quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Agradável surpresa:Eu Não Vim Fazer Um Discurso. Grabiel García Márquez

Comprei o livro de García Márquez por acaso. Já conhecia o autor,de quem gosto  imensamente. Não sabia, porém, que ele estava com livro novo na praça. O exemplar, cuja capa não tem nada de atraente, estava bem à minha frente quando entrei na livraria. Fazer o quê?  Eu Não Vim Fazer Um Discurso é uma coletânia de textos; discursos feitos em diversas ocasiões e lugares ao longo de boa parte de sua vida. Inicia com o que ele fez em 1944 despedindo-se dos colegas de turma do ensino médio.  Simples, abrangente, afetivo, bem humorado e elaborado. A primeira surpresa foi quando confirmei no próprio livro que o autor  tinha, à época, apenas 17 anos.  A cada texto uma satisfação. Em Como Comecei a Escrever (03.05.1970), García Márquez diz francamente do medo que está sentindo por falar em público. Desculpa-se por ficar sentado e conta que pelo medo até desejou ficar doente de verdade e que imaginou não ir de paletó ao evento para não ter franqueada a sua entrada. Prossegue dizendo de forma por demais divertida que fez seu primeiro conto desafiado pelo diretor  do caderno literário do Jornal El Espectador. Diz ter adoecido de verdade quando viu, no dia seguinte, nota elogiosa da direção do jornal  junto com seu conto publicado.
Confessa não saber quando vai ou o que vai escrever e que espera a ideia lhe chegar pronta. Podendo isto
demorar bastante,logicamente.
 Dedica ao México em Outra Pátria Diferente (22.10.1982) , recebendo a Ordem da Águia Asteca, um pronunciamento de gratidão comovente pela simplicidade e grande carga de afeto, pela acolhida que o México lhe deu nos anos 60, quando, segundo ele, já não era feliz. 
Mais adiante A Solidão da América Latina (08.12.1982) é uma aula de história e sociologia como a maioria gostaria de  ter.Pronunciamento feito por ocasião do recebimento do Premio Nobel de Literatura Nesse pronunciamento feito em Estocolmo, Suécia, García Márquez discorre sobre diversas mazelas porque passaram, ao longo de décadas ininterruptas,vários países da A.L. Ditaduras sangrentas e esquizofrênicas, algumas delas ainda nas nossas lembranças. Dando números absolutos e comparativos, nomes de pessoas e países Gabo, mostra a causa da  solidão da América Latina. Mais adiante e de forma brilhante chama a atenção para o erro da visão europeia sobre a A.L. Porque, segundo ele, o europeu não entende que o novo continente vive em tempo diferente. Que, por exemplo, a Suiça que nos olha hoje é a da paz, da prosperidade, dos queijos. Os suiços não conseguem ver  semelhança entre os movimentos massacrantes que ora ocorrem aqui com protagonisados por seus compatriotas do passado, que de pacíficos nada tinham.
Prossegue com O Cataclismo de Dâmocles, discurso feito na reunião do Grupo dos Seis  no México em 06.08.1986. É sobre  a paz e o desarmamento nuclear. Exceto pelos dados numéricos está atual até hoje.
A lei me impede de  reproduzir qualquer texto, mas não posso negar que faria isso com satisfação para compartilhar a mesma satisfação que tive lendo.  Falar a verdade, satisfaçao é pouco. O livro me emocionou a cada discurso.  Havia me prometido não comprar livros por algum tempo, mas fiz bem em não cumprir. São ao todo 21 textos. Todos emocionados, simples, realistas, francos, necessários a qualquer leitor.
Para quem já conhece Gabriel García Márquez: imperdível. Para quem não conhece é ótima oportunidade.
Páginas: 127
Tradução: Eric Nepomuceno

Ed. Record
R$24,90


Dedico a você, Amaro Gantois,  a emoção que senti com a maioria dos textos desse livro. É a única forma que tenho de apaziguar a vontade que me deu de comentar e lhe emprestar  a obra