quarta-feira, 22 de junho de 2011

Quarta-feira é dia de conto:Caminhos Paralelos

Caminhos  Paralelos

     O trem parou na estação. Liliana na fila, ansiosa, com sua bagagem de mão, não via a hora de embarcar, pra fazer a tão esperada viagem e chegar ao tão esperado destino.
O trem parou na estação. Leonor na fila, olhava para trás e via os arranha-céus que se acavalavam no pouco espaço do centro da cidade e sentia um vazio e um aperto no peito. Não conseguia parar de pensar em ficar. Não queria ir…
Cabine 35 dizia o bilhete, janela, para poder ver a natureza, o campo, as flores silvestres, os belos plátanos que acompanhavam os trilhos paralelos até um certo ponto.
     No bilhete marcava a cabine de n° 35, “espero que não seja janela”, pensava Leonor, que queria aproveitar o tempo da viagem para ler as últimas páginas do livro e começar o próximo que ganhara de presente do André.
Liliana colocou sua mala no lugar, seu travesseiro na cama, pois o pernoite seria no trem, pôs as flores e o vaso sobre a mesa, deixou o pijama sobre a cama e saiu da cabine, indo ao restaurante .
     Leonor entrou e viu que um lado já estava ocupado, adonou-se da outra cama, mais longe da janela, colocou os livros sobre a cama, pegou o que estava lendo e foi ao bar, sentou na mesa 13, pediu uma água e pôs-se a ler.
Já devidamente alimentada, Liliana voltou à cabine, puxou a cadeira até a janela, estava anoitecendo e ficou observando a paisagem, ouvindo o cantar dos pássaros e o som característico do rodado do trem nos trilhos. Meia hora se passou e foi deitar-se, estava cansada e logo adormeceu.
     Leonor não jantou. Pediu um sanduíche e uma Pepsi-cola , degustou e voltou a cabine. Viu que alguém dormia, mas não conseguiu reconhecer pois seu rosto estava encoberto. Fazia frio. Deitou-se e ainda leu algumas páginas sob a luz do abajour.
Liliana acordou cedinho, tomou seu banho, vestiu-se e percebeu que alguém dormia, suavemente, na outra cama. Saiu e foi tomar seu café da manhã.
     Leonor acordou, olhou em volta, olhou pro relógio e percebeu que a viagem estava perto do fim, viu a cama arrumada e a mala sobre ela, mas a pessoa já saíra. Pegou sua mala, os seus livros, saiu da cabine e no corredor alguém apressado esbarrou nela. Os livros cairam, elas se entreolharam, agacharam-se a pegar os livros e cada uma continuou sua caminhada.
     Liliana voltou correndo do restaurante e no corredor esbarrou numa moça que carregava uns livros, apanharam-nos e nem deu tempo de pedir desculpas, pois o trem já estava parando e a ansiedade por descer era imensa.
Eram 11:00h AM. Os passageiros desceram do trem e…
- Táxi
-Táxi
    Liliana e Leonor, lado a lado, chamando o táxi. Olharam-se e lembraram do fato ocorrido no corredor do trem e gargalharam. O táxi parou, entraram, as duas, Rua Tal, nº Tal, disse a Liliana. É o mesmo endereço que vou trabalhar, disse Leonor e riram novamente, muito. Descobriram muitas coisas em comum no pouco tempo que conversaram e até sobre os desencontros no trem, na cabine em que dormiram juntas.
- Chegamos disse o motorista.
Desceram e lá estava a casa onde iriam trabalhar:

Abraçaram-se e foram, gargalhando,
em direção ao novo lar,
ao novo trabalho.
(Do site:www.movidoavapor.com)