu tenho é tão pouco minha mudança é tão pequena que cabe no bolso de trás

Mas essa gente ai hein como é que faz???? {2x

Abrigo de vagabundos
Adoniran Barbosa

Eu arranjei o meu dinheiro

Trabalhando o ano inteiro
Numa cerâmica
Fabricando potes
e lá no alto da Moóca
Eu comprei um lindo lote dez de frente e dez de fundos
Construí minha maloca
Me disseram que sem planta
Não se pode construir
Mas quem trabalha tudo pode conseguir
João Saracura que é fiscal da Prefeitura
Foi um grande amigo, arranjou tudo pra mim
Por onde andará Joca e Matogrosso
Aqueles dois amigos
Que não quis me acompanhar
Andarão jogados na avenida São João
Ou vendo o sol quadrado na detenção
Minha maloca, a mais linda que eu já vi
Hoje está legalizada ninguém pode demolir
Minha maloca a mais deste mundo
Ofereço aos vagabundos
Que não têm onde dormir