sábado, 30 de abril de 2011

Crônicas da M.P.B:Meu Guri Chico Buarque com Elza Soares e




Meu Guri
Chico Buarque
Elza Soares e o Grupo de Teatro Nós no Morro

Quando, seu moço, nasceu meu rebento

Não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome
E eu não tinha nem nome pra lhe dar
Como fui levando, não sei explicar
Fui assim levando ele a me levar
E na sua meninice ele um dia me disse
Que chegava lá
Olha aí
Olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega
Chega suado e veloz do batente
E traz sempre um presente pra me encabular
Tanta corrente de ouro, seu moço
Que haja pescoço pra enfiar
Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro
Chave, caderneta, terço e patuá
Um lenço e uma penca de documentos
Pra finalmente eu me identificar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega no morro com o carregamento
Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador
Rezo até ele chegar cá no alto
Essa onda de assaltos tá um horror
Eu consolo ele, ele me consola
Boto ele no colo pra ele me ninar
De repente acordo, olho pro lado
E o danado já foi trabalhar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega estampado, manchete, retrato
Com venda nos olhos, legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente, seu moço
Fazendo alvoroço demais
O guri no mato, acho que tá rindo
Acho que tá lindo, de papo pro ar
Desde o começo, eu não disse, seu moço
Ele disse que chegava lá
Olha aí, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Arrasando na terceira idade: O Apanhador no Campo de Centeio - 60 anos

Inicio hoje série de postagem dos livros famosos que estão na terceira idade.




O Apanhador No Campo de Centeio J.D.Salinger -

Lançado em livro nos USA em 1951.
Considerado pela TIMES uma das 100 melhores novelas na lingua inglesa, em 2005  e um dos 100 melhores livros em língua inglesa do século 20. 

Editora do autor
Brocura, 208 páginas
R$59,90
Livraria Cultura









Outras obras do  autor publicadas no Brasil:

Nove Estórias (contos)
Carpinteiros, Levantem Bem Alto a Cumeeira & Seymour, uma Apresentação
Franny e Zooey

(Fontes: Wikipedia,Estadão,Liv.Cultura)

Leia também: arrasando na terdeira idade: O Retrato Érico Veríssimo:http://livroerrante.blogspot.com/2011/05/arrasando-na-terceira-idade-o-retrato.html

quinta-feira, 28 de abril de 2011

João Cabral de Melo Neto, um vozinho.

 Eis Dandara, alegria da rua,/que nasceu a assoviar,/quando virás por aqui/ver teus avós em Dacar?"

João Cabral de Melo Neto o talentoso escritor pernambucano que falava e escrevia magro como ele próprio, era um avô! Não sei por que nunca liguei sua imagem à de um avô. Como se por tão econômico nas palavras devesse, da mesma forma, ser também nos afetos. Injustiça a minha. Avô, como diz minha irmã, é uma instituição. João Cabral era um avô!! Claro, um avô que escrevia, mas um avô. E como todos um babão. Sim, João Cabral de Melo Neto, esse ícone nacional, era um babão. Com grande felicidade leio que J.C, quando morava no Senegal, como embaixador do Brasil,fazia versos para a neta Dandara, a cada fotografia que recebia da garotinha. Vô encantado e saudoso, não sei se mais um ou outro, escreveu com letra miúda todo o carinho que tinha pela pequena de 2 anos. Quando já tinha razoável volume de fotos e textos, organizou e juntou tudo num álbum que ficou guardado como relíquia pela família. Recentemente o que ele próprio chamou Ilustrações para Fotografias de Dandara foi transformado em livro pela Ed. Objetiva.






Dandara, como toda neta que se preza, também tinha encantamento pelo avô. Ela conta que era jogadora de futebol feminino e tinha incentivo de João Cabral. Na última vez em que se encontraram Dandara não podia se demorar muito por ter de comparecer a um jogo de seu time. O avô compreendeu, liberou da visita mas pediu um gol. Ela, da defesa, aventurou-se no ataque. Ao fim do jogo lhe dedicou os dois gols feitos na partida.
Ilustrações para Fotografias de Dandara
Ed. Objetiva
Páginas:36
RS36,90


(Fontes: Folha de São Paulo e Estadão
Imagens: Liv. Martins Fontes - fotografia de: Paula Giolito Folhapress)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Quarta-feira é dia de conto: Bolo Podre

Bolo Podre
Alexandre Simas Dias

A desilusão bebe café com a verdade todas as manhãs naquele café perfumado de sovaco e fumo de cigarros.
Bebem café e no fim não se despedem.
Olham lá para fora, e num esgar de desprezo e temor dizem uma para a outra:
- Nah, é melhor ficarmos por aqui...!
São duas tontas com medo do mundo.
Esqueceram todas as palavras.E só sabem repetir uma para a outra, incessantemente e em silêncio:
Desilusão – já estou em todo o lado, por isso, fico aqui.
Verdade – estou esquecida, não sei o que sou, é melhor ficar por aqui.


(www.pedrocarneiro.com.br)

terça-feira, 26 de abril de 2011

3.000 acessos a gente não esquece

Hoje o blog conseguiu boa marca: 3000 acessos no mês.  Agradeço aos amigos, seguidores, internautas que estiveram aqui e de alguma forma deixaram sua pegada.


Agradeço ao escritor e jornalista Fred Matos, meu primeiro seguidor que gentil e pacientemente me cedeu poema e conto para postagem; Marcelo Hasegawa que cedeu o primeiro poema e Evaldo o primeiro conto postados no blog.  Sou grata também à jornalista Suzana Valença que  presenteou com sua agradável presença enquanto  me deu valiosa orientação.

Adorei esse livro!

Alguns integrantes da comunidade Livro Errante dizem os livros de que gostaram muito até abril de 2011


A Senhora das Savanas - Hilton Marques:Tendo a África como pano de fundo e as relações humanas como fio condutor, Marques mostra a realidade de um continente repleto de injustiças e questões políticas e sociais, que vão do despotismo militar aos excessos do fundamentalismo.

Um romance repleto de aventura, que descreve o continente com veracidade e prende o leitor com personagens marcantes.
Quem adorou: Bete Lima  e  Regina Porto


  A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón - narrativa de ritmo eletrizante, escrita em uma prosa ora poética, ora irônica. O enredo mistura gêneros como o romance de aventuras de Alexandre Dumas, a novela gótica de Edgar Allan Poe e os folhetins amorosos de Victor Hugo. Ambientado na Barcelona franquista da primeira metade do século XX, entre os últimos raios de luz do modernismo e as trevas do pós-guerra, o romance de Zafón é uma obra sedutora, comovente e impossível de largar.
Quem adorou: Bete Lima


Como Água Para Chocolate - Laura Esquivel:Tita vive, nos primeiros anos do século XX, numa localidade fronteiriça mexicana de arrigados e severas normas sociais. Como filha mais nova, devia consagrar a sua vida ao serviço da família e esquecer-se do amor. Mas tudo se complica quando Tita se apaixona por um jovem chamado Pedro Muzquiz. Como a Mamã Elena não deseja prescindir da sua filha mais nova que a deveria cuidar na velhice, a "solução" que encontra consiste em oferecer a mão de outra das suas filhas a Pedro... Nesta desesperante situação, a cozinha e os seus feitiços tornam-se na única válvula de escape para a sensualidade da jovem...

Quem adorou: Cris Bauer e Tânia Druet


Água para Elefantes, Sara Gruen:Desde que perdeu sua esposa, Jacob Jankowski vive numa casa de repouso, cercado por senhoras simpáticas, enfermeiras solí­citas e fantasmas do passado. Por 70 anos Jacob guardou um segredo. Ele nunca falou a ninguém sobre os anos de sua juventude em que trabalhou no circo. Até agora. Aos 23 anos, Jacob era um estudante de veterinária. Mas sua sorte muda quando seus pais morrem num acidente de carro. Órfão, sem dinheiro e sem ter para onde ir, ele deixa a faculdade antes de prestar os exames finais e acaba pulando em um trem em movimento - o Esquadrão Voador do circo Irmãos Benzini, o Maior Espetáculo da Terra ...
Quem adorou: Cris Bauer

A Rainha do Castelo do Ar - Stieg Larson:Neste terceiro volume da série, grande parte dos segredos é desvendada. Lisbeth Salander agora conta com excelentes aliados. O principal é Mikael Blomkvist, jornalista investigativo que já solucionou crimes escabrosos. No mesmo 'front', estão ainda Annika Giannini, irmã de Mikael, advogada especializada em defender mulheres vítimas de violência, e o inspetor Jan Bublanski, que segue sua própria linha investigativa, na contramão da promotoria. 'A rainha do castelo de ar' enfoca as mazelas da sociedade - da ciranda financeira ao tráfico de mulheres.
Quem adorou:Cris Bauer e Richardson Noccheli.


Sabres e Utopias - M.Vargas Llosa:Nos artigos reunidos na obra, ele fala sobre os mais diversos temas: política, direitos humanos, literatura e artes plásticas, economia e história. Acima de tudo, o escritor se mostra um defensor aguerrido da democracia e da liberdade. Ele ataca com precisão tanto os regimes militares de direita, corruptos e violentos, quanto as ditaduras de esquerda, que prometem utopias mas entregam somente repressão e autoritarismo.Com respeito ao Brasil, faz análises impactantes sobre a situação política atual, com duras críticas à relação entre Lula e Fidel Castro, e constrói relatos comoventes sobre grandes nomes da literatura - como Euclides da Cunha e Jorge Amado -, em textos selecionados especialmente para esta edição.
Quem adorou: Regina


Peixe na Água- M.Vargas Llosa: é um livro de memórias. Vargas Llosa começou a escrevê-lo logo depois de sua derrota nas eleições de junho de 1990 à presidência do Peru. Parte dele é um relato minucioso da gênese da candidatura de Vargas Llosa, do período de campanha e do surpreendente e súbito declínio das intenções de voto a seu favor. Em capítulos alternados, o livro contém a história da infância e da adolescência de Mario Vargas Llosa, estendendo-se até 1958, quando o jovem escritor deixa o Peru para ir viver em Paris. Num tom pessoal, comovente e bem-humorado, desfiam-se episódios que mais tarde receberiam tratamento literário na obra ficcional do autor.
Quem adorou: Regina





Livro - Venenos de Deus,  Remédios do Diabo -Mia Couto:Bartolomeu Sozinho é um velho mecânico naval moçambicano, aposentado do trabalho, mas não dos sonhos ardentes e dos pesadelos ressentidos que elabora em seu escuro quarto de doente terminal. Ele é atendido em domicílio por Sidónio Rosa, médico português.A narrativa entrelaça a vida de Bartolomeu, de sua rancorosa mulher,Munda, da ausente e quase mitológica Deolinda, filha do casal, do dedicado Doutor "Sidonho", bem como de Suacelência, o suarento e corrupto administrador de Vila Cacimba, um lugarejo imerso em poeira e cacimbas (neblinas) enganadoras. São vidas feitas de mentiras e ilusões que tornam difícil diferenciar o sonho da realidade.
Quem Adorou:Tânia Drouet.

Vastas Emoçoes e Pensamentos Imperfeitos, Rubem Fonseca: com esse livro R.F nos abre o caminho para um mundo onde a realidade e a ficção, o sonho e a vigília, se confundem numa intrigante história cujo pano de fundo é o cinema. Estão presentes todos os elementos que consagraram Rubem Fonseca como um dos melhores escritores brasileiros - o ceticismo, a concisão, a aguda percepção da realidade e o absoluto domínio da história, cuja agilidade e perfeita progressão de suspense mantêm o leitor cativo até o final do livro.

Quem adorou: Frank

TopBlog 2012- para votar no LivroErrante, clique no selo dourado à direita da tela.A blogueira agradece.


segunda-feira, 25 de abril de 2011

Segunda - feira poética: o indeciso

O indeciso
José Jorge Letria



Eu quero ser tudo
futebolista e arquitecto
actor de cinema mudo
é preciso é que dê certo.

No fundo o que eu quero
é ser grande e bem depressa
porque isto de crescer
não pode ser só conversa.


Quero ser grande em altura
sem ter projecto nenhum
e quem sabe se hei-de ser
piloto de Fórmula Um?


Também quero ser marinheiro,
alpinista e domador,
herói de banda desenhada,
pirata e aviador.


Quero ser de tudo um pouco
Pois tenho imaginação
Para acreditar que acordo
Com o mundo na palma da mão.

__________________________________________________________________
José Jorge Letrias (Cascais - Portugal 1951)Jornalista, poeta, dramaturgo, ficcionista e autor de:
Infanto-juvenil:

A Minha Primeira República, Dom Quixote, ilustrações de Afonso Cruz, 2009
Henriqueta, a Tartaruga de Darwin, Texto/Leya, ilustrações de Afonso Cruz, 2009
Galileu à Luz de uma Estrela, Texto/Leya, ilustrações de Afonso Cruz, 2009
O Dia em que o Homem Beijou a Lua, Portugália, ilustrações de Carla Nazareth, 2009

A Alfabeto dos Países, Oficina do Livro, Ilustrações de Afonso Cruz, 2009
Era Uma Vez um Rei Conquistador, Oficina do Livro, ilustrações de Afonso Cruz, 2009
Machado dos Santos-Herói da Rotunda,Texto/Leya, ilustrações de Afonso Cruz, 2010

Adulto:
Meu Portugal Brasileiro, Oficina do Livro, 2008
O Que Darwin Escreveu a Deus,Oficina do Livro, 2009
Coração Sem Abrigo, Oficina do Livro, 2009
A Última Valsa de Chopin, Oficina do Livro, 2010

O Vermelho e o Verde, sobre a implantação da República, ed. Planeta, 2010

Comprar pela embalagem: capa de livro

Além do autor, assunto e  título a capa do livro também atrai e vende o produto. Abaixo dois livros cujas capas são atraentes.

Estrela de couro - A Estética do Cangaço

 A capa  já leva o leitor ao assunto do cangaço e à sua estética.
 Sem palavras tem capa inteligente auto explicativa.













E você?  quer sugerir uma boa capa?

sábado, 23 de abril de 2011

Horóscopo poético: Touro, 22 de Abril a 21 de Maio


Touro
Vinicius de Moraes

O que é que brilha sem
Ser ouro? - A mulher de Touro!
É a companheira perfeita
Quando levanta ou quando deita.
Mas é mulher exclusivista
Se não tem tudo, faz a pista.
Depois, que dona-de-casa...
E à noite ainda manda brasa.
Sua virtude: a paciência
Seu dia bom: a sexta-feira
Sua cor propícia: o verde
As flores dos seus pendores:
Rosa, flor de macieira.


Tenham todos uma boa páscoa


Winchester Cathedral Choir - Jesu, Joy of Man's Desiring

J.S.Bach -

 Jesus Alegria dos Homens é o coro final da cantata "Coração e boca e Ações e Vida"(Herz und Mund und Tat und Lseben), escrita em Leipzg - Alemanha em 1716


Até segunda-feira.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Crônicas da M.P.B:Cássia Eller -E.C.T.



E.C.T
Nando Reis, Marisa Monte, Carlinhos Brown - Cássia Eller
Tava com cara
Que carimba postais
Que por descuido
Abriu uma carta que voltou
Levou um susto
Que lhe abriu a boca
Esse recado veio pra mim
Não pro senhor...

Recebo o crack, colante
Dinheiro parco, embrulhado
Em papel carbono e barbante
Até cabelo cortado
Retrato de 3x4
Prá batizado distante
Mas isso aqui, meu senhor
É uma carta de amor...

Levo o mundo
E não vou lá...(3x)
Levo o mundo e não vou...

Mas esse cara
Tem a língua solta
A minha carta
Ele musicou
Tava em casa
A vitamina pronta
Ouvi no rádio
A minha carta
De amor..

Dizendo:
-Eu caso contente
Papel passado e presente
Desembrulhado o vestido
Eu volto logo, me espera
Não brigue nunca comigo
Eu quero ver nossos filhos
O professor me ensinou
Fazer uma carta de amor...

Leve o mundo
Que eu vou já...(3x)
Leve o mundo que eu vou...

Mas esse cara
Tem a língua solta
A minha carta
Ele musicou
Tava em casa
A vitamina pronta
Ouvi no rádio
A minha carta
Sim senhor!..

Dizendo:
-Eu caso contente
Papel passado e presente
Desembrulhado o vestido
Eu volto logo, me espera
Não brigue nunca comigo
Eu quero ver nossos filhos
O professor me ensinou
Fazer uma carta de amor...

Leve o mundo
Que eu vou já...(3x)
Leve o mundo que eu vou...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Quantos livros você bebeu?


R$1,25

Sei que há um montão de gente que não gosta de ler. Alegarão diversas razões para isso; não vou concordar com nenhuma  e, assim sendo, prefiro passar para a frente. Quem não lê mas gosta de beber poderia me ajudar na curiosidade:  descobri que 1 latinha de uma cerveja muito falada recentemente custa apenas R$1,25 - admito minha ignorância: achava que custava em torno de R$5,00. Vamos transformar a Devassa em moeda corrente e converter alguns livros/ jornais?

Os três livros mais vendidos  da semana:
Pequeno Príncipe (Ficção)

Antoine de Saint-Exupéry
Preço:D$11,92
preço:R$14,90

1822 (Não ficção)
Laurentino Gomes
Preço:D$20,64

preço:R$25,80


Ágape (auto- ajuda)
Padre Marcelo Rossi 
Preço:D$10,64
Preço:R$13,30


Quantas Devassa(D$) custa o livro que terminei de ler hoje?
Escada dos Anos
Anne Tyler
Preço:D$37,04
Preço:R$46,30



E se Kotler for vendido em Devassa, será que posso comprar?
Princípios de Marketing
Philip Kotler e Gary Armstrong-12ªEd.
Preço:D$82,56
Preço:R$103,20


E a Folha de São Paulo- edição do domingo, quanto custaria?
Folha de São Paulo
Preço:D$2,30
Preço:R$4,00






Realmente ler é muito mais caro.  Vamos provar mais uma vez?  Agora é a sua parte: veja quanto você gastou na última mesa de bar e converta em livros.  Sua moeda é o livro mais barato dentre os três mais vendidos da última semana:Ágape.Padre Marcelo não vai ficar zangado; veja quantos livros você bebeu.

Preços dos livros: Liv.Saraiva
Preço da cerveja: Wall Mart -19/04/11

Leia também:
http://livroerrante.blogspot.com/2008/04/comentrio.html

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Quarta-feira é dia de conto: O Bom Padeiro

O Bom Padeiro
Marcos Rodrigues

Não havia discordância. Não se consegue um padeiro casado para trabalhar numa ilha com 150 soldados. Mas o coronel Veloso insistiu; ele podia.
O anúncio buscava um casal, ele padeiro e ela para serviços de limpeza. Oferecia bom salário, casa com dois cômodos e dois anos de contrato. Apareciam interessados, mas logo na entrevista, quando falavam em 150 soldados, o interesse evanescia. Sobretudo quando esclareciam que era uma companhia formada por três pelotões de 50 soldados cada. O coronel pedia que não usassem a palavra pelotão, que assusta mais que soldado, mas o pessoal esquecia. Foram dois meses seguidos de anúncio no jornal, até que apareceu o Miranda e sua mulher. Surpreendentemente seguro e resoluto. Não pestanejou, o acerto foi rápido e logo foram embarcados. De mala e cuia.


Nem bem chegaram e os pães começaram a sair daquele grande forno, deixado para trás pelos americanos. Na ilha, a vida mudou. Nem tanto pelos pães, que eram bons, mas pela mulher do Miranda, um mulherão. Trabalhava pelos galpões, fazia faxina, arrumava os alojamentos e tudo o mais. Às vezes até passeava na praia. Sorridente no vento. Um espetáculo.


Não passou nem uma semana e a Elenice já estava dando na ilha. Em segredo jurado, claro. Imagine, mulher casada. Com o marido ali mesmo na ilha, sem saída. Sem escape. Um perigo.

Mas não foi só pra um. Foi pra muitos. E pra cada um, dengosa, pedia um dinheirinho para juntar e trazer as filhas que moravam com uma tia. Uma judiaria. Meiga, dizia que o marido era um mão-de-vaca e, além disso, muito bravo. Ai se o Miranda soubesse de todas as coisas. Matava mesmo, ela dizia baixinho. Por muito menos, ele já tinha puxado faca, ela dizia olhando pros lados. Mesmo no escuro.


Essa conversa naturalmente aumentava o desejo. Ela mesma ficava mais ardente. Mais valiosa também. Claro.

E assim ela foi levando a vida na ilha. Generosa e valente, atendia os três pelotões. Não se metia com oficial. Tinha tino pra negócio, não fazia bobagem. Mas os soldados não gostavam somente das coisas da Elenice, gostavam dela mesma, a pessoa, e de dar uma ajudinha também. Era legal a Elenice. Sentiam também um enorme prazer em pregar os cornos no Miranda que, não obstante ter trazido o bom pão e o sexo para a ilha , era odiado por todos. Afinal, o desgraçado era o dono da Elenice.


Claro que, com o tempo, uns sabiam de outros. Ciúmes, ilusões e fantasias arrebentavam pra todo lado. Mas aguentavam todos firmes, calados. Não era ética, não. Era só prática mesmo. Medo. A coisa não podia estourar. Às vezes brotava a tensão. Saía uma falazinha maldosa, um boatozinho venenoso, mas o próprio Miranda resolvia tudo. Bobagem, o pessoal fala mesmo de mulher, ainda mais numa ilha cheia de soldado, dizia o padeiro. Com essa bênção, a paz voltava pra ilha. Curioso poder, o do Miranda.


Ao fim dos exatos dois anos o dadivoso casal se foi e a ilha ficou triste. Muito triste. Ilha mesmo.

Não deu muito tempo e, numa sexta feira, chega a notícia de que os dois não estavam mais juntos. Contaram que o Miranda tinha aberto um boteco e ela tinha montado um salão de beleza, longe dele. Garantiram que ela estava feliz e só.


Naquele dia muitos sonharam. Como jamais se sonhou naquela ilha.


O que ninguém sabia é que os dois nunca foram casados. O Miranda padeiro era empreendedor, mas descapitalizado. Homem magro, de libido flamejante, jamais iria sozinho pra uma ilha. A Elenice, esta, era uma velha conhecida da zona. Miranda pensou bem e propôs negócio. Tudo muito sensato, tudo muito objetivo, tratado no fio do bigode. Ele dava casa e comida pra ela, arrumava muitos clientes e rachavam o dinheiro. Por outro lado, ela dava pra ele, cozinhava, lavava e passava. Bom pros dois.


Na verdade, bom pra todo mundo. Até pra mim que, menino de tudo, aprendi muito com a Elenice.






*Marcos Rodrigues é engenheiro civil pela Escola Politécnica da USP, PhD pela University of Cambridge, Inglaterra. Desde 1990 é Professor Titular da Poli - USP, na área de Informações Espaciais. Dedica-se também à literatura.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Aniversário de 125 anos:Manuel Bandeira - Evocação do Recife



Manuel Bandeira faria hoje 125 anos



Veja também:
http://livroerrante.blogspot.com/2011/04/aniversariante-do-dia-manuel-bandeira.html

Aniversariante do dia: Manuel Bandeira


Estátua na Rua da Aurora, às margens do Rio Capibaribe
 A Vida Assim Nos Afeiçoa
Manuel Bandeira 


Se fosse dor tudo na vida,
Seria a morte o sumo bem.
Libertadora, apetecida,
A alma dir-lhe-ia, ansiosa: - Vem!


Quer para a bem-aventurança
Leves de um mundo espiritual
A minha essência, onde a esperança

Pôs o seu hálito vital;


Quer no mistério que te esconde,
Tu sejas, tão somente, o fim:
- Olvido, impertubável, onde
"Não restará nada de mim!"


Mas horas há que marcam fundo...
Feitas, em cada um de nós,
De eternidades de segundo,
Cuja saudade extingue a voz.


Ao nosso ouvido, embaladora,
A ama de todos os mortais,
A esperança prometedora,
Segreda coisas irreais.


E a vida vai tecendo laços
Quase impossíveis de romper:
Tudo o que amamos são pedaços
Vivos do nosso próprio ser.


A vida assim nos afeiçoa,
Prende. Antes fosse toda fel!
Que ao se mostrar às vezes boa,
Ela requinta em ser cruel

______________________________________________________________________
Recife comemora:
Na Rua da Aurora tem recital poético, a partir das 16h30, junto à estátua de Bandeira. Entre os dias 26 e 29, Projeto "De bicicleta com Bandeira". A proposta é levar a poesia do homenageado através de "bicicletas de propaganda". Jomard Muniz de Britto vai gravar seu poema preferido, para levá-lo a vários bairros da Região Metropolitana. Entre as parcerias formadas para a celebração de Bandeira, destaca-se, ainda, a formada com a Releitura - Rede de Bibliotecas Comunitárias da Região Metropolitana. A Releitura desenvolve no dia 25 de abril a intervenção urbana "Bandeira nas Paradas", em que mediadores voluntários da Rede realizam leituras de poemas de Bandeira, mini-contos e pequenos causos em paradas de ônibus do Recife.
(Do Jornal do Commércio - Reporter JC)

Pequeno Lucas, o campeão de leitura

Embarque Na Leitura projeto bem sucedido de emprestimo de lvros, do Metrô de São Paulo e o Instituto Brasil Leitor, tem o grande campeão de leitura de 2010. Dentre os leitores de até 12 anos Lucas Reis de Lima Silva, 9 anos, morador de Osasco, foi o escolhido porque pediu 190 exemplares em 2 anos. Vale lembrar que  média de leitura do brasileiro é de 5 livros por ano. O pequeno Lucas é um exemplo de que ainda vai demorar muito a que o livro tradicional deixe de atrair leitores.
Segundo informações de Aloizio Gibson, chefe de MKT do metrô, a biblioteca tem aproximadamente 17 mil exemplares e 40 mil associados.
O garotinho Lucas (foto) grande leitor tem o incentivo da mãe, ela também uma associada. Lucas foi quem providenciou as carteirinhas dele e da mãe e diz que sempre se sai bem nos ditados escolares pelo quanto já aprendeu com as leituras.

(Fonte: Estadão - Matéria de Suzane G. Frutuoso do J.T)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Dia Nacional do Livro Infantil - 2011 (2): Maria Heloisa Penteado

Maria Heloisa Penteado, paulista de Araraquara, é a autora do livro que abre o dia Nacional do Livro Infantil deste ano: No Reino Perdido do Beleléu; Maria Heloisa iniciou-se como escritora e ilustradora em 1949 no Estadão. São de sua autoria:


A Outra Menina



Maria Heloísa Penteado, com mais de quarenta livros publicados, sabe inventar boas histórias. Em A Outra Marina, a criança será seduzida pela curiosidade, coragem e sensibilidade da personagem. Marina sabia, tinha certeza, que Dona Lili tinha um segredo. Um segredo dela e do mar. Precisava descobrir. Muito intrigada a menina foi descendo ... 









O livro O Short Amarelo da Raposa apresenta a história de uma raposa que rouba uma roupa de um varal e passa usá-la como short. Mas como devora tudo o que encotra, sua barriga desce, até a roupa estourar.




 
 
  
Era uma berinjela como as outras. A única diferença é que crescia depressa demais. A lebre Tonica, estranhamente, a media todos os dias. A aranha Neneca, observadora, surpreendia-se com o rápido crescimento da berinjela e com o interesse da lebre Tonica. O mistério crescia. Neneca, no entanto, não conseguia a atenção de seus vizinhos e O Mistério da Beringela   deixa todos curiosos
 
 
   
Outros títulos de Maria Heloisa Penteado: Trinca de Reis; As Ameixas Encantadas; A Bruxa Madrinha; Madalena Pipoca; Os Telecaramujos; O Rei Caracolino e a Rainha Perna-fina; O Grilo Mágico; Nina-Chuva;Quimquim Labareda; Uma História de Sexta-Feira dentre outros


Leia também:

http://livroerrante.blogspot.com/2011/04/dia-nacional-do-livro-infantil-2011-1.html

http://livroerrante.blogspot.com/2008/04/18-de-abril-dia-do-livro-infantil.html

Segunda-feira poética:Thiago de Mello



Pouca Fala
Thiago de Mello

Como é fácil dizer. É abrir a boca
e deixar que se livre, como um rio
perdido de si mesmo, o desvairio.
Aprendi: toda vez que deixo a boca
entregar-se à aventura da verdade,
não demora e a traição da liberdade
me devolve a palavra desalada.
O tempo é o do fazer silencioso,
e um pouco de canção,brasa que o azul
do sonho que trabalha vai lavrando.
Como a terra que abriga e dá caminho
a um sonho de semente que não sabe
que abre um rastro de luz na escuridão

(Em: Poesia Comprometida Com a Minha e a Tua Vida)

Conheça também:
A Criação do Mundo, CD lançado em 2006 comemorativo dos 80 anos do poeta nascido em
Barreirinha- AM em 30 de março de 1926.


Gaudêncio Thiago de Melo
A Criação do Mundo
R$34,90


Dia Nacional do Livro Infantil - 2011 (1): No Reino Perdido do Beleléu

O livro sobre que meus filhos (30 e 28 anos) mais conversaram em criança, é o escolhido para ilustrar o Dia Nacional do Livro Infantil deste ano. O Exemplar de No Reino Perdido do Beleléu, foi presenteado por minha mãe Maria Emília que precisou passar muitos dias ouvindo comentários  e fantasias criadas a partir da estória.  Muitos anos depois o livro foi doado por mim, com a permissão deles e anuência da avó.
Com ela ficou a satisfação de vê-los lendo e neles a diversão e carinho de Voinha.



No Reino Perdido do Beleléu
Maria Heloisa Penteado
Zé léo é um garoto que perde suas coisas e uma noite descobre a existência do local onde todas as coisas perdidas vão parar, mas consegue chegar a este lugar onde vive aventuras.
Editora Ática
R$24,90 (Livs. Saraiva e da Travessa)

Leia também:

sábado, 16 de abril de 2011

Crônicas da M.P.B: Águia de Haia, Ney Lopes e Luis Filipe de Lima


Águia de Haia
Luís Filipe de Lima e Nei Lopes

Saí do baile rumo a Copacabana

Mas no Campo de Santana recebi um santo

Quem viu me disse que foi um espanto

Que eu falei coisas meio um tanto ou quanto, sei lá

Dizem que eu falava discursando,

Com sotaque de baiano intelectual

E de repente, sem ter dó nem piedade

Eu entrei na Faculdade de Direito Nacional


(Data venia, homo sapiens! In vino veritas, libertas quae sera tamen! Dura

lex sed lex, habeas corpus pro labore! Etcetera...)


Na Faculdade escrevi regras e tratados

Dei lições pro doutorado com muita ciência

Só me chamaram de Vossa Excelência

Me convidaram pra livre docência, pois é

Discursei três horas sem dar pausa

Fui doutor honoris causa e quase fui reitor

Porém no meio dessa história gloriosa

O caboclo Rui Barbosa de mim desincorporou


(Quosque tandem, Catilina, abutere patientia nostra! Revertere ad locum

tuum! Vade retro, alter ego, persona non grata! Curriculum vitae? Delirium

tremens!)


Eu que já era um mestre consagrado

Fui então chamado de Doutor Bebum

De catedrático, eu passei a ser lunático

Um caso psiquiátrico, um alcoólatra comum

Tudo isso culpa de um traçado

Também fui misturar conhaque com rum

Agora, quando eu passo, levo vaia

Águia de Haia, Rui Barbosa Um-Sete-Um!



(Post scriptum: toma cuidado, meu camarada, que é como dizia o grande

filósofo afro-latino Neilópius: “Cullus bebedorum dominus non habet!”...

Data venia!!!)