domingo, 25 de janeiro de 2009

Bota de cano alto


Ladyce (RJ), que juntamente com Lucila(BA) e Márcia Regina(RS) é uma de nossas mais participativas integrantes, criou novo grupo onde serão oferecidos e emprestados apenas livros de autores italianos.

O desenho do mapa da Itália, inspirou o nome: Bota de cano alto.

As inscrições para participação encerram à meia noite de hoje e até o momento são esses os livros oferecidos:

O deserto dos tártaros de Dino Buzzati
Vá onde seu coração mandar de Susanna Tamaro
A herdeira veneziana de Fúlvio Tomizza
O quarto do bispo de Piero Chiara
Pai patrão de Gavino Ledda
1934 de Alberto Moravia
O Jardim dos Finzi Contini - Giorgio Bassani

O livro


Novo grupo de leitura criado na comunidade Livro errante, privilegia o livro. Adriana, novata de atitude, resolveu participar lendo e organizando também. Abriu um grupo onde circularão livros que falam de livros.

Aqui os primeiros participantes e livros oferecidos:

Malu - As memórias do livro, Geraldine Brooks
Amanda - A sombra do vento, Carlos Ruiz Zafón
Ladyce - A casa de papel, Carlos Maria Dominguez
Nathália - Noite do oráculo, Paul Auster
Fagner - O segredo das coisas perdidas, Sheridan Hay
Adriana - O jogo do anjo, Carlos Ruiz Zafón
Raiana Ralita - A filha do escritor, Gustavo Bernardo
Cris - A menina que roubava livros, Markus Zusak

Pijama listrado - novo grupo de livro errante


Os novatos da comunidade Livro errante, estão reunidos no primeiro grupo formado em 2009 - trata-se do Pijama Listrado referência ao livro de John Boyne O Menino do Pijama Listrado.
13 pesoas, sendo 12 novatos, ofereceram 21 livros que estão sendo votados e que deverão entrar em circulação no próximo dia 29 de janeiro.
Entre os livros oferecidos estão:
A mulher Que Escreveu a Bíblia de Moacyr Scliar, Os Meninos da Rua Paulo de Farenc Molnar e A Viagem do Elefante, último livro de José Saramago. Além de O Menino do Pijama Listrado, é claro.
Thaaty, Janete, Natália, Dalva, Carlos Said, Anderson, Fagner,Soeli, Ana Cristina, sejam bem vindos.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Para gostar de ler -



Na simpática cidade de Valença - RJ, um jovem leitor-empreendedor vai, sem burocracia alguma, sem funcionário ou vigilância, promover a troca de livros entre as pessoas. Numa praça e numa barraca simples qualquer leitor poderá levar e deixar qualquer livro. A idéia tem recebido apoio dos comerciantes da cidade e será brevemente posta em prática. Por enquanto quem quiser doar livro deve fazer contato com Fernando - Rango do Compadre, ou pelo telefone: (024)2453 2323

Também pode ajudar através da comunidade:
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=81042857

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O Sótão - Marilúcia



O Sótão
Marilúcia

Na casa de meus avôs existe um sótão encantado. Não sei bem onde é a escada para alcançá-lo; às vezes eu a encontro, outras não, mas ela existe, e é o único jeito que sei chegar até o sótão encantado.
Neste sótão, mora o rato Benevides. Tenho um medo absurdo dele, embora nunca tenha me feito mal, a bem dizer, nunca me dirigiu a palavra.
Mas nas minhas noites insones, Benevides passa por baixo da minha cama, com passinhos curtos, arrepiando aquele pêlo horrível. Encho-me de medo e fico ouvindo ele se afastar, voltar para o sótão encantado.
Acho que ele mora no caixão de defunto. É, existe um caixão de defunto, sem defunto, lá no sótão. Está encostado na parede úmida, perto da janela que dá para os fundos da casa, tapado parcialmente com uma lona escura.
Nunca entendi e nunca me contaram o porquê deste caixão. Acho que foi comprado para um tal de tio Jambão, que sempre foi doente, mas quando morreu estava gordo e não coube no caixão. Bem feito, quem manda comprar caixão para gente viva.
O que mais gosto lá em cima são os dois baús de madeira. Eles escondem tesouros: Um cheio de revistas e o outro, de livros.
Revistas coloridas e fotonovelas, que um dia irei devorá-las, pois tem fotos de namorados se beijando, têm mulheres lindas e homens corajosos. Tem revistas que me dão medo, mas ao mesmo tempo não consigo deixar de vê-las, acho que são tragédias, pois tem sangue, feridos e mortos. E tem gente chorando. A que mais me impressiona é a do estudante morto. Tenho pena dele, quero entrar na revista para ajudar os seus colegas, gritar.
No outro baú, os tesouros são mais discretos, são muitos livros, de histórias de ler e de estudar. Um dia vou ler todos eles, serei escritora ou balconista de loja, ainda não decidi. Acho que é cedo.
Tem também uma caixa de madeira pintada com flores, com uma tampa muito pesada. La estão muitas peças de roupas antigas, vestidos, ternos, chapéus, sapatos. De homens, de mulheres e de anjos. É assim que minha avó chama as crianças que morreram. Porque pela idade das roupas, as crianças já devem ter morrido... Ou estão bem velhinhas.
Esta caixa, além das roupas, guarda um cheiro de passado. Não sei se gosto ou não gosto do cheiro de passado. Às vezes ele me enjoa, mas não consigo subir ao sótão sem abrir a caixa e sentir o cheiro de passado.
Ia esquecendo, no sótão, mora Lefer. Uma fada verde que é minha amiga. Parcialmente amiga, pois às vezes fica escondida nas sombras e não vem conversar comigo. Um ultraje, como diz minha avó. Onde já se viu se esconder das visitas?
Lefer se alimenta de pó, e pó é o que não falta lá em cima. Anda engordando, vejo suas asinhas cansadas de carregar o corpo roliço. Eu já a alertei, mas como eu disse, Lefer é uma fada incomum. Temperamental!
Lefer tem por amigo um sapo que nunca subiu ao sótão. Vive no jardim. Já com Benevides, Lefer cortou relações desde que o rato abusado a acordou durante a noite convidando-a para dançar. Lefer considerou uma ofensa. Com razão, mesmo não estando em sua melhor forma, não se presta para dançar com ratos. Ora, pois.
Hoje acordei disposta, não vou tomar café, vou subir direto para o sótão e encontrar Lefer antes que saia a borboletear.
Só que ao passar pela janela do corredor que dá para a cozinha, vejo no jardim, o velho caixão de defuntos, e mais os baús, a velha caixa, muitos livros, revistas. Tudo estacionado embaixo da laranjeira, amontoado, sem cuidado, como se fosse lixo.
Deu-me um desânimo. O que estariam fazendo minhas coisas, ali, amontoadas no jardim?
Ao chegar à cozinha, ouço os adultos que tomavam café e conversavam, sem perceber a minha presença.
- Ficou muito bom! Agora esta menina terá um lugar decente para brincar.
- Já que ela é tão estranha, que pelo menos seja estranha em um lugar limpo.
- Ela não é estranha, é tímida.
- Não é estranha? Viver pelos cantos, sem amigas, folhando livros e revistas velhas, falando sozinha! Quero ver quando crescer, arrumar namorado.
No caso, a estranha sou eu!
Subi as escadas lentamente, esperando o pior. Meu sótão havia sumido, evaporado. Em seu lugar uma sala clara e arejada.
Como um dia iria imaginar que sentiria falta do velho caixão? Acostumara com ele e com o medo que ele provocava. Que graça teria o anoitecer, que entrava pela janela enchendo de sombras o meu mundo?
Aí meu Deus! Lefer já havia voado para outra morada. Conhecendo-a como a conheço, deve ter considerado aquela mudança uma ofensa. Uma grande ofensa!
Benevides jamais se acostumaria com aquela claridade, com aquele piso lustro e escorregadio.
Só sobraram livros sérios e sisudos, arrumados como soldados de chumbo na prateleira forrada de papel azul. Só livros sérios e sem gravuras, que vai demorar muito, muito para eu ler.
O cheiro de passado se evaporou junto com a velha caixa de tampa pesada.
Desci as escadas bem devagar, precisava entender que meu mundinho não existia mais, meu portal estava definitivamente fechado. E que um dia eu terei de enfrentar a realidade sem graça dos adultos. Mas um dia.
Hoje, acabo de encontrar, quieta e pesada, uma enorme cristaleira, no canto da sala grande, cheia de bibelôs de porcelana, de adagas de ferro e garruchas enferrujadas. Ai meu Deus! Será que vão me deixar explorar estes novos tesouros?

( Publicação autorizada pela autora)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Nova ortografia

Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

Acordo em debate

Vamos promover um debate online sobre o acordo ortográfico.

Será quarta-feira (14/1), a partir das 19 horas, no Orkut, na comunidade do nosso blog.

Para participar, basta acessar o tópico "acordo", no fórum.

Esperamos você lá!

www.portuguesnarede.blogspot.com





sábado, 3 de janeiro de 2009

A perdida - Carlos Said


A perdida

Carlos Said

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É uma perdida, eu sabia que isto ia acontecer, tinha que acontecer ela sempre procurou isto, eu te avisei para não vir morar com ela, é sua mãe respeito o seu sentimento, mas é uma, descarada !!! Perdida te leva pro mesmo caminho menina ...pro mesmo caminho...desgraçada porque teve que se meter com meu filho...desculpe querida...senão fosse isto você não teria nascido...Mas veja que situação, no Hospital trazida, por delinqüentes... entre a vida e a morte e tudo porque ???Porque ... homem...sempre homem... ela nunca gostou de você...ela é uma perdida...corre atrás de macho...depois do seu pai que tem idade para ser filho dela, quantos homens ela teve hein quantos ?..perdeu as contas ?...com quantos dormiu no apartamento que vocês moram...com você lá dentro...com quantos ?.Que exemplo meu Deus, que exemplo !!!...Olha o que acontece ... agora se mete com moleque drogado, podia ser filho dela até neto...o que esperava... e do seu lado, ele podia ter levado você para este mundo de drogados...meu Deus meu Deus...tinha que acontecer ela é uma perdida.
A mulher falava em um tom baixo mas sua indignação era tanta que não conseguia dominar e uma ou outra palavra saia mais alta chamava a atenção.
A jovem mantinha os olhos abaixados, estava só os demais irmãos não vieram o irmão ao ser comunicado, dissera ter vergonha da "velha" e que não "queria nem saber".Ironia só tinha meio-irmãos, todos frutos de relacionamentos da mãe, casamento apenas um e sem filhos.Os últimos meses tinham sido difíceis, a mãe mais na rua que em casa.Ela tentando negociar com a arrumadeira, com credores, mentindo para o pai e para a avó em Ribeirão Preto que ligavam para saber como estava.A mãe cada dia pior chegando a agredi-la quando questionou o relacionamento com o Clayton, o rapaz era 2 anos mais novo que ela a filha mais nova, se drogavam em casa ambos, sua vida que parecia mais tranqüila com mais liberdade desde que viera morar com ela, virara um tormento.
Quando a mãe trouxera o primeiro namorado para casa conversara com a filha brincaram, aprovou que ela trouxesse também seus namorados se quisesse a mãe até saia para deixá-la a vontade.Achou normal os namorados da mãe em casa, todos jovens, exceto um velho professor amigo de anos que as vezes ajudava financeiramente .Com alguns bebia muito se trancavam no quarto e ela e os visinhos escutavam o embate dos corpos, os gritos alucinados os palavrões que usava ao fazer amor, depois vieram muitos, alguns só por um dia.Agora aquilo, o que soubera é que o Clayton pedira dinheiro para drogas, sabia que a mãe consumia para fazer sexo com ele e saia do quarto com os olhos esvaziados de vida esgazeados de um êxtase nauseante.
Neste dia a mãe o acompanhara na boca como fazia nas ultimas semanas, ouvira-a dizer que estava quase sem nenhum, mas que podia levar umas jóias, Clayton rira e dissera, "-Que jóia mulhé so tem bijou...tudo merda...porque não "faiz "outro "boquete" nos pivete da favela e eles liberam uma farinha maior pra gente?-Pô lindo, faz isto comigo não, você não sente ciúme ? – Você gosta coroa...mas vamo nessa to seco... fico doido se não cheirar..." Saíram, o que aconteceu depois foi contado por outros amigos.
Na boca queriam negociar, queriam mais droga e nem com as jóias nem com a grana e a promessa de um boquete os "neguinhos" da boca do Buraco Quente deram mais.Ai a mãe falou que ia "dedar" eles "pros home" pra que mano, cobriram ela de porrada e o Clayton se safara dizendo que a coroa era pirada que ele não tinha nada a haver...os neguinho aliviaram mas mandaram ele se mandar.Com o corpo da coroa moído de pancada, humilhado de gazes, suor e sêmen, pegaram pelos braços e pernas e jogaram na calçada da avenida que margeia a favela.
O seu corpo ficou ali roto quase sem vida, ainda toda pintada, camuflando o sangue que escorria, não as profundas marcas da idade e sofrimento.Um motorista viu parou, pessoas da rua se acercaram e colocaram o corpo no carro.Sem ninguém notar outro carro os seguia, e dele descera um jovem ao entregarem o corpo quase sem vida na portaria do Hospital.Pelos documentos, e uma agenda chamaram os familiares, não sobrara nada: dinheiro celular nada,levaram tudo, só a velha agenda ficara na bolsa de adolescente que usava.
Um homem alto de meia idade entrou na sala de espera, a jovem levanta a senhora o olha. -Oh filho que coisa...que vergonha...que vergonha!!.A jovem se aninha nos braços abertos do pai abre um choro convulsivo, o homem a acaricia seus cabelos.Olhando para a Senhora –Vamos embora falei com o médico e não há nada que possamos fazer, traumatismo craniano, temos que aguardar como ela reage e precisamos descansar e rezar...a viagem foi longa vamos, a gente volta mais tarde.
Ninguém notou que na sala havia ficado o jovem nem viram ele entrar, ao saírem .O jovem abre a porta da "mini" UTI do hospital, faz um gesto para a enfermeira –Vão remover ? –Não a velha esta mal vão esperar a reação . Ela o conhecia. -Então "vaza", é boca mole.A moça obedece apreensiva sai da sala, ele ainda escuta a voz da avó, no corredor dizendo...-Uma perdida...é o que ela é uma per-di-da!!!.Chega próximo aos aparelhos, o balão de oxigênio e seu duto de plástico transparente que mantém um fio de vida naquele corpo maltratado é retorcido impedindo o oxigênio de circular, um pequeno tremor e o fio de vida se despede do corpo ele sai, deixando a velha senhora em companhia de sua morte...afinal era uma perdida.

(Gentilmente cedido pelo autor)