sábado, 30 de outubro de 2010

Crônicas da M.P.B: Torresmo à Milanesa




Torresmo À Milanesa
Carlinhos Vergueiro / Adoniran Barbosa


O enxadão da obra
Bateu onze horas
Vamo simbora joão
Vamo simbora joão
O que é que você trouxe
Na marmita dito
Trouxe ovo frito
Trouxe ovo frito
E você beleza
O que é que você trouxe
Arroz com feijão
E um torresmo à milanesa
Da minha Tereza
Vamos almoçar
Sentados na calçada
Conversar sobre isso e aquilo
Coisas que nóis dois não entende nada
Depois puxar uma paia
Andar um pouco prá fazer o kilo
É dureza joão, é dureza joão
O mestre falou
Que hoje não tem vale não
Ele se esqueceu
Que lá em casa não sou só eu
Se segura maria

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Aniversariante de 200 anos:Biblioteca Nacional.

 Em  1910 no dia 29 de outubro,o governo de Nilo Peçanha inaugura prédio da Biblioteca nacional no Rio  de Janeiro. Há 100 anos foi assim que o jornal Estadão publicou a notícia: "O palácio da bibliotheca, projectado pelo general Souza Aguiar, mede 110 metros e 45 de altura. Tem capacidade para 2.000.000 de livros e custou cerca de 7.000:000$000 de réis".
Esta é a imagem que o jornal trazia:



Breve história da Biblioteca Nacional:
Em 1807, D.João deixa Portugal com destino ao Brasil, vieram  com ele toda a família e a Real Biblioteca. Uma bagagem, valiosíssima para o país e que veio em 3 caravelas, era de  aproximadamente 60 mil peças. Chegou acondicionada em 300 caixões de madeira. A inauguração se deu em 1810 embora  somente 4 anos depois tenha sido aberta ao público.
Quando a família real voltou para Portugal em 1821 a Real Biblioteca passou a pertencer ao Império do Brasil. No ano seguinte, o Império determinou que deveria ser entregue à biblioteca Imperial e Pública da Corte um  exemplar de todas as obras que fossem impressas na Tipografia Nacional.


O prédio, foi construido obedecendo exigências técnicas do projeto do General Francisco Marcelino de Souza Aguiar: armações e estantes de aço para 400 mil volumes, pisos de vidro, tubos pneumáticos para transporte de livros. mas a primeira sede da B.N foi instalada nas catacunbas de um hospital.
Quase a totalidade das obras raras da Biblioteca Nacional vem do acervo da Real Biblioteca, aquela que D.João  trouxe quando veio para cá.  Por exemplo o manuscrito mais antigo que a B.N possui: o Evangelário que é um pergaminho, contendo quatro evangélios, está escrito  em  grego e é do sec. 11
Também está na B.N a partitura original de o Guarani, ópera de Carlos Gomes.  Mais raridades? vamos a elas: a Bíblia Mogúncia, obra impressa mais antiga , sendo que  um dos dois exemplares do acervo é do ano de 1462. Tem mais: Grammatica da Língua Portuguesa com os Mandamentos da Santa Madre Igreja, de 1539, o primeiro livro impresso a ter ilustrações de caráter didático. Tem também algumas obras que foram salvas do terremoto de 1755 em Lisboa.
Atualmente a biblioteca recebe 7.500 obras por mês e está absolutamente lotada com o acervo de mais de 9 milhões trabalhos. Desde 1990 passou a ser Fundação Biblioteca Nacional e acumula várias outras funções. Dentre elas, implantação de programas de incentivo à leitura. Desde 2005 a Fundação já montou 1856 bibliotecas no interior do Brasil.

Horários de leitura na Biblioteca Nacional:

Para atendimento ao público – usuários, usuários pesquisadores e visitantes:
De 2ª a 6ª feira – de 9:00 às 20:00 horas (Acervo Geral e Publicações Seriadas)
de 10:00 às 16:00 horas ( Acervos Especiais)
OBS 1: Horário limite para entrada de usuários – até as 19:00 horas
Sábados – de 9:00 às 15:00 horas (Acervo Geral e Publicações Seriadas)
OBS 2: Horário limite para entrada de usuários – até as 14:00 horas
•Para requisição de obras
De 2ª a 6ª feira – até as 19:300 horas (Acervo Geral e Publicações Seriadas)
até 15:30 horas (Acervos Especiais)
Sábados – até 14:30 horas (Acervo Geral e Publicações Seriadas)
Endereço: Av. rio Branco 219 - Rio  de Janeiro
Telefone: (21) 3095 3879

Faça uma visita virtual: www.bn.br

(Fontes: Jornal Estadão, Folha de São  Paulo e site da Fundação Biblioteca Nacional)

Dia Nacional do Livro: 29 de outubro

Biblioteca Nacional -Rio de Janeiro
Por que 29 de outubro foi escolhido para ser o dia nacional do livro?  Porque  é a data de aniversário da fundação da Biblioteca Nacional, que nasceu com a transferência da Real  Biblioteca portuguesa para o Brasil em 1810.






Exemplar antigo de
Marília de Dirceu
O primeiro livro publicado no  Brasil foi Marília de Dirceu de Tomás Antônio Gonzaga. Naquele tempo o imperador exercia censura à imprensa o que era um atraso.  Então, somente com a fundação da Cia. Editora Nacional em 1925, por Monteiro Lobato, é que o mercado editorial brasileiro começou a crescer.

Censura à imprensa sempre é um atraso , independente  da época e lugar. Mesmo que seja no Brasil e mesmo que seja censura a jornais ou blogs.


Outras datas relativas ao livro:

Janeiro
05 - Criação da Primeira Tipografia no Brasil
07 - Dia do Leitor
10 - Criação do blog LivroErrante
Fevereiro
07 - Dia do Gráfico
27 - Dia Nacional do Livro Didático
Março
10 - Aniversário da comunidade livroerrante
12 - Dia do Bibliotecário 14 - Dia do Vendedor de Livros
14 - Dia Nacional da Poesia 19 - Dia do Livro
28 - Dia do Diagramador e do Revisor
Abril
02 - Dia Internacional do Livro Infanto-juvenil - (Hans Cristian, Dinamarca, 1805 - pioneiro literatura infanto-juvenil)
04 - Dia do Livreiro Católico
18 - Dia Nacional do Livro Infantil - (Nascimento Monteiro Lobato, 1882)
23 - Dia Mundial do Livro e do Direito Autoral
Maio
01 - Dia da Literatura Brasileira
13 - Dia da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro
21 - Dia da Língua Nacional
Junho
10 - Dia da Língua Portuguesa
Julho
25 - Dia do Escritor
Setembro
02 - Dia Internacional do Livro Infantil
08 - Dia Internacional da Alfabetização
30 - Dia Mundial do Tradutor
Outubro
04 - Dia do Poeta
29 - Dia Nacional do Livro
Novembro
05 - Dia Nacional da Cultura
15 - Dia Nacional da Alfabetização
23 - Dia Internacional do Livro

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Carlos Drummond de Andrade - aniversariante do mês (final)

Entrevista Solta
glicínia
Carlos Drummond de Andrade


- Qual a mais bela palavra da língua portuguesa?
- Hoje é glicínia. Apesar de leguminosa.


- E amanhã?
- Cada dia escolho uma, conforme o tempo.


- A mais feia?
- Não digo. Podem escutar.


- Acredita em Deus?
- Ele é que não acredita em mim.


- E em Saldanha?
- O cisne ou o outro?


- O outro.
- Até Deus acredita nele.


- Então papamos a taça?
- Na raça.


- E se não paparmos?
- Eu não sou daqui, sou de Niterói.


- Mas tudo é Brasil.
- Para o Imposto de Renda, sim. Para o Imposto de Serviço, são muitos.


- Já fez a declaração?
- Quem faz por mim é um computador de terceira geração.


- Tão complicado assim?
- Ao contrário: a mais simples.


- Parabéns por ter renda.
- Mas eu não tenho. Imagine se tivesse.


- E a Apolo-9?
- O maravilhoso ficou barato. Quero ver aqueles três é guiando fusca no Rio.


- Vai melhorar. Olhe os viadutos.
- Estou olhando. Não vejo é pedestre. Já será efeito da pílula?


- O Papa é contra.
- O Papa nem sempre é Papa.


- Acha que China e U.R.S.S. irão à guerra?
- Não. A guerra é sempre feita entre um que quer e outro que não quer brigar.
- Quando os dois querem, verificam que estão de acordo, e detestam-se em paz.


- E a crise do teatro?
- Cada um leia a peça em casa.


- Os atores ficarão sem trabalho?
- Escreverão peças para leitura em casa.


- Os teatros estão fechando.
- Mas as cervejarias estão abrindo.


- E o Festival do Filme?
- Genial. Vai mostrar aquilo que não se vê mais nos cinemas: filmes.


- Esquadrão da Morte?
- Calma. Se é para liquidar com os bandidos, acabará fuzilando a si mesmo.


- É pela eleição por distrito?
- Sou radical. Por bairro."


- Seu prato predileto?
- Vontade de comer.


- Cor?
- A do vinho  no copo; da luz no mar;dos olhos inteligentes.


- Sua divisa?
- A do meu  apartamento. Em condomínio.


- Pretende reservar passagem para a lua?
- Não aprecio lugares muito  frequentados.


- Que acha do gênero humano?
- Podia ser pior.


- E dos animais?
- Em geral têm muita paciência conosco.


- Que mensagem envia aos telespectadores?
- que mantenham desligados seus receptores.


- Qual, o senhor é impossível!
- Também  acho.




(Do livro: O poder ultra jovem e mais 79 textos em prosa e verso
Ed.José Olímpio1974)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Quarta-feira é dia de conto: O Amor Estranho

O Amor Estranho

Jorge Fernando dos Santos
Quando uma relação se torna surpreendentemente estranha, como distinguir entre realidade e fantasia?


                                    ***
O relógio marcou onze horas e ele nada. Ela já estava ficando preocupada. Ele nunca havia demorado tanto desde o dia em que se casaram. O telefone do escritório estava mudo. Ela ligou, mas ninguém atendeu. Andava de um lado para o outro do quarto, fumando o último cigarro do maço quando ouviu o barulho da chave na porta da sala. Ele trancou a porta, passou pela sala e entrou no banheiro social. Ela ficou parada, olhando pela porta, preparada para indagar, interrogar, xingar talvez. Ouviu o som da urina caindo no vaso. Vai ver ele bebeu muita cerveja, pensou. Ele deu a descarga, apagou a luz e veio para o quarto. Os dois ficaram estáticos, olhando um para o outro, ambos surpresos. Ela pensou em gritar, pedir socorro, mas temeu que ele cometesse algum ato de violência. Permaneceram em silêncio por um instante, até que ele arriscou:
– Quem é você?
– Eu? - disse ela.
– Você... O que está fazendo aqui?
– Estou na minha casa.
– Sua casa? Quem mora aqui sou eu. Eu e minha mulher. Aliás, onde é que ela está?
– Eu é que vou saber? Deve estar na sua casa, onde mais?
– Mas este é o meu apartamento. O meu lar. Este é o meu quarto e aquela é a minha cama.
– Sua cama?
A conversa continuou sem nenhum sentido. As palavras pareciam vazias para ambos, sem significado algum. É um absurdo - pensava ela. Mas ele se comportava com total naturalidade, como se fosse realmente o dono da casa.
– Vê? Este é o meu guarda-roupa. E aqui estão meus ternos, minhas camisas... Daquele lado ficam as roupas da minha mulher.
– Minhas roupas...
Ele ficou embaraçado, pois ela parecia mesmo ser a dona da casa e demonstrava total intimidade com o ambiente, principalmente dentro daquela camisola de seda preta, que parecia ter sua medida exata.
– Aqui estão as minhas saias, meus vestidos e blusas - disse ela, abrindo o outro lado do guarda-roupa.
Ele sentou-se na cama e passou as mãos pelo rosto até os cabelos. Tentava buscar uma explicação satisfatória para o que estava acontecendo, mas por mais que se esforçasse não conseguia. Havia bebido um pouco, é verdade, mas não o bastante para delirar. Ela então percebeu que ele estava tão confuso quanto ela mesma e resolveu aliviar toda aquela tensão provocada pelo inusitado incidente.
– Você tem um cigarro?
– Eu não fumo.
– Meu marido fuma.
– Mas eu não sou seu marido.
– E quem é você, afinal?
Voltaram à questão anterior e ela ficou ainda mais preocupada, pois se o marido chegasse de repente em casa e a encontrasse com um estranho sentado em sua cama, o casamento certamente iria por água abaixo. No mínimo ele aprontaria um escândalo.
– Vamos por etapas - o estranho sugeriu. - Você descreve o seu marido e eu descrevo a minha mulher. Vai ver um de nós dois confundiu o apartamento e o outro possa ajudá-lo a encontrar o endereço certo? Esses conjuntos residenciais são tão parecidos, não acha?
– Bloco B - ela disparou.
– Bloco B?
– É. Bloco B, apartamento 203. É onde eu moro.
– Mas é exatamente o meu apartamento.
Aí a coisa ficou mais confusa ainda. Pior foi quando ela tentou falar sobre o marido e descobriu que não conseguia se lembrar exatamente como ele era.
– Não se lembra da cara do seu próprio marido?
– Acho que não.
– Quem sabe eu posso ajudar? Ele é louro ou moreno?
– Não sei. Não me lembro.
– E o nome dele?
– O nome?
Piorou de vez. Ela também não sabia o nome do marido. Não se lembrava de nada que lhe dissesse respeito.
– Você deve sofrer de amnésia. Não se lembra de coisa alguma e entrou no apartamento errado. Pode ser só uma crise de estresse. Pior é se a minha mulher encontra você aqui a esta hora e de camisola.
– Sua mulher!
– O que tem ela?
– Como é que ela é? Como se chama?
Ele se esforçou e então percebeu que também não sabia nada sobre a própria esposa.
– Ela é loura ou morena? Magra ou gorda?
Ele realmente não se lembrava. Nem do nome, nem do rosto, nem mesmo da cor dos cabelos. Pensou em consultar a aliança onde certamente o nome estaria gravado, mas se lembrou de que a deixara trancada numa gaveta da mesa de trabalho.
– Sua aliança.
– O que tem a minha aliança? - ela quis saber.
– Deve ter o nome do seu marido.
– Ah, sim, a aliança. Bem, eu não uso aliança.
– Não usa aliança?
– Eu a perdi há uns dois ou três meses. E a sua, onde está?
– Eu a deixei na gaveta da minha mesa, lá no escritório. É meio apertada e com esse calor me incomoda muito - disse ele, afrouxando a gravata.
– Você precisa ir buscá-la. Temos que resolver esse assunto o quanto antes.
– Mas o prédio onde eu trabalho já deve estar trancado. Só vai abrir amanhã, às sete e meia.
Os dois se angustiaram ainda mais. Ele então saiu do quarto e se dirigiu à cozinha. Ela foi atrás, exigindo que ele fosse embora.
– Ir embora, eu? Mas este é o meu lar... Comprei estes móveis, pago o aluguel. Você é que é a intrusa.
– Intrusa, eu?
Ele colocou um copo de vidro sobre a pia e pegou a garrafa de café. Percebeu que estava vazia.
– Não tem café?
– Claro que não. Eu não fiz.
– Não fez café? Mas que tipo de esposa é você, afinal? Seu marido chega cansado do serviço e não encontra um café quentinho?
– Só faço café pela manhã e bebo tudo sozinha. Meu marido detesta café.
– Ah, disso você se lembra, não é?
– É, você tem razão. Disso eu me lembro.
– Não faz mal, pois eu adoro café.
– E acha que eu sou sua empregada para fazer café a uma hora dessa? Olha, cara, por que é que você não vai dormir num hotel? Amanhá você volta e a gente esclarece tudo isso.
– Eu, dormir num hotel? Nunca, minha filha.
Foi então que ele teve uma idéia que considerou interessante. Sugeriu que ela buscasse o álbum de retratos. Assim, ela se lembraria do marido.
– Não está aqui - disse ela.
– Não está? Mas como não?
– Emprestei pra minha mãe e ela ainda não devolveu.
– E a certidão de casamento?
– A certidão? Nossa, a certidão... Ela foi junto, é que eu guardo ela dentro do álbum.
Ele se lembrou de onde ficava o seu álbum de fotografias e correu para o quarto, sendo seguido por ela.
– O que você tá procurando?
– Vou provar que este é o meu apartamento e que foi você quem errou de endereço.
Revirou as gavetas da cômoda.
– Não adianta procurar - ela disse. - Eu emprestei pra minha mãe.
– Não estou procurando o seu álbum de retratos e sim o meu. Meu e de minha mulher.
Não encontrou nada e começou a pensar na possibilidade de estar vivendo um pesadelo. Beliscou o próprio rosto diante do espelho e confirmou que não estava sonhando.
– Não pode ser - suspirou. - Uma coisa dessas não acontece nem no cinema. Alguma coisa está errada ou um de nós enlouqueceu.
– Claro que tem algo de errado, mas se alguém enlouqueceu esse alguém é você.
– Você ainda não me disse o seu nome.
– Sônia. E o seu?
– Eu me chamo Walter.
– Muito prazer.
Apertaram as mãos e ficaram sentados na cama, em silêncio, completamente amuados.
– Minha mulher não se chama Sônia, disso eu tenho certeza. Eu acho...
- Eu também não conheço nenhum Walter.
– Tem certeza de que não se lembra do nome do seu marido?
– Absoluta.
Ela sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo e começou a chorar. Ele acabou abraçando-a, ternamente.
– Ora, ora, mas o que é isso? Também não precisa ficar assim.
– Alguma coisa está errada com a gente e não conseguimos saber o que é - ela soluçou.
Ele acariciou os cabelos negros e longos.
– Talvez um simples telefonema possa resolver o caso - sugeriu.
– Telefonema?
– É. Liga pra sua mãe e pergunta o nome do seu marido, como é que ele é...
– Mamãe não tem telefone e se tivesse eu não ligaria. Ela ia pensar que eu fiquei maluca.
Ela chorou novamente.
– Calma, isso não adianta.
– E você, por que não liga para alguém?
– Pelo mesmo motivo. Vão pensar que eu endoidei de vez.
– E se chamássemos os vizinhos?
– A uma hora dessa? Tá maluca? E o que iríamos dizer a eles?– Meu Deus, o que vamos fazer?
– Eu acho que você tem razão. Melhor eu ir para um hotel.
– E eu vou ficar sozinha?
– Até seu marido chegar, ora bolas.
– E se ele não chegar mais? E se você for mesmo o meu marido e nunca mais voltar pra casa?
– Eu? Eu não sei mais o que fazer...
Ficaram calados novamente até que ele começou a tirar a roupa.– O que você tá fazendo? - ela perguntou.
– Estou com sono.
– Sono?
– Tive um dia duro e amanhã vou ter que levantar cedo.
Ele ficou só de cuecas e enfiou-se sob os lençois.
– Tenha uma boa noite - virou-se para o canto.
Ela ficou ainda mais confusa e angustiada. Olhou o relógio sobre a cômoda e viu que já passava da meia noite. Foi até a cozinha, tomou um copo d'água e voltou para o quarto. Notou que havia algo agradavelmente familiar naquele homem que ressonava deitado em seu leito. Fez um novo esforço de memória, mas não conseguiu se lembrar de nada sobre o marido. Seja o que Deus quiser, pensou. Apagou a luz, enfiou-se sob os lençóis e ficou mirando o escuro do quarto.
Walter se moveu e suas pernas a tocaram levemente. Ela pôde sentir os pelos, o calor de suas coxas, a ponta do joelho entre as pernas. Por um momento pensou em resistir, sair correndo ou gritando. Mas sossegou. Roçou a perna nas coxas dele e logo foi correspondida. A mão dele escorregou sob as cobertas e tocou-lhe os seios pontudos. Ela se rendeu calmamente. Ele manobrou a cabeça e lhe deu um beijo na fronte. Aos poucos, foi lhe beijando o rosto. Beijou-lhe a boca demoradamente. Amaram-se sofregamente, e nenhum dos dois se lembrou de ter tido tanto prazer como naquela noite. Dormiram profundamente um sono sem sonhos e amaram-se novamente de madrugada, sempre em silêncio, em diferentes posições.
Quando o dia amanheceu, ela acordou, foi até o banheiro e tomou uma ducha. Depois se deitou novamente e ficou olhando aquele estranho que dormia a seu lado. Às seis e meia, ela o acordou com um beijo.
– Você disse que tinha que sair cedo.
Ele tomou um banho, vestiu a roupa e saiu depressa, sem nem mesmo provar o café que ela coou tentando agradá-lo. Ao chegar no escritório, a primeira coisa que fez foi tirar a aliança da gaveta. Pensou em ler o nome, mas resistiu. Entrou no banheiro, jogou a aliança no vaso e deu descarga.


Conheça o autor: http://www.jorgefernadosantos.com.br/

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Noel Rosa e Chiquinha Gonzaga:Forrobodó, musica e livro para crianças.

Uma boa ideia: trazer para a literatura infantil, músicas de compositores clássicos brasileiros. Recém lançada a coleção forrobodó tem: Tarzan, o filho do alfaiate e As Pombas, nas livrarias.

Rafael Silveira é o responsável pelas belas e criativas ilustrações  de Tarzan,o filho do alfaiate. A música, que virou historinha, é de Noel Rosa e Vadico.

Tarzan, o filho do alfaiate
Ed.formato - 16 páginas
Ilustração: Rafael Silveira
R$19,90 (Americanas)








Clayton Júnior é o responsável pelas belas e criativas ilustrações de As Pombas, a música que virou historinha é de Chiquinha Gonzaga e Raimundo Correia

As Pombas
Ed.formato
Ilustração: Clayton Júnior
R$19,90 (Americanas)








segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Elvis em quadrinhos



Está no mercado uma biografia de Elvis Presley feita em  quadrinhos. Reinhard Kleist e Titus Ackermann organizaram a biografia do rei do  rock, em forma de coleção. dez dos melhores quadrinhistas alemães da atualidade, foram escolhidos e cada um ficou responsável por uma parte. Alguns dos artistas, são: Nic Klein, Uli Oesterle, Isabel Kreitz e Thomas von Kummant e o próprio Reinhard Kleist.


Elvis
Organizado por: Reinhard Kleist e Titus Ackermann
Tradutor: Margit Neumann & Michael Korfmann
Páginas: 128
R$ 63,00

(Fonte: Estadão de 23/10/10)

Segunda-feira poética: Cecília Meirelles

Canção Excêntrica



Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
protejo-me num abraço
e gero uma despedida.

Se volto sobre meu passo,
é distância perdida.
Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
- saudosa do que não faço,
- do que faço, arrependida.

sábado, 23 de outubro de 2010

Horóscopo poético: escorpião 23 de outubro a 22 de novembro

O poetinha me perdoe mas hoje não vou postar seu  poema às mulheres de escorpião. Vinicius não foi feliz no que disse a respeito das escorpianas.  É do poeta português João Pimentel Ferreira o que posto hoje. À minha filha Suzana que é de escorpião e uma mulher sensacional.

Dois sonetos de amor à Susana

O "princepe" elabora dois sonetos
a uma diva que encanta,
que veste saia branca
e que calça elegantes chinelos pretos.


E da mão esquerda delicados dedos
acariciam a sua anca.
A minha paixão é tanta
O seu cabelo: negros filamentos




O apelido eu desconheço,
mas o seu nome : Susana
Desta arte pago o preço


de escrever como quem ama
E muito já nem peço:
Um beijo, prescindo a fama.


Olhar deveras cativante
uma postura delicada,
uma deidade amada
por um modesto poeta errante


Escreve como Dante
uma prosa elaborada
sublime, bela e dada
ao "Silêncio" relaxante


Um intelecto maravilhoso
de apenas uma mulher
Fiquei indeciso, curioso


Como quem não sabe o que quer
Escrevo um verso atencioso
a esse belo malmequer

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Li, gostei e recomendo: A Vida Que Ninguém Vê.

Em janeiro li, o que pra mim foi o melhor livro do ano: O Olho da Rua, de Eliane Brum. Jamais tive preconceito com jornalistas e isso já me levou a ler mais alguns livros desses profissionais mais conhecidos na TV e ou revistas. Devo dizer que gostei de todos. Absolutamente diferentes entre si  e diferentes, também, do que cada um  faz no dia  a dia onde são mais conhecidos. Não importa. Todos  bons.  O mais recente  deles: A Vida Que Ninguém Vê me chamou a atenção, porque a autora dá uma aula de história gaucha, bom humor, lirismo.. tudo a partir de uma estátua.  Claro que faz isso nas demais páginas e assuntos, mas comecei abrindo o livro aleatoreamente e...

Ele está lá. Quase ninguém vê, mas está. a maior lição sobre a relatividade do poder. Afugacidade da fama. A efemeridade da glória. Ele, o conde de Porto alegre. Manoel Marques de Souza. terceiro  varão de uma dinastia de centauros de espada em  riste. Parido na guerra, pela guerra. Engatinhando nas poças de sangue dos campos de batalha, a pele do rosto feita couro pelos ventos do pampa. Aos 13 anos despedindo-se da casa da mãe para se entreverar com os castelhanos. Aristocrata da guerra, virou barão, visconde e por fim um  conde, os dois últimos na Guerra do Paraguai. Morreu embebido em  dores e feitos, a mortalha bordada de galões e medalhas. E era tão importante, mas tão importante, o nome estendido como um pelego de brios sobre coxilhas do Rio Grande, que mereceu a primeiríssima estátua cravada na mui leal e valorosa Porto Alegre. Título, aliás, que ele conquistou para a capital ao  arrancar a cidade dos arcabuzes farrapos.
   O ano era 1885. O conde eternizado em mármore. A princesa Isabel em  distintíssima pessoa veio instalar o herói na praça que  leva o nome do pai, dom Pedro II. e com tal entusiasmo que pode muito bem  ter plantado uma pulga no penteado da condessa viúva: "As nobilíssimas condecorações que ornavam o másculo peito, com a ponta de uma fulgurante espada..." e por aí foi o real discurso.

A Vida Que Ninguém Vê
Eliane Brum
Ed.Arquipélago
Páginas: 208
RS32,00 (Liv. Saraiva)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Carlos Drummond de Andrade -o aniversariante do mês.(3)

O Assalto
Carlos Drummond de Andrade



Na feira, a gorda senhora protestou a altos brados contra o preço do chuchu:
— Isto é um assalto!
Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém, correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua inteira, atravancada, mas provida de um admirável serviço de comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando um assalto ao banco. Mas que banco? Havia banco naquela rua? Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser assaltado?


— Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a exclamar, e quem não tinha escutado, escutou, multiplicando a notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes era como a própria sirena policial, documentando, por seu uivo, a ocorrência grave, que fatalmente se estaria consumando ali, na claridade do dia, sem que ninguém pudesse evitá-la.


Moleques de carrinho corriam em todas as direções, atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as mercadorias que transportavam. Não era o instinto de propriedade que os impelia. Sentiam-se responsáveis pelo transporte. E no atropelo da fuga, pacotes rasgavam-se, melancias rolavam, tomates esborrachavam-se no asfalto. Se a fruta cai no chão, já não é de ninguém; é de qualquer um, inclusive do transportador. Em ocasiões de assalto, quem é que vai reclamar uma penca de bananas meio amassadas?


— Olha o assalto! Tem um assalto ali adiante!
O ônibus na rua transversal parou para assun tar. Passageiros ergueram-se, puseram o nariz para fora. Não se via nada. O motorista desceu, desceu o trocador, um passageiro advertiu:
— No que você vai a fim do assalto, eles assaltam sua caixa.
Ele nem escutou. Então os passageiros também acharam de bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de saber, que vem movendo o homem, desde a idade da pedra até a idade do módulo lunar.
Outros ônibus pararam, a rua entupiu.
— Melhor. Todas as ruas estão bloqueadas. Assim eles não podem dar no pé.
— É uma mulher que chefia o bando!
— Já sei. A tal dondoca loira.
— A loura assalta em São Paulo. Aqui é morena.
— Uma gorda. Está de metralhadora. Eu vi.
— Minha Nossa Senhora, o mundo está virado!
— Vai ver que está caçando é marido.
— Não brinca numa hora dessas. Olha aí sangue escorrendo!
— Sangue nada, é tomate.


Na confusão, circularam notícias diversas. O assalto fora a uma joalheria, as vitrinas tinham sido esmigalhadas a bala. E havia jóias pelo chão, braceletes, relógios. O que os bandidos não levaram, na pressa, era agora objeto de saque popular. Morreram no mínimo duas pessoas, e três estavam gravemente feridas.


Barracas derrubadas assinalavam o ímpeto da convulsão coletiva. Era preciso abrir caminho a todo custo. No rumo do assalto, para ver, e no rumo contrário, para escapar. Os grupos divergentes chocavam-se, e às vezes trocavam de direção; quem fugia dava marcha à ré, quem queria espiar era arrastado pela massa oposta. Os edifícios de apartamentos tinham fechado suas portas, logo que o primeiro foi invadido por pessoas que pretendiam, ao mesmo tempo, salvar o pêlo e contemplar lá de cima. Janelas e balcões apinhados de moradores, que gritavam:


— Pega! Pega! Correu pra lá!
— Olha ela ali!
— Eles entraram na Kombi ali adiante!
— É um mascarado! Não, são dois mascarados!
Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhadora, a pequena distância. Foi um deitar-no-chão geral, e como não havia espaço uns caíam por cima de outros. Cessou o ruído, Voltou. Que assalto era esse, dilatado no tempo, repetido, confuso?
— Olha o diabo daquele escurinho tocando matraca! E a gente com dor-de-barriga, pensando que era metralhadora!
Caíram em cima do garoto, que sorveteu na multidão. A senhora gorda apareceu, muito vermelha, protestando sempre:


— É um assalto! Chuchu por aquele preço é um verdadeiro assalto!



(Do livro: O poder Ultra Jovem e mais 79 textos em prosa e verso)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Quarta feira é dia de conto: Elisa Lispector

A Secreta Beleza
Era  tarde quando entrei no quarto para olhar o menino, que demorava adormecer.

    Através da janela aberta, ouvia-se o marulho das ondas. A cálida noite de verão parecia mover-se em ondulações, como se a terra tivesse sido invadida pela inconstância do mar.


    Por momentos, eu própria oscilei qual uma flor sobre a tenra haste, ou, por analogia com a atmosfera marinha, como uma vela à aragem, em dúvida sobre o que mais efetivo,se o oceano, a banhar de costa a costa o planeta inteiro, se a terra, vista do mar, devia parecer algo remoto, inatingível.


    De súbito, à meia-luz da pequena lâmpada de cabeceira velada por um “ abat-jour”, tive a atenção despertada para o que a princípio assemelhava- se a uma mariposa cinzenta, de asas finas, quase transparentes, mas que aos poucos ia crescendo em tamanho e beleza. Para meu espanto, também mudava de forma. A fina película das asas ia-se transformando nas cartilaginosas barbatanas de um peixe-voador, que ondeava no espaço o corpo alongado e esguio, enquanto articulava as barbatanas flexíveis irisadas de azul-turquesa, e logo a seguir transmudava-se num pássaro maravilhoso que a cada momento aumentava em esplendor.


    Com a respiração suspensa, temendo que um simples suspiro a magia deixasse de ser, eu acompanhava, atenta, a estranha metamorfose.


    Eu já nem olhava mais a criança, a tal ponto estava fascinada pela mariposa-peixe, ora pássaro singular que a cada minuto se ia enquadrando mais na sua condição de pássaro, e voava de um lado para outro a exibir a rica plumagem


    -Tu é maravilhoso! Exclamei, tão feliz quanto nunca antes estive em toda a minha vida, pareceu-me.


   - Sou sim, respondeu, para meu espanto, o pássaro em voz doce e modulada, enquanto se empoleirava sobre o espaldar da cadeira bem em frente a mim, e enchia o peito, a mostrar a penugem de um azul profundo quase beirando o negro luzente, em contraste com o azul-claro e brilhante das asas, e abrindo a cauda cujas plumas se tingiam de tons cintilantes, formando desenhos de variegados feitios.


    -Vou adotar-te. Serás meu! Anunciei-lhe, mal cabendo em mim de tanta alegria.


    - Serei, sim, retrucou a ave com uma presteza e uma ressonância tão doce que nem cuidei de indagar se leal e verdadeira.


     - Comprar-te-ei um linda gaiola, acrescentei, impelida pela instintiva necessidade de resguardar o meu tesouro.


     - Vai, sim, respondeu-me o pássaro num tom que já me pareceu meio reticente.


     Nesse momento, não sei de onde surgiu no quarto uma mulher, como a adivinhar que eu precisaria de ajuda. Pedi-lhe que ficasse com a criança e o pássaro, que a esse tempo eu já considerava meu.


     A mulher era morena, cabelos negros e lisos, feições severas que me  inspiraram confiança.


     -Pois ficarei, assegurou-me. Pode ir descansada.
     Saí não sem antes fechar a janela para resguardar o meu pássaro, enquanto ele me olhava de viés e e continuava a ostentar a bela plumagem, consciente do fascínio que exercia sobre mim.


     Bati a porta e desci a escada com tanta agilidade e leveza que mal sentia os pés tocarem os degraus. Lembrara-me de que o porteiro do edifício possuía uma gaiola. O que não sei é por que, para falar-lhe, tive de sair do prédio e enveredar por ruas e mais ruas, em cujo labirinto me perdi, no ermo da noite.


    Quanto vaguei nas trevas, meu Deus! E que tristeza, a que pouco a pouco foi invadindo meu coração! O corpo todo me pesava Tanto andei que mal podia mover as pernas trôpegas.


    - Que infortúnio este, que se abateu sobre mim? –perguntava-me. Por que esta dificuldade, este desalento? Esta sensação de abandono?


     Só voltei para casa muito tarde, quando as sombras da noite já se iam diluindo naquele cinza denso e oprimente que precede o lento e indeciso despertar do dia.
Vinha cansada, inteiramente esquecida de ao que tinha ido e ao que tinha tornado.


     Ao entrar no quarto vi a criança dormindo. A mulher havia ido embora.Enganara-me, dizendo que me esperaria, pensei, reatando a memória de antes de sair à rua.


     E em vez de pássaro, e da inicial e mútua alegria que nos havíamos proporcionado através das invocações minhas e receptividade dele, vi na parede uma pequena mariposa acinzentada, com umas riscas de cor aqui e ali. Tão diferente da outra mariposa-peixe-pássaro raro, que me ocorreu a comparação entre uma bela princesa hindu, ataviada com ricos e multicoloridos trajes de pura seda, adornada com jóias recamadas de pedras preciosas, e uma camponesa nas suas pobres vestes de chita e enfeites de latão.


     A princípio até senti certo alívio ao pensar que não mais chegaria a utilizar uma gaiola, idéia que sempre me repugnou.


    - Mas, perguntava de mim, e a perdida beleza?
    Só muito devagar fui saindo da inconsciência do sono. Ainda de olhos fechados, tentei reconstituir a imagem do pássaro que se ia diluindo como se esvanecem todos os sonhos, para, afinal, compreender que os instantes de verdadeira beleza são escassos e efêmeros, e tão secretos e sutis que não se os pode traduzir muito menos captar.



terça-feira, 19 de outubro de 2010

O Grande Ditador setentão

Hoje abro exceção para um filme: O Grande Ditador, que completa 70 anos. Não vou pensar em que Charles Chaplin ficaria perplexo vendo que, apesar de seu modelo inspirador ter morrido, a essência da opressão continua firme e forte em vários outros pontos do planeta. Não sendo necessário (nem possível, claro) parabenizar o autor porque o sucesso retumbante alcançado pelo filme parabeniza Chaplin por sí só, parabenizo a nós mesmos. Pelo privilégio de ter O Grande Ditador para divertir e pensar, palmas pra nós que nós merecemos.






Desculpe! Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja.
Gostaria de ajudar - se possível - judeus, o gentio ... negros ... brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim.
Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos.
A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem ... levantou no mundo as muralhas do ódio ... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios.
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.
A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis.
Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que máquinas, precisamos de humanidade.
Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura.
Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.





segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Segunda-feira poética: Thiago de Mello


Cantiga de Caboclo

O canto de despedida
vai disfarçado de flor.
É feito para os caboclos
do barranco sofredor.
Pra eles que não  vão ler nunca
estas palavras de amor.
Amor dá tudo o que tem:
dou esta rosa verdadeira,
levando a clara certeza
da vida nova que vem.
Canto para os curumins
nascidos iguais a mim,
vida escura, e tanto verde!
canoa, vento e capim.
Canto para o ribeirinho
que um  dia vai ser dono
do verde daquele chão.
Tempo de amor vai chegar
tua vida vai mudar.

(Poesia comprometida com a minha e a tua vida
ed. Civilização Brasileira)

sábado, 16 de outubro de 2010

Crônicas da M.P.B: Alzira e a Torre




Alzira e a Torre

Lula Queiroga / Lenine
Alzira bebendo vodka defronte da Torre Malakof
Descobre que o chão do Recife afunda um milímetro a cada gole
Alzira na Rua do Hospício, no meio do asfalto, fez um jardim
Em que paraíso distante, Alzira, ela espera por mim?
Em que paraíso distante, Alzira, ela espera por mim?
(Hei hei hei)
Alzira Ô (Alzira Ô)
Alzira Ô (Alzira Ô)
Alzira Ô (Alzira Ô)
Alzira Ô (Alzira Ô)

Alzira virada pra lua, rezando na igreja de são ninguém
Se o mundo for só de mentira, só ela acredita que existe além
Que existe outra natureza que venha ocupar o lugar do fim
Em que paraíso distante, Alzira, ela espera por mim?
Em que paraíso distante, Alzira, ela espera por mim?

(Hei hei hei)
Alzira Ô (Alzira Ô)
Alzira Ô (Alzira Ô)
Alzira Ô (Alzira Ô)
Alzira Ô, Alzira Ô, Alzira Ô, Alzira Ô...


É, Alzira zerou seu futuro se escondeu no escuro do furacão
Se a gente vê só alegria só ela antevia a revolução
O mar derrubando o dique, invadindo a cidade enfim
Em que paraíso distante, Alzira, ela espera por mim?
Em que paraíso distante, Alzira, ela espera por mim?


(Hei hei hei)


Alzira Ô (Alzira Ô)
Alzira Ô (Alzira Ô)
Alzira Ô (Alzira Ô)
Alzira Ô (Alzira Ô)
Alzira Ô, Alzira

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

ABL - Um pouco da Academia Brasileira de Letras (1)

Fundação

No fim do século XIX, Afonso Celso Júnior, ainda no Império, e Medeiros e Albuquerque, já na República, manifestaram votos por uma academia nacional, como a Academia Francesa. O êxito social e literário da Revista Brasileira, de José Veríssimo, daria coesão a um grupo de escritores e, assim, possibilidade à idéia.
Lúcio de Mendonça teve, então, a iniciativa de uma Academia de Letras, sob a égide do Estado, que se escusaria, à última hora, a tal aventura de letrados. Foi fundada então, independentemente, a Academia Brasileira de Letras.

15 de dezembro,1896 às três da tarde, na sala de redação da Revista Brasileira, na travessa o Ouvidor, nº 31, foi logo aclamado presidente Machado de Assis.

No ano seguinte, a  28 de janeiro do ano seguinte, houve a última última sessão preparatória como comparecimento de: Araripe Júnior, Artur Azevedo, Graça Aranha, Guimarães Passos, Inglês de Sousa, Joaquim Nabuco, José Veríssimo, Lúcio de Mendonça, Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Olavo Bilac, Pedro Rabelo, Rodrigo Otávio, Silva Ramos, Teixeira de Melo, Visconde de Taunay, Coelho Neto, Filinto de Almeida, José do Patrocínio, Luís Murat e Valentim Magalhães,Afonso Celso Júnior, Alberto de Oliveira, Alcindo Guanabara, Carlos de Laet, Garcia Redondo, conselheiro Pereira da Silva, Rui Barbosa, Sílvio Romero e Urbano Duarte, que aceitaram o convite e a honra.

Faltavam,ainda, 10 nomes para, à semelhança da academia francesa, formar um  grupo de 40 membros.Foram então escolhidos:
Aluísio Azevedo, Barão de Loreto, Clóvis Beviláqua, Domício da Gama, Eduardo Prado, Luís Guimarães Júnior, Magalhães de Azeredo, Oliveira Lima, Raimundo Correia e Salvador de Mendonça.

Estava pronta a Academia Brasileira de Letras e seus estatutos foram  assinados por:Machado de Assis, presidente; Joaquim Nabuco, secretário-geral; Rodrigo Otávio, 1º secretário; Silva Ramos, 2º secretário; e Inglês de Sousa, tesoureiro.


(Fonte: site da ABL)